A negra noite da alma


A negra noite da alma

A dor da madrugada,
O desatino duro e distante dos quartos anônimos,
O mergulho na embriaguez disforme
Da escuridão silente e indiferente aos gritos

Desesperados dos que se perderam
De si nas brenhas diurnas da rotina
E penetraram na profundidade
Apavorantemente branca

De uma vigília eterna cumpridora dos deveres
E vem buscar refúgio nos porres tristonhos
De velhos butecos de luz amarela.

Uma rota bandeira que já não balança
Nem nas tardes mornas de um céu de domingo.
Um café sem açúcar, esquentado de novo.
O riso obrigatório da euforia falsa.
As novidades velhas das redes sociais.

O sem sentido tão grande
Que nem dói, mas só arrasta
Nossas mentes insones num mar branco e sem ondas.

Não grite ao portão de granito quando vierem
Te visitar todas estas “entidades”.
Pois não há rogo que as afaste e só após varrerem
Todo sossego modorrento e informe
Te abandonarão ao calor de um novo dia.

Gravataí, 17 e 20 de julho de 2016

Ubirajara Passos

Sapiência bêbada


SABEDORIA ETÍLICA

Eu vinha retornando do almoço, ante-ontem no início da tarde, quando me deparei, na vitrine de uma dessas lojas de 1 e 99, com estes três fantásticos copos (popularmente conhecidos como martelinho e destinados ao consumo precípuo de destilados dos mais diversos tipos, da canha azul de alambique de Santo Antônio da Patrulha ao absinto importado de França), que, se reforçaram a minha velha noção de que é neles que se encontra a derradeira e profunda verdade, contrariam o que já afirmei em poema neste blog publicado, pois, no caso específico, esta se encontra na lateral e não no fundo do frasco.

Seja como for, porém, sempre soube, por experiência (própria ou alheia), que a natureza das revelações alcoólicas, por mais profunda e inusitada que fosse, não alcançava definições tão óbvias e triviais, embora aparentemente cósmicas e essenciais, como esta:

sabedoria-etíliica

“Quem não bebe não vê o mundo girar”

Pode parecer pueril, mas é simplesmente revolucionária esta constatação da absurda e inexplicável incapacidade de 99,999999999% de nossa espécie (exceto o autor da veneranda sentença é claro) em se dar conta, no uso pleno e  sóbrio dos cinco sentidos do corpo humano, do movimento contínuo, autônomo e eterno desferido no espaço pelo  planeta que se encontra sob os nossos pés. Ao ler a frase me senti exatamente como se tivesse recebido um banho gelado nas fuças, arremessado do décimo terceiro andar ou, levado aquele tabefe de torcer a cara que só as mais furiosas viragos são capazes de aplicar!

Afinal, é bem verdade que Galileu quase foi assado, e Giordano Bruno virou carvão, no churrasquinho disciplinar da Santa Inquisição, por trazer a público a realidade do giro planetário, então tido por absoluta heresia pela Santa Madre Igreja Católica. Mas ninguém, ao menos em estado comum de consciência, jamais experimentou esta verdade científica senão por vias indiretas.

E se muito boêmio folgazão ou corno deprimido, desde os tempos das cavernas, presenciou, durante o transe próprio da possessão de Baco, alguma espécie de giro das coisas ao seu redor, simplesmente supôs tratar-se de um fenômeno exclusivamente epicêntrico, assim como se acreditava até o século XVI que eram os astros e o sol que giravam em torno da Terra.

Não é para qualquer um, portanto, um insight deste peso e, depois de bater de frente com ele, confesso que me sinto completamente deslocado e desolado por não poder permanecer incessantemente em plena consciência do que se passa logo abaixo dos meus pés, em sincronicidade com a terra mãe, a cada instante lento e inglório desta nossa malograda existência. Não tenho mais coragem, especialmente depois de ter casado, mas recomendo aos leitores mais audazes: não se deixem mais enganar, nem viver condicionados na hipnose diária que nos despeja a mídia e se façam senhores da própria consciência entornando o suficiente todo o santo dia para que possam, em pleno domínio dos fatos ao redor, ver literalmente a Terra girar!

