Temer escancara a ditadura e pretende botar exército nas ruas contra a greve (mais do que justa) dos caminhoneiros. SÓ RESTA DEFLAGRAR A GREVE GERAL E DERRUBAR O GOVERNO USURPADOR!


Para que não haja dúvidas, reproduzo abaixo na íntegra a matéria veiculada no portal do Correio Braziliense no final desta manhã:

Temer usará Forças Armadas para conter greve dos caminhoneiros

Publicado em Economia

O presidente Michel Temer está finalizando uma reunião no Palácio do Planalto para anunciar o uso das Forças Armadas para conter a greve dos caminhoneiros. O presidente fará o anúncio em pronunciamento ainda na manhã desta sexta-feira (25/05).

O texto do pronunciamento está sendo fechado entre o presidente e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Raul Jungmann (Segurança), Sérgio Etchgoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e Joaquim Silva e Luna (Defesa).

Temer entende que o governofez um acordo com os caminhoneiros, mas a insistência deles em fechar estradas o levou a tomar medidas mais enérgicas. Postos de combustíveis estão desabastecidos e voos sendo cancelados em vários aeroportos, sobretudo em Brasília.

Para Temer, a situação saiu do controle. O governo precisa mostrar à sociedade que há um poder constituído e que não tolera abusos. Na noite de quinta-feira (24/05), o Palácio do Planalto fechou acordo com os caminhoneiros para que a greve fosse suspensa imediatamente. Mas os protestos continuam, causando enormes transtornos à população. O acordo foi fechado por 15 dias, com redução de 10% no preço do diesel.

Na avaliação do Planalto, pegou muito mal a avaliação pública de que o governo está refém e acuado ante os protestos dos caminhoneiros. Temer quer mostrar, com o uso das Forças Armadas, que o governo mantém total controle da situação, apesar do caos instalado no país.

Temer também precisa dar uma resposta politica a aliados, que cobram um governo mais firme ante os abusos. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, decretou estado de emergência na cidade. Serviços públicos essenciais estão sendo suspensos por total incapacidade da prefeitura de prestá-los. Há desabastecimento de combustíveis na cidade, que quase parou nesta sexta-feira.


Ou seja, o governo produto de um golpe parlamentar que assumiu o programa econômico e social mais nefasto e absurdo de toda a História do Brasil e teve o desplante de elevar o preço da gasolina, do diesel, do gás de cozinha, entre outros tantos, a níveis indenfensáveis mesmo no mais selvagem dos capitalismos vigentes no mundo (ao mesmo tempo em que manipula os índices oficiais de inflação, a moda da ditadura militar nos idos tempos de Médici e Delfim Neto, até para que a peonada não receba qualquer reajuste salarial); que conseguiu revogar na prática os últimos direitos trabalhistas, e pretendia extinguir-nos a aposentadoria; que foi com tanta sede ao pote na atitude predatória ao ponto de elevar os preços  dos combustíveis ao nível do insuportável e, provocando a ira de seus antigos aliados (os caminhoneiros), conseguiu jogar o Brasil no caos da paralisfação de transportes, do desabastecimento generalizado (que já atinge até os hospitais), inviabilizando, no âmago e sem recurso, a VIDA DE TODOS OS BRASILEIROS, pretende agora jogar o país na GUERRA CIVIL e impor pela força ditatorial os seus pendores, em nome de  uma autoridade que ninguém lhe deu, chefe que é de uma quadrilha política que usurpou o poder em prol dos próprios interesses mesquinhos e do grande capital internacional.

