Desafio da perereca verde


Para aquela gurizada que anda num tédio medonho, cansou do facebook e dos youtubers teens aveadados de sempre, e não sabe o que fazer para espanar a poeira do cérebro (e de outras partes bem mais interessantes do corpo humano, especialmente em sua idade) o Bira e as Safadezas… resolveu lançar este desafio, que envolve realmente tarefas perigosas e terrivelmente mortais nos dias que vivemos:

1) Com aquela caneta tinteiro Parker caríssima do teu pai, escreva “FODA-SE” na palma da mão, fotografe e envie para aquela tia histérica que não sai dos bailões no fim de semana, mas faz questão de espionar e delatar as “putinhas” do bairro e é fã irremediável de Jair Bolsonaro. Não esqueça de jogar fora o refil da caneta, substituí-lo pelo de  uma canetinha hidrocor e recolocá-la cuidadosamente na escravinha do velho;

2) Assista filmes pornô americanos, com o volume a toda altura, na sala de estar, às 4 h 20 min da tarde, quando sua mãe estiver fofoqueando com as amigas ao pé de um chazinho com bolacha d’água. Mas não pode ser qualquer filme, tem de ser algo bem sádico e exagerado nas gritarias de pretenso gozo;

3) Com todo cuidado para não feri-la, a velocidade necessária para escalar o muro do quintal e escapar à pauleira, se muna de uma tesoura enorme, daquelas velhas tesouras de parteira, e dê três cortes grandes na franja daquela sua irmã periguete;

4) Desenhe, com todos os detalhes, sem se esquecer dos pentelhos, a “perereca da vizinha” e envie por carta registrada com aviso de recebimento para aquele teu colega gay;

5) Se tu estás pronto pra te transformar numa perereca verde, escreva um enorme ponto de interrogação na testa, com o melhor batom da tua mãe. Caso contrário, arranje o vídeo integral do interrogatório do Lula e castigue-se assistindo sem parar, no fim de semana inteirinho;

6) Tarefa em código: escreva o nome dos doze namoradinhos da tua prima”virgem” em código morse e entregue pra tua vó decifrar. Não se esqueça de fazer constar da lista do que se trata e fornecer, no verso, o alfabeto dos traços e pontinhos para a perfeita decifração da velha;

7) Escreva “foram 40” na palma da mão, tire uma foto e envie para aquele teu colega abestalhado que te enche o saco na dúvida sobre quantos caras a namorada teve antes dele;

8) Escreva no teu perfil do facebook “dá-me  a tua perereca?” e envie para todas as amigas da tua irmã;

9) Arranje uma máscara de capeta, com guampa e tudo, tridente, capa preta; vista camiseta, calça, meias e sapatos vermelhos, tome um porre dos bons e entre aos gritos numa sessão da Igreja Universal;

10) Às 4 h 20 min da tarde, suba num telhado bem alto, numa esquina de intenso tráfego de pedestres, mostre a bunda pintada de vermelho e declame a plenos pulmões o poema “cu de gaúcho” de Jayme Caetano Braun;

11) Desenhe um caralho na mão com o rímel da tua vó, surrupie o celular da irmã, fotografe e envie para o “zap-zap” da tua tia solteirona;

12) Assista pornochanchadas brasileiras dos anos 1970/1980 e documentários sobre alienígenas todas as manhãs. Mas não o faça sozinho: encha o saco de quem estiver por casa pra te acompanhar;

13) Ouça todos os funks do “Emicê Qué Vinho” todas as noites, a todo volume, a semana inteira;

14) Corte a franja do poodle da tua irmãzinha;

15) Afane, fure com uma agulha bem fininha e recoloque de volta na carteira as camisinhas daquele teu amigo metido a garanhão;

PERERECA

16) Faça algo “doloroso”: coloque leite num copo de vodka e tome todinho num só gole;

17) Procure o telhado mais alto, de preferência na hora do almoço, no centro da cidade, e jogue de lá cópias coloridas de notas de cinquenta nos transeuntes;

18) Suba na passarela de uma elevada, numa rua movimentada, e jogue buchinhas de papel na careca dos engravatados que passarem lá embaixo;

19) Suba num poste, mostre a bunda pintada de vermelho e cante, com um megafone, “A perereca da vizinha”;

20) Se faça amigo do irmãozinho coroinha do seu melhor amigo, o convença  de que quer se converter, ganhe a sua confiança, dê um jeito de ele lhe dar acesso à sacristia, coloque maconha na pira de incenso e vá assistir à missa na igreja dele;

21) Crie um perfil falso de uma loira gostosíssima, solicite amizade daquele amigo tarado do teu pai, marque um encontro com ele no boteco do Tonho, dê uns pilas pra um servente de obra e mande ele no lugar da loira;

22) Pendure as calcinhas fio dental da tua irmã na antena de TV no telhado, em dia de festa de família, e chame a atenção da tua tia solteirona e beata;

23) Outra tarefa em código: no aniversário daquele camarada metido a encher a cara e disputar pega com seu chevete velho na saída do bailão, dê como presente o código de trânsito;