Verdadeiro lugar-comum, incorporado mesmo à lengalenga xaroposa e repetitiva do mais reles (e talvez, por isto mesmo, iluminado) mendigo (ainda que, pelo menos na visão de Sartre e seus companheiros de filosofia, não possua exatamente todo este caráter de axioma), o cogito cartesiano (Penso, logo existo), pelo que eu conhecia até o momento, jamais havia sido exposto assim:

sabedoria-etíllica

“Penso logo… pego mais uma”

Haverá, evidentemente, os “eruditos” burros e arrogantes, da pior burrice, aquela digna de português de piada, incapaz de apreciar as sutilezas irônicas de um texto, que não acharão a menor graça e ainda, se der corda, me esgotarão até a última gota de paciência na tentativa de me demonstrar não só a falsidade, mas a completa incorreção, por falta de concatenação lógica entre premissa e conclusão, deste raciocínio.

Mas a pragmática sentença espelha efetivamente a mais pura, elementar e inquestionável verdade imediata, digna de um koan zen-budista destes que nos transportam a um insight profundo intuitivo e imediato – que poderia certamente figurar entre os ensinamentos do grande mestre butanês Drukpa Kunley 

E está aí para nos inspirar a não perder tempo e tratar de mandar ao diabo, de cara,  com um belo talagaço de canha, os efeitos emocionais e físicos dos infelicitantes incômodos de todo dia que que povoam a vida da grande maioria da espécie humana, composta de peões fudidos no trabalho extenuante e jamais recompensado, como nós.

Especialmente nestes dias ansiosos e acelerados de internet onipresente nos mais comezinhos celulares,  a nos importunar, a todo momento, com as informações mais relevantes e reveladoras possíveis, nos “status” de facebook, atualizados seiscentas vezes por dia, e em que nossos caros “amigos” nos dão conta de coisas surpreendentes e inusitadas como o fato de que estão cagando ou se sentindo entediados e infelizes (sabendo-se de antemão, quem os conhece de perto, serem funcionários públicos gaúchos atingidos pelo pagamento de salário parcelado e reduzido a R$ 600,00 pelo governador Ivo-viu-a-uva Sartori, por exemplo). 

Até porque, como dizia, o velho herói dos áureos tempos de Hollywood (anos 1940 e 1950), Humphrey Bogart, e nunca é demais repetir: “o grande problema da humanidade é que está sempre uma dose aquém do necessário”!

Ubirajara Passos

Dança das Cinzas (bolero carnavalesco)


 

Eu vi a bailarina sobre o espaço
Descrevendo
Acrobacias as mais intensas,
Desenhando
As mais horrendas e fantasmagóricas
Figuras sobrenaturais.

Eu vi a bailarina escrevendo,
A cada salto improvisado no infinito,
Umas quantas lendas dolorosas,
Esparramando
No árido chão desejos monstruosos.

Vi a bailarina,
Ia morrendo
No seu olhar qualquer humanidade
A cada brusco e palpitante passo.

Quando a vi,
Do nada vindo e ao imprevisto se jogando,
Eu a percebi como a fúria rodopiante.

Vi ir morrendo na mesma intensidade
Da paixão coreografada a alegria falsa,

Num soluço inaudível, mágoa eterna, pavor terrificante!