NÃO HÁ MAIS SAÍDA! OU TODA A POPULAÇÃO AFETADA, A GRANDE MASSA DE TRABALHADORES QUE SE ESFALFA DIARIAMENTE TRABALHANDO EM TROCA DE MIGALHAS PARA ENCHER OS BOLSOS E PROPICIAR A SACANAGEM CHIQUE DA BURGUESIA INTERNACIONAL, SEUS LACAIOS BRASILEIROS E RESPECTIVOS REPRESENTANTES POLÍTICOS CORRUPTOS, SE REBELA DE VEZ CONTRA ESTE ABSURDO E DEFLAGRA A GREVE GERAL PELA DERRUBADA DO GOVERNO USURPADOR DE TEMER E A REVOGAÇÃO DE TODOS OS ATOS DE LESA-PÁTRIA POR ELE COMETIDOS DESDE O GOLPE DE 2016 OU SÓ NOS RESTARÁ PADECER, MUDOS E CABISBAIXOS, SOB O TACÃO FEROZ E CRETINO DE UMA DITADURA ESCANCARADA!

GREVE GERAL JÁ! FORA TEMER JÁ! PELA CONSTITUIÇÃO DE UM GOVERNO POPULAR, SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIO A PARTIR DA ORGANIZAÇÃO DA PEONADA TRABALHADORA EM CADA CIDADE, ESTADO E REGIÃO!

Ubirajara Passos

 

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Greve dos caminhoneiros deixa a nu a falência do completa do Governo Temer e seu massacre econômico. É HORA DA GREVE GERAL PARA DAR UM BASTA JÁ!


Pouco interessam os equívocos da mentalidade pequeno-burguesa (em razão da própria natureza do trabalho da categoria na sociedade capitalista).

O fato é que os caminhoneiros, COM TODA A SUA MENTALIDADE REACIONÁRIA, SE VIRAM FORÇADOS A IR À GREVE EM RAZÃO DO DESCALABRO ECONÔMICO-SOCIAL IMPOSTO PELO GOVERNO GOLPISTA.

E ESTÃO DANDO UM SHOW DE ORGANIZAÇÃO E PERSISTÊNCIA EM TODAS AS CENTRAIS E SINDICATOS DE TRABALHADORES DO PAÍS.

Realmente este é o momento não de APOIAR os slogans fascistas da greve, MAS DE APROVEITAR o “CAOS” de abastecimento dela decorrente e partir para a GREVE GERAL contra todo o desmando sócio-econômico que está nos fazendo agonizar à míngua.

O preço da gasolina é apenas um dos tantos abusos a que a imensa maioria dos trabalhadores brasileiros vem sendo submetida depois do golpe de 2016 e da REVOGAÇÃO NA PRÁTICA DOS DIREITOS TRABALHISTAS NO ANO PASSADO!

Se até uma categoria de imaginário e atitude reacionária acordou, está mais do que na hora da PEONADA SAIR DA LETARGIA!

O início da SUA REDENÇÃO não está numa eleição viciada que poderá nem ocorrer, MAS NA REBELDIA AGORA E JÁ CONTRA TODO O DESCALABRO ANTI-POVO QUE NOS INFELICITA!

GREVE GERAL JÁ! FORA TEMER JÁ! PELA CONSTITUIÇÃO DE UM GOVERNO POPULAR, SOCIALISTA E REVOLUCIONÁRIO A PARTIR DA ORGANIZAÇÃO DA PEONADA TRABALHADORA EM CADA CIDADE, ESTADO E REGIÃO!

Ubirajara Passos

Toby e os prisioneiros


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Esta foto emblemática foi feitas às cegas (o reflexo do sol sobre a tela da câmera digital precária não permitia visualizar nada), às 15 h 33 min de um velho domingo, em 6 de fevereiro de 2011, na subida à direita após a esquina da rua Ibirapuitã com a Av. Dorival de Oliveira em Gravataí, quando retornávamos (eu e seu protagonista) da casa que herdei de meu pai (morto em novembro de 2010), e que venderia em fevereiro de 2013.