24) Tarefa “secreta”: conte pra todas as gatinhas da escola que o colega de vocês metido a garanhão ainda é virgem e peça segredo pra todo mundo;

25) Vá a uma reunião de um comitê de admiradores de Jair Bolsonaro e doe a cada participante um exemplar encadernado em capa dura e couro da Declaração Universal dos Direitos Humanos;

26) Chame a sua namorada, reúna a família e os amigos e marque a data do casamento;

27) Acorde às 4 h 20 min da manhã, recheie a carteira (pode ser de papel picado se, obviamente, não tiver dinheiro), coloque sua melhor roupa de festa e vá esperar o ônibus linha municipal na parada mais próxima da vila;

28) Vá a um velório e não pare de falar e rir o tempo todo;

29) Faça um voto de castidade, outro de que realmente não vai beber mais nenhuma gota de álcool… e tente cumprir!

30-49) Pare de vagabundear, arranje um estágio numa repartição pública qualquer,  com a remuneração de um salário mínimo, levante cedo, vá trabalhar todo dia de manhã, e tente pagar as contas de sua família;

50) Acesse os links abaixo, compre meu novo livro “Três Doidos Perdidos na Tríplice Fronteira”, copie um trecho da página 60 e mande por comentário para este blog:

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Ubirajara Passos

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Dos filhos e as nossas (pouquíssimas) horas de sono: uma relação eternamente incompatível


Desde os meus quatorze anos luto contra uma insônia crônica, que começou da forma clássica (aquelas infindas madrugadas passadas em claro apesar do esforço em dormir, que acaba, justamente, por decretar definitivamente a vitória da falta de sono) até a típica da depressão, que se tornou minha companheira nos últimos anos, e que consiste em, apesar de agora conseguir engatar tranquilamente o motor do sono, vê-lo engasgar e me acordar, aos sobressaltos, uma ou duas horas antes daquela necessária, arruinando definitivamente a corrida pela restauração diária de mente e corpo combalidos pela tentativa de sobrevivência consciente nesta vidinha de peão metido a intelectual cada vez mais fudido financeira, física e psicologicamente.

Vivo, portanto, uma eterna batalha contra o sono (que se recusa, incessantemente a se fazer presente nas horas e na profundidade necessária a uma vida saudável), pelas minhas próprias idiossincrasias. O que não seria tão grave, não houvesse as circunstâncias externas, ligadas ao tema desta crônica, que acabam por torná-la bem pior ainda.

Até encerrar minha carreira de solteirão emérito, aos 43 anos e 2 dias, o problema era todo e exclusivamente meu, ou no máximo dos objetos inertes, do aparelho de tv e dvd aos livros e revistas consumidos na tentativa de cansar a mente e dormir por extenuação.

Mas depois que, simultaneamente, me casei e me tornei pai da coisa mais linda do mundo (a Isadora, atualmente com 6 anos) e padrastro do Erick e da Larissa (ambos na adolescência, o primeiro com 16 e a segunda com 13), descobri o grande tormento de todos os pais mundo a fora com o eterno ciclo dos filhotes humanos, desde o nascimento até o dia em que resolvem nos largar e sair pelo mundo atrás do primeiro rabo de saia, par de calças, ou de qualquer loucura que lhes justifique viverem sozinhos – o que, no meu caso, ainda não aconteceu com nenhum deles.

É inacreditável, mas terrivelmente real, e talvez seja a única verdade absoluta, indesmentível e inalterável do universo, depois da certeza da morte, a relação entre crianças, jovens e pouco sono dos respectivos pais ou cuidadores.

Quando recém-nascidas, é inevitável, mesmo que sejas o pai, a interrupção sobressaltada do sono, durante as horas mais imprevistas, em razão do choro reivindicatório da criatura enlouquecida pela teta materna.

Passada esta fase, quando, inocentemente, relaxamos e imaginamos que o problema está resolvido (pois agora a criaturinha, que logo começará a ensaiar seus primeiros passos e palavras, uma vez adormecida, ronca profunda e profusamente), descobrimos a total incompatibilidade entre a preguiça matinal que nos levava, quando jovens (mesmo não sucedendo noites em claro de boemia ou festas), a nos erguer da cama, aos arrastos, lá pelas 2 horas da tarde, e as criancinhas novas.

Só quem nunca foi pai ou mãe ou vive em qualquer planeta diferente desta nosso Terrinha jamais passou pela experiência. Por uma misteriosa configuração quântica ou mágica, basta o sol apontar seus primeiros raios pálidos na linha do horizonte para se ter um pirralho ou pirralha agitadíssimos saltitando sobre a tua cama e te arrastando pelo dedo indicador da mão para ir brincar com os filhotinhos da gata ou da cachorra da casa, quando não, porque é verão e o calor é terrivelmente convidativo, para se jogar na água fria da piscina, num choque apocalíptico para quem recém saiu, sem muita convicção e completamente chapado, dos lençóis noturnos.

