Jair Bolsonaro: a palhaçada que pode se tornar trágica!


Era uma vez um militar de baixa patente. Seu país passava por uma terrível crise econômica e por uma trágica situação política. Os partidos, fossem eles da esquerda, há pouco apeada do poder, fossem da direita, não davam conta dela e a violência campeava sem controle, pelo menos esta era a visão de boa parte das pessoas comuns, de trabalho mal remunerado e padrão de vida aviltado, que viviam a humilhação do poder aquisitivo rebaixado apesar da “seriedade e do empenho com que se dedicavam às suas nobres funções”.

O militar era um sujeito medíocre, de mentalidade retrógrada, o típico defensor dos “valores tradicionais da família e da pátria”. Saudoso da glória pretérita, de uma Era de Ouro em que o tacão violento e impositivo dos generais, que ele admirava profundamente, providenciava a ordem e o progresso do Grande Império, tratando de calar e eliminar os perigosos elementos que o ameaçavam, assim como um pai de família severo é capaz das mais resolutas atitudes para a perfeita disciplina e retidão de conduta de sua prole. Ele sofria profundamente com a humilhação a que seu povo se encontrava submetido no presente e via nos elementos depravados, que ameaçavam a perfeita moral familiar do país, tentando inverter e subverter os papéis destinados a homens e mulheres, à pura raça branca e às famílias de berço nobre, destinadas a liderar o país, a raiz profunda das desgraças nacionais. Era necessário enquadrá-los, especialmente a gays, mulheres metidas a macho, membros de raças inferiores, e, sobretudo ao perigo vermelho vindo de fora, e, eliminá-los, mesmo, para que se restabelecesse a ordem da moral dos patriarcas e dos senhores de bem, de reto proceder e abençoada fortuna, e o país voltasse aos tempos dourados de grande império.

Ele sabia que o povo não confiava mais nos grandes políticos, todos eles corruptos, quando não manchados pela peste vermelha, e se colocava como alternativa ao povo, cujo sentimento de revolta raivosa diante da desordem ele comprendia perfeitamente.

Seus discursos e atitudes pareciam absurdos, desmesurados até para os mais conservadores, porém com algum senso de racionalidade. Mas ninguém acreditava nas suas bravatas de extermínio físico da ralé depravada, de repressão bestial e truculenta dos grupos que não costumavam se comportar de acordo com os rígidos ditames da velha moral patriarcal e “familiar” já há décadas um tanto desacreditada.

Algum que outro ativista ou pensador de esquerda vislumbrou a concretude perigosa de tais atitudes e propostas, mas ninguém levou a sério. Eram tão extremadas, beiravam tanto à insanidade, absurdamente violentas e insensatas que não passavam de puro folclore. Eram apenas palhaçadas, destinadas a chamar a atenção e conquistar o poder, o que dificilmente ocorreria. Era um louco inofensivo.

E assim, enquanto as diversas abordagens políticas tradicionais desconsideravam-no, ele foi ganhando a confiança das pessoas comuns, que, acossadas pelo quotidiano de miséria, precariedade e violência, e desamparadas frente ao discurso abobalhado dos políticos “sem atitude”,  passavam a ver, cada vez mais, nas bravatas absurdas, a solução para a “baderna” instaurada. Era preciso um governo forte, decicido e que pusesse fim à orgia que estabelecera-se com um governicho de ladrões, que fazia suas safadezas grossas à revelia do povo, e perigosos elementos subversivos no meio da massa que impediam a ordem de se restabelecer.

Um dia, de tanto espumar e esbravejar, providenciando através de seus discípulos, volta e meia, o corretivo do pau no lombo dos “transviados”, ele chegou ao poder. Era um perigo para a liberdade e os direitos básicos de convivência e civilidade consagrados aos mais simples cidadãos desde a derrocada do velho obscurantismo monárquico e religioso medieval. Mas aqueles que poderiam ter evitado sua ascenção continuavam a não levá-lo a sério. O poder corrompe, o dinheiro distorce e em pouquíssimo tempo o louco tirano seria seduzido por ele e se tornaria simplesmente mais um chefete corrupto e extravagante, igual aos demais. Não havia o que temer. Mesmo potenciais vítimas, como gays riquíssimos e de requintada extração não o temiam, pois se achavam, supunham, blindados por sua fortuna e posição.

Mas o louco não se deteve, cumpriu todas as suas promessas e transformou o país num enorme campo de concentração, economicamente viável e livre de bandidinhos chinelões, mas profundamente infeliz e sobressaltado permanentemente pelo temor do braço impiedoso e forte da nova ordem. Por pouco não fez do próprio mundo, pelo poder do Novo Império restaurado, uma nova prisão, pois mesmo as potências capitalistas tradicionais não haviam acreditado nas suas palhaçadas e demoraram a opor-se-lhe, enquanto ele ía tomando, um a um, os arredores do Império para a nova ordem disciplinadora, rígida, violenta e sublime e edificante, dos homens brancos agraciados pela divindade!