Filho do Dodó (o cachorro mais antigo da família, que aparece junto ao Bernardinho em retrato na matéria Bernardinho (o contestador galã de quatro patas) e eu”, identificado na legenda como “Totó”, doado quando nos mudávamos da casa da Rua Barbosa Filho, no outro lado da quadra onde foi tirada a foto, para a Rua Maringá, na Vila Natal), este ilustre exemplar da malandragem quadrúpede excedeu em muito à irreverência do parceiro canino de seu pai, bem como à rebeldia indômita deste, que (tendo sido sequestrado e mantido preso por uns vizinhos da pá virada, quando morávamos na Rua Jorge Amado, em frente à Ferragem Gaúcha, na Vila Santa Cruz, só foi libertado após nos mudarmos, em fevereiro de 2009) não se deixava prender por cercado nem cancela de qualquer altura ou espécie, além de possuir a mania de trazer suas eventuais namoradas cadelas para  casa, umas delas a Teodora, de cuja ninhada nasceu a Branquinha, mãe falecida do nosso cachorro mais velho, atualmente, o Maique.

Me seguia por todo lado, como o faziam os outros dois, e se divertia tremendamente quando cruzávamos, todo dia, a esquina das ruas Nestor de Moura Jardim e Alfredo Emílio Allen, já próximos do Foro, e era “saudado” aos latidos  mais histéricos por uma trupe de uns seis cachorrinhos alvoroçados com a sua presença.

De bela e chamativa estampa, e “charme” irresistível, o rabo a balançar constantemente, numa vivacidade incrível, chegou ao ponto de um dia entrar comigo em plena Padaria (a Miolo do Pão, na Rua Otávio Schemes, próximo da Avenida Dorival de Oliveira), e, ao invés de ser corrido como se esperaria, foi abraçado, acarinhado e apreciado por praticamente todas as gatinhas que atendiam no balcão, entusiasmadas com o “alegre, fofo e lindo cãozinho!”  Pena que nenhuma delas lembrou-se de solicitar ao seu acompanhante humano o número do celular do bicho…

Mas, voltando-se ao assunto desta crônica, a foto que a encabeça, nela O nosso cachorro travesso da época, o Toby, parece gozar esplendidamente seus parceiros de espécie, abichornados atrás das grades do portão! “ (publicação minha no Facebook em 10 de agosto de 2017).

E, literalmente, ilustra, de forma perfeita e acabada, o paradoxo em  que se encontra a humanidade inteira nos seus últimos seis mil anos de existência sobre a face do Planeta Terra.

Encarcerada na pior das prisões, aquela que conta com a participação voluntária e inamovível do próprio prisioneiro, a enorme maioria da espécie se aferra ao sofrimento e desprazer de suas vidas limitadas e oprimidas, como se fossem a própria essência da vida, mirando, de olhos murchos, desconfiados (muito raramente invejosos), e mesmo enraivecidos, os que conseguem escapar à prisão da redução à coisa em nome do prazer alheio abastardado, e usufruir da força vital de expansão e busca do prazer e conforto biológico e mental genuíno de que nos dotou a própria natureza.

E, mesmo se instados, com toda a argumentação racional possível, a romper as grades da cadeia e passar para o lado de cá (o da liberdade, da alegria e busca do movimento, do bem estar digno e vital), as forças internas que os mantém no cárcere são tão grandes que a única reação possível diante do choque da vitalidade simples e autônoma (exposto como chicoteada à sua face abobalhada) destes corpos vivos transformados em verdadeiros autômatos (ferramentas de carne e osso, apegadas ao trabalho compulsório e às regras limitadoras, sufocantes e geradoras de sofrimento) é a rejeição e, pior ainda, a fiscalização, delação, perseguição e condenação daqueles que tiveram a capacidade e a coragem de romper a biopatia generalizada que envolve nosso mundo desde que meia dúzia de arrogantes metidos a valente impuseram-se, pela força de suas imprecações perante a grande massa, como pretensos amos e senhores da sociedade, organizando , empesteando  e deformando a vida de todos os demais em prol de seus apetites!

Não há tratado, palestra, documentário ou descrição de qualquer natureza capaz de descrever, com a minúcia implícita e viva da fotografia, os matizes da peste emocional, a ossificação dos corpos e emoções que nos habitam desde que o velho patriarcalismo (o domínio do senhor macho “pai” de todos, com poder de vida e morte,  sobre todos os aspectos da vida de seus “familiares”, escravos de mesa e cama, do campo, comprados, capturados ou gerados de seu próprio corpo) nos impôs a disciplina inquestionável e obrigatória, regrando nosso comportamento, e nossos próprios pensamentos e emoções, segundo suas necessidades e perversos apetites.