Aí, lá pela proximidade da puberdade e adolescência a dentro, quando imaginamos que a gurizada, mesmo não tendo ido a nenhuma balada noturna, tratará de acordar bem tarde como fazíamos na sua idade e finalmente vamos conseguir dormir até umas 10 h pelo menos, descobrimos, cruelmente, que o que irritava nossos pais não era tanto o fato de atrasarmos para o almoço, mas os ruídos inevitáveis da tv, do rádio ou qualquer outra precária mídia da época, pela madrugada morta. O que hoje, com os tantos jogos e chats on line que permitem se comunicar verbalmente, com viva voz, a qualquer parte do globo, transforma-se qualquer casa onde esteja um piá adolescente num debate ou conversa animadíssima noite a dentro – que impede completamente o sono alheio e nos convida a nos reunir à boemia eletrônica ou a saltar, se for possível, para o mais próximo bar e encher a cara, porque para dormir, definitivamente, não dá mesmo.

Se a coisa é feia, fase após fase, imagine-se o terror do meu caso: viver as 2 últimas simultanamente, com a perfeita garantia de que a mais nova, estará, quando nos livrarmos das estripulias dos mais velhos, entrando na 3ª fase daqui a alguns anos.

Mas tudo bem. Estes percalços fazem parte e, confesso sem qualquer pieguice: apesar de tudo os filhos são a alegria das nossas vidas. E um dia, afinal, baterão as asas de casa e nos deixarão com aquela frustração eterna e mesmo com a saudade de sua gritaria pela madrugada ou das manhãs agitadas. Assim pensam aqueles que, como no meu caso, ainda têm os filhos debaixo da própria asa e do teto.

Mas a experiência alheia, infelizmente, desmente esta tranquilidade final e acaba decretando a eterna incompatibilidade entre a condição paterna ou materna e o bom sono. Poderás já ser avô, caro leitor, mas não te iludas, que sempre haverá ocasião para esmurrares o bidê ao lado, diante do telefone que toca insistentemente, pontualmente às 3 h da madrugada, e, uma vez atendido, transmite a voz chorosa de uma filha, filho ou até neto, que acaba de brigar com a respectiva cara-metade e não encontra outro ombro acolhedor para despejar sua desgraça íntima durante horas a não ser o teu, desventurado ser que cometeste a imprudência de colaborar para perpetuar a espécie humana.

Ubirajara Passos

Um flagrante “do capeta”


 Durante o estágio do Nandinho Andarola na Delegacia Regional do Trabalho em Cuiabá, capital do Mato Grosso,  era comum avistar o rapaz nos intervalos (concedidos para fumar seu “cigarro” e fazer um lanche), enrolando um papel de seda sobre um tipo de erva estranha, e voltar para o serviço mais doido que o Dente Hugo em dia em que seu avô Ramón recebe a aposentadoria.

Um belo dia ele e seu colega Maiki Mouse, inveterado apreciador da mesma misteriosa substância, estavam escondidos no banheiro da repartição, fumando o cigarrinho do capeta, quando um dos guardas ouviu estranhos barulhos e foi averiguar, pensando que poderia talvez rir bastante ao encontrar o Peruca, tendo relação sexual com alguma faxineira ou ganhando seus “dezinhos” ou coisas do tipo.

Mas a surpresa foi completamente inédita. Martinhu du Pó, amigo de farra da dupla, e também fornecedor de sua principal diversão, havia se confundido e vendido Haxixe aos pobres maconheiros, que desconheciam o seu grau de THC , e os correspondentes efeitos. E, ao entrar no banheiro, o vigilante deparou com os dois rapazes completamente nus. O Nandinho de quatro tomando água da privada e latindo. Enquanto o Maiki Mouse pulava pra lá e pra cá, por cima de uma “fogueira de São João” que havia feito com uma pilha de processos que deveriam ser entregues à chefe do DRT, a tarada e desastrada Paraguaçu. A bizarra cena embalada ao som de “Charuto me Roubou”, obra prima do cantor “Dente Hugo”, que estava sendo tocada em alto e bom som no celular de um deles.

O segurança, pra variar metido a  macho, apavarou-se tanto  que chamou a polícia militar para conter a dupla. Que  foi presa e conduzida à delegacia exatamente no estado em que estava.

O delegado, um insuportável nanico conhecido pelo apelido de Doutor Carioca, casualmente gaúcho, estava de bom-humor naquele dia e resolveu dar uma aliviada na situação do dois malucos, propondo:

– Vocês parecem ser boa gente. Vou lhes dar uma segunda chance!  Ao invés de irem pra cadeia, vocês terão que mostrar para as pessoas os terríveis males das drogas e convencê-las a largá-las!  Compareçam aqui em  uma semana, e me relatem quantos tontos, isto é, quantos cidadãos vocês convenceram, que eu mando arquivar o inquérito!

Na semana seguinte os dois voltaram e o “doutor Carioca” perguntou primeiro para Maiki Mouse:

– Como foi sua semana, rapaz?

