“Surubinha de leve” apenas explicita o sadismo do funk em geral


Ao contrário do estardalhaço politicamente correto (entenda-se vigilância infantiloide e totalitária) que levou à retirada do catálogo do Spotfy, o exame completo da letra do estrondoso sucesso do fanqueiro Diguinho permite concluir que a música não faz a menor apologia ao estupro, nem  à prática criminosa alguma.

Se ao invés de se deter no desaventurado refrão (Taca a bebida/Depois taca a pica/E abandona na rua), prestar-se a devida atenção ao contexto das demais estrofes (Pode vim sem dinheiro/Mas traz uma piranha, aí!/Brota e convoca as puta), o máximo que se poderá constatar, é uma incitação ao estelionato (a gurizada vai convocar as profissionais do amor para uma festinha, gozar do seu serviço e depois mandá-las port’afora, com um ponta-pé na bunda, e nenhum mísero tostão de pagamento), ou quando muito à celebração da prática da zoofilia com vorazes peixes carnívoros!

O texto da estrofe intercalada entre a convocação e o desenlace da orgia (Mais tarde tem fervo/Hoje vai rolar suruba/Só uma surubinha de leve/Surubinha de leve/Com essas filha da puta) deixa bem claro tratar-se de uma suruba destas que muito velhote metido a playboy detentor de mandato parlamentar costuma fazer em Brasília, na qual as meninas participarão espontaneamente, bebendo e gozando dos prazeres carnais previstos, sem receber, entretanto (e aí é que repousa a malícia da gurizada da favela carioca) a devida retribuição monetária. 

Conforme matéria de O Globo recentemente publicada, duas advogadas especialistas na matéria criminal invocada teriam afirmado categoricamente que seria necessário bem mais do que as meras alusões a trago, sexo e abandono para caracterizar o estupro, que consiste na prática forçada de sexo, mediante violência ou grave ameaça, e não fica expresso que o ato de “tacar a bebida” consistiria em fazer a mulherada ficar inconsciente para usufruir de seu corpo.

Polêmicas a parte, a verdade pura e simples é que 99% das letras de funk no Brasil primam, desde o boom inicial do ritmo, no início dos anos 2000, com a banda Bonde do Tigrão, pelo mais medíocre sadismo (vide os versos de Prisioneira,  onde a gata é advertida  que seus únicos direitos são os de “sentar, de quicar, de rebolar”, e, fora isto, o “de ficar caladinha”) abordando as relações sexuais (diferentemente da velha sacanagem bem-humorada e gaiata, de duplo ou mais ou menos explícito sentido, das marchinhas clássicas, como “A Perereca da Vizinha”) sob a ótica do machão prepotente,  que vê e usa a mulher como uma simples coisa, a moda do barranqueador de égua que submete a fêmea no ato  maneando-lhe as patas (quem for dos pagos sulinos entenderá perfeitamente do que estou falando).

E é muito admirável, de causar arrepios nos pentelhos, mesmo, ter sido necessário uma peça tão explícita para, após duas boas décadas de exaltação glamourizadora e massificada (a ponto de se tocar impune e entusiasticamente nas mais comezinhas festas infantis de aniversário, até mesmo nas mais pudicas casas de família) do imaginário musical erótico mais sem graça, misógino e machista,  alguém se dar conta e trazer a baila (ainda que de forma equivocada) a essência ideológica do funk brasileiro, onde a mulher é vista como coisa, nada mais que um objeto de prazer, sem direito necessário a ele.

Mas daí a se partir para a censura, com a proibição ou retirada da canção (e suas congêneres), entretanto, é se banhar nas mesmas águas da peste emocional que, da impotência orgástica (resultado do prazer reprimido por séculos de patriarcalismo ainda vigente, sob o disfarce da liberação dos costumes) à consequente intolerância moralista e totalitária tipicamente fascista, pretende controlar nossos mínimos gestos, privados ou em público, sob os auspícios da falsa moral disciplinadora, robotizante e anti-prazer da pior espécie (digna das velhas beatas rançosas, reeditadas sob a forma de histéricos e alvoroçados rapazes do MBL) ou do aparentemente inocente e comportado discurso politicamente correto de uma infeliz esquerda cor de rosa e tributária do Estado burguês. Tudo para garantir que continuemos a marchar dentro das bitolas e não desviemos por um segundo o olhar para os lados, o que pode acarretar a derrocada da escravidão assalariada e o fim dos privilégios dos amos que nos submetem a uma vida de cachorro, devidamente regrada pela ética da obediência cega e o pretexto  do bom senso.

Todo este ímpeto em demonizar, e proibir a expressão, o que é mais grave, tudo quanto possa escapar aos ditames  ingênuos típicos do Joãozinho do Passo Certo, logo no início de um ano de eleições presidenciais, que serão pautadas pela disputa espúria e entusiasmada entre os representantes mambembes aparentemente inofensivos da extrema direita raivosa rediviva (leia-se Jair Bolsonaro) e os apóstolos de uma esquerda cor-de-rosa defensora de uma ética distorcida e policialesca pretensamente defensora das minorias oprimidas, é no mínimo preocupante, para não dizer apavorante.

Ubirajara Passos

 

 

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Desafio da perereca verde


Para aquela gurizada que anda num tédio medonho, cansou do facebook e dos youtubers teens aveadados de sempre, e não sabe o que fazer para espanar a poeira do cérebro (e de outras partes bem mais interessantes do corpo humano, especialmente em sua idade) o Bira e as Safadezas… resolveu lançar este desafio, que envolve realmente tarefas perigosas e terrivelmente mortais nos dias que vivemos:

1) Com aquela caneta tinteiro Parker caríssima do teu pai, escreva “FODA-SE” na palma da mão, fotografe e envie para aquela tia histérica que não sai dos bailões no fim de semana, mas faz questão de espionar e delatar as “putinhas” do bairro e é fã irremediável de Jair Bolsonaro. Não esqueça de jogar fora o refil da caneta, substituí-lo pelo de  uma canetinha hidrocor e recolocá-la cuidadosamente na escravinha do velho;

2) Assista filmes pornô americanos, com o volume a toda altura, na sala de estar, às 4 h 20 min da tarde, quando sua mãe estiver fofoqueando com as amigas ao pé de um chazinho com bolacha d’água. Mas não pode ser qualquer filme, tem de ser algo bem sádico e exagerado nas gritarias de pretenso gozo;

3) Com todo cuidado para não feri-la, a velocidade necessária para escalar o muro do quintal e escapar à pauleira, se muna de uma tesoura enorme, daquelas velhas tesouras de parteira, e dê três cortes grandes na franja daquela sua irmã periguete;

4) Desenhe, com todos os detalhes, sem se esquecer dos pentelhos, a “perereca da vizinha” e envie por carta registrada com aviso de recebimento para aquele teu colega gay;

5) Se tu estás pronto pra te transformar numa perereca verde, escreva um enorme ponto de interrogação na testa, com o melhor batom da tua mãe. Caso contrário, arranje o vídeo integral do interrogatório do Lula e castigue-se assistindo sem parar, no fim de semana inteirinho;

6) Tarefa em código: escreva o nome dos doze namoradinhos da tua prima”virgem” em código morse e entregue pra tua vó decifrar. Não se esqueça de fazer constar da lista do que se trata e fornecer, no verso, o alfabeto dos traços e pontinhos para a perfeita decifração da velha;

7) Escreva “foram 40” na palma da mão, tire uma foto e envie para aquele teu colega abestalhado que te enche o saco na dúvida sobre quantos caras a namorada teve antes dele;

8) Escreva no teu perfil do facebook “dá-me  a tua perereca?” e envie para todas as amigas da tua irmã;

9) Arranje uma máscara de capeta, com guampa e tudo, tridente, capa preta; vista camiseta, calça, meias e sapatos vermelhos, tome um porre dos bons e entre aos gritos numa sessão da Igreja Universal;

10) Às 4 h 20 min da tarde, suba num telhado bem alto, numa esquina de intenso tráfego de pedestres, mostre a bunda pintada de vermelho e declame a plenos pulmões o poema “cu de gaúcho” de Jayme Caetano Braun;

11) Desenhe um caralho na mão com o rímel da tua vó, surrupie o celular da irmã, fotografe e envie para o “zap-zap” da tua tia solteirona;

12) Assista pornochanchadas brasileiras dos anos 1970/1980 e documentários sobre alienígenas todas as manhãs. Mas não o faça sozinho: encha o saco de quem estiver por casa pra te acompanhar;

13) Ouça todos os funks do “Emicê Qué Vinho” todas as noites, a todo volume, a semana inteira;

14) Corte a franja do poodle da tua irmãzinha;

15) Afane, fure com uma agulha bem fininha e recoloque de volta na carteira as camisinhas daquele teu amigo metido a garanhão;

PERERECA

16) Faça algo “doloroso”: coloque leite num copo de vodka e tome todinho num só gole;

17) Procure o telhado mais alto, de preferência na hora do almoço, no centro da cidade, e jogue de lá cópias coloridas de notas de cinquenta nos transeuntes;

18) Suba na passarela de uma elevada, numa rua movimentada, e jogue buchinhas de papel na careca dos engravatados que passarem lá embaixo;

19) Suba num poste, mostre a bunda pintada de vermelho e cante, com um megafone, “A perereca da vizinha”;

20) Se faça amigo do irmãozinho coroinha do seu melhor amigo, o convença  de que quer se converter, ganhe a sua confiança, dê um jeito de ele lhe dar acesso à sacristia, coloque maconha na pira de incenso e vá assistir à missa na igreja dele;

21) Crie um perfil falso de uma loira gostosíssima, solicite amizade daquele amigo tarado do teu pai, marque um encontro com ele no boteco do Tonho, dê uns pilas pra um servente de obra e mande ele no lugar da loira;

22) Pendure as calcinhas fio dental da tua irmã na antena de TV no telhado, em dia de festa de família, e chame a atenção da tua tia solteirona e beata;

23) Outra tarefa em código: no aniversário daquele camarada metido a encher a cara e disputar pega com seu chevete velho na saída do bailão, dê como presente o código de trânsito;

24) Tarefa “secreta”: conte pra todas as gatinhas da escola que o colega de vocês metido a garanhão ainda é virgem e peça segredo pra todo mundo;

25) Vá a uma reunião de um comitê de admiradores de Jair Bolsonaro e doe a cada participante um exemplar encadernado em capa dura e couro da Declaração Universal dos Direitos Humanos;

26) Chame a sua namorada, reúna a família e os amigos e marque a data do casamento;

27) Acorde às 4 h 20 min da manhã, recheie a carteira (pode ser de papel picado se, obviamente, não tiver dinheiro), coloque sua melhor roupa de festa e vá esperar o ônibus linha municipal na parada mais próxima da vila;

28) Vá a um velório e não pare de falar e rir o tempo todo;

29) Faça um voto de castidade, outro de que realmente não vai beber mais nenhuma gota de álcool… e tente cumprir!

30-49) Pare de vagabundear, arranje um estágio numa repartição pública qualquer,  com a remuneração de um salário mínimo, levante cedo, vá trabalhar todo dia de manhã, e tente pagar as contas de sua família;

50) Acesse os links abaixo, compre meu novo livro “Três Doidos Perdidos na Tríplice Fronteira”, copie um trecho da página 60 e mande por comentário para este blog:

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Ubirajara Passos

Dos filhos e as nossas (pouquíssimas) horas de sono: uma relação eternamente incompatível


Desde os meus quatorze anos luto contra uma insônia crônica, que começou da forma clássica (aquelas infindas madrugadas passadas em claro apesar do esforço em dormir, que acaba, justamente, por decretar definitivamente a vitória da falta de sono) até a típica da depressão, que se tornou minha companheira nos últimos anos, e que consiste em, apesar de agora conseguir engatar tranquilamente o motor do sono, vê-lo engasgar e me acordar, aos sobressaltos, uma ou duas horas antes daquela necessária, arruinando definitivamente a corrida pela restauração diária de mente e corpo combalidos pela tentativa de sobrevivência consciente nesta vidinha de peão metido a intelectual cada vez mais fudido financeira, física e psicologicamente.

Vivo, portanto, uma eterna batalha contra o sono (que se recusa, incessantemente a se fazer presente nas horas e na profundidade necessária a uma vida saudável), pelas minhas próprias idiossincrasias. O que não seria tão grave, não houvesse as circunstâncias externas, ligadas ao tema desta crônica, que acabam por torná-la bem pior ainda.

Até encerrar minha carreira de solteirão emérito, aos 43 anos e 2 dias, o problema era todo e exclusivamente meu, ou no máximo dos objetos inertes, do aparelho de tv e dvd aos livros e revistas consumidos na tentativa de cansar a mente e dormir por extenuação.

Mas depois que, simultaneamente, me casei e me tornei pai da coisa mais linda do mundo (a Isadora, atualmente com 6 anos) e padrastro do Erick e da Larissa (ambos na adolescência, o primeiro com 16 e a segunda com 13), descobri o grande tormento de todos os pais mundo a fora com o eterno ciclo dos filhotes humanos, desde o nascimento até o dia em que resolvem nos largar e sair pelo mundo atrás do primeiro rabo de saia, par de calças, ou de qualquer loucura que lhes justifique viverem sozinhos – o que, no meu caso, ainda não aconteceu com nenhum deles.

É inacreditável, mas terrivelmente real, e talvez seja a única verdade absoluta, indesmentível e inalterável do universo, depois da certeza da morte, a relação entre crianças, jovens e pouco sono dos respectivos pais ou cuidadores.

Quando recém-nascidas, é inevitável, mesmo que sejas o pai, a interrupção sobressaltada do sono, durante as horas mais imprevistas, em razão do choro reivindicatório da criatura enlouquecida pela teta materna.

Passada esta fase, quando, inocentemente, relaxamos e imaginamos que o problema está resolvido (pois agora a criaturinha, que logo começará a ensaiar seus primeiros passos e palavras, uma vez adormecida, ronca profunda e profusamente), descobrimos a total incompatibilidade entre a preguiça matinal que nos levava, quando jovens (mesmo não sucedendo noites em claro de boemia ou festas), a nos erguer da cama, aos arrastos, lá pelas 2 horas da tarde, e as criancinhas novas.

Só quem nunca foi pai ou mãe ou vive em qualquer planeta diferente desta nosso Terrinha jamais passou pela experiência. Por uma misteriosa configuração quântica ou mágica, basta o sol apontar seus primeiros raios pálidos na linha do horizonte para se ter um pirralho ou pirralha agitadíssimos saltitando sobre a tua cama e te arrastando pelo dedo indicador da mão para ir brincar com os filhotinhos da gata ou da cachorra da casa, quando não, porque é verão e o calor é terrivelmente convidativo, para se jogar na água fria da piscina, num choque apocalíptico para quem recém saiu, sem muita convicção e completamente chapado, dos lençóis noturnos.

Aí, lá pela proximidade da puberdade e adolescência a dentro, quando imaginamos que a gurizada, mesmo não tendo ido a nenhuma balada noturna, tratará de acordar bem tarde como fazíamos na sua idade e finalmente vamos conseguir dormir até umas 10 h pelo menos, descobrimos, cruelmente, que o que irritava nossos pais não era tanto o fato de atrasarmos para o almoço, mas os ruídos inevitáveis da tv, do rádio ou qualquer outra precária mídia da época, pela madrugada morta. O que hoje, com os tantos jogos e chats on line que permitem se comunicar verbalmente, com viva voz, a qualquer parte do globo, transforma-se qualquer casa onde esteja um piá adolescente num debate ou conversa animadíssima noite a dentro – que impede completamente o sono alheio e nos convida a nos reunir à boemia eletrônica ou a saltar, se for possível, para o mais próximo bar e encher a cara, porque para dormir, definitivamente, não dá mesmo.

Se a coisa é feia, fase após fase, imagine-se o terror do meu caso: viver as 2 últimas simultanamente, com a perfeita garantia de que a mais nova, estará, quando nos livrarmos das estripulias dos mais velhos, entrando na 3ª fase daqui a alguns anos.

Mas tudo bem. Estes percalços fazem parte e, confesso sem qualquer pieguice: apesar de tudo os filhos são a alegria das nossas vidas. E um dia, afinal, baterão as asas de casa e nos deixarão com aquela frustração eterna e mesmo com a saudade de sua gritaria pela madrugada ou das manhãs agitadas. Assim pensam aqueles que, como no meu caso, ainda têm os filhos debaixo da própria asa e do teto.

Mas a experiência alheia, infelizmente, desmente esta tranquilidade final e acaba decretando a eterna incompatibilidade entre a condição paterna ou materna e o bom sono. Poderás já ser avô, caro leitor, mas não te iludas, que sempre haverá ocasião para esmurrares o bidê ao lado, diante do telefone que toca insistentemente, pontualmente às 3 h da madrugada, e, uma vez atendido, transmite a voz chorosa de uma filha, filho ou até neto, que acaba de brigar com a respectiva cara-metade e não encontra outro ombro acolhedor para despejar sua desgraça íntima durante horas a não ser o teu, desventurado ser que cometeste a imprudência de colaborar para perpetuar a espécie humana.

Ubirajara Passos

Um flagrante “do capeta”


 Durante o estágio do Nandinho Andarola na Delegacia Regional do Trabalho em Cuiabá, capital do Mato Grosso,  era comum avistar o rapaz nos intervalos (concedidos para fumar seu “cigarro” e fazer um lanche), enrolando um papel de seda sobre um tipo de erva estranha, e voltar para o serviço mais doido que o Dente Hugo em dia em que seu avô Ramón recebe a aposentadoria.

Um belo dia ele e seu colega Maiki Mouse, inveterado apreciador da mesma misteriosa substância, estavam escondidos no banheiro da repartição, fumando o cigarrinho do capeta, quando um dos guardas ouviu estranhos barulhos e foi averiguar, pensando que poderia talvez rir bastante ao encontrar o Peruca, tendo relação sexual com alguma faxineira ou ganhando seus “dezinhos” ou coisas do tipo.

Mas a surpresa foi completamente inédita. Martinhu du Pó, amigo de farra da dupla, e também fornecedor de sua principal diversão, havia se confundido e vendido Haxixe aos pobres maconheiros, que desconheciam o seu grau de THC , e os correspondentes efeitos. E, ao entrar no banheiro, o vigilante deparou com os dois rapazes completamente nus. O Nandinho de quatro tomando água da privada e latindo. Enquanto o Maiki Mouse pulava pra lá e pra cá, por cima de uma “fogueira de São João” que havia feito com uma pilha de processos que deveriam ser entregues à chefe do DRT, a tarada e desastrada Paraguaçu. A bizarra cena embalada ao som de “Charuto me Roubou”, obra prima do cantor “Dente Hugo”, que estava sendo tocada em alto e bom som no celular de um deles.

O segurança, pra variar metido a  macho, apavarou-se tanto  que chamou a polícia militar para conter a dupla. Que  foi presa e conduzida à delegacia exatamente no estado em que estava.

O delegado, um insuportável nanico conhecido pelo apelido de Doutor Carioca, casualmente gaúcho, estava de bom-humor naquele dia e resolveu dar uma aliviada na situação do dois malucos, propondo:

– Vocês parecem ser boa gente. Vou lhes dar uma segunda chance!  Ao invés de irem pra cadeia, vocês terão que mostrar para as pessoas os terríveis males das drogas e convencê-las a largá-las!  Compareçam aqui em  uma semana, e me relatem quantos tontos, isto é, quantos cidadãos vocês convenceram, que eu mando arquivar o inquérito!

Na semana seguinte os dois voltaram e o “doutor Carioca” perguntou primeiro para Maiki Mouse:

– Como foi sua semana, rapaz?

– Bem, doutor delegado, eu convenci 17 pessoas a pararem de consumir drogas para sempre!

-17 pessoas? – disse o delegado, satisfeito – Que maravilha. O que você disse para elas?

– Eu usei um diagrama, meritíssimo. Desenhei 2 círculos como estes:
O o

Aí apontei pro círculo maior e disse: “Este é o seu cérebro em tamanho normal…”  e, apontando pro menor: “E este é o seu cérebro depois das drogas!”

“Muito bem!” – aplaudiu o delegado “Carioca” , virando-se imediatamente para o Nandinho e dizendo:  “E você? Como foi sua semana?”

– Eu convenci 234 pessoas, doutor!

– 234 pessoas? – exclamou o delegado, pulando da cadeira – Incrível! Como você conseguiu isso?

– Utilizei um método parecido com o do meu colega. Desenhei 2 círculos como estes:
o O
– Mas eu apontei para o círculo menor e disse: – Este é seu cu antes da prisão…

Ubirajara Passos

Aventuras Sexuais do Peruca no Brasil Central


 Paraguaçu é uma funcionária pública de meia idade, e ocupa um cargo de chefia em uma repartição do Ministério do Trabalho, em Mato Grosso. Sua personalidade um tanto quanto dispersa, meio que avoada e estabanada, não impediu que concluísse o curso de Direito, na Faculdade de Cacimbinhamburger, no Vale do Rio dos Sinos. Dizem as más línguas que na mesma classe em que se formaram dois grandes doutrinadores da atualidade jurídica e decadencial da literatura jurídica gaúcha, o Doutor. Nênio Gambá (já citado neste blog) e o Doutor Com Pêlo, dois criminalista de alto renome em Gravataí.

Nem mesmo o seu estilo completamente desastrado e sua proverbial ignorância arrogante foi empecilho para que passasse no concurso, de forma um tanto duvidosa (eis que possuía antigos amigos no tal Ministério), se bem que sua classificação só lhe permitisse assumir o cargo em Cuiabá, a milhares de quilômetros de seu importante estado natal, o Rio Grande do Sul. E, por incrível que pareça, acabou encarregada da pesquisa para atualização da Classificação Brasileira de Ocupações, na região da Amazônia Legal, setor em que veio bater às portas o Peruca, via um estranho convênio com uma prefeitura do Centro-Oeste, acompanhado do Nandinho Cannabis Andarola, após ter se encerrado seu longo e ininterrupto estágio forense em Gravataí, de mais doze anos, incrivelmente realizado, todo ele, enquanto o Peruca repassava as matérias do 1.º semestre.

Era pública e notória a “amizade” que florescia entre Paraguaçu e seu fiel e bocaberta  estagiário, que, além de ter sugerido a inclusão da profissão de “michê homossexual” diferenciada da genérica de profissional do sexo, jamais deixara de obedecer uma ordem sequer, tanto de serviços internos como “extra-cartorários”. Além, é claro, da matrona ter nele encontrado a sua alma gêmea. Paraguaçu era a perfeita versão feminina do nosso asnífero herói e dificilmente se encontraria alguém igual sobre a face da Terra.

Neste ponto é bom esclarecer que o Peruca embora tonto e detentor de um raciocínio tão rápido quanto o de um tatu-mulita (seu QI atinge, inacreditavelmente, o mesmo patamar de uma fuinha), nos seis meses em que esteve estagiando no Planalto Central, conseguia atrair os mais diversos tipos de afetos e admiração do sexo oposto (e também de um certo colega do mesmo sexo) e não era raro ver os mais esquisitos tipos de criaturas interessados pelo estagiário, tanto pela sua expressa submissão quanto pelo fato do rapaz ter uma paciência sobre-humana.

E em uma, até então, monótona manhã de segunda feira, não mais do que de repente, Paraguaçu entra cartório a dentro, mais atrapalhada e nervosa do que de costume, senta-se em frente a um computador, e começa a digitar velozmente. Ao ser questionada pelo curioso e enxerido estagiário local, o Nandinho Cannabis Andarolas, sobre sua estranha atitude (que era realmente estranha, pois os funcionários da repartição jamais haviam visto Paraguaçu digitando uma palavra sequer no ano corrente), ela dispara:

  – Eu demiti o Peruca! E tenho que enviar um ofício comunicando a Prefeitura de Brejóvski os motivos, porque ele era estagiário cedido.

Quando todos já haviam perdido as esperanças de saber o motivo da dispensa do Peruca, Paraguaçu, insegura como era, pediu para um subordinado (logo o Nadinho Andarola!) corrigir seus erros de ortografia e concordância, e enviasse diretamente para o protocolo do município a seguinte mensagem, reproduzida fielmente como a que fora escrita pela funcionária, que acabou divulgada para todos pelo corretor safardana:    

 Caro senhor Prefeito do Município de Brejóvski – MT:

Por que demiti o estagiário? Era meu aniversário de 45 anos, meu humor não estava lá essas coisas. Naquela manhã, ao acordar dirigi-me a cozinha para tomar café na expectativa de que meu marido dissesse: “Feliz aniversario, querida”. Mas ele não disse nem bom dia… Pensei: “Esse é o homem que eu mereço!” Mas continuei a imaginar: “As crianças certamente lembrarão”. Quando elas chegaram para o café não disseram nem uma palavra.

Saí bastante desanimada, mas me senti um pouco melhor quando entrei na DRT e meu estagiário, o Peruca, disse: “Bom dia Doutora, Feliz Aniversario!” Finalmente alguém havia lembrado.

Trabalhei ate o meio dia, quando o estagiário entrou na minha sala dizendo: “Sabe Doutora … Está um dia lindo lá fora, e já que é o dia do seu aniversário, podemos almoçar juntos, só a senhora e eu”.

Fomos a um lugar bastante reservado. Nos divertimos muito, e como de costume paguei a conta do Peruca, porque ele fingiu ter esquecido a carteira mais uma vez, e no caminho de volta ele sugeriu: “Doutora! com esse dia tão lindo, acho que não devemos voltar ao Ministério. Vamos até o minha apartamento, o Nandinho tá lá na DRT, e só chega a noite mesmo, e lá tomaremos um drinque.”

Fomos então para lá, e enquanto eu saboreava um vinho ele disse: “Se não se importa eu vou até o meu quarto vestir uma roupa mais confortável”. Tudo bem, respondi. Fique a vontade. Decorridos mais ou menos cinco minutos, ele saiu do quarto carregando um bolo enorme, seguido de meu marido, meus filhos, amigas e diversos chefes e funcionários da repartição, todos cantando, “Parabéns Para Você” “E lá estava eu, nua, sem sutiã, sem calcinha, sentada no sofá da sala e me masturbando…”

OBS: é por isso que eu digo…

 ESTAGIÁRIO SÓ FAZ CAGADA!”

Ubirajara Passos

Almanaque do Peruca – 6


Para que os leitores brasileiros possam dar uma relaxada, e encontrar mais um judas, daqueles bons pra malhar, depois do desastre futebolístico da copa do mundo da África do Sul, vão aí publicadas mais duas pérolas do meu amigo Peruca:

O pé gelado na bola virtual: manhã de sexta-feira, dia 2 de julho. Tresnoitado, pois passara a madrugada reparando meu notebook para que o Peruca pudesse formatá-lo e substituir o horrível programa Vista Home Basic pelo Windows 7, mal consigo acompanhar o jogo Brasil x Holanda, quando tenho de sair correndo até o portão de casa, pois o dito cujo estava chegando, montado em sua nova e flamante moto (e acompanhado por aquela nuvem de tempestade invisível, que despejava chuva, raios e trovões sobre aquele personagem azarado dos quadrinhos), para pegar o meu computador portátil, a fim de fazer o serviço em sua casa.

Em segundos, enquanto abro o portão, ouço os gritos de horror da Janaina e das crianças dentro de casa. A Holanda “fizera” seu primeiro gol (na verdade um inédito e ridículo gol contra).

O Peruca passou o intervalo me narrando as novas proezas do “Dente Hugo”, que cansou de fazer “expropriações” e comércio informal de fio de cobre e agora está se dedicando à nobre arte do michê, tendo faturado estes dias nada mais do que uns R$ 100,00, de uma tacada só, daquela budegueira velha (sessenta anos que parecem cem) tarada e fogosa que resolveu adotar o eterno “menor abandonado”.

E quando já se preparava para partir, ele, que passara a madrugada em expedição etílico-farrista com o Kadu e o Negreti e se acordara pouco antes de vir até a minha casa, resolveu me perguntar como andava o placar do jogo. Lhe informei da infausta coincidência: foi só o Peruca botar o pé no meu portão e veio o gol da Holanda. O placar era um inconveniente 1 x 0 contra o Brasil.

O asnífero ex-estagiário de Direito, com aquele sorriso irônico de jegue sonolento, teve então a coragem de proferir a profética e terrível frase: “Então vou ficar por aqui mais um pouquinho pra ver o que acontece”.

Não ficou. E nem eu, que já não acompanhava o jogo pela televisão, acreditei que outra coincidência absurda pudesse acontecer.

Mas o fato é que as causas da eliminação da Seleção Brasileira de Futebol parecem ser bem mais profundas e concretas do que  a CBF ter convocado para técnico do time justamente o mais “peruca” e debilóide dos 7 anões, o Dunga (ainda se fosse o zangado…) e dos nossos jogadores estarem sem a camiseta verde-amarela, mas usando o uniforme alternativo, com a terrível cor azul (que identifica, casualmente, o Grêmio de Porto Alegre, time para o qual torce o Peruca).

Podem não acreditar, mas a culpa toda é do Peruca! Foi só ele botar o pé no acelerador da moto e dar partida e lá veio o segundo gol da Holanda, que mandou a vaca brasileira pra lá do mais espinhoso brejo!

Assustando o aipim: é simplesmente indesculpável, mas faz já uns seis meses que o Peruca ficou viúvo e este blog não noticiou o fato. Se algum leitor é amigo distante da Schuvaca Horripilis, no litoral norte do Rio Grande do Sul, e não a vê por Tramandaí há tempos, não se alarme, entretanto. A “delicada” mulher do Peruca está bem vivinha. Mas separou-se do proverbial pateta.

Quem morreu foi o Traveco Violento, em renhido tiroteio com seu colega de profissão, o famoso Rick, ou “Camila Pitanga”, que era o homossexual folclórico mais famoso de Gravataí, assíduo prestador de serviços aos camioneiros gays e pequeno-burgueses engravatados da cidade nos matinhos da RS-118.

E o Peruca ficou tão deprimido que a Schuvaca, tomada de um ciúme “animal” tratou de dispensá-lo. Assim, desempregado (seu estágio forense terminou há uns bons 9 meses) e sem mulher, ele voltou pra casa da vovozinha, que, cansada de sua vadiagem resolveu lhe ensinar a cozinhar, que era só o que faltava ela ter de trabalhar pro marmanjo quase trintão.

Um belo dia a pobre senhora (que outro qualificativo não caberia à vó de um sujeito como ele), tendo dado ao netinho as instruções de como cozinhar aipim (quel ela chama de “mandioca mansa”, mas evita usar o termo na frente dele, pra não lhe atiçar a nostalgia do traveco), complementou a lição dizendo: “só não te esquece, meu neto, antes de colocar na panela, tu tem que dar um susto no aipim”.

Coitada, pretendia que o asno mergulhasse a raiz na água fria da torneira para lhe dar consistência no cozimento com o choque térmico. Mas quase tem um chilique, desses de ficar de pernas para cima, quando entra na cozinha e encontra o Peruca, suado e e esbaforido, em frente à pia, berrando alto com um monte de aipim.

Ubirajara Passos

O Guri Importuno


Provavelmente eu esteja cometendo um plágio não intencional ao abordar o assunto, que me parece já ter sido magistralmente descrito por algum de nossos grandes cronistas brasileiros.

Sem falar no lugar comum (como o qualificava o Carlão – aquele colega da crônica do Vinho), já vastamente explorado, sobre tipos similares e conexos (todos os matizes do chato de plantão), que mereceram mesmo uma dissertação completa no antológico “Tratado Geral dos Chatos”, publicado em 1962 pelo refinado irmão do último ditador formal do ciclo brasileiro autoritário de 1964, Guilherme Figueiredo. Livro que, aliás, não li, tendo até hoje apenas ouvido ou lido comentários a respeito, na televisão e na internet, mas que parece dar conta genialmente da questão.

Mas a pura e xaropíssima verdade (tão enjoada que recostou seu braço sobre o meu ombro e se pôs a me exigir, com sua voz maçante de bêbada chorona até eu ceder-lhe em publicar esta crônica)  é que uma das grandes e urgentes conclusões impostas pela experiência do casamento, em plena meia idade, que me jogou numa sarabanda de convivência com o universo infantil, em que pululam piás de todo tipo, de que achava afastado há anos, foi a tese aqui informalmente exposta.

Ele, o guri importuno, encarna evidentemente as mais diferentes figuras físicas e aparece, a todo momento, nos mais diversos cenários sociais e culturais. Pouco lhe importa se se trata de um palacete sustentado pela especulação financeira falcatrua, pela falcatrua política que impregna um apartamento funcional de um político qualquer em Brasília, de um barraco feito de todo tipo de resto de madeira na margem de um canal do DNOS  em Porto Alegre, de uma palafita amazônica ou de uma velha casa de alvenaria de um obscuro bairro de pequena classe média no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte, os três últimos cenários resultantes da falcatrua dos primeiros, embora completamente apartados e distantes de sua realidade.

Ele está sempre, incansável e presente, a postos para nos atacar e empestear a vida, evitando que possamos curtir sossegada e pachorrentamente a tediosa rotina de um domingo à tarde com o jornal em punho ou daquela, cada vez mais rara e impossível, rápida sesta no horário do almoço, em uma quarta-feira.

Em geral é gordinho, com bochechas rosadas, e tem um ar bonachão e meio abobalhado, e se encontra na faixa etária que os chatos adultos metidos a especialista classificam como pré-adolescência (dos dez aos treze anos de idade), época em que a gurizada urbana, na impossibilidade de dar ao tesão nascente da puberdade, outra vazão que a punheta, se compraz em masturbar-se mentalmente nos perturbando a paciência, e a precária tranqüilidade.

Quando mais mergulhados nos encontramos na leitura ou em qualquer um devaneio, daqueles que supomos geniais e, apesar de sua incrível banalidade ingênua, nos parecem a própria descoberta definitiva que irá garantir a felicidade eterna à humanidade, ele irrompe, sorridente, agitado e estridente a nos tirar do sério.

E a forma mais inofensiva de suas aparições é quando nos põe, de um salto, com os cabelos em pé e o olhar esbugalhado, com o estampido repentino de uma bombinha, ou a gritaria vinda do nada.

Se suas intenções e motivos forem banais como nos solicitar alguns centavos ou reais para comprar qualquer asneira, do chiclete ao DVD virgem, ou ao jogo de vídeo-game pirateado, até teremos sorte, abençoados que fomos pela providência protetora dos importunados. Embora a única forma de afastá-los sem maior delonga e com alguma eficácia seja aliviar o peso do bolso, e perder uns cobres, providenciando logo a verba para a compra.

Mas se o meigo fedelho, com aquele insuportável ar de criança ingênua, estiver realmente disposto a lhe brindar com sua afável companhia, siga o leitor o conselho que o velho Dante deixou inscrito na porta do Inferno, no seu best seller medieval, a Divina Comédia: “Vós que aqui entrais, perdei toda a esperança”.

O mínimo que fará é lhe encher de perguntas as mais metafísicas e fora de hora, desde qual a razão de te encontrares lendo o jornal, quem foi que o inventou e porque o publicam até o resultado da multiplicação de 3 por 9 e 27 e os demais resultados por três até o infinito. Se não quiser saber, é claro, afinal, se o Brasil vai conquistar o hexacampeonato mundial de futebol e qual a origem do apelido de seu treinador, além da possível relação dele com o debilóide anão Dunga, do conto da Branca de Neve, e, aliás, porque é Branca de Neve e não Crioula Pixe, que discriminação é esta?

Se o piá estiver de bom humor, e não ficar chorando ou praguejando com os possíveis palavrões e xingações proferidos com o intuito de afastá-lo, mas, pacientemente, resolver mudar de assunto e abordá-lo com toda sutileza com aquela frasesinha perigosa: “tio, o senhor tá nervoso, posso fazer algo pra ajudar?”, aí o caro companheiro está simplesmente perdido.

Porque, com sua proverbial capacidade de incomodar, emendará uma pergunta mais constrangedora e irrespondível a cada resposta e, quando não tiveres mais paciência alguma para responder nada, será capaz de presenteá-lo com a mais sofrível e insuportável demonstração de sua performance artística, cantando esganiçado, e dançando freneticamente, imitando o Jonh Travolta, que um amiguinho, filho de um amigo da mãe dele, lhe mostrou, fantástico, num vídeo velho do teu tempo, ô coroa, que ele não sabia que era tão maneiro!

Isto é claro, se não resolver te dar uma boa “sacudida” no ânimo, e colocar o teu astral pra cima, com elogios cretinos e insistentes do tipo: “tio, o senhor, apesar da idade e já estar gagá, até que é inteligente, estes teus óculos ficam tão bonitos, combinam tanto com a tua careca e os teus cabelos brancos”, ao que só te restará responder com um desanimado e indignado “muito obrigado, meu guri”.

E o pior de tudo, é que, por mais desaforado que sejas com ele, o guri importuno, por definição, não possui o menor senso de conveniência ou dignidade, e continurará grudando como um carrapato em ti, te enchendo o saco irremediavelmente, até o milagroso momento em que ele próprio se entediar da “brincadeira” e resolver ir xaropear outra infeliz vítima.

Infelizmente contra esta espécie de incômodos quotidianos não há qualquer remédio e até o zumbido daquele pernilongo em noite de verão escaldante parece um paraíso comparado a ele.

Ubirajara Passos