O Brasil de Bolsonaro: gagazice fascistoide e prisão de ventre.


A proibição de uma história em quadrinhos com um beijo gay no Rio de Janeiro, feita com o mais histérico alarde, como se a pobre tira constituísse crime hediondo, inadmissível e imperdoável (terrivelmente mais chocante para os governantes bilsonaristas do que a execução de pais de família num passeio dominical por 80 tiros disparados pelo exército) nada mais é que uma manifestação típica do falso moralismo fascista, gagá e beato que tomou o Brasil.

O único diagnóstico plausível para esta doença nem é mais a peste emocional, mas a DEMÊNCIA SENIL, tão velha quanto os lacaios golpistas auxiliares do grande capital internacional, surgidos com a revoltinha pequeno-burguesa dos oficiais de baixa patente nos anos 1920, definitivamente seduzidos pelo imperialismo do irmão do Norte na Itália em 1944 e engajados profundamente no golpismo cruel e hipócrita nos anos seguintes, até gozarem por todos os buracos em 1964, num estupro político fatal que, mesmo depois da redemocratização formal, veio deformando esta nação, ano após ano, até nos legar esta infeliz reedição, mais bufa e mais cruel, dos fascismos ibero-americanos do século passado.

Salazar, Franco, Videla, Trujillo, Batista, Pinochet, Stroessner, Garrastuzu Médici, são pirralhos balbuciantes e ineptos perto do capitão do jato Jair Bolsonaro!

Aliás, como afirma um corajoso oposicionista a este estado de coisas, em comentário a respeito no facebook, neste Brasil de setembro de 2019, “tivemos fiscais de cu em uma feira literária”.

O que não é nada surpreendente num país dominado por uma elite estacionada na fase psicanalítica anal do desenvolvimento emocional, que se preocupa em reter a merda no cu dia sim, dia não, para plena realização de sua libido infantil primária.

Pelo menos Jânio Quadros, o protótipo político dos presidentes direitosos desequilibrados (“casualmente” elevado à chefia do Executivo federal pela mesma corrente de deflagrou 1964), era psicologicamente deficiente, mas estava mais adiantado: como bom cachaceiro se classificava na segunda fase (anterior à última imatura, a fálica, que a genital corresponde à fase adulta): a oral!

Collor de Mello, o intermediário entre Jânio e Bolsonaro, pertence a uma categoria estranha, desconhecida de Freud (em teoria, pois também tinha um tesão danado pelos grãozinhos brancos) equivalente aos seus anelos intensos pelo pó: A NASAL!

O fato é que o atual pesadelo brasileiro ultrapassou todas as medidas da imbecilidade medíocre.

É o dejeto intestinal tardio da digestão cultural da ditadura militar.
34 anos passados de sua extinção formal, o organismo brasileiro, tomado de prisão de ventre, cagou o Governo Bolsonaro!

Ubirajara Passos

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O discurso de Jango no Automóvel Clube em 30 de março de 1964 (às vésperas do golpe militar gorila)


Convidado pela Associação dos Sargentos e Sub-oficiais da Polícia Militar do Estado da Guanabara (desde a Legalidade, em agosto de 1961, os “proletários” das forças armadas haviam se organizado poítica e sindicalmente em torno de seus direitos e das reformas de base do governo trabalhista), o Presidente da República João Goulart, proferiria, em reunião comemorativa ao aniversário daquela associação de classe, na sede do Automóvel Clube da Cidade do Rio de Janeiro, o discurso abaixo transcrito, em que denunciaria contundemente o golpe militar (tramado em Washington pelo imperialismo norte-americano, associado aos latifundiários, grileiros, gerentões de empresas multinacionais do Brasil e seus lambe-botas políticos) em marcha, cujos preparativos histéricos haviam se acentuado após o grande comício popular pelas reformas de base da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, com a “Marcha da Família, com Deus pela ‘Liberdade” das madames grã-finas fascistas e beatas de São Paulo, e seus cúmplices políticos e populares equivocados (como o operário emigrado do Nordeste Luís Inácio Lula da Silva), realizada no dia 20 na capital de São Paulo e nos dias seguintes por diversas do interior e no Paraná, e com circular conspiratória do futuro ditador Castelo Branco no dia 20:

“A crise que se manifesta no país foi provocada pela minoria de privilegiados que vive de olhos voltados para o passado e teme enfrentar o luminoso futuro que se abrirá à democracia pela integração de milhões de patrícios nossos na vida econômica, social e política da Nação, libertando-os da penúria e da ignorância.

O momento que estamos vivendo exige de cada brasileiro o máximo de calma e de determinação, para fazer face ao clima de intrigas e envenenamentos, que grupos poderosos estão procurando criar contra o governo, contra os mais altos interesses da Pátria e contra a unidade de nossas Forças Armadas.

Para compreender o esquema de atuação desses grupos que tentam impedir o progresso do país e barrar a ampliação das conquistas populares, basta observar que são comandados pelos eternos inimigos da democracia, pelos defensores dos golpes de estado e dos regimes de emergência ou de exceção.

Na crise de 1961, os mesmos fariseus que hoje exibem um falso zelo pela Constituição, queriam rasgá-la e enterrá-la sob a campa fria da ditadura fascista. Tudo isto é história recente, que não pode ser repetida, porque está indelevelmente gravada na memória do povo brasileiro.

Vimos, de repente, os políticos que mais pregaram o ódio neste país estenderem a mão para os políticos mais corruptos da história brasileira e juntos terem o cinismo de falar em nome dos sentimentos católicos do povo. Passaram a acusar de anticatólicos, não apenas ao Presidente da República, mas ao próprio Cardeal de São Paulo. Na hora em que ainda ressonam as Encíclicas Sociais de João XXIII, é demasiada audácia a desses aventureiros se atreverem a falar em nome da Igreja. Não me cabe, porém, combater essa usurpação, pois a Ação Católica de Minas e de São Paulo já tomou essa iniciativa. E a maior resposta a esses fariseus foi dada por aquele prelado brasileiro que, a 2 de fevereiro de 1963, afirmava que os ricos da América Latina falam muito em reformas de base, mas chamam de comunistas aqueles que se decidem a levá-las à prática. Ele explicava: “É fácil de entender: os ricos da América Latina continuam a deter o Parlamento e tem o grande idealismo da fé no futuro”. Dizia por fim: “O egoísmo de muitos ricos, sua cegueira, é um problema muito mais grave do que o próprio comunismo”.

Esse sacerdote, Dom Hélder Câmara, acaba de ser designado pelo papa para ser Arcebispo de Recife, uma das cidades que mais refletem a crise social do nosso país.

Reconheço que há muitos iludidos de boa-fé. Venho adverti-los de que estão sendo manipulados em seus sentimentos por grupos de facções políticas, agências de publicidade e órgãos de cúpula das classes empresariais.

Aconselho, portanto, a todo brasileiro que hoje esteja envolvido, por motivos religiosos, em comícios políticos, que medite um pouco se está realmente defendendo a doutrina daquele que pela salvação da humanidade morreu na cruz, ou apenas os interesses de alguns grupos financeiros ou eleitorais. Recorde-se da palavra de Pio XI que, tomando consciência de que a Igreja se estava transformando em escudo de privilégios injustificáveis, reconheceu que “o grande escândalo do nosso tempo foi a Igreja ter perdido contato com a classe operária”.

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Continuemos, ao lado das nossas mães, mulheres e filhos, a acompanhar as suas orações e a prestigiar e respeitar a sua fé e os seus sentimentos, que são também os nossos. Mas não nos iludamos diante da torpe exploração que procura envolver os sentimentos mais puros, como se a religião e a fé fossem servir de escudo a interesses contrários ao nosso país – e muito menos podemos admitir que o dinheiro do Ibad venha a macular a pureza das nossas instituições cristãs e do sentimento religioso dos nossos filhos. Não podemos permitir que esse dinheiro espúrio venha macular os sentimentos puros das nossas famílias, os sentimentos puros do povo brasileiro.

Mas, senhores sargentos, que constituem um dos alicerces da nossa estrutura militar, a minha palavra, e meu apelo, é para que os sargentos brasileiros continuem cada vez mais unidos, cada vez mais disciplinados naquela disciplina consciente, fundada no respeito recíproco entre comandantes e comandados. Que respeitem a hierarquia legal, que se mantenham cada vez mais coesos dentro das suas unidades e fiéis aos princípios básicos da disciplina. Que continuem prestigiando as nossas instituições, porque em nome dessas instituições, em nome dessa disciplina, os sargentos jamais aceitarão sectarismos, partam de onde partirem, porque o caminho que lhes está traçado é o caminho que me foi traçado também.

As reformas que nós pedimos, senhores suboficiais, senhores sargentos, as pedimos rigorosamente dentro da Constituição. As atitudes que vêm caracterizando a ação do governo, as suas providências, as leis e os decretos que vem assinando o governo em benefício do povo são também efetuados rigorosamente dentro da lei e dentro da Constituição.


O Ibad, os interesses econômicos, os grandes grupos nacionais e internacionais não tem competência para julgar os atos do Presidente da República. Existem poderes constituídos como a Suprema Corte de Justiça do nosso país, como outros poderes constitucionais que podem aquilatar e julgar os atos do Presidente da República. Os Constituintes em 1946 estabeleceram no Artigo 217 da nossa Constituição o princípio de que ela poderia ser modificada. Compreenderam os legisladores que as Constituições não devem servir apenas para resguardar as instituições do presente, mas as constituições devem, acima de tudo, resguardar as instituições do futuro. Triste do país que tivesse uma Constituição intocável. As constituições têm que evoluir à medida que evoluem os povos e as nações. Mas outra crítica que constantemente se levantava contra o Presidente da República, diariamente transcrita e bem paga na imprensa brasileira, era a de que o Presidente não revelava quais as reformas que desejava o povo brasileiro. Este argumento agora não prevalece mais, porque o Presidente da República, acaba de enviar mensagem ao Congresso Nacional propondo claramente, em com todas as letras, como o povo brasileiro deseja as reformas. Reformas que não podem mais ser adiadas, reformas que não podem mais ser transferidas, porque essas reformas constituem, acima de tudo, reivindicações legítimas e sentidas do povo brasileiro e são indispensáveis ao desenvolvimento do nosso país.

Com fé em Deus e confiança no povo, quero afirmar, claramente, nesta noite, na hora que, em nome da disciplina, se estão praticando as maiores indisciplinas, que não admitirei que a desordem seja promovida em nome da ordem; não admitirei que o conflito entre irmãos seja pregado e que, em nome de um anti-reformismo impatriótico, se chegue a conclamar as forças da reação para se armarem contra o povo e contra os trabalhadores; não permitirei que a religião de meus pais, a minha religião e a de meus filhos, seja usada como instrumento político de ocasião, por aqueles que ignoram o seu sentido verdadeiro e pisoteiam o segundo mandamento de Deus.

O meu mandato, conferido pelo povo e reafirmado pelo povo numa segunda vez, será exercido em toda a sua plenitude, em nome do povo e na defesa dos interesses populares. Enganam-se redondamente aqueles que imaginam que as forças da reação serão capazes de destruir o mandato que é do povo brasileiro.

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Ainda agora, procura-se, em nome da disciplina militar, criar uma crise para dividir as gloriosas Forças Armadas do país. Quem fala em disciplina? Quem está alardeando disciplina nesta hora? Quem está procurando intrigar o Presidente da República em nome da disciplina? São aqueles mesmos que, em 1961, em nome de uma falsa disciplina, em nome de pretensa ordem e de pretensa legalidade que defendiam, prenderam dezenas de oficiais e sargentos brasileiros. Em nome dessa disciplina, prendeu-se um dos mais ilustres e eminentes comandantes do Exército Brasileiro; prendeu-se numa fortaleza, aqui no Rio de Janeiro, um Marechal, pelo crime de defender a Constituição que ele tinha jurado. Esse grande militar, de uma tradição ilibada nas fileiras de nossa Exército, símbolo de disciplina e de bravura das nossa Forças Armadas, o grande Marechal Henrique Teixeira Lott, foi punido, com recolhimento a uma fortaleza.

Fiel à minha formação cristã, não guardo qualquer mágoa daqueles acontecimentos. Jamais remanesceu no meu espírito qualquer ressentimento com relação àqueles que, num determinado instante, não souberam defender a Constituição da República, não souberam interpretar as leis do país.

E o mesmo espírito que me guiou em 1961 foi o espírito que me guiou agora na crise da Marinha, que está servindo de tantos pretextos para intrigas nas Forças Armadas.

Estava no Sul, quando soube da crise que irrompia na Marinha de Guerra. Desloquei-me imediatamente para o Rio de Janeiro. E aqui a minha primeira recomendação – recomendação compreendida e sentida pelo Exército e pela Aeronáutica – foi a de que eu não permitiria jamais que se praticasse qualquer violência contra aqueles brasileiros que se encontravam desarmados na sede de um sindicato. Eu estaria faltando a vocês, sargentos, às suas esposas e às suas mães, se naquele instante, rigorosamente dentro da lei e das minhas atribuições, confiei o problema, na sua plenitude, ao atual ministro da Marinha, que se encontra aqui conosco. Não tive mais nenhuma interferência, a não ser dar autoridade ao novo ministro que assumia naquela hora o comando da nossa Marinha de Guerra.

Ninguém mais do que eu, neste país, deseja o fortalecimento e a coesão das nossas Forças Armadas. Ninguém mais do que eu deseja a glória da nossa Marinha de Guerra. Ninguém mais do que eu deseja que ela vive permanentemente num clima de compreensão, de entendimento, de respeito e de disciplina. Mas a disciplina não se constrói sobre o ódio e a exaltação. A disciplina se constrói sobre o respeito mútuo entre os que são comandados.

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Mas também faltaria com o meu dever se não alertasse o alicerce básico das nossas Forças Armadas – os sargentos – contra a terrível campanha que neste país [ilegível] contra o Presidente da República e mais especificamente contra o pensamento representado pelo Presidente. Se os sargentos me perguntassem – estas são as minhas últimas palavras – donde surgem tantos recursos para campanha tão poderosa, para mobilização tão violenta contra o governo, eu diria simplesmente, sargentos brasileiros, que tudo isto vem do dinheiro dos profissionais da remessa ilícita de lucros que recentemente regulamentei através de uma lei. É do dinheiro maculado pelo interesse enorme do petróleo internacional e de companhias nacionais contra a lei que também assinei do monopólio da importação de petróleo pela Petrobrás. É do dinheiro que se levantou contra outro ato que também praticou o Presidente da República, que foi a encampação de todas as companhias particulares de refino, mas atos que pratiquei rigorosamente dentro da lei e no espírito da Lei 2004, criada pelo grande e imortal Presidente Vargas.

Esse é o dinheiro graúdo. Se os sargentos me perguntarem sobre o dinheiro mais miúdo, mas também muito poderoso, eu diria que é o dinheiro dos proprietários profissionais de apartamentos em todo o Brasil, de apartamentos que estavam sendo negados aos brasileiros, de apartamentos que não se alugavam mais em cruzeiros, de apartamentos cujo aluguel já se exigia pagamento em dólar, como se Copacabana fosse um país estrangeiro, como se os brasileiros vivessem subordinados a outros interesses. É o dinheiro, por outro lado, senhores sargentos, de comerciantes desonestos que estavam explorando e roubando o povo brasileiro e que o governo, no direito legítimo que lhe confere a lei, defendeu e deu ordem ao Ministro Jurema para que não mais permitisse a exploração e que defendesse o povo em toda a sua integridade. Enfim, trabalhadores, enfim, militares, enfim, brasileiros, é o dinheiro dos grandes laboratórios estrangeiros de medicamentos. De laboratórios que terão que cumprir a lei ou terão que ser subordinados à lei porque o Presidente da República não vacilará um instante sequer na execução de todas as leis e de todos os decretos.”

Naquela mesma noite, em Belo Horizonte (onde o governador mineiro udeno-golpista, o banqueiro Magalhães Pinto preparava a “secessão do Estado” para pedir apoio formal, já anteriormente combinado, ao governo norte-americano), o General Guedes, em parceria com seu colega Olímpio Mourão Filho, o vaca fardada, em Juiz de Fora, dava “ordem de marcha” ao 12.º Regimento de Cavalaria, comandado pelo Coronel Dióscoro Gonçalves do Valle, iniciando a quartelada teleguiada pelo imperialismo americano que deporia Jango e iniciaria o ciclo de golpes e ditaduras fascistas pela América do Sul afora (entre os mais retumbantes os de Pinochet, depondo o marxista Allende no Chile e o de Videla, sobre a abobalhada herdeira de cama e política de Perón, Isabelita, na Argentina) nos anos 1960 e 1970 a fim de garantir de garantir o domínio e o lucro da burguesia yankee e ocidental sobre o Continente.

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Ao contrário das versões hidrófobas do falso-moralismo pretensamente cristão (tragicomicamente repetido na deposição de Dilma e ascensão do líder fascista mambembe Jairzinho Capitão do Mato), o governo de João Goulart sequer era “comunista” (“exótica” categoria política equiparada religiosamente a crime pelo fascismo reprimido sexualmente, que examinada a luz da lógica isenta e razoável corresponderia tranquilamente aos mandamentos de justiça e igualdade do Cristo tão presente nos discursos dos demagogos totalitários), mas pretendia simplesmente garantir um mínimo de dignidade humana à peonada esfalfada do campo e das cidades cujo sacrifício inglório e sem recompensa possibilitava a gandaia de uma elite tacanha e sem orgulho sequer de elite em si, que se comprazia e se compraz em servir ao luxo e à sanha dos grandes dominadores do norte do mundo.

Nas palavras de Darcy Ribeiro (Aos Trancos e Barrancos, 3.ª edição, 5.ª Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1986), as reformas de base contra as quais se deu efetivamente o golpe de Estado consistiam tão somente em:

“Uma reforma agrária que, democratizando o acesso à terra, dê a milhões de lavradores condições de viver, comer e progredir com suas famílias, e de assegurar a fartuta da cidade.

Uma reforma urbana que socorra tanto os milhões de favelados como a classe média escorchada pelos aluguéis.

Uma reforma educacional que amplie a rede pública, matriculando todas as crianças e proporcionando-lhes  meios de prosseguir nos estudos, segundo a capacidade de cada uma delas.

Uma reforma tributária que corrija a desigualdade da distribuição de encargos entre o capital e o trabalho, entre os ricos e os pobres, entre os trabalhadores e os patrões.

Uma reforma administrativa que acabe com o burocratismo e a corrupção no serviço público.

Uma reforma eleitoral que inclua todos os brasileiros adultos, principalmente a maioria constituída de analfabetos, na condição de eleitores e elegíveis.

Uma reforma universitária que permita edificar no Brasil as universidades necessárias para promover o desenvolvimento nacional autônomo, a partir domodelo de universidades do Brasil.

Uma reforma bancária que leve crédito e financiamento a todas as forças produtivas a juros normais, sem usura e sem corrupção.

E, sobretudo, uma reforma no trato com as empresas multinacionais para que o Brasil deixe de ser escorchado e condenado à dependência e que se concretizaria na Lei de Remessa de Lucros.”

Como se vê, questões atualissimas cuja solução teria garantido alguma dignidade aos brasileiros, mas prejudicado em muito a sanha exploratória do capital estrangeiro que desde então nos domina e esmaga sem apelação.

Não é por acaso, portanto, que o descabelado e violento Hitlerzinho de circo fudido determinou a comemoração do nefando golpe nos quartéis nacionais neste 31 de março.

Ubirajara Passos

Do Caráter Moralista do Carnaval


 

Faz séculos (para ser exato, uns dezessete anos) que este texto está elencado entre os Sermões na Igreja de Satanás sem que jamais tenha conseguido escrevê-lo, embora tenha prometido, nos últimos carnavais de cada ano, desde 2010 pelo menos, fazê-lo sob a inspiração direta dos eventos.

Eis que hoje, em plena Era do Ranço Fascista brasileiro mambembe, não menos sádico e cruel do que o velho nazismo, entretanto, me forcei a fazê-lo e está aí para deleite dos leitores que não tiveram meios ou ânimo para curtir a velha festa de Momo, embora tenha me saído, tão enferrujado me encontro, terrivelmente pedante e artificioso. Boa leitura:

Do Caráter Moralista do Carnaval

Assim como o bordel, com que compartilha a irreverência, o gáudio e a inexistência de um roteiro obrigatório e insosso no exercício do gozo dos corpos e dos copos, o Carnaval é uma festa que não se contrapõe à interdição moralista do prazer e da liberdade costumeiramente impostos ao rebanho imenso da peonada, em prol do deleite sádico e desenfreado de nossos amos, mas justamente, por seu caráter de excepcionalidade aos dias de sisuda e “responsável” dedicação à rotineira faina e aos imperativos graves da vida quotidiana, a confirma.

E, como válvula de escape, compensatória à vida reprimida, impede a derrocada da dominação, que subjuga nossas mentes e corpos, maneados e enrijecidos no curral sem sal e sofrido do cumprimento de deveres e obrigações impostos pelo estelionato ‘ético” dos hipócritas senhores que organizam nosso mundo.

Mas, embora a epifania pagã do cabaré (restrita aos ditames hipócritas de um negócio informalmente integrado à sociedade hierarquizada – a sacanagem explícita no salão não é bem vista, seja por ameaçar o recebimento do “aluguel” do quarto, seja por destoar do bom tom dos “bailes de família”, que mesmo no puteiro deve ser preservado) não tenha dia, e nem hora, para se realizar, os festejos de Momo, no curto espaço de seu ciclo anual de cinco dias, possuem a vantagem da universalidade.

Para encher bem a cara e se lambuzar na putaria, na dança frenética, e se afundar na “loucura divina” até se exaurir na farra amoral e edênica como um jogo de criancinhas; para usar e gozar da imaginação desenfreada, sem roteiros nem limites, e mandar à puta que pariu todas as velhas recomendações das comadres e tias de pudor e compostura, ou mesmo viver por um dia a fantasia de se sentir único e com direito a tratamento respeitoso e digno, não é necessário possuir um tostão além daquele capaz de adquirir um litro de cachaça, nem ter nascido com um envaidecedor pêndulo, irascível e violento como uma onça pintada, pendurado entre as pernas.

E, êxtase supremo, é possível, se berrar aos quatro ventos, e em plena luz do sol, tudo quanto lhe vier aos cornos, num discurso com um mínimo de coerência ou simplesmente aleatório, escangalhando e denegrindo todos os compenetrados, sóbrios e severos grandes chefes, chefetes e capitães-do-mato da modernosa escravidão assalariada, seus grandiloquentes discursos redentores e sagrados manuais de procedimento.

Oriundo das velhas bacanais romanas (celebrações públicas ao deus do vinho e do prazer), diante do recrudescimento totalitário do cristianismo oficialmente altruísta e sofredor, inimigo do corpo e do bem estar (dos deserdados servos e escravos indignos de representar a vontade divina – prerrogativa exclusiva de reis e nobres senhores), elevado ao poder com a decadência do Império, o Carnaval se tornará, a partir da Idade Média, o refúgio provisório e intocável da ralé subordinada ao autoritarismo furibundo dos dominadores (que serão debochados descaradamente nos gestos, vestes, e atitude), tornando-se vítima de sucessivas tentativas de enquadramento, do reconhecimento oficial da Igreja como ritual pré-quaresma à transformação em festival oficialesco excêntrico e exótico, e por isto mesmo inofensivo e inócuo (porque apartado ao espaço físico ou ideal restrito do “desvio”, a moda da loucura levada ao manicômio) para ser mostrado como curiosidade turística ao mundo, promovida pelas prefeituras, das grandes cidades, como o Rio Janeiro, aos rincões interioranos, de países como o Brasil, afora.

As suas características anárquicas, no sentido mais profundo do caótico e não organizado, da alma livre das peias de toda rotina e ordenamento obrigatórios (que persistem em permanecer, em meio ao fundo das festividades padronizadas e folclorizadas pela mídia antropofágica, que a tudo engole e reprocessa em seus ruminantes estômagos , para regurgitar numa versão mansa e abobalhada, infensa à rebeldia do moderno gado humano) guardam, entretanto, justamente por sua renitente teimosia,desobediente e mal-educada, as sementes capazes de nos conduzir ao rompimento da opressão mecanicista que se serve até o cerne de nossos seres para o usufruto alheio de meia dúzia dos todo poderosos amos que conduzem-se sobre nossos lombos.

Se diante do avanço reacionário e obscurantista do totalitarismo famélico e voraz da ordem burguesa do nosso século já não surte efeito um espírito épico e estoico na luta revolucionária, o que hoje pode nos conduzir, de forma folgazã ainda que renhida, à liberdade é a insurreição gaiata, a desafiar a seca e petrificada ordem diária da rotina, a disposição avessa à gravidade sacrificante, numa rebelião barulhenta e zombeteira, digna de um carnaval, a cada santo dia.

Seja feita a vossa gandaia!

Gravataí, 3 de março de 2019

Ubirajara Passos

Banzo


Do fundo do meu ser uma tristeza
Dolorosa e empedernida me apunhala.
Impiedosa e ressentida, não há rogo
Que faça cessar suas investidas.

Ante o brutal poder que me esmaga
Nas densas ondas de uma reina antiga e azeda
Não há revolta eficaz ou afetada fuga.

O menor esforço, a indiferença mais buscada
Se dissolvem tão logo os empreendo
E afundo ainda mais no melancólico.

Mas o negror que anula a alma e a cristaliza
Numa apatia imóvel e excruciante
Não vem de fora, está sedimentado
Nas mil camadas de uma vida rota.

Gravataí, 11 de janeiro de 2019

Ubirajara Passos

Do sol e das nuvens…


Normalmente, eu estaria, e deveria, hoje estar analisando os aspectos políticos da eleição do Jairzinho Capitão do Mato para a Presidência da República, constatando o óbvio: que esta se constituiu na consagração, esperada e apoiada pelos promotores, do golpe de 2016, para continuidade das reformas (como já deixa claro o futuro ministro da Economia, ao afirmar, nesta segunda-feira que a “prioridade do plano econômico do futuro governo será a Reforma Previdenciária) cuja essência se resume a extinguir os últimos direitos trabalhistas, sociais e previdenciários legais garantidos à peonada, bem como a privatização e entrega definitiva do patrimônio nacional nas mãos da classe dominante internacional, sob cujo sádico prazer será sacrificado o rebanho de milhões de trabalhadores, sem direito, agora, sequer a reclamar, debaixo do pior tacão autoritário, intimidatório e repressor.

Mas, surpreendido pela incessante e trovejante onda de fogos de artifício