Aí nasceram todos os tabus e proibições, muitos deles transformados em leis divinas, portanto irrefutáveis e imperativas, pela própria ideologia dominante do Ocidente (o cristianismo), a qualificar e punir como crime imperdoáveis o simples exercício da liberdade, a busca do gozo, do prazer e do bem estar de corpos e mentes na satisfação das mais comezinhas necessidades biológicas e mentais próprias da condição de ser vivo, como o paladar, o sexo, o descanso e o repouso necessários, a liberdade de pensamento e atitude individual etc., enquadrados nos 7 pecados capitais.

E desta teia de imposições, proibições e punições se construíram todas as sociedades posteriores, em que as classes dominantes vem exercendo o velho papel do patriarca, em prol de seus privilégios (que são a versão sádica e impositiva dos “prazeres perversos” proibidos aos peões relegados à vida de sofrimento), contando para tanto com a colaboração da maioria infectada de sua ideologia, que se alimenta da própria raiva em que se transforma a força vital básica ao tentar se expressar num organismo coberto por camadas de rígida couraça imobilizante.

Os cães visivelmente contrafeitos que estão atrás da grade observando o Toby, com ar estupefato, frustrado, até mesmo curioso por achar o caminho da fuga, ou ameaçador, poderiam unir-se e derrubá-la, mas as correntes que os mantêm acomodados são tão fortes, tão bem enterradas no profundo de seus seres, que continuam prisioneiros e se lhes fosse dada a oportunidade da fuga, pela abertura do portão que os retém, permaneceriam no seu interior, ou, em saindo, ao invés de gozar da liberdade, simplesmente saltariam sobre o cachorrinho livre e alegre e o trucidariam a mordidas e patadas, por não suportar a visão da liberdade!

Ubirajara Passos

Julgamento do habeas corpus de Lula assanha a direita e escancara o caráter ditatorial do regime vigente


As declarações do comandante do Exército, General Eduardo Villas Boas, publicadas mo twiter ás vésperas do julgamento do habeas corpus de Lula no Supremo Tribunal Federal, por mais que o Ministro da Defesa tente amenizá-las e (em flagrante contradição com o seu teor) negar a sua natureza intervencionista, não deixam dúvidas.

A afirmação (“Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”), ao partir do comandante supremo de uma das três forças armadas, responsável pela integridade do território nacional e manutenção da ordem constitucional, pelo uso da força (cujo monopólio estatal é a garantia do poder político), é bastante grave. E passa muito longe do simples exercício da opinião por qualquer cidadão comum brasileiro, ainda mais quando repercute com apoios explícitos de generais da ativa (o general Paulo Chagas comentou explicitamente: “Caro Comandante, Amigo e líder receba a minha respeitosa e emocionada continência. Tenho a espada ao lado, a sela equipada, o cavalo trabalhado e aguardo suas ordens!!”).

Fica bem claro no conteúdo da mensagem a intenção de “vigilância” do Exército sobre o resultado do julgamento, que, se favorável a Lula, estaria consagrando a “impunidade” na “opinião” do general, bem como a velha e absurda presunção dos militares brasileiros em julgaram-se árbitros da ordem constitucional, acima de tudo e de todos, com poderes para alterar à força os rumos políticos do país, como se o artigo primeiro da Constituição da República possuísse um parágrafo único, secreto (como os decretos de falcatrua e arbítrio da pretérita ditadura admirada pelo Jairzinho Capitão do Mato e seus miquinhos amestrados dos MBLs da vida), que excetuasse a soberania popular, fonte originária e suprema do Estado, na ordem legal formal, em prol dos “pais maiores tutelares da nação, de uniforme camuflado e espada na cintura”, consagrando um poder que ninguém nem nada lhes atribuiu.

A conclusão lógica direta é que parece haver sim a intenção (nada velada) de intimidar a Suprema Corte de Justiça para garantir a prisão e o afastamento do jogo eleitoral justamente do candidato a Presidente da República mais cotado pelas pesquisas!