Seu nome, o do excêntrico redentor, não era, casualmente, Jair Bolsonaro, embora, ressalvado o contexto internacional, pudesse sê-lo, havendo um perfeito paralelo na história de ambos. Chamava-se Adolfo Hitler, e foram necessários seis anos de uma renhida guerra total para expulsar ,formal e temporariamente, o nazismo da face da Terra e, por um bom tempo, boa parte da Europa sofreu debaixo das botinas de sua negra tirania.

De sua nefanda história nos restou a advertência que parece estar sendo, mais uma vez, sublimemente desprezada, agora no Brasil: É PRECISO LEVAR A SÉRIO OS PALHAÇOS EXPLICITAMENTE PSICOPATAS E TRATAR DE IMPEDI-LOS, ANTES QUE O SEU INTENTO, APARENTEMENTE CÔMICO, MAS PROFUNDAMENTE ENRAIZADO NA FÚRIA AUTORITÁRIA SUBTERRÂNEA QUE AINDA HABITA O INTERIOR DO INDIVÍDUO MÉDIO, ESTABELEÇA A INFELIZ E IRREMEDIÁVEL TRAGÉDIA!

Ubirajara Passos

 

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A BÍBLIA DO PERUCA: O último trago


Era a véspera da páscoa, e como já estava terminando a “quaresma” (tempo de abstinência sexual, que Jesus Peruca e seus apóstolos não respeitavam mesmo) foram todos para a Taverna Lucy Bar (sob nova direção, devido a morte de sua antiga proprietária)  realizar o que acabou se tornando conhecida como a farra bíblica de maior relevância no “Evangelho de Nosso Senhor Jesus Peruca” mais conhecida como ” O Último Trago”.

Para variar, o Mestre e seus discípulos já se encontravam terrivelmente embriagados, se preparando para iniciar a maior esbórnia sexual, quando Jesus Peruca, dirigiu-se, já com a língua enrolada,  para Simão Pedro Carpanus Andarolas, e lhe fez a primeira grande revelação daquela fatídica madrugada:

– Pedro, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu  me comerás .

Pedro Carpanus, apavorado, então responde:

– Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te comerei.

A revelação gay do profeta explodiu como um peido cósmico no salão do bordel! Os demais apóstolos presentes mal conseguiam conter o riso, mediocremente disfarçado por um ar de distração, que se parecia mais com o deboche puro e simples.

Emputecido com a reação deles, brabo como um burrico no cio chicoteado, o Messias Peruca levanta-se e, fazendo a segunda revelação, clama:

– Em verdade vos digo: um de vós me trairá hoje!

Nesse momento, São Tomé Hugo levantou-se e saiu correndo porta afora, mais rápido que uma gazela com pulga no cu, e não fosse Jesus Peruca gritar que não seria ele o traidor, o apóstolo velocista já estaria cruzando o Mar Vermelho.

A farra continuou, então, até altas horas, e era já por volta das 5 h da manhã quando o último apóstolo bêbado, Santo André Gílsius, mais conhecido pelo apelido de Law Cabritus da Taverna 59, que estava de quatro-pés no salão central, resolveu largar de mão a mula (que também participara da suruba) e ir dormir.

Santo André Gílsius, São Tomé Hugo, Jesus Peruca e Ubirajudas Iscariotes, iniciando os trabalhos alcoólicos do "último trago"

O que poucos sabiam, porém,  é que Jesus Peruca necessitava de verbas, além dos parcos donativos dos “fiéis” , para manter sua vagabundagem, isto é, sua carreira política de Messias “nacional-farrista”, e, por isso, prestava uns serviços “extra-proféticos” justamente  ao governador romano da Província da Perucaléia, Pôncio Excelsus Pilatos, que lhe remunerava cada sessão com 10 moedas de ouro, contribuindo assim, secretamente,  com o financiamento  da campanha messiânica.

Pôncio Excelsus, porém, era um  sujeito bastante excêntrico, dado aos mais estranhos fetiches, além de portador de um sadomasoquismo grotesc0. Assim, exigia que Jesus Peruca, cada vez que o visitava, se fantasiasse como um centurião do exército e que entrasse sorrateiramente pela janela de sua casa, à noite (o que era  pra lá de costumeiro).

Antes que fosse consumado o ato libidinoso (diga-se de passagem, bastante mal remunerado) ele apreciava que o Messias Peruca lhe desferisse uma boa e velha SPM (surra de pingola mole), que não fazia parte do pacote contratado, mas rendia a Jesus Peruca alguns favores políticos e autonomia para continuar a exercer suas profetizações alccólico-subversivas sem ser incomodado.