– Bem, doutor delegado, eu convenci 17 pessoas a pararem de consumir drogas para sempre!

-17 pessoas? – disse o delegado, satisfeito – Que maravilha. O que você disse para elas?

– Eu usei um diagrama, meritíssimo. Desenhei 2 círculos como estes:
O o

Aí apontei pro círculo maior e disse: “Este é o seu cérebro em tamanho normal…”  e, apontando pro menor: “E este é o seu cérebro depois das drogas!”

“Muito bem!” – aplaudiu o delegado “Carioca” , virando-se imediatamente para o Nandinho e dizendo:  “E você? Como foi sua semana?”

– Eu convenci 234 pessoas, doutor!

– 234 pessoas? – exclamou o delegado, pulando da cadeira – Incrível! Como você conseguiu isso?

– Utilizei um método parecido com o do meu colega. Desenhei 2 círculos como estes:
o O
– Mas eu apontei para o círculo menor e disse: – Este é seu cu antes da prisão…

Ubirajara Passos

Aventuras Sexuais do Peruca no Brasil Central


 Paraguaçu é uma funcionária pública de meia idade, e ocupa um cargo de chefia em uma repartição do Ministério do Trabalho, em Mato Grosso. Sua personalidade um tanto quanto dispersa, meio que avoada e estabanada, não impediu que concluísse o curso de Direito, na Faculdade de Cacimbinhamburger, no Vale do Rio dos Sinos. Dizem as más línguas que na mesma classe em que se formaram dois grandes doutrinadores da atualidade jurídica e decadencial da literatura jurídica gaúcha, o Doutor. Nênio Gambá (já citado neste blog) e o Doutor Com Pêlo, dois criminalista de alto renome em Gravataí.

Nem mesmo o seu estilo completamente desastrado e sua proverbial ignorância arrogante foi empecilho para que passasse no concurso, de forma um tanto duvidosa (eis que possuía antigos amigos no tal Ministério), se bem que sua classificação só lhe permitisse assumir o cargo em Cuiabá, a milhares de quilômetros de seu importante estado natal, o Rio Grande do Sul. E, por incrível que pareça, acabou encarregada da pesquisa para atualização da Classificação Brasileira de Ocupações, na região da Amazônia Legal, setor em que veio bater às portas o Peruca, via um estranho convênio com uma prefeitura do Centro-Oeste, acompanhado do Nandinho Cannabis Andarola, após ter se encerrado seu longo e ininterrupto estágio forense em Gravataí, de mais doze anos, incrivelmente realizado, todo ele, enquanto o Peruca repassava as matérias do 1.º semestre.

Era pública e notória a “amizade” que florescia entre Paraguaçu e seu fiel e bocaberta  estagiário, que, além de ter sugerido a inclusão da profissão de “michê homossexual” diferenciada da genérica de profissional do sexo, jamais deixara de obedecer uma ordem sequer, tanto de serviços internos como “extra-cartorários”. Além, é claro, da matrona ter nele encontrado a sua alma gêmea. Paraguaçu era a perfeita versão feminina do nosso asnífero herói e dificilmente se encontraria alguém igual sobre a face da Terra.

Neste ponto é bom esclarecer que o Peruca embora tonto e detentor de um raciocínio tão rápido quanto o de um tatu-mulita (seu QI atinge, inacreditavelmente, o mesmo patamar de uma fuinha), nos seis meses em que esteve estagiando no Planalto Central, conseguia atrair os mais diversos tipos de afetos e admiração do sexo oposto (e também de um certo colega do mesmo sexo) e não era raro ver os mais esquisitos tipos de criaturas interessados pelo estagiário, tanto pela sua expressa submissão quanto pelo fato do rapaz ter uma paciência sobre-humana.

E em uma, até então, monótona manhã de segunda feira, não mais do que de repente, Paraguaçu entra cartório a dentro, mais atrapalhada e nervosa do que de costume, senta-se em frente a um computador, e começa a digitar velozmente. Ao ser questionada pelo curioso e enxerido estagiário local, o Nandinho Cannabis Andarolas, sobre sua estranha atitude (que era realmente estranha, pois os funcionários da repartição jamais haviam visto Paraguaçu digitando uma palavra sequer no ano corrente), ela dispara:

  – Eu demiti o Peruca! E tenho que enviar um ofício comunicando a Prefeitura de Brejóvski os motivos, porque ele era estagiário cedido.

Quando todos já haviam perdido as esperanças de saber o motivo da dispensa do Peruca, Paraguaçu, insegura como era, pediu para um subordinado (logo o Nadinho Andarola!) corrigir seus erros de ortografia e concordância, e enviasse diretamente para o protocolo do município a seguinte mensagem, reproduzida fielmente como a que fora escrita pela funcionária, que acabou divulgada para todos pelo corretor safardana:    

 Caro senhor Prefeito do Município de Brejóvski – MT:

Por que demiti o estagiário? Era meu aniversário de 45 anos, meu humor não estava lá essas coisas. Naquela manhã, ao acordar dirigi-me a cozinha para tomar café na expectativa de que meu marido dissesse: “Feliz aniversario, querida”. Mas ele não disse nem bom dia… Pensei: “Esse é o homem que eu mereço!” Mas continuei a imaginar: “As crianças certamente lembrarão”. Quando elas chegaram para o café não disseram nem uma palavra.

