Pacotaço de Sartori: por que não aconteceu a greve geral do funcionalismo gaúcho e o que lhe resta fazer diante da sanha privativista e anti-trabalhador dos governos estadual e federal


Diante do questionamento de combativos companheiros servidores do judiciário gaúcho sobre a razão que impediu o funcionalismo do Rio Grande do Sul de deflagar a greve geral contra o pacotaço privativista (com absurdos como a venda da Sulgás, da Cia. Riograndense de Mineração e da CEEE, extinção da Cientec, da Fundação Zoobotânica e da fundação Piratini, que mantém a TVE e a Fm Cultura) e anti-servidor do governador Sartori, votado na correria e sob forte repressão miltar às manifestações de protesto na praça da matriz, publicamos, a guisa de resposta, as seguintes reflexões no grupo de facebook “Greve no Judiciário Gaúcho”:

Nem medo, nem falta de união, mas simplesmente peleguismo puro de lideranças sindicais burocratizadas e incapazes de comandar a rebeldia necessária. Discursos infantis e desgastados como o da direção do Cpers, que tratava o apocalipse do serviço público como um mero “pacote de maldades” (algo como uma “birrinha pueril do governador) e não como uma política coerentemente pensada (embora radicalmente absurda) e determinada de enxugamento e desmonte do serviço público, e entrega de setores estratégicos ao capita privado, deixam clara uma inércia abobalhada diante da hecatombe que está nos reduzindo a todos à condição de escravos sem nenhum direito, atê mesmo à representação sindical! (vide o fim de triênios, adicionais, licença-prêmio e licença remunerada para cumprimento do mandato sindical), na liquidação do estoque e patrimônio da lojinha falida do budegueiro gringo (tal é a natureza das “medidas de gestão” de Don Sartori).

No Sindjus não se deve nem falar, visto que dirigido por agentes expressos e teleguiados do patrão.

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fotos: Inezita Cunha
A heróica resistência das manifestações durante a votação propositalmente de inopino, feita a ferro e fogo e garantida pela repressão militar truculenta, é o derradeiro ato desesperado, e absurdamente insuficiente, que mesmo que contasse com a presença de dezena milhares de servidores não surtiria o efeito necessário que somente poderia advir da greve geral por tempo indeterminado.

No já longínquo ano de 1987, atitudes bem menos drásticas do governador peemedebista Pedro Simon foram exemplarmente rechaçadas e detidas por uma greve sem precedentes, liderada por sindicatos com brios.

Naquela época os servidores da justiça fizeram sua primeira grande greve sob a liderança, recém eleita então, do Paulo Olímpio da ASJ (!), que nem o Sindjus então existia!

É inacreditável a domesticação a que chegamos nestes trinta anos, que é extremamente perigosa quando ocorre simultaneamente ao avanço raivoso e impiedoso do fascismo privativista e predatório que comanda o país desde Brasília.

As “reformas” de Sartori e Temer não coincidem com a lógica da liquidação de lojinha falida por acaso, nem são mero reflexo da índole partidárias de tais governos, casualmente peemedebistas.


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fotos: Inezita Cunha

Elas servem concretamente aos interesses do capital financeiro internacional, cuja sanha cada vez maior se garante pela implantação de ditaduras informais, escudadas numa legalidade aparente e no mais furibundo e falso moralismo fascista.

E para implantá-las nada melhor que governos fantoches dirigidos pela velha lógica feudal, entreguista e subserviente das aristocracias latino-americanas. As mesmas que apearam Perón e Jango do poder, “suicidaram” Getúlio e Allende e assassinaram Che Guevarapara que a burguesia americana pudesse continuar sugando cada vez mais o produto do sacrifício diário dos trabalhadores do continente.

Contra este massacre econômico e social deliberado, que nos chicoteia o lombo e nos tritura o corpo até o tutano, não resta, tanto para servidores públicos quanto para o povo trabalhador brasileiro em geral, outra saída que a única e derradeira resposta plausível ao encurralamento irresistível em que estamos sendo jogados. E ela não é somente a resistência pela greve geral, mas a derrubada, a pau e pedra de tais governos ilegítimos.

Estão nos retirando até o último direito e nos conduzindo à miséria definitiva. Logo não teremos mais nada a perder. E aí, quem sabe, ganharemos o ímpeto para virar a mesa e mandar esta ordem social e econômica, e todos seus beneficiários, inclusive os mandaletes corruptos travestidos de defensores democratas da moralidade, ao lugar que merecem (que não é exatamente o colo de suas genitoras)!

Ubirajara Passos


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foto: Inezita Cunha

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Um e-mail das Arábias


Era a milésima vez que recebia por e-mail aquelas versões “internacionais” do golpe do bilhete, do tipo “tenho uma grana enorme que não posso aplicar em meus país conflagrado no Oriente Médio e sei que o senhor pode me dar dicas de investimento em seu país”.

Mas, agora, a coisa era completamente diferente. Viera em português. É bem verdade que num português sofrível, capaz de injuriar o próprio Inácio dos Nove Dedos (e sua sucessora, a “presidenta” aclamadora de mandiocas – na qual a mídia e o aparato institucional da direita explícita andam ultimamente querendo enfiar de vez a mencionada raiz) ou mesmo o patrício de mais estropiado sotaque emigrado do Líbano ou da Palestina. O texto dizia o seguinte: 

“Respondi Urgente Para Investomento!!!
Lamento se meu e-mail incomodá-lo, eu decidi entrar em contato com você, porque eu sinto que você vai me entender melhor ..Estou realmente precisando de sua ajuda,    pois requer uma resposta urgente de você. Por favor, esta é uma mensagem pessoal para você, eu preciso de algumas directivas de você para investir algum dinheiro ou de capital no seu país, EU e meu marido era industrial e um membro do conselho de empresários de petróleo síria em Damasco, Síria. Devido a matanças,decapitações bombardeios e conflito crise guerra em Síria que milhares de civis relatados fugindo como batalha por Aleppo, Síria,intensifica à medida que a guerra se intensifica a partir de hoje, eu não posso investir o dinheiro aqui na Síria isso é quando eu entrar em contato com você E ver como podemos parceria no negócio e intensificar complexo multinacional.
Responder-me explicar melhor para voce nesta e-mail: aishaalrashid1@qq.com

Sra.Aisha Al.Rashid

Por breves e imbecis instantes, o nosso herói quase caiu na asneira de levar a sério a coisa e responder a mensagem da forma como solicitada, já sonhando com a fortuna que poderia abarcar com o tesouro do milionário árabe. Ficou imaginando a imensa e infinda farra que faria num harém particular, contratando as mais gostosas e safadas “odaliscas” dos mais chiques (e também dos mais fuleiros, desde que tivesse aquele rostinho sem-vergonha e aquela malícia ronronante que põe qualquer leão furioso desvairado mansinho como gato de madame) da capital, na qual poderia acabar, literalmente, morrendo de trago e gozo.

Mas, antes que as mãos digitassem apressadamente o que seu cérebro de asno ditava, o zé pelintra que o acompanhava soprou-lhe ao ouvido a tremenda encrenca em que ia se metendo e, ao invés de simplesmente deletar o e-mail, como fizera com os outros tantos, resolveu se divertir e devolveu a tentativa da golpe da maneira mais sacana que encontrou:

“Não se preocupe. Você enviou este e-mail para a pessoa certa. Eu e meu amigo baiano, dr. Luisinho Sugacheca, não temos um único puto na carteira, mas conhecemos todas as putas de Porto Alegre, capital do Sul do Brasil, onde prolifera o negócio mais rentável deste país: a putaria. E moro justamente  na cidade periférica da Região Metropolitana daonde provém a maior parte destas putas!
Podemos, tranquilamente, investir os petrodólares de seu marido num FANTÁSTICO PUTEIRO GIGANTE, com direito a 2 torres gêmeas de 14 andares, cada qual destinado a shows e práticas públicas e privadas de boquete, streap-tease, sessenta-e-nove, sexo anal, vaginal, oral, nasal, umbilical, espanhola, ucraniana e polaca, sexo bizarro com cães, vacas, ovelhas, camelos, gordas, velhas, ciganas e mães de santo em pleno transe da pomba gira kadija al-sacanidi, bem como diversos gays de barba grisalha e com um dedo a menos na mão esquerda (perdido no cu do povo brasileiro), especializados em fuder nações e continentes inteiros como o Brasil e a América Latina.
Para construirmos esta mega instalação e contratarmos os profissionais e a logística adequada necessitamos tão somente da módica quantia de 24 trilhões de euros!

Favor enviar esta grana para a Caixa Beneficente das Putas e Gays do Brasil, agência 024, conta 694324 – titularidade da senhora Dilma-Ahma-Mandyioca-Emmet Abanananopovo.

Aguardamos com muita ansiedade e entusiasmo a sua resposta.

Assinado: Salym Al-Assad-Ocudosviga-Ristasimeim-Becys”

Pelo que se sabe, até hoje, passados uns 3 meses, muito embora nosso amigo, contra os próprios hábitos, acorde de madrugada e salte da cama como um cabrito embrigado para conferir em seu computador, até hoje não recebeu a minima resposta.

Ubirajara Passos

Dos nossos dias tormentosos


Poema auto-explicativo escrito na madrugada de 20 de setembro de 2014 (casualmente data do 179.º aniversário da Revolução Farroupilha):

Quanta tristeza e embaraço,
Vidinha sem sal, porraço
De chatice, espelho de aço
Em que se miram os palhaços
Ciosos de um glamour falso.

Quanto fuxico sem graça,
Roubalheira óbvia e pura,
Falta pura de cachaça,
Besteira cheia de si.

Este é o Brasil da mídia,
Da política medíocre,
Que esquece a opressão da peonada,
Só vê corruptos, raça,
Transforma tudo em farsa,
Medíocre caricatura
Que só se exorciza a laço!

Gravataí, 20 de setembro de 2014

Ubirajara Passos

 

“Curtura” livresca


Não sou dado a divulgar reclamações ou denúncias de consumidor, embora algum colega já me tenha solicitado algumas no passado, afinal este blog não é uma filial do Procon (sistema jurídico-assistencial de defesa dos consumidores, nos termos da lei específica vigente no Brasil), e tem objetivos políticos e culturais revolucionários bem mais amplos e profundos que a discussão específica e localizada da picuinha do dia (ao menos que ela se revista de um caráter exemplar, cuja repercussão o justifique).

Muito menos sou um elitista, um destes pretensos eruditos ou empolados desiludidos com a “decadência” da cultura e do ensino nacionais  – que, não sendo nunca grande coisa (inclusive na rede privada) com raríssimas exceções, já teria ultrapassado o Japão e se ido rumo ao centro da galáxia, caso estivesse, como se afirma, desde os tempos da colônia, em movimento descensional.

Mas tendo, pessoalmente, ido com meu enteado Erick, na tarde do último sábado, a uma livraria de porte de Gravataí ( cujo nome não citarei para não fazer propaganda), destas que deixa à disposição dos leitores até mesmo um recanto entre as estantes, com uma cadeira de vime, para que possa saborear tranquilamente alguns de seus volumes, resolvi correr os títulos, apesar da crônica crise financeira, que me permite, no máximo namorá-los à distância, sem deles nunca tomar posse.

E, em mais um episódio da série “balconista de farmácia” organiza estante de livros, dei, no escaninho reservado à literatura estrangeira, com o título Olympia (sem o nome do autor na lombada). E desconfiei, um tanto incrédulo, se tratar do romance do gaúcho, filho de imigrantes alemães do norte do Rio Grande do Sul, Fausto Wolff, combativo e irreverente escritor e jornalista, brizolista como eu, e um dos principais redatores do Pasquim (jornal combativo/satírico de oposição à ditadura militar fascista de 1964), falecido há uns 3 anos. Romance que, aliás, tenho na minha biblioteca, em casa, e com o qual muito me diverti, em meio à conturbada suspensão (a primeira, a remunerada) que sofri de meu cargo no judiciário gaúcho, como “punição” ao uso da liberdade de expressão em matéria publicada neste blog, que versava sobre as irracionalidades do disciplinamento dos estagiários daquele poder.

Não quis acreditar, mas logo tive de me convencer de que o funcionário encarregado de municiar os armários do estabelecimento deveria ter um péssimo treinamento ou experiência classificatória. Pois, pegando o livro em mãos, pude ver que era exatamente o que pensava. O pobre Fausto Wolff, com um nome tão incomum para os fãs do Big Brother ou do Pânico na TV, e um maldito sobrenome germânico, acabara, pelas mãos de um trabalhador inábil (embora pensante, o que se prova pela analogia imperfeita), na companhia de Virgínia, a genial e depressiva escritora inglesa (que o meu caro classificador deve supor ser yankee) de sobrenome semelhante (Woolf), e de um extraordinário, mas terrivelmente pessimista e denso, Franz Kafka (que não tem nenhuma relação com a antiga Cafiaspirina ou a Alka Seltzer, advirto, desde já, ao aprendiz de feiticeiro de livraria provinciana).

Mas tudo bem. Errar é humano (e como!) e vai que o sujeito que cometeu o engano estava com uma enorme dor de cabeça (e tinha acabado de ingerir uma Alka Seltzer, analgésico cuja pronúncia do nome deve dar resultado contrário, piorando a coisa e transformando em enxaqueca, dependendo da habilidade linguística do usuário) ou simplesmente tivera um lapso, destes que acometem a todo momento nossos mais honrados, democráticos e justos políticos, como José Sarney ou Lula, fazendo-os cometer deslizes infelizes como o esquema do mensalão e outras tantas banalidades.

Teimoso que sou, entretanto, rumei para a estante de literatura espírita, esperando não encontrar coisa semelhante àquela com  que o Carlão deparou-se, estes tempos, na livraria da UCS, e desabei de vez, no meu recalcitrante otimismo. Vistoso e chamativo, me olhava daquela prateleira um exemplar de “A Casa dos Espíritos”, da chilena Isabel Allende, romance histórico sobre a ditadura militar de Pinochet, que virou até filme hollywoodiano no final do século passado. Espíritos, aliás, se é que existem, devem estar é “puxando os pés” do responsável pela localização do dito livro na estante, que, se for importunado por Machado de Assis ou Castro Alves (dois de meus ídolos literários da juventude), pelo menos terá a chance de aprender alguma coisa de literatura.

Seja como for, definitivamente, ou os gerentes de livraria andam muito ocupados com os estoques de brinquedos eletrônicos e badulaques chiques semelhantes (cujo preço salgado só permite sejam adquiridos pelos filhos da burguesia iletrada), que costumam abarrotar seus ambientes, para se ocupar de algo tão comezinho e secundário como a classificação de livros, ou os percalços do mercado de trabalho, e a avassaladora rotatividade do emprego resultante das exigências de lucro da nossa “culta” e voraz classe dominante, fez com que uma leva enorme de atendentes de tabacaria, auxiliares de açougueiro, contabilistas, estatísticos e, provavelmente, muitos economistas, políticos ou torneiros mecânicos  desempregados (vocações estas três últimas que frequentemente se encontram reunidas no mesmo proverbial indivíduo), estejam se empregando, por falta de melhor colocação,  justamente nas nossas livrarias.

Ubirajara Passos

Biseno adverte: aumento da cerveja pode causar a “convulsão social” no Brasil


Conforme noticiado no site do “Jornal Pequeno” do Maranhão (nordeste do Brasil), na última quinta-feira, 17 de março, o preço da cerveja deve subir mais de 10% nos próximos dois meses (repondo a inflação desde o último reajuste, em janeiro de 2009).

A decisão foi tomada pela Associação das Indústrias de Bebidas, após reunião com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, naquela data, que teria recusado proposta das indústrias de incrementar a produção de cerveja e refrigerantes (um investimento de  sete bilhões de reais que geraria 60 mil novos empregos , segundo o Vice-Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas (Abir), Milton Seligman.

Após comentar que os preços do setor, historicamente, só são reajustados uma vez a cada mandato presidencial (o que nos parece extremamente razoável, dada a importância ocupada pelo produto na conformação psicológica e cultural de nossa sociedade), Seligman afirmou que as conseqüências no aumento dos preços ainda não são conhecidas.

Se o representante da patronagem das indústrias cervejeiras e de refrigerantes, por óbvia diplomacia burguesa frente ao governo da mulher mais masculina do Brasil (Dona Dilma dos Cofres Arrombados), não teve coragem  de nominar, o Bêbado Incorrigíveis sem Nome (BISENO) não tem o menor problema, e na defesa dos interesses maiores de seus associados, e da saúde mental dos últimos seres que ainda conseguem gozar um grão de felicidade sobre a terra brasileira, sabe e adverte: as consequências serão as mais graves possíveis!

A redução brutal de consumo deste elixir de primeira necessidade, que ocorrerá com o aumento dos preços,  há de causar, proporcionalmente, um violento baque nos porres e na gaiatagem pelos bares, ruas e praças das cidades afora deste país (além do óbvio prejuízo para o comércio do setor, de que advirá o desemprego de muito pai de família), que ficarão mais tristes e infelizes.

Teremos, como consequência direta o aumento desenfreado de casos de neuroses, surtos de loucura e histerismo, agressões físicas e crises conjugais nos lares, redução da frequencia sexual da mulher feia, exacerbamento das depressões controladas de cornudos e encalacrados, entre tantos outros fenômenos de verdadeiros caos social que se há de instalar.

Isto sem falar na evidente super-lotação de hospícios, consultórios psiquiátricos, hospitais e outros tantos serviços de saúde. E é claro, das delegacias de polícia, onde o fenômeno mais surpreendente será o incremento das estatísticas de suicídio.

Mas, sobretudo, estaremos vivendo num país onde o povo que ainda teima em ser feliz, gastando o pouco que pode de seus cobres para anestesiar a desgraça cotidiana, ou sonhar um pouco ao lado da miséria, tomando aquela cervejinha básica no buteco da esquina, vai ter de abdicar ou reduzir drasticamente o consumo, mergulhando no mais infame e negro desgosto. A própria criatividade artística (popular ou erudita), e o resto de imaginação que ainda sobra (muito pouco) no cenário cultural há de despencar águas abaixo.

Só nos resta o consolo de, quem sabe, as multidões premidas pela abstinência induzida pelo bolso, entrem num tal grau de desespero e desasossego que tomem consciência e coragem para ir às ruas derrubar o fascismo travestido de vermelho que comanda o Brasil no Palácio do Planalto, nos infelicitando a todos.

Ubirajara Passos

O Milenarismo Revolucionário no Almanaque do Pensamento


Há cerca de um ano publiquei extensa matéria neste blog, sobre a mudança de paradigma ideológico do quase secular Almanaque do Pensamento, nas previsões astrológicas gerais para o Mundo e o Brasil no ano de 2010. Referi mesmo o imenso entusiasmo que me tomou, e ao alemão Valdir, com as profecias de revirada revolucionária socialista e libertária gerais que haveriam de sacudir o planeta.

E, com exceção da revolta popular anarquista que tomou as ruas da Grécia, e entusiasmando o país e sacudindo as mentes sobressaltadas da burguesia imperialista européia, acabamos por nos decepcionar com os prognósticos, que ou não se realizaram ou ficaram aquém do esperado.

No nosso caso particular, e do Movimento Indignação, que lideramos, as mais vivas e pulsantes esperanças foram varridas por um vendaval de acomodação e conservadorismo e o resultado é que perdemos, desde abril de 2010 até o último janeiro três eleições sucessivas.

Primeiro, concorremos a direção executiva do Sindjus-RS (Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul), obtendo apenas 22% dos votos. Depois, apoiamos a candidatura de nossa companheira Simone Nejar à deputada estadual na Assembléia Legislativa gaúcha, que lançamos como a candidata dos servidores, vinculada aos sofrimentos, necessidades e objetivos maiores deles. E a derrota foi mais ridícula ainda. Apenas 527 votos, que não reproduziram nem os concedidos à nossa chapa na eleição sindical.

Por fim, nos incorporamos fortemente à campanha do desembargador gaúcho Rui Portanova, porta-voz aguerrido e combativo dos direitos humanos, especialmente dos segmentos, ainda hoje, discriminados e dominados, sob o pretexto da cor da pele, do gênero e da orientação sexual (negors, mulheres e homossexuais), pela sua indicação como Ministro do Supremo Tribunal Federal. E o que vimos, no início deste 2011, a sucessora desprezar  fascismo petista, Dona Dilma, a Renegadora de Coturno, desprezar o perfil e a luta do magistrado, em favor da conveniente identificação do escolhido com a Presidência da República.

O Almanaque do Pensamento de 2011, entretanto, embora de forma mais comedida, continua na mesma linha do ano anterior, embora procure explicar a timidez da realidade em relação às expectativas criadas, especialmente no horóscopo para o Mundo:

“Depois do dia 5 de abril, Neutno sai do signo de Aquário para entrarf em seu próprio signo, o de Peixes, onde ficará até 30 de março de 2025.

Durante esses quatorze anos, mesmo com Urano gerando uma atividade mundial violenta até 2017, como já avisamos em 2010, Netuno revelará ideologias que já considerávamos definitivamente inexistentes. Ele reanimará opiniões e convicções religiosas, políticas ou sociais que se deparaão com líderes fanáticos e adeptos combativos para propô-las e, quando possível, impô-las.

Por enquanto trata-se dos germes de uma revolução subterrânea em que o mundo tomará consciência da grandiosidade dos fatos vindouros dos quais não tomou conhecimento nos anos anteriores.

Mas não devemos nos enganar, pois a fonte e a semente de grandes movimentos sempre acontecem na surdina. Quando eles vêm à tona é preciso combatê-los, aceitá-los ou resolvê-los na medida do possível.”

Muitos leitores dirão que se trata de mera desculpa para a folha ocorrida no número anterior do periódico anual. Mas a verdade pura e simples é que a continuidade da agitação da Grécia, ainda no final de 2010, e as recentes revoltas populares de massa na Tunísia e Egito (que não chegaram aos pés de uma revolução socialista, mas representaram um forte questionamento laico das pessoas comuns nunca visto no teocrático Oriente Médio), parecem confirmar as teses do dito Almanaque.

Muito próximo do campo de atividade política do meu grupo sindical, vimos, inclusive, nos últimos tempos, a manifestação de um juiz batendo fortemente na necessidade de democratização na escolha da cúpula do Poder Judiciário Brasil como algo premente até para evitar o uso indevido das estruturas do poder em favor de privilegiados ligados à alta administração e a distorção das decisões nos tribunais em decorrência dos interesses sócio-econômicos das elites – texto que publicamos no blog do Movimento Indignação e representa um brado inimaginável até pouco tempo atrás, quando éramos, eu Valdir, Simone Nejar e outros companheiros punidos por manifestar nosso pensamento político interno, combater o nepotismo e a defender a decência do Judiciário do Extremo Sul do Brasil.

Marco Longari/01.02.2011/AFP

Aliás, falando em Brasil, o Almaque do Pensamento de 2011 não foca tanto a questão revolução, mas em um pequeno trecho lança um questionamento um tanto surpreendente, polêmico e enigmático, após outro de caráter mais ameno, mas igualmente revelador:

“Ao passar para a casa IX, Saturno vai focalizar a educação superior e os assuntos judiciários: será que finalmente teremos uma reforma judiciária em nosso país? (…)

Urano fará conjunção com Plutão, regente do Meio-do-céu e representante do poder executivo no mapa do Brasil, ainda em março: será possível haver um golpe de Estado em nosso país no ano que vem? Tudo é possível sob a batuta de Urano, o revolucionário, que costuma romper, cortar, eliminar sumariamente o que encontra pela frente.”

Fantasia, mera especulação ou resultado da intuição da mudança profunda de mentalidade que pode estar se processando no seio das massas trabalhadores do planeta, as previsões parecem continuar a refletir muito da realidade potencial que teremos pela frente. Nos resta a esperança de que em nosso país ela não se consubstancie na institucionalização formal do fascismo “cor-de-rosa” (que o vermelho desbotou há muito tempo) vigente.

Ubirajara Passos

Lula e a Burocratização da Putaria


O assunto já é um tanto passado do ponto, tendo sido explorado na imprensa eletrônica brasileira há alguns anos e, não fosse o Brasil ainda uma sociedade autoritária e profundamente marcada pela opressão coisificante e preconceituosa, não deveria render maiores polêmicas.

O fato é que o Ministério do Trabalho mantém em seu site na internet um espaço próprio para divulgação da Classificação Brasileira de Ocupações (a CBO), que instrumentaliza, entre outros, as estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a respeito das diversas áreas do emprego dos trabalhadores no territério nacional, esmiuçando, na linguagem mais “culta”, “científica” (o que equivale a dizer “higiênica” e “isenta de apreciações subjetivas e emocionais”) e padronizada as diversas características de cada atividade laboral exercida entre o extremo norte de Roraima e o Arroio Chuí.

E, pasmem!, logo no início de 2003, primeiro ano do mandato do Inácio dos Nove Dedos, um gaiato qualquer da grande imprensa fuçando na insípida e abestalhada lista oficial de ocupações deu com o “escandoloso” e hilário verbete, codificado na “família” (grupo) 5198, sob título de “Profissional do sexo” (sub-código 5198-05) – que significa, em boa e popular fala: “puta”!

A descrição era, então, extremamente pormenorizada e explícita, a tal ponto que o órgão, interpelado pela mídia, além de reduzi-la, atribuiu ao governo de Fernando Henrique Cardoso sua implantação na CBO, mas a manteve, entretanto, com todas as características “picantes” e imbecilmente oficialescas, que nos permitem, hoje ainda, ler o negócio sem saber se rimos, choramos ou zurramos tresloucadamente!

Não é preciso que o leitor seja um experiente ex-putanheiro como eu, um balbuciante e tímido rapazola recém-iniciado nas manhas da sacanagem paga (que vários ainda há por aí afora) ou uma aprendiz rebelde de meretriz admiradora da vilã/mocinha da atual novela do horário nobre da Rede Globo (a gostosíssima e insossa Clara/Chiara, precária enganadora do “Totó idiota de língua de fora por buceta nova”) para morrer de rir e calejar a mão… de tanto bater… na própria própria perna (ou no  braço da cadeira) diante da besteira suprema que constitui o “tratado governamental da ocupação laboral ligada ao prazer do corpo dos cidadãos”.

Já na introdução (que atende pelo nome de “Descrição Sumária”) o negócio carrega nas tintas da fantasia mais cretina e cruel possível, primando pela mais falcatrua das inocências (similar àquela que justificou a continuidade de Lula no governo sob o  pretexto de seu “desconhecimento” completo do esquema mensaleiro).

Depois de nominar e “sinonimar” (como diria o Odorico Paraguaçu) a atividade de Profissional do Sexo ou Garota de programa, Meretriz, Messalina (pobre imperatriz romana de saudável tesão sem preonceitos!), Michê, Mulher da Vida, Prostituta, Trabalhador do sexo”, a cartilha petista (que, se eventualmente não foi elaborada pelo fascismo luliano, tem todo o estilo dos filhos da sacristia salvacionista autoritária), declara, em tom programático e pomposo, e como se tratasse de texto de edital de concurso público, que o cargo almejado (e tido por desejável e incentivável) se constitui no afã de pessoas que Buscam programas sexuais; atendem e acompanham clientes; participam em ações educativas (grifo nosso) no campo da sexualidade. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minizam a vulnerabilidade da profissão.” E arremata, listando como pré-requisitos do ingresso em tal dignificante e auto-relizadora carreira que Para o exercício profissional requer-se que os trabalhadores participem de oficinas sobre sexo seguro, o acesso à profissão é restrito aos maiores de dezoito anos; a escolaridade média está na faixa de quarta a sétima séries do ensino fundamental” e que os agraciados pelo esforço e pela sorte  terão o privilégio dos que “Trabalham por conta própria, em locais diversos e horários irregulares. No exercício de algumas das atividades podem estar expostos à intempéries e à discriminação social. Há ainda riscos de contágio de dst, e maus-tratos, violênia de rua e morte.”

Não tenho, como bem sabe o leitor contumaz e atento deste blog, a menor implicância contra a putaria profissifonal, a que sou, inclusive, muito grato, pois sem ela jamais teria vencido a minha timidez e adentrado no mundo do sexo e da boemia, gozando um pouco dos raros prazeres que o mundo humano filho da puta propicia sobre a superfície do Planeta Terra. E muito menos acho indigno o ganha-pão das (ou dos) que possibilitem o supremo prazer dos corpos aos excluídos do mercado amoroso/sexual por serem possuidores de parcas qualidades estéticas ou comportamentais tidas por  pré-requisito ao seu usufruto, na cartilha da mentalidade padronizada do capitalismo cretino em que vivemos.

Cansei, inclusive, de defender (com a gaiatice suficiente para não ser motivo da gargalhada geral da malandragem, é claro), nas minhas noitadas nos cabarés de Porto Alegre, a organização do sindicato das putas e o reconhecimento legal da profissão. Que é terrivelmente sofrida, pelo próprio caráter intrinsecamente coisifante de suas profissionais – que veem-se na circunstância de exercer como “trabalho”, atividade compulsória, fria e cheia de regras (até certo ponto…), o que é normalmente fonte peronsalíssima  e viva de prazer para ambos, ou vários, participantes, mas, no caso da prostituição, com raríssimas exceções, se restringe à “clientela”. Somado a isto, a  exploração de donos de maloca e cafetões de rua,  e  a clandestinidade decorrente da “ilegalidade” da putaria intermediada por patrões, torna a coisa tão infeliz e terrível quanto a escravidão formal. O bordel é um ambiente instigante e feliz até o p0nto da fantasia de seus freqüentadores (e, eventualmente, de suas trabalhadoras), mas, em regra, é o local do exercício de um dos trabalhos mais estressantes, mal-remunerados e impregnado de assédio moral, também.

Agora, convenhamos, daí a tratar a prostituição como uma espécie de “carreira” desejável e incentivável para qualquer mulher ou gay, omitindo as opressões e frustrações que levam tanto “profissionais” como clientes ao mercado do sexo explicitamente remunerado (que, mesmo espúrio, porque alienado, guarda ainda alguma emoção e prazer genuínos e válidos para seus participantes diante de suas versões informais: o casamento burguês tradicional e compulsório e o casamento ou o relacionamento baseado no interesse financeiro ou sócio-hierárquico informal dos nossos dias) é o fim da picada!

Vivêssemos num mundo de plena liberdade e autenticidade das criaturas, sem quaisquer limitações e subjugamentos a papéis artificiosos e sofridos e não haveria problema nenhum em tal espécie de “atividade econômica”. Mas em pleno capitalismo desumano, desintegrador e espezinhador dos corpos e das mentes da massa da peonada submetida ao tacão patronal, a putaria empresarial nada mais é que o pérfido efeito colateral da transformação da grande maioria da humanidade em infeliz objeto sem direito a dispor de si própria nem a qualquer conforto e prazer legítimos e genuínos.

Mas o manual da boa puta do Governo Lula não se contenta com as definições e regulamentações genéricas imbecis e fora de contexto, descendo a detalhes de recomendação que (por sua própria pretensa ingenuidade e desconhecimento concreto da realidade) parecem se destinar a incentivar a jogar outros tantos milhares de criaturas, além das que já vivem-na, nos sofrimentos sem nome do negócio ou simplesmente fazer de conta que é possível se prostituir de “forma segura e não submetida às piores violentações físicas e psicológicas”, legitimando-as pela recriminação oficial indireta.

Assim é que, assumindo ares de programa de “qualidade total” de “departamento de gestão de recursos humanos” de multinacional badalada ou repartição pública de porte, a listagem de “atividades envolvidas no labor da putaria” publicada pelo Ministério do Trabalho Brasileiro  tem a capacidade de fazer constar asneiras do tipo:

Atividades:

1) BUSCAR PROGRAMA:

Agendar o programa; produzir-se visualmente; esperar possíveis clientes; seduzir o cliente; abordar o cliente

2) MINIMIZAR AS VULNERABILIDADES (sic!):

– Negociar com o cliente o uso do preservativo (imaginem um estivador musculoso do cais porto, bebão, ou um burguesão drogado até o cu de êxtase, parlamentando com toda a polidez, paciência e “delicadeza” sobre a necessidade de usar camisa de vênus!);

–  usar preservativos; utilizar gel lubrificante à base de água (só se for puta suíça para ter dinheiro e tempo para andar catando o sofisticado produto);

–  participar de oficinas de sexo seguro (esta é de cravar: para  o governo toda puta deve ser petista, intelectualizada e politicamente correta);

– identificar doenças sexualmente transmissíveis (dst);

– fazer acompanhamento da saúde integral (se for pelo SUS – sistema único de saúde – oficial, está perdida: a consulta por uma simples gripe demanda o agendamento com um mês de antecipação em qualquer posto de saúde público do país!);

– denunciar violência (pobre puta! numa sociedade em que qualquer peão é gente de segunda categoria, ela é tida por de terceira e é mais fácil ficar presa na delegacia de polícia que ter sua queixa registrada, e, além do mais, quem vai fiscalizar a proibição da pancadaria? o conselho regional das meretrizes?);

– denunciar discriminação (pra quem, mesmo?);

– combater estigma (sem comentários!);

– administrar orçamento pessoal (este item, além de desfocado da realidade, é a pedra de toque do fascismo vermelho aplicada à putaria profissional: não contentes em encher o saco da prostituta com as outras recomendações impossíveis de serem praticas, ainda pretendem regulamentar sua própria vida pessoal!)

3) ATENDER CLIENTES: (ou, manual burocrático da qualidade total do amor remunerado para a puta burra!)

– Preparar o kit de trabalho (preservativo, acessórios, maquilagem) (é puta ou modelo de desfiles de moda? o que, aliás, normalmente não faz muita diferença…);

– especificar tempo de trabalho (está-se tratando de sexo pago ou de empreitada de obra de construção civil?);

– negociar serviços (já imaginaram marafona e cliente discutindo os itens da obra antes da execução?);

– negociar preço; realizar fantasias sexuais (capaz?);

– manter relações sexuais (mas, afinal, está no cabaré “pra fuder ou pra conversar”?);

fazer streap-tease (quem sabe vai trepar vestida?);

– relaxar o cliente (que deve estar muito tenso mesmo! trepar com puta petista burocratizada é mais perigoso que levar injeção na bunda feita por enfermeira nazista!);

acolher o cliente (como?);

– dialogar com o cliente (e se for muda?)

4) ACOMPANHAR CLIENTES: (cartilha da puta de luxo para deputados governistas)

Acompanhar cliente em viagens; acompanhar cliente em passeios; jantar com o cliente; pernoitar com o cliente; acompanhar o cliente em festas

5) PROMOVER A ORGANIZAÇÃO DA CATEGORIA: (manual da puta petista militante e policitamente correta)

– Promover valorização profissional da categoria; participar de cursos de auto-organização (no MST – Movimento Sem-Terra?);

– participar de movimentos organizados (se filiar ao PT?);

– combater a exploração sexual de crianças e adolescentes;

– distribuir preservativos (é puta ou agente sanitário do posto de saúde?);

– multiplicador  de informação (em que programa de “qualidade total” mesmo?);

– participar de ações educativas no campo da sexualidade


Para o exercício do vasto e estafante programa de atividades o site governamental prescreve uma de lista de Competências Pessoais que, além das mais toscas obviedades e do tom militante e politicamente correto, chega até a recomendações (como a última) que devem ter sido inspiradas na falta de discrição do denunciador do mensalão, o mensaleiro Roberto Jeferson:

demonstrar capacidade de persuasão; demonstrar capacidade de comunicação;

– demonstrar capacidade de realizar fantasias sexuais; demonstrar paciência; planejar o futuro;

– demonstrar solidariedade aos colegas de profissão; demonstrar capacidade de ouvir;

– demonstrar capacidade lúdica;

– demonstrar sensualidade;

– reconhecer o potencial do cliente;

– cuidar da higiene pessoal; manter sigilo profissional.

Por fim, a coisa se encerra da forma mais fordista possível. Como se se tratasse da execução um trabalho industrial, eminentemente mecânico e robotizado, figura, sob o título Recursos de Trabalho, uma linda e cretina lista de ferramentas e utensílios necessários à atividade:

guarda-roupa de trabalho;

– preservativo;

cartões de visita (por acaso é advogado ou corretor de ímóveis?); documentos de identificação (pra quê, mesmo?);

– gel à base de água; papel higiênico (!);

–  lenços umedecidos (eu, hein?);

acessórios; maquilagem;

álcool (não quero nem imaginar o que a profissional do amor vai fazer com isto!);

celular e agenda (este tipo de “empresária” deve ser muito “ocupada”, mesmo!).

Não estivéssemos vivendo os tempos mais surrealistas possíveis da Hístória nacional (em que uma ex-guerrilheira e um ex-líder estudantil radical disputam pra ver quem vai ser o melhor capacho do imperialismo burguês no Palácio do Planalto) e seria inacreditável que a imbecilidade burocrática do fascismo petista tivesse chegado ao minucioso refinamento de produzir a cartilha das “Normas Brasileiras de Técnicas do Trabalho Sexual”! Mas a coisa está aí, pra quem quiser ver e zurrar de quatro! Já que a vida do leitor, na média, deve ser de uma atroz e monótona tristeza, aproveite a piada de mau gosto da turma Inácio e ria com a retumbante besteira hierática e compenetrada como “pracinha” veterano da Segunda Guerra Mundial em desfile de 7 de setembro!

Aliás, por que não fazer constar da CBO a profissão de apontador do jogo do bicho ou aviãozinho de tráfico, também?

Ubirajara Passos