Por isto era freqüente Jesus Peruca se ausentar depois da meia-noite, vestindo aquela velha farda e saindo de mansinho para não acordar os demais apóstolos, contando com o auxílio do seu fiel apóstolo-tesoureiro Ubirajudas Iscariotes, que, além de servir de pombo-correio à dupla gay, se encarregava diretamente da arrecadação dos “dezinhos”, que Pilatos, discretíssimo, deixava em baixo de uma pedra, junto às muralhas do palácio, toda vez que solicitava os serviços de Jesus Peruca.

Porém, naquela noite, após o maior porre já registrado pelo homem, o “último trago”, Jesus Peruca, vestindo aquela pesada e barulhenta armadura, tomou um tombo na saída da taverna e acabou acordando dois dos apóstolos, Pedro Andarolas e Judas Cabelinho Tadeu (outro primo de Jesus Peruca).  Os dois encontravam-se em condição alcoólica semelhante a do próprio “messias michê” e, dando com a estrambótica figura, acharam que estavam sob ataque do exército romano. Judas Cabelinho jurava que o sujeito fardado era agente do DOPS e, em um reflexo retardado, contudo rápido o suficiente para o embriagado Messias, juntou um bastão que estava dando sopa e desferiu um único e certeiro golpe, com toda força, na cabeça de Jesus Peruca, deixando-o desmaiado.

Cabelinho estava tão enfurecido que pretendia dar cabo do “soldado” ali mesmo, mas foi contido por Pedro Andarolas, que alegava que isto iria contra o 5.º mandamento, mas que também concordava que aquele espião romano devia ser castigado de outra forma. Como era metido a estudioso das leis, Pedro Andarolas fez a brilhante constatação jurídica de que nos 10 mandamentos não havia qualquer menção proibitiva ao “estupro homossexual”, resolvendo ser esta a melhor punição. E ali mesmo deitando-o de bruços sobre a mesa do “último trago”, Pedro Andarolas comeu o cu de  Jesus Peruca por 3 vezes antes do galo cantar.

Enquanto a baderna sexual sem vergonha acontecia, Ubirajudas Iscariotes, que devia em toda  a praça (pois ganhava bem menos como apóstolo do que sua máscula amante conseguia gastar às  suas custas no jogo do osso) aproveitou o ocorrido para cometer um leve delito. E, usando de suas atribuições em proveito próprio, pegou as 10 moedinhas de ouro, que Pilatos deixara no costumeiro local, embolsou-as e ficou bem quietinho.

Pilatos, velho e rabugento que era, não aceitou o atraso de Jesus Peruca, e ao ver que as moedas não estavam mais onde as deixara, indignou-se e mandou seu exército ao “esconderijo” (que sempre soubera onde ficava) da turma do Messias, trazendo-o a pau até o palácio. Os soldados lá chegando encontraram não só Jesus Peruca, mas toda a “quadrilha apostólica”, que rapidamente fugiu, deixando, sem saber de nada, Jesus Peruca desmaiado e com seu ânus exposto e arrombado. Prenderam, então, Jesus Peruca.

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: Maria Madalete


Conforme  a versão da Bíblia Peruca  contida nos manuscritos gnóstico-asníferos de Nágua-Enrabadi, na antiguidade perucaica existiu uma mulher chamada Maria Madalete. Alta, magra e loira, descendia de uma tribo germânica que migrou para o Oriente Médio, provavelmente em alguma embarcação viking ou coisa do gênero. Sua vida até os fatos aqui narrados é quase um completo mistério. Sabe-se apenas que casou-se com um cobrador de impostos romano e teve um casal de filhos antes de seus atos tornarem-se publicamente relevantes.

Ela mantinha uma pose nojenta e arrogante, com um cinismo escorrendo pelas orelhas, perante o ciclo social de nobres e patrícios, com os quais o status de seu marido forçava-a conviver. No entanto o que poucos sabem, e quase nenhum de seus contemporâneos enricados conhecia, é que Madalete na verdade, foi a meretriz mais famosa de toda antiguidade peruca.

Conhecida pelo nome de guerra de “Alemoa”, era proprietária de um prostíbulo de alto padrão, a “Taverna Lucy Bar”(onde  também ocorreu um dos maiores eventos bíblicos peruca, o “Ultimo Trago”), nos subúrbios de Perucalém!

Naquele alegre e descontraído local era raro o dia em que não se encontrava Jesus Peruca e todos demais apóstolos fazendo o que faziam de melhor: pregar a palavra de Deus Peruca. Isto, evidentemente, depois de desfrutar dos serviços muito bem prestados pelas funcionárias de Madalete, e após aquele goró antológico.