Saí bastante desanimada, mas me senti um pouco melhor quando entrei na DRT e meu estagiário, o Peruca, disse: “Bom dia Doutora, Feliz Aniversario!” Finalmente alguém havia lembrado.

Trabalhei ate o meio dia, quando o estagiário entrou na minha sala dizendo: “Sabe Doutora … Está um dia lindo lá fora, e já que é o dia do seu aniversário, podemos almoçar juntos, só a senhora e eu”.

Fomos a um lugar bastante reservado. Nos divertimos muito, e como de costume paguei a conta do Peruca, porque ele fingiu ter esquecido a carteira mais uma vez, e no caminho de volta ele sugeriu: “Doutora! com esse dia tão lindo, acho que não devemos voltar ao Ministério. Vamos até o minha apartamento, o Nandinho tá lá na DRT, e só chega a noite mesmo, e lá tomaremos um drinque.”

Fomos então para lá, e enquanto eu saboreava um vinho ele disse: “Se não se importa eu vou até o meu quarto vestir uma roupa mais confortável”. Tudo bem, respondi. Fique a vontade. Decorridos mais ou menos cinco minutos, ele saiu do quarto carregando um bolo enorme, seguido de meu marido, meus filhos, amigas e diversos chefes e funcionários da repartição, todos cantando, “Parabéns Para Você” “E lá estava eu, nua, sem sutiã, sem calcinha, sentada no sofá da sala e me masturbando…”

OBS: é por isso que eu digo…

 ESTAGIÁRIO SÓ FAZ CAGADA!”

Ubirajara Passos

Almanaque do Peruca – 6


Para que os leitores brasileiros possam dar uma relaxada, e encontrar mais um judas, daqueles bons pra malhar, depois do desastre futebolístico da copa do mundo da África do Sul, vão aí publicadas mais duas pérolas do meu amigo Peruca:

O pé gelado na bola virtual: manhã de sexta-feira, dia 2 de julho. Tresnoitado, pois passara a madrugada reparando meu notebook para que o Peruca pudesse formatá-lo e substituir o horrível programa Vista Home Basic pelo Windows 7, mal consigo acompanhar o jogo Brasil x Holanda, quando tenho de sair correndo até o portão de casa, pois o dito cujo estava chegando, montado em sua nova e flamante moto (e acompanhado por aquela nuvem de tempestade invisível, que despejava chuva, raios e trovões sobre aquele personagem azarado dos quadrinhos), para pegar o meu computador portátil, a fim de fazer o serviço em sua casa.

Em segundos, enquanto abro o portão, ouço os gritos de horror da Janaina e das crianças dentro de casa. A Holanda “fizera” seu primeiro gol (na verdade um inédito e ridículo gol contra).

O Peruca passou o intervalo me narrando as novas proezas do “Dente Hugo”, que cansou de fazer “expropriações” e comércio informal de fio de cobre e agora está se dedicando à nobre arte do michê, tendo faturado estes dias nada mais do que uns R$ 100,00, de uma tacada só, daquela budegueira velha (sessenta anos que parecem cem) tarada e fogosa que resolveu adotar o eterno “menor abandonado”.

E quando já se preparava para partir, ele, que passara a madrugada em expedição etílico-farrista com o Kadu e o Negreti e se acordara pouco antes de vir até a minha casa, resolveu me perguntar como andava o placar do jogo. Lhe informei da infausta coincidência: foi só o Peruca botar o pé no meu portão e veio o gol da Holanda. O placar era um inconveniente 1 x 0 contra o Brasil.

O asnífero ex-estagiário de Direito, com aquele sorriso irônico de jegue sonolento, teve então a coragem de proferir a profética e terrível frase: “Então vou ficar por aqui mais um pouquinho pra ver o que acontece”.

Não ficou. E nem eu, que já não acompanhava o jogo pela televisão, acreditei que outra coincidência absurda pudesse acontecer.

Mas o fato é que as causas da eliminação da Seleção Brasileira de Futebol parecem ser bem mais profundas e concretas do que  a CBF ter convocado para técnico do time justamente o mais “peruca” e debilóide dos 7 anões, o Dunga (ainda se fosse o zangado…) e dos nossos jogadores estarem sem a camiseta verde-amarela, mas usando o uniforme alternativo, com a terrível cor azul (que identifica, casualmente, o Grêmio de Porto Alegre, time para o qual torce o Peruca).

Podem não acreditar, mas a culpa toda é do Peruca! Foi só ele botar o pé no acelerador da moto e dar partida e lá veio o segundo gol da Holanda, que mandou a vaca brasileira pra lá do mais espinhoso brejo!