Vila Natal, 12 de fevereiro de 2015

Ubirajara Passos


 

Dos filhos e as nossas (pouquíssimas) horas de sono: uma relação eternamente incompatível


Desde os meus quatorze anos luto contra uma insônia crônica, que começou da forma clássica (aquelas infindas madrugadas passadas em claro apesar do esforço em dormir, que acaba, justamente, por decretar definitivamente a vitória da falta de sono) até a típica da depressão, que se tornou minha companheira nos últimos anos, e que consiste em, apesar de agora conseguir engatar tranquilamente o motor do sono, vê-lo engasgar e me acordar, aos sobressaltos, uma ou duas horas antes daquela necessária, arruinando definitivamente a corrida pela restauração diária de mente e corpo combalidos pela tentativa de sobrevivência consciente nesta vidinha de peão metido a intelectual cada vez mais fudido financeira, física e psicologicamente.

Vivo, portanto, uma eterna batalha contra o sono (que se recusa, incessantemente a se fazer presente nas horas e na profundidade necessária a uma vida saudável), pelas minhas próprias idiossincrasias. O que não seria tão grave, não houvesse as circunstâncias externas, ligadas ao tema desta crônica, que acabam por torná-la bem pior ainda.

Até encerrar minha carreira de solteirão emérito, aos 43 anos e 2 dias, o problema era todo e exclusivamente meu, ou no máximo dos objetos inertes, do aparelho de tv e dvd aos livros e revistas consumidos na tentativa de cansar a mente e dormir por extenuação.

Mas depois que, simultaneamente, me casei e me tornei pai da coisa mais linda do mundo (a Isadora, atualmente com 6 anos) e padrastro do Erick e da Larissa (ambos na adolescência, o primeiro com 16 e a segunda com 13), descobri o grande tormento de todos os pais mundo a fora com o eterno ciclo dos filhotes humanos, desde o nascimento até o dia em que resolvem nos largar e sair pelo mundo atrás do primeiro rabo de saia, par de calças, ou de qualquer loucura que lhes justifique viverem sozinhos – o que, no meu caso, ainda não aconteceu com nenhum deles.

É inacreditável, mas terrivelmente real, e talvez seja a única verdade absoluta, indesmentível e inalterável do universo, depois da certeza da morte, a relação entre crianças, jovens e pouco sono dos respectivos pais ou cuidadores.

Quando recém-nascidas, é inevitável, mesmo que sejas o pai, a interrupção sobressaltada do sono, durante as horas mais imprevistas, em razão do choro reivindicatório da criatura enlouquecida pela teta materna.

Passada esta fase, quando, inocentemente, relaxamos e imaginamos que o problema está resolvido (pois agora a criaturinha, que logo começará a ensaiar seus primeiros passos e palavras, uma vez adormecida, ronca profunda e profusamente), descobrimos a total incompatibilidade entre a preguiça matinal que nos levava, quando jovens (mesmo não sucedendo noites em claro de boemia ou festas), a nos erguer da cama, aos arrastos, lá pelas 2 horas da tarde, e as criancinhas novas.

Só quem nunca foi pai ou mãe ou vive em qualquer planeta diferente desta nosso Terrinha jamais passou pela experiência. Por uma misteriosa configuração quântica ou mágica, basta o sol apontar seus primeiros raios pálidos na linha do horizonte para se ter um pirralho ou pirralha agitadíssimos saltitando sobre a tua cama e te arrastando pelo dedo indicador da mão para ir brincar com os filhotinhos da gata ou da cachorra da casa, quando não, porque é verão e o calor é terrivelmente convidativo, para se jogar na água fria da piscina, num choque apocalíptico para quem recém saiu, sem muita convicção e completamente chapado, dos lençóis noturnos.

Aí, lá pela proximidade da puberdade e adolescência a dentro, quando imaginamos que a gurizada, mesmo não tendo ido a nenhuma balada noturna, tratará de acordar bem tarde como fazíamos na sua idade e finalmente vamos conseguir dormir até umas 10 h pelo menos, descobrimos, cruelmente, que o que irritava nossos pais não era tanto o fato de atrasarmos para o almoço, mas os ruídos inevitáveis da tv, do rádio ou qualquer outra precária mídia da época, pela madrugada morta. O que hoje, com os tantos jogos e chats on line que permitem se comunicar verbalmente, com viva voz, a qualquer parte do globo, transforma-se qualquer casa onde esteja um piá adolescente num debate ou conversa animadíssima noite a dentro – que impede completamente o sono alheio e nos convida a nos reunir à boemia eletrônica ou a saltar, se for possível, para o mais próximo bar e encher a cara, porque para dormir, definitivamente, não dá mesmo.