Certo dia os santos pregadores estavam, como de costume, por ali bebendo e farreando como uns porcos piçuídos. Apóstolos e discípulos haviam fechado o famoso cabaré, e rolavam, bêbados e excitados, muitos nus, sobre mesas e cadeiras. O apóstolo-tesoureiro Isacariotes havia mesmo tomado do corpo de uma jovem e agitada puta gaulesa e tratava de lamber-lhe a ervilha do prazer em pleno salão, para gáudio, deboche e espanto de seus colegas. Jesus Peruca, porém estava cabisbaixo, com  um ar triste e soturno. Ocorre que ele ainda curtia uma ressaca da festa que proporcionara no dia anterior, na aldeia de Feliz, e ainda tinha o estômago meio embrulhado, pois não conseguira tirar da cabeça a cena estrambótica de Camarguinius fazendo sexo oral em um jumento.

Uma das prostitutas, uma loira esquisita e gordinha metida a psicóloga letrada, perguntou para um dos apóstolos, o que havia ocorrido com Jesus Peruca, porque não era costumeiro dele estar daquele jeito. A desgraçada,  porém, deu o azar de dirigir sua pergunta justamente para Ubirajudas Iscariotes, que era o apóstolo mais sem-vergonha de todos os 12, e ele foi logo respondendo:

– O mestre Peruca está assim porque descobriu que sua mãe não é virgem nada! O Espírito Santo mandou ver umas 3 ou 4 vezes nela!

A puta ingênua e tonta, de mentalidade estilo  peruca, acreditou na mentira, e foi logo dizendo que ia dar um jeito de animá-lo. Buscou um cântaro de cerveja e despejou tudo no colo do infeliz Messias Peruca, que saltou mais alto que um gato, enfurecido, xingando a moça de tudo o que podia.

São Tomé Hugo, mais conhecido por São “Dente” Hugus – em alusão ao proverbial ataque de gargalhadas que teve ao saber da perda da dentadura de Camarguinus — tentou acalmar os ânimos. Mas, neste momento o barraco já estava formado. A puta era nervosa e não levava desaforo pra casa: era copo voando para todo lado, socos, chutes, arranhões, mordidas… não tivesse Deus peruca mandado um terremoto para apartar a briga e sabe-se lá o que teria acontecido.

O Messias Peruca e seus apóstolos aproveitaram o terremoto para sair sem pagar a conta. E já estavam longe, dando gargalhada da situação, quando deram pela falta de São Robertinus, um dos apóstolos – por sinal o único dentre todos que ainda era virgem – e,  ao retornar para a taverna, a sua busca, constataram que o pior já havia acontecido. Deram todos de cara com a própria Maria Madalete montada, e a galope, em cima de Robertinus, que gritava e esperneava como se estivesse à beira da própria morte.

A indignação foi geral. São Robertinus era um rapaz casto por opção, e tinha orgulho de sua condição de abstinência sexual, além de ser o único seguidor “puro” de Jesus Peruca. Os apóstolos, então, pegaram Madalete pelos cabelos e arrastaram-na até o meio da praça, onde começaram em coro a incitar a multidão ao apedrejamento da mesma.

Jesus Peruca, entretanto, aproximou-se, com toda calma e lerdeza típicas de peruca, e com sua celestial burrice, proferiu as seguintes palavras:

– Sei que esta mulher adúltera e pecadora errou e, se for o desejo de todos apedrejá-la, que assim seja.

Abaixou então sua cabeça, juntou uma vareta, riscou as areias do solo, e voltou a dizer:

– Portanto, quem nunca errou que atire a primeira pedra!

Nesta hora já havia uma multidão formando um círculo ao redor de Madalete, pronta a apedrejá-la, mas os populares, ao ouvirem os dizeres de Peruca, foram largando um a um as pedras que empunhavam.

Quando o fudunço parecia ter sido contornado pelo Messias bocaberta, e a turba principiava a se afastar, surgiu de repente, abrindo um corredor em meio àquela gente, vindo lá do fundo, São Kadu, outro dos apóstolo, que estando a uns 15 metros de distância da cafetina,  veio correndo, carregando sobre a cabeça uma pedra maciça de mais ou menos uns 30 kg e, antes que Deus Peruca pudesse novamente intervir, arremessou-a contra a pobre Madalete, trucidando-a.

Jesus Peruca apavorado com a situação, tremia igual vara verde, não sabia onde tinha errado em seu discurso redentor, e perguntou ao apóstolo:

– Por que fizestes isso? Tu por acaso nunca erraste?

E o apóstolo então respondeu:

– Olha, dessa distância ainda não!