Assustando o aipim: é simplesmente indesculpável, mas faz já uns seis meses que o Peruca ficou viúvo e este blog não noticiou o fato. Se algum leitor é amigo distante da Schuvaca Horripilis, no litoral norte do Rio Grande do Sul, e não a vê por Tramandaí há tempos, não se alarme, entretanto. A “delicada” mulher do Peruca está bem vivinha. Mas separou-se do proverbial pateta.

Quem morreu foi o Traveco Violento, em renhido tiroteio com seu colega de profissão, o famoso Rick, ou “Camila Pitanga”, que era o homossexual folclórico mais famoso de Gravataí, assíduo prestador de serviços aos camioneiros gays e pequeno-burgueses engravatados da cidade nos matinhos da RS-118.

E o Peruca ficou tão deprimido que a Schuvaca, tomada de um ciúme “animal” tratou de dispensá-lo. Assim, desempregado (seu estágio forense terminou há uns bons 9 meses) e sem mulher, ele voltou pra casa da vovozinha, que, cansada de sua vadiagem resolveu lhe ensinar a cozinhar, que era só o que faltava ela ter de trabalhar pro marmanjo quase trintão.

Um belo dia a pobre senhora (que outro qualificativo não caberia à vó de um sujeito como ele), tendo dado ao netinho as instruções de como cozinhar aipim (quel ela chama de “mandioca mansa”, mas evita usar o termo na frente dele, pra não lhe atiçar a nostalgia do traveco), complementou a lição dizendo: “só não te esquece, meu neto, antes de colocar na panela, tu tem que dar um susto no aipim”.

Coitada, pretendia que o asno mergulhasse a raiz na água fria da torneira para lhe dar consistência no cozimento com o choque térmico. Mas quase tem um chilique, desses de ficar de pernas para cima, quando entra na cozinha e encontra o Peruca, suado e e esbaforido, em frente à pia, berrando alto com um monte de aipim.

Ubirajara Passos

O Guri Importuno


Provavelmente eu esteja cometendo um plágio não intencional ao abordar o assunto, que me parece já ter sido magistralmente descrito por algum de nossos grandes cronistas brasileiros.

Sem falar no lugar comum (como o qualificava o Carlão – aquele colega da crônica do Vinho), já vastamente explorado, sobre tipos similares e conexos (todos os matizes do chato de plantão), que mereceram mesmo uma dissertação completa no antológico “Tratado Geral dos Chatos”, publicado em 1962 pelo refinado irmão do último ditador formal do ciclo brasileiro autoritário de 1964, Guilherme Figueiredo. Livro que, aliás, não li, tendo até hoje apenas ouvido ou lido comentários a respeito, na televisão e na internet, mas que parece dar conta genialmente da questão.

Mas a pura e xaropíssima verdade (tão enjoada que recostou seu braço sobre o meu ombro e se pôs a me exigir, com sua voz maçante de bêbada chorona até eu ceder-lhe em publicar esta crônica)  é que uma das grandes e urgentes conclusões impostas pela experiência do casamento, em plena meia idade, que me jogou numa sarabanda de convivência com o universo infantil, em que pululam piás de todo tipo, de que achava afastado há anos, foi a tese aqui informalmente exposta.

Ele, o guri importuno, encarna evidentemente as mais diferentes figuras físicas e aparece, a todo momento, nos mais diversos cenários sociais e culturais. Pouco lhe importa se se trata de um palacete sustentado pela especulação financeira falcatrua, pela falcatrua política que impregna um apartamento funcional de um político qualquer em Brasília, de um barraco feito de todo tipo de resto de madeira na margem de um canal do DNOS  em Porto Alegre, de uma palafita amazônica ou de uma velha casa de alvenaria de um obscuro bairro de pequena classe média no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte, os três últimos cenários resultantes da falcatrua dos primeiros, embora completamente apartados e distantes de sua realidade.

Ele está sempre, incansável e presente, a postos para nos atacar e empestear a vida, evitando que possamos curtir sossegada e pachorrentamente a tediosa rotina de um domingo à tarde com o jornal em punho ou daquela, cada vez mais rara e impossível, rápida sesta no horário do almoço, em uma quarta-feira.

Em geral é gordinho, com bochechas rosadas, e tem um ar bonachão e meio abobalhado, e se encontra na faixa etária que os chatos adultos metidos a especialista classificam como pré-adolescência (dos dez aos treze anos de idade), época em que a gurizada urbana, na impossibilidade de dar ao tesão nascente da puberdade, outra vazão que a punheta, se compraz em masturbar-se mentalmente nos perturbando a paciência, e a precária tranqüilidade.

Quando mais mergulhados nos encontramos na leitura ou em qualquer um devaneio, daqueles que supomos geniais e, apesar de sua incrível banalidade ingênua, nos parecem a própria descoberta definitiva que irá garantir a felicidade eterna à humanidade, ele irrompe, sorridente, agitado e estridente a nos tirar do sério.