Se a coisa é feia, fase após fase, imagine-se o terror do meu caso: viver as 2 últimas simultanamente, com a perfeita garantia de que a mais nova, estará, quando nos livrarmos das estripulias dos mais velhos, entrando na 3ª fase daqui a alguns anos.

Mas tudo bem. Estes percalços fazem parte e, confesso sem qualquer pieguice: apesar de tudo os filhos são a alegria das nossas vidas. E um dia, afinal, baterão as asas de casa e nos deixarão com aquela frustração eterna e mesmo com a saudade de sua gritaria pela madrugada ou das manhãs agitadas. Assim pensam aqueles que, como no meu caso, ainda têm os filhos debaixo da própria asa e do teto.

Mas a experiência alheia, infelizmente, desmente esta tranquilidade final e acaba decretando a eterna incompatibilidade entre a condição paterna ou materna e o bom sono. Poderás já ser avô, caro leitor, mas não te iludas, que sempre haverá ocasião para esmurrares o bidê ao lado, diante do telefone que toca insistentemente, pontualmente às 3 h da madrugada, e, uma vez atendido, transmite a voz chorosa de uma filha, filho ou até neto, que acaba de brigar com a respectiva cara-metade e não encontra outro ombro acolhedor para despejar sua desgraça íntima durante horas a não ser o teu, desventurado ser que cometeste a imprudência de colaborar para perpetuar a espécie humana.

Ubirajara Passos

Agourento 2014, tende piedade de nós!


Conforme a nossa vida vai avançando, a morte vai se tornando mais e mais nossa parceira.

Não apenas pelo fato de nos aproximarmos crescentemente dela, enquanto decrescem os anos que nos restam, numa equação em que pouco importa o valor inicial do termo (o número de anos da vida), variável a cada instante – conforme nossas decisões e atitudes – e em que a razão da progressão pode aumentar ou diminuir a vontade, mas cujo termo final é uma constante absoluta, fria e terrível, por mais complexas que sejam as expressões intermediárias entre o início e o final, que é sempre igual a zero.

Mas, pela simples consequência matemática e biológica dos fatos, é verdade estabelecida que é possível medir intuitivamente o quanto estamos “ficando velhos” pela proporção de parentes, amigos ou conhecidos que vemos partir a cada ano, que naturalmente vai aumentando até que chega o dia em que nos vemos quase que completamente solitários no mundo, em que já não resta muita gente, além de nós próprios, que se lembre mesmo daquela célebre atriz de Hollywood, gostosíssima, de olhos eloquentes e nariz estranho (e, por isto mesmo, chamativo e sensual).

A oito meses de completar meu primeiro meio século (que espero realizar, apesar do trago e da mania de me desgastar lutando contra este nosso mundinho opressivo e infelicitante, o sonho do meu avô – e de 99,99% da espécie humana – de atingir pelo menos cem anos), não estou exatamente no caso extremo, mas, assim como todo mundo que conheço, nunca vi um ano tão absurdo, com tantas mortes de celebridades, ou mesmo de pessoas próximas, no espaço de um único giro da Terra ao redor do Sol.

Algumas, previsíveis, são daquelas que apenas confirmam que estamos, inapelavelmente, nos aproximando da velhice e que (contra a maldita convicção de nossa mente, que é desementida a cada manhã, sem muito resultado, pelo espelho) aqueles personagens quotidianos que nos pareciam eternos já estão necessariamente no momento de partir.