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: O mau samaritano


Deus Peruca, apesar de lerdo, era metido a gozador. E assim resolveu se divertir um pouco, para espantar o proverbial tédio celeste, e dotou o seu “filho” Jesus Peruca do raro dom de multiplicar o vinho, já que transformar água em vinho era milagre em que o Messias, mesmo após 70 tentativas, não se acertava mesmo. E o resultado é que o profeta vivia de porre.

Certa vez, quando,Jesus Peruca, evidentemente bêbado, pregava a palavra de Deus Peruca sobre a terra, dele acercou-se um de seus apóstolos, de nome Zé Flávius Doidínius, com aquele seu sorriso de mula característico, e lhe interpelou:

-Mestre! Como devo proceder para alcançar a vida eterna?

Jesus Peruca fez um ar de jegue sábio, e, dando uma cuspida pro lado, contou-lhe a seguinte parábola para que ele compreendesse melhor o significado da passagem do homem sobre a terra e os mandamentos de Deus Peruca:

Camarguinus-clama-hugus era um comerciante perucalomitano. Na verdade foi ele a primeira espécie de representante comercial que existiu na província da Perucaléia. Viajava de cidade em cidade, vendendo a muamba que seu amigo e representado, Law Moisés Tataraneto buscava em longas viagens à China (cujo contrabando veio a render a Law a ameaça de prisão das autoridades provinciais e o exílio forçado no Egito).

Em uma de suas andanças Camarguinus chegou à aldeia de “Feliz”, que se situava mais ou menos a uns 30km de Jericó. E lá se deparou com o maior bacanal que já vira em todas suas viagens pela Palestina, da Perucaléia à Síria.

Eu, Jesus Peruca, ao completar meu 32.º aniversário, resolvera, então comemorá-lo (pois nem eu, nem ninguém, até então, em Perucalé,jamais havia ouvido falar que se fizesse festa no dia do ano em que nascera). E, terrivelmente criativo que sou, tratei de inovar nos “bebes” (que os comes eram basicamente os machos e fêmeas participantes dos festejos).

Ao invés de servir vinho, eu, Jesus Peruca inventei uma espécie de bebida alcoólica fermentada, a base de cevada, aplicando então meus poderes multiplicadores elevados à centésima potência, o que redundou na maior e mais animada festa que a aldeia já vira.

Camarguinus, ainda que comerciante, era algo tímido e hesitava em largar seus alforjes mercantis e cair naquele carnaval divino. Mas não podia perder esta, e se enfiou de cara em um barril daquela deliciosa bebida, e, dizem as más línguas, ficou tão doido que até show de sexo oral ao vivo com um jumento ele fez.

Ainda sob os efeitos da cevada fermentada em barril, na sua volta para Perucalém, Camarguinus mal se equilibrava em cima do jumento, quando caiu nas mãos de salteadores da quadrilha de Dente Barrabugo (ladrão que virá a ser crucificado comigo Jesus Peruca, mas, na “hora h” vai fugir da cruz, roubando os pregos de cobre, e deixando eu me fuder sozinho).

Os bandidos após depenarem-no, ao ponto de deixá-lo completamente nu, espancaram-no, e largaram-no, moribundo, à margem da estrada.

Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote farisaico,o Pastor Kadu, que, mesmo vendo-o em tal situação, passou ao largo, escarrou na cara do pobre infeliz e seguiu seu caminho.Logo a seguir desceu seu, até então, amigo Law Moisés,  cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote, porém muito mais cruel! Indignado por Camarguinus ter perdido seus artefatos chineses, Law chutou a cara do bebum, até arrancar-lhe todos os dentes da boca.

Eis que do nada, então, surgiu um samaritano conhecido na região como Caius Gugu, que, encontrando-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria de nome “Amplexus Analius”, onde continuou a cuidar dele.

No dia seguinte, Camarguinus, ao acordar, não encontrou mais Caius Gugu, que havia saído logo cedo. E embora ainda sem conseguir caminhar devido a fortes dores traseiras, fato que estranhou bastante, pois mirando-se ao espelho, viu que não havia hematomas naquela parte de seu corpo, e sem sua arcada dentária completa, ficou muito agradecido para com o bom samaritano, que, além de levá-lo à tal hospedaria, tudo pagou, e ainda por cima deixara 10 moedinhas de ouro ao lado da cabeceira da cama.”

Após ouvir essa parábola, Zé Doidínius, ainda sem ter por respondida sua pergunta voltou a indagar:

– Mas, Mestre, como essa parábola me ajudará a descobrir como alcançar a vida eterna?

Jesus Peruca então empertigou-se e respondeu:

– Isso eu também não sei, mas pode te ajudar a evitar uma bela
dor no rabo!