Não nutro a menor simpatia pelo Inácio, já publiquei neste blog as maiores críticas ao seu governo e à Dilma,  desde 2006, mas a verdade pura e simples é que cada dia fica mais claro que o golpe paraguaio que a depôs, num impeachment falcatrua, não foi nenhuma brincadeirinha e que a quadrilha de usurpadores (que governa contra a vontade da grande maioria, tal é a rejeição popular do Michelzinho, e sem prestar contas a  ninguém, sequer se preocupando em disfarçar sua natureza explicitamente corrupta) NÃO PERMITIRÁ QUE LULA, NEM QUALQUER CANDIDATO CONTRÁRIO ÀS REFORMAS ESCRAVISTAS PARA CUJA CONSECUÇÃO FOI DADO O GOLPE (com a revogação da CLT, já feita, e a extinção prática da aposentadoria pretendida) SE ELEJAM E DESFAÇAM A SACANAGEM SOCIAL PERPETRADA PELA ATUAL DITADURA, SERVIL AOS INTERESSES ESCRAVISTAS CADA VEZ MAIS ÁVIDOS DO GRANDE CAPITAL INTERNACIONAL!

Se ainda vivemos num ambiente de relativa liberdade de expressão e militância (apesar das execuções cada vez mais explícitas, como no recente caso da vereadora carioca do PSOL, Marielli Franco), no momento em que se tornar inviável a manutenção do programa ditatorial neo-liberal de Michelzinho e seus comparsas sem o uso explícito da força e o fechamento concreto do regime político, ninguém tenha dúvidas, agora, de que a “intervenção militar” (leia-se o GOLPE) não se limitará à ação acanhada (mas mesmo assim, violenta e abstrusa) nas favelas cariocas, em nome da crise da segurança pública.  E os tanques estarão na rua, secundados pelos fanáticos da nova extrema direita, prontos para esmagar a ação e a própria opinião de quem quer que tenha o desplante de exigir um mínimo de dignidade para  a sofrida massa de trabalhadores brasileiros, definitivamente alijada de quaisquer direitos legais com a verdadeira revogação da lei áurea praticada na reforma escravista das leis trabalhistas no ano passado.

Neste cenário, as eleições de outubro, ainda que se realizem, são mera formalidade, cujo resultado ninguém poderá garantir venha ser respeitado, caso contrarie a minoria apaniguada do país, ou os próprios interesses financeiras da quadrilha governante, depois do golpe parlamentar de 2016, cujo caráter ditatorial torna-se cada vez mais explícito.

O impasse é tal que somente a Revolução popular e libertária, forjada na vontade e na consciência dos que sustentam, com enorme sacrifício e nenhuma recompensa, os privilégios da  classe dominante e seus lacaios políticos, poderá nos conduzir a outro caminho que não o da perpetuação, mediante o arbítrio mais ominoso, deste sacrifício por outras tantas décadas quanto aquelas decorridas desde o golpe de 1964.

Ubirajara Passos

 

 

 

 

O que foi realmente a ditadura militar e o que pode significar a chegada de Bolsonaro e suas viúvas saudosistas ao poder


Resumo abaixo, de forma serena e irrefutável, e a partir de trechos de minhas respostas, em meu embate com bolsonaretes e fascistas amestrados de todo tipo, postados na discussão de facebook que originou meu comentário reproduzido na matéria anterior deste blog, o real significado da candidatura do führer Jair Bolsonaro e sua umbilical, e assumida, ligação com a mais nefasta das ditaduras da História do Brasil, responsável pela desgraça definitiva de nosso povo há 53 anos passados.

O golpe dos generais gorilas no primeiro de abril de 1964 fez-se contra um governo legítimo, que pretendia implantar reformas básicas que garantissem aos brasileiros viver com um mínimo de dignidade. Que pretendia fazer a reforma agrária, coibir a remessa de lucros (que ceifa as riquezas produzidas no Brasil) das multinacionais às suas matrizes, fazer a reforma urbana, coibindo a exploração imobiliária e possibilitando moradia digna à população, mas foi apeado por traidores do Brasil, aliados ao imperialismo americano, sob o pretexto cretino da “comunização” do país, exatamente o mesmo discurso dos saudosistas do regime agora reunidos em torno do senhor Bolsonaro!