Foi o caso da Shirley Temple (a eterna garotinha prodígio), da Virgínia Lane (e a eterna beleza das pernas mais belas do Brasil), Marelene (a eterna Rainha do Rádio) e de Gabriel García Marquez (autor de livros eternos, como Cem Anos de Solidão e O Amor no Tempos do Cólera). Além do poeta Manoel de Barros, da atriz Lauren Bacall,  o escritor Rubem Alves; Max Nunes, Marcelo Alencar, Antônio Ermírio de Moraes, Adib Jatene e  Mãe Dinah (que não tinha a menor previsão a respeito de seu passamento).

Outras já, embora possíveis, nos surpreenderam e chocaram, como foi o caso de Ariano Suassuna e Hugo Carvana.

Mas quando se foram, sem mais nem menos, figuras como José Wilker,  Jair Rodrigues, Nelson Ned, João Ubaldo Ribeiro, Robin Willians, Eduardo Campos (que tinha minha idade – sendo a mais badalada morte do ano), começamos a nos preocupar seriamente e chegamos à conclusão que, ainda que as estatísticas possam apontar para um certo padrão de mortes anuais de famosos, dentro dos quais os falecimentos citados estariam incluídos, nunca se viu, um mês após o outro, tantas mortes relevantes em tão pouco tempo.

Quando morreu Nico Nicolaiewsky, no início de fevereiro, li  a dolorida entrevista de seu parceiro na vintenária comédia Tangos e Tragédias, Hique Gomez, e fiquei imaginado como seria a minha vida política, literária e pessoal sem a presença do meu irmão gêmeo de ideias, lutas, trago e atitudes, o companheiro Valdir Bergmann.  Mas jamais imaginei que ele viria a compor o mais doloroso e irremediável item das mortes imprevistas e absurdas deste ano apoliptico, morrendo de uma pancreatite aguda dois dias antes de completar seus jovens 57 anos.

Só que a coisa não parou por aí e já havíamos nos convencido de que 2014,  embora não tenha testemunhado a deflagração de nenhuma guerra mundial como seu irmão do século passado, era um ceifador cruel e inveterado de almas, quando velhos amigos de minha família, e meus, com presença importante em pontos capitais da minha biografia, como Juarez Vargas e o colega Adroaldo Rocha, morto tragicamente em acidente automobilístico, praticamente às vésperas das festas de final de ano, foram-se também.

Assim é que chegamos ao último dia de 2014 erguendo as mãos por ainda estarmos aqui  o esconjurando e nos ajoelhando e erguendo as mãos perante tão nefasta entidade para pedir: “Agourento 2014, tende piedade de nós!”

Ubirajara Passos

Dos nossos dias tormentosos


Poema auto-explicativo escrito na madrugada de 20 de setembro de 2014 (casualmente data do 179.º aniversário da Revolução Farroupilha):

Quanta tristeza e embaraço,
Vidinha sem sal, porraço
De chatice, espelho de aço
Em que se miram os palhaços
Ciosos de um glamour falso.

Quanto fuxico sem graça,
Roubalheira óbvia e pura,
Falta pura de cachaça,
Besteira cheia de si.

Este é o Brasil da mídia,
Da política medíocre,
Que esquece a opressão da peonada,
Só vê corruptos, raça,
Transforma tudo em farsa,
Medíocre caricatura
Que só se exorciza a laço!

Gravataí, 20 de setembro de 2014

Ubirajara Passos

 

Os Ciclos Secos


Poema escrito em pleno Parcão de Gravataí, no intervalo do almoço, envolto no mar de calor destes últimos dias de dezembro:

Os Ciclos Secos

O que há para aprender-se nas agruras
Do quotidiano seco e automático

(O espírito nublado, qual zumbi,
Se arrastando nas ondas enjoadas
E sonolentas do correr das horas)?

Qual a ciência, a luz nascida
Do ir e vir infindo dos motores,
Do ciscar incessante dos ancinhos,
Do palavreado pedante e oco dos doutores?

Gravataí, 18 de dezembro

Ubirajara Passos