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: Jesus Peruca e a pesca “milagrosa”


Terrivelmente desanimado, Jesus Peruca, retornou à Petraléia e, para tirar a urucubaca que o acompanhava, e transformava todos seus milagres nos piores fiascos, foi procurar seu primo feiticeiro, Jonão Farrista Peruca, nas margens do Mar Morto (que, naquela época chamava-se “Mar dos Peixes Ligeiros”, tendo tomado o novo nome em razão do feito fantástico de Jesus Peruca, praticado em suas águas).

Quando Jonão Farrista tratava de deitar uns “dez quilos” (eta número que o perseguia!) de sal grosso sobre seu lombo, pra tirar o quebranto, o mau olhado, o puro e rotundo azar de nascimento, eis que o espírito santo fudedor de virgens baixou no ombro de Jesus Peruca, na forma de um lustroso urubu, gritando para todo mundo ouvir: “Ô, minha gente, ninguém se meta com este rapaz aqui não, que ele é meu filho! É vaidoso, apesar de burro! Completamente imbecil e estabanado… Não dá uma dentro, mas é poderoso e foi parido na farra mais sacana da minha vida… Vocês nem imaginam o que a mãe dela sabia fazer com a líng…” – E, antes que terminasse a indiscreta inconfidência, foi interrompido por Deus Peruca em pessoa, que tratou de cantar a xaroposa ladainha, fazendo saber a todos os presentes que Jesus Peruca, seu filho por procuração (que o espírito santo era um mero executor do tesão do Pai Maior), era o redentor da humanidade, que havia de tirar do lombo de todos o pecado da sacanagem perpetrada por Adão Peruca, etc., etc. e etc.

Foi então que se acercaram de Jesus Peruca uns pescadores tão espertos quanto ele, reclamando: “Mestre, estamos desesperados! Há dias que lançamos a rede no mar e não pescamos nada!”

Jesus Peruca era um asno, mas, como dissera o urubu do espírito santo malandro, tinha lá os seus poderes, entre eles uma clarividência bem superior a de uma anta, e segurou-se para não se cagar de rir, pois estava na cara que os sujeitos nunca tinham pescado nem cochilo nas suas vidas, pois rede não se lança. O que se “lança” às águas é tarrafa!

Mas, como um infalível filho preferido de Deus Peruca, representante direto de sua sabedoria e onipotência na terra não poderia recusar-se a fazer o bem a tão necessitadas criaturas. E anunciou pomposamente: “Como vocês, apesar de sua burrice congênita, tiveram fé e me procuraram, farei a vontade de meu pai e vos darei um milagre sem qualquer custo, nem taxa de juros! Não precisareis mais que acreditar-me e nem de redes necessitarão, pois os peixes, a uma ordem minha, virão até vós!” E retirou-se, só e enigmático, para um matinho que havia na outra extremidade do mar, fora das vistas de todos!

Desta vez não deixaria o azar estragar o seu “milagre” e (a conselho do diabo Nandínius Andarola, que lhe assoprou nas ventas que não confiasse tanto assim no Urubu do Espírito Santos), tratou de envenar o mar.

De lá voltando mandou que entrassem mar adentro e colhessem os seus frutos e eis que os pescadores conseguiam pegar peixes até com a mão, pois os bichos, estonteados e com aquele invariável “olhar de peixe morto” se deixavam levar pelas ondas e carregar pelos pescadores.

Toda a aldeia ficou muito feliz e foram para suas casas e fritaram peixes numa quantidade como nunca haviam visto em toda sua vida, nem mesmo os velhos caducos de noventa anos! Mas, naquele dia, a aldeia de Perucalé quase se extinguiu, pois quase todos que comeram do peixe milagroso morreram de envenamento e os que sobreviveram, depois de uma forte caganeira de saltar os olhos para fora, agradecidos pelas bênçãos que lhe concedera Deus Peruca por nele acreditarem, se tornaram os primeiros discípulos de Jesus Peruca.

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: Os primeiros milagres de Jesus Peruca


Nada se sabe da vida de Jesus Peruca até os trinta anos. Consta somente que aos doze anos de idade, em pleno florescer do tesão asnífero, desgarrou-se de sua manada, isto é, de Maria e José Peruca. E foi encontrado pelos pais na sacristia do templo, discutindo com uns sacerdotes pedófilos falcatruas por causa de dez moedas de cobre que lhe haviam prometido para praticar o coito sagrado no quartinho escuro, no fundo da sinagoga, e não lhe tinham sido pagas. Apesar de ter se desempenhado com uma competência “animal”, ainda que meio desastrada, na hora do gozo, entre relinchos, deus uns coices para trás que atingiram os cornos do sacristão voyeur, o tio  Zecaius Petrinus, gerando uma confusão que teria sido o pretexto para não pagar  seus serviços e para a ameaça de morte sobre Jesus Peruca

A sagrada família Peruca, perseguida pela ira de Zecaius, teve então de se esconder pelos mocambos de Passo da Petraléia até que ele morresse, e o caso, e a condenação privada, caissem no esquecimento, o que só veio a ocorrer 18 anos depois do sucedido. Segundo alguns evangelistas perucas, errando de buteco em buteco, disfarçado de servente de obra (seu pai José Peruca, era pedreiro, muito embora haja quem diga que o máximo que atinava era preparar a “caixa de madeira” para abrigar as vigas de concreto), até a idade madura Jesus Peruca era completamente virgem de trago e de mulheres.

E foi assim que, tendo ido a uma festa de aniversário de quinze anos, acompanhado de sua mãe, para não se perder, Jesus Peruca, já trintão, foi por ela instado a fazer o milagre de transformar água em vinho, pois a santa senhora já estava com o saco cheio daquela festinha monótona, toda certinha, com dança de valsa e olho de sogra, mas sem nenhuma orgia daquelas boas que costumava praticar, quando novinha, com o espírito santo peruca, que lhe havia ensinado os bons méritos do fermentado de uva. Mas, apesar de Jesus, era Peruca, e, ao invés de pedir que os garçons lhe trouxessem jarros de argila com água, solicitou uns baldes de estanho. E o resultado é que a água se transformou em vinagre.

E Jesus Peruca e sua mãe saíram corridos, a pauladas e pedradas, da festa pelos convidados.

Convencido de que a culpa era da velha, Jesus Peruca se meteu no deserto da “Várzea” por quarenta noites e quarenta dias, a beber cachaça, e lá o Diabo Nandínius Tambôris Andarolas lhe apareceu e ficou lhe tentando a puxar com ele um fuminho daquele estranho cigarro do capeta, com o que Jesus Peruca, teimoso como uma mula divina, não concordou, saindo, entretanto, do deserto, pelado e pulando como um cabrito doido, realmente completamente louco, e convencido de que poderia fazer tudo quanto é milagre, depois dos quarenta dias de puro trago, piorados pelas perguntas idiotas do Diabo Andarolas, que não lhe deixava em paz um minuto sequer e ficava perguntado, sem parar, com voz xaroposa: “Mas escuta aqui, é verdade que tu comeu o cu do sacerdote por deizinhos? Por que não cobrou mais? Por que não quer fumar o meu cigarro? Tem medo de se engasgar com a fumaça ou de ‘viajar’ pro inferno e encontrar o defunto traveco do Zecaius? Posso saber por que tu sempre acorda atrasado, depois que o galo já cantou três vezes, todo dia, no deserto? Como você pode me mandar ao ‘diabo que o carregue’ se eu sou o próprio demônio? Quem vai me carregar, meu senhor?”



O MESSIAS PERUCA



Foi então, na euforia de pretenso santo milagreiro, que Jesus Peruca, encontrou, na saída do deserto, um pobre cego, que não podendo ver a bizarra figura saltitante, acreditou nele e pediu que lhe abrisse a vista. E após imprecar por Deus Peruca, Jesus Peruca gritou histérico: “Meu filho! Se tens fé realmente em mim e não me renegas por que ‘me vês’ assim como estou, estás curado, mas se assim não for não ouças mais nada porque o tinhoso tomou  teu coração!”

E o pobre homem, que não podia enxergar era porra nenhuma (pois era cego de nascença), acabou surdo!

Depois de encontrar um velho de trejeitos estranhos que lhe cedeu um pelego de ovelha usado pra vestir-se (dizem as más línguas porque Jesus Peruca lhe deu uma demonstração do ritual juvenil naquele templo…), Jesus Peruca encontrou um bando de leprosos, uns dez por aí, e, vaidoso de suas habilidades milagreiras, lançou sobre eles suas bençãos para curá-los, e se foi a trote, porque o espírito santo lhe soprou ao ouvido que sua mãe estava tendo um ataque histérico lá na Petraléia, e ameaçava matar-se se o tonto filho de Deus Peruca não voltasse para ela.

Tendo consolado a velha e voltado pelo mesmo caminho, eis que vinha ao seu encontro, rastejando, para lhe “agradecer” – pensou logo o vaidoso Jesus Peruca – um dos dez leprosos.

E o Messias Peruca, todo empertigado, chamou o homem e lhe disse: “Eu sabia que ‘apenas um’ retornaria para agradecer-me! Levanta-te, irmão! Não é necessário rastejar-te aos meus pés, pois foi Deus Peruca que curou-te!”

E o leproso, mordendo-se de raiva para não proferir os piores palavrões, disparou sobre Jesus Peruca: “Só eu retornei, seu filho de uma virgem amante de espírito santo, pois fui o único que sobrevivi! E estou rastejando porque você me deixou paraplégico, seu desgraçado!”

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A BÍBLIA DO PERUCA: Os Três Gays Magros


Eles passaram à história da humanidade peruca, por uma confusão básica do escribas babões, com o nome de os três reis magos. Mas, muito embora se dedicassem a práticas ocultistas, eram na verdade os três gays magros. Sua legendária magreza, ao contrário do que supõe alguns, que dizem se tratar de grandes faquires indianos, fora resultado de uma AIDS adquirida num culto mágico-sexual necrófilo egípcio, com o defunto do faraó Tuintão-camão, havia anos quando se sucedeu o estranho evento aqui narrado. Aliás, orgia e sexo bizarro eram o forte do trio homossexual, que, em algumas versões da Bíblia de Perucalém, figura como quarteto, “Os quatro gays magros”, pois era notória a existência de um outro integrante, animal, um burro de nome Élbinius, que participava de suas bacanais zoófilo-gays.

Naquela noite, depois de umas vinte rodadas de haxixe, passado de mão em mão num comprido e grosso narguilê, os magérrimos gays do Oriente, começaram a enxergar umas luzes coloridas que foram crescendo de tamanho e subindo, além da conta, até atingirem o céu e se transformarem numa enorme estrela com rabo de burro (um verdadeiro cometa!)  com as sete cores do arco-íris, que se deslocava para o ocidente.

E do estranho canhão de luz, saiu uma voz estridente e adamada, que os três alucinados ouviram, e lhes dizia: “sigam-me até onde eu parar e lá vereis num estábulo que nasceu o salvador da humanidade, Jesus Peruca, que nos há de redimir a todos! Peguem incenso (não haxixe), ouro (pode ser daquelas enormes pulseiras) e mirra (mas não aquela roubada do sarcófago do Tuintão-camão), montem no jumento (mas pra andar, não daquele jeito que vocês fazem, ou ele com vocês, nestas orgias de zoofilia mágica) e vão lá abençoar a criancinha! Mas tenham cuidado pra não confundi-la com o filhote do burro que também está dormindo no curral, ao lado do menino, em Belém, da Palestina, não do Pará, tá, suas desvairadas?”



Assim, tendo se embriagado no caminho, e feito a maior farra pelados nos jardins suspensos da Babilônia, na virada do ano-novo, o trio veado do Oriente chegou estropiado, lá pelo dia 6 de janeiro, depois de montar todos de uma vez no pobre Élbinius (e variar, durante a jornada, umas quantas vezes de posição, seguindo dois montados e um puxando o cabresto, ou um montado e dois a pé), carregando o burro nas costas, junto à manjedoura onde dormia, roncando como um bêbado, o menino Jesus Peruca!

Bateram palmas e deram gritinhos por uns vinte minutos, até que uma sonolenta Virgem Maria Peruca (que de virgem não tinha nem as orelhas, pois o Espírito Santo andara satisfazendo seu tesão nela umas quantas vezes, até engravidá-la do Messias Peruca), saiu à porta do galpão de estância, dando com o quarteto.

Depois de encarar, da cabeça aos pés, as extravagantes criaturas, a “divina” (tem tanto assim, pois tinha uma enorme  berruga no nariz e mancava de uma perna) senhora, disparou, se dirigindo à Baltasar (que era negrão e trazia um balaio de incenso como presente):

Ô meu filho, vai te mandando daí com este negócio, que isto não é casa de mãe de santo pra fazer defumação não, ô rapaz!  E, voltando-se, para Gaspar (que era loiro, mas tinha estranhos olhos puxados e abraçava um ponte de mirra):

E isto aí? Que coisa é esta, ô tipo?

É “mirra”, ó venerável, senhora… vinda dos distantes templos da Índia!

Pois pode enfiar este troço aí no rabo, que eu não sei pra quê que serve, esta porra! E vai-te daqui, também diabo esquisito!  E , fazendo um reverente salamaleque,  Maria Peruca, que era peruca, mas não era burra, disse a Melchior (que era branco, de barbas e cabelos brancos) e portava um carregamento de ouro:

O senhor faça o favor. Bem se vê pelo seu vetusto e honorável aspecto que é pessoa de muitos bons costusmes e méritos. E este seu amigo aí (falou, referindo-se ao jumento), faça a honra de adentrar minha pobre casa, também! É a cara de meu filhinho Jesus Peruca!

Uma vez dentro do estábulo, Melchior (que tinha pinta de monitor de creche pedófilo) e o jegue gay Élbinius, se prostraram ante o menino e o adoraram! E, então, Jesus Peruca, acordou-se, abriu a boca lentamente e, miraculosamente, ele, bebê de alguns dias,  proferiu sua primeira frase: “Apaga o candelabro, que eu quero dormir, porra!”

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