Jango não foi deposto por ser “um corrupto, demagogo, comunista” (conforme o discurso descabelado do reacionarismo lacerdista), mas porque contrariou os latifundiários improdutivos e o capital internacional que nos escraviza, decretando a desapropriação de latifúndios às margens das rodovias federais e regulamentando a lei da remessa de lucros.

Defender a ditadura dos que o depuseram, atitude que é assumida claramente por Jair Bolsonaro e seus díscipulos é, portanto defender os interesses de uma elite internacional, e seus lacaios brasileiros, que são responsáveis pela miséria econômica e existencial do nosso povo. É uma opção logicamente defensável… desde que quem a professa seja um beneficiário de tais interesses, que continuaram plenamente hegemônicos (e não o “comunismo gramsciano” como berram com toda força os fanáticos) no período pós-redemocratização. O discurso da extrema direita, que procura identificar o PT com o “comunismo”, diante da realidade concreta dos fatos, é de uma irracionalidade que beira ao delírio e à paranoia, no mínimo. Assim como o de seus congêneres do período pré-golpe militar que viam “comunistas comedores de criancinha e matadores de velho pra fazer sabão” por todo canto e a qualquer pretexto.

Não é necessário acessar quaisquer fontes estrambóticas (como pretendem que se faça os discípulos de Bolsonaro) para saber que o discurso da “infiltração comunista” fazia parte da tática alarmista de lacerdistas e fascistas associados a CIA e ao grande capital americano para justificar o golpe implantar o regime sanguinário que permitiu a entrega total e final do Brasil nas mãos dos interesses transnacionais.

Assim como não é segredo para ninguém o apoio público de Prestes a Jango, que não fazia parte de nenhum esquema obscuro de intromissão soviética, e muito menos de qualquer conspiração para tomada do poder por seu partido. Já o mesmo não pode se dizer de Lacerda, Magalhães Pinto e Ademar de Barros em relação aos Estados Unidos.

Bolsonaro não é apenas um admirador descarado, mas foi sim colaborador de uma ditadura. Até ontem era membro da agremiação política que a representava e seus pupilos políticos admitem defender o regime autoritário e se confessam explicitamente anti-comunistas. Tudo isto os identifica com as forças que infelicitaram este país em 1964 e os contrapõe claramente aos direitos civis e políticos básicos garantidos a qualquer cidadão mesmo nos regimes abertamente capitalistas, mas liberais, pós-revolução francesa.

Sua chegada ao poder significa, portanto, o retorno expresso da tirania, do arbítrio e do terror promovido pelo próprio Estado contra quem quer que não se submeta aos seus planos.

Isto é suficiente para qualquer pessoa com um mínimo de decência, dignidade e racionalidade, temer e combater Jair Bolsonaro, MBL e seus asseclas, cujo ímpeto incansável, falaz e intrigueiro, procura incessantemente desqualificar a revelação concreta de sua natureza e pendores, explorando a histeria anti-comunista, a insegurança diante da criminalidade alimentada pelo próprio sistema e os pendores autoritários e anti-prazer presentes ainda na estrutura psicológica profunda da grande maioria das pessoas comuns.

Este tipo de manipulação virulenta e insana tem nome: peste emocional.

E não há uivos histéricos, por mais ruidosos e convulsivos que sejam, que possam obscurecer a verdade racional, límpida e serena, quando expostos cruamente à luz do sol.

Ubirajara Passos

 

A todos trabalhadores de salário miserável e quotidiano submisso sob as patas da elite mais infrutífera e sádica do planeta que comemoraram a condenação de Lula no TRF-4:


Muito embora o réu não seja nenhum santo, muito menos um mártir da causa popular (que ajudou a acomodar e reprimir quando estava no poder),  a manutenção e majoração de sua pena não representam a redenção da “moralidade pública”, nem a derrota das esperanças do povo no caminho de uma eventual futura eleição, mas a realização dos sonhos da sanha autoritária de uma quadrilha tão ou mais corrupta que afastou Dilma e quer sepultar Lula para implantar no Brasil o restabelecimento prático da escravidão e a extinção da aposentadoria, para tranquilidade do capital estrangeiro!

Querem garantir que a eleição presidencial seja mais mambembe do que seria com a participação do assistencialismo petista (retrógrado socialmente, mais ainda assim melhor que Temmer), bem como o aprofundamento da retirada das últimas garantias sociais perpetrada pelo governicho pós-golpe paraguaio de 2016.

O único caminho que resta, mais do que nunca , à massa trabalhadora é ir além da dicotomia pt/governo golpista, fazer a revolução, se apropriar do poder, dos meios de produção e do próprio destino e mandar burgueses, poderosos e demagogos de todo tipo à puta que pariu!

(publicado no facebook  na quarta-feira, 24 de janeiro de 2018, à noite)

Sagu de merlot


O tédio e uma melancolia pegajosa que me invadiram nos últimos dias (sem qualquer relação com a condenação de Lula, vide minha manifestação ontem no facebook, que será reproduzida na próxima matéria) tem me remetido a velhíssimas e saudosas recordações, de todas as estampas, inclusive caquéticas anedotas, da vida real, como a relatada nesta crônica.

Fato é que, coisa de uns 5 ou 6 anos atrás (já nem me lembro ao certo), o companheiro Carlão (o mesmo que eu havia sacaneado tomando o vinho argentino que lhe prometera, conforme narrado em uma das primeiras crônicas deste blog, em 2006), teve, involuntariamente, a sua vingança daquele fato, sem que saiba até o presente momento, dado o natural constrangimento, e os rogos de minha mulher e sogra, diante dos acontecimentos, que agora já podem ser revelados sem maior impacto.

Tendo se removido, depois de anos como Escrevente em Santo Antônio da Patrulha, para a comarca de Garibaldi, em plena região vinícola do Rio Grande do Sul, o meu velho amigo, colega e companheiro de sindicalismo, foi morar justamente em frente a uma vinícola e assim, tendo acesso na porta de casa, aos mais diversos e refinados vinhos, resolveu me presentear com uma garrafa de um excepcional Merlot que havia degustado, o que me anunciou por MSN ou outro meio de comunicação eletrônica, que na época nem se cogitava do tal zap-zap.

Se encontrando em férias, e eu trabalhando, o camarada deu uma passada uma bela manhã na minha casa (na época eu ainda morava na Rua Barbosa Filho, próximo à casa em que me criei e vivi até casar e à garagem regional da empresa gravataiense de ônibus, a SOGIL), deixando com minha sogra, que andava lá passeando, o valioso mimo. O que me avisou enviando um torpedo para o meu celular.

Passei o dia entusiasmado, ansioso para chegar logo em casa e provar o tão elogiado licor. Mas qual não foi a minha absurda surpresa ao descobrir que, no afã de fazer um agrado para a filha, a velha havia feito um sagu para sobremesa do almoço. E justamente com o meu merlot!

Nem pensei em protestar, pois além de ficar sem o vinho, contrariar a sogra diante da filha me renderia, na certa, uma dor de cabeça pior que ressaca de vinagre, e ainda, a pedido da dupla, agradeci cortesmente ao amigo, quando questionado sobre a qualidade da bebida.

Mas, por óbvio, fiquei puto da vida e mal me consolei com a ideia de, pelo menos, aplacar o paladar comendo o tal sagu. Mas, como diz o velho adágio, desgraça pouca é besteira e nunca vem desacompanhada. E assim foi que, quando me dirigi a geladeira para saborear o fino manjar, descobri que ficara tão bom, mas tão bom mesmo, que a turma comera tudinho e não deixara o menor bocado para um pobre bêbado frustrado.

 

Ubirajara Passos