E a forma mais inofensiva de suas aparições é quando nos põe, de um salto, com os cabelos em pé e o olhar esbugalhado, com o estampido repentino de uma bombinha, ou a gritaria vinda do nada.

Se suas intenções e motivos forem banais como nos solicitar alguns centavos ou reais para comprar qualquer asneira, do chiclete ao DVD virgem, ou ao jogo de vídeo-game pirateado, até teremos sorte, abençoados que fomos pela providência protetora dos importunados. Embora a única forma de afastá-los sem maior delonga e com alguma eficácia seja aliviar o peso do bolso, e perder uns cobres, providenciando logo a verba para a compra.

Mas se o meigo fedelho, com aquele insuportável ar de criança ingênua, estiver realmente disposto a lhe brindar com sua afável companhia, siga o leitor o conselho que o velho Dante deixou inscrito na porta do Inferno, no seu best seller medieval, a Divina Comédia: “Vós que aqui entrais, perdei toda a esperança”.

O mínimo que fará é lhe encher de perguntas as mais metafísicas e fora de hora, desde qual a razão de te encontrares lendo o jornal, quem foi que o inventou e porque o publicam até o resultado da multiplicação de 3 por 9 e 27 e os demais resultados por três até o infinito. Se não quiser saber, é claro, afinal, se o Brasil vai conquistar o hexacampeonato mundial de futebol e qual a origem do apelido de seu treinador, além da possível relação dele com o debilóide anão Dunga, do conto da Branca de Neve, e, aliás, porque é Branca de Neve e não Crioula Pixe, que discriminação é esta?

Se o piá estiver de bom humor, e não ficar chorando ou praguejando com os possíveis palavrões e xingações proferidos com o intuito de afastá-lo, mas, pacientemente, resolver mudar de assunto e abordá-lo com toda sutileza com aquela frasesinha perigosa: “tio, o senhor tá nervoso, posso fazer algo pra ajudar?”, aí o caro companheiro está simplesmente perdido.

Porque, com sua proverbial capacidade de incomodar, emendará uma pergunta mais constrangedora e irrespondível a cada resposta e, quando não tiveres mais paciência alguma para responder nada, será capaz de presenteá-lo com a mais sofrível e insuportável demonstração de sua performance artística, cantando esganiçado, e dançando freneticamente, imitando o Jonh Travolta, que um amiguinho, filho de um amigo da mãe dele, lhe mostrou, fantástico, num vídeo velho do teu tempo, ô coroa, que ele não sabia que era tão maneiro!

Isto é claro, se não resolver te dar uma boa “sacudida” no ânimo, e colocar o teu astral pra cima, com elogios cretinos e insistentes do tipo: “tio, o senhor, apesar da idade e já estar gagá, até que é inteligente, estes teus óculos ficam tão bonitos, combinam tanto com a tua careca e os teus cabelos brancos”, ao que só te restará responder com um desanimado e indignado “muito obrigado, meu guri”.

E o pior de tudo, é que, por mais desaforado que sejas com ele, o guri importuno, por definição, não possui o menor senso de conveniência ou dignidade, e continurará grudando como um carrapato em ti, te enchendo o saco irremediavelmente, até o milagroso momento em que ele próprio se entediar da “brincadeira” e resolver ir xaropear outra infeliz vítima.

Infelizmente contra esta espécie de incômodos quotidianos não há qualquer remédio e até o zumbido daquele pernilongo em noite de verão escaldante parece um paraíso comparado a ele.

Ubirajara Passos

A Multa do Law Pirâmide da 59


Law Pirâmide é um primo do Franja (Gílson Pirâmide) que caiu no conto da “Dinastia”, induzido pelo parente, e, depois de perder todos os tostões investidos e ainda ficar devendo o equivalente inverso em raiz geométrica proporcional (o fatorial de quatro elevado ao número de brasileiros componentes do mercado de trabalho formal), enlouqueceu e acabou se associando ao Dente Hugo num novo negócio espetacular: exportação de fio de cobre para o Paraguai.

O apelido foi justamente o resultado do logro e do novo ramo adotado, o que lhe rendeu uma ciumeira danada do Franja, que volta e meia é confundido com o primo, assim como ocorria com o Peruca e o Kadu, antes de se consagrar seu apelido no estágio forense (e neste blog).

Por incrível que pareça, o tal comércio exterior de metal recilado acabou por lhe render alguns cobres que lhe permitiram uma bizarra vida dupla.

Durante o dia circula na Várzea do Gravataí com aquela impecável camisa de seda branca, enfeitada com uma tradicional gravata borboleta preta de elástico (que não sabe fazer nó e muito menos tem grana para comprar uma legítima), cumprimentando educadamente todos os vizinhos, e não deixa de atender a um único “pedido” (isto é, ordem, dada aos trambolhões) da namorada gostosa, mas manhosa e autoritária que só lhe dá a cada trinta dias (isto se o Law apresentar o boletim da Ulbra sem nenhuma nota “vermelha”).

Mas basta tomar uma simples dose de absinto depois da meia-noite que, como um “Gremlin humano”, o sujeito se transforma totalmente. Veste uma camisa floreada, chapéu panamá branco fabricado em Santa Catarina, aquela indefectível calça jeans cheia de bolsos nas pernas, um par de mocassins brancos, e sai por aí, com seu sócio, dando saltos sobre os telhados como um cabrito e correndo, até amanhecer, a mais desclassificada zona do “baixo meretrício”, na qual sua predileção é pelas putas pobres que se escondem, na madrugada, intermediadas por seu chapado cafetão de bermuda e camiseta, na entrada da Igreja da parada 59, na divisa entre os municípios gaúchos de Gravataí e Cachoeirinha.

Pois foi como resultado de uma destas investidas que o doido levou uma pesada multa por excesso de velocidade e me enviou, mais pirado do que nunca, o e-mail abaixo reproduzido, que me autorizou a publicar no blog depois que lhe disse que podia interorpor, tranqüilamente, o recurso administrativo, na forma redigida, pois além de adaptado jurídica e factualmente de forma irretocável aos fatos e à natureza da demanda, era digno de figurar nos “anais” do Anarquismo heterodoxo. Segue, para o deleite dos leitores, que devem andar enjoados com o “bom comportamento” deste blogueiro, o texto:

“lustríssimo Senhor Diretor do Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN:

RECURSO Auto de Infração nº 6435987-9
Notificação nº 34536782998

Eu, Law Pirâmide da 59, brasileiro, solteiro , portador da cédula de identidade R.G. nº 69432471, do CPF nº69666171-18 e da carteira nacional de habilitação nº1716661824 domiciliado no Município de Gravataí Rio Grande do Sul, venho, por meio deste, requerer digne-se este respeitável Departamento Estadual de Trânsito de determinar a nulidade da multa em questão.

1. Trata-se de multa emitida no dia 02 de novembro de 2009,no Município de Cachoeirinha, em virtude de alegado excesso de velocidade (superior a 20% da velocidade permitida), com o veículo da marca FIAT, modelo Palio, de placa VTC6966, constatado na Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira – Flores da Cunha, altura da parada 59, às 4:35 horas desse dia.

2. Este recurso não tem por fim demonstrar a não ocorrência da infração em si considerada, mas apenas demonstrar os motivos que deram ensejo a essa, e, consequentemente, eximir-se das penalidades que dela decorrem.

3Sou assíduo freqüentador das boates e casas noturnas da região, trafegando diversas noites por semana nas vias deste bairro, sendo portanto profundo conhecedor da localização dos malditos radares que se escondem com o intuito de subtrair desavergonhadamente o tão arduamente dinheiro dos bons motoristas como eu.

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5Assim, não haveria por que exceder a velocidade exatamente no ponto onde se localiza o radar. Isto posto, segue uma breve narrativa do ocorrido na madrugada do dia 02 de novembro de 2009:

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6Alguns minutos antes da constatação da infração, estava sozinho no automóvel trafegando pela mencionada avenida , retornando alcoolizado de uma inglória tentativa de obter sexo oral gratuito com as moças que por ali exerciam suas profissões.

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8Revoltado com minha má performance social, decidi por bem esvair minha cólera através da velocidade nas vias públicas, ciente de estar arriscando minha vida e as de outrem. Ao me aproximar do ponto onde foi constatada a infração, não diminuí a velocidade de meu veículo como de costume, pois na semana anterior havia disparado contra o instrumento de aferição de velocidade e fotografia conhecido popularmente como “radar” diversos tiros, sendo bem sucedido na tentativa de destruir o objeto pertencente ao município.

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10Entretanto, com a visão parcialmente inabilitada graças a ingestão irresponsável e desmedida (porém proposital e gratificante) de álcool etílico potável, não pude ver que o instrumento já havia sido prontamente reparado, vindo a ter ciência disso somente com o “flash” da fotografia, que, ao ser disparado me causou distração, fazendo com que eu derrubasse meu uísque e perdesse de vista uma gostosa que dirigia um Vectra a qual eu estava perseguindo.

8. Esse breve relato demonstra a inexistência de culpa na prática do mencionado ato, uma vez que esse se deu pelos seguintes motivos:

A) Incompetência do município em comunicar aos motoristas que o aparelho já se encontrava em funcionamento.

B) Má-fé do da administração municipal que providenciou o reparo do instrumento em um prazo infinitamente inferior ao padrão vigente no serviço público com o intuito de prejudicar deliberadamente os motoristas alcoolizados.

Assim sendo, peço que seja declarada a nulidade da infração, a desativação dos radares fotográficos e que os pontos sejam retirados de meu prontuário.

Ainda, exijo a reposição do uísque derrubado e a identificação e telefone da motorista do Vectra Prata, placa PQP2469, cujo flash do instrumento público me fez perder de vista.

Demonstro minha total insatisfação e desaprovação ao código de trânsito vigente, que impede que bons motoristas se valham de suas habilidades de pilotagem na via pública.

Termos em que,
Peço Deferimento.

Gravataí, 5 de novembro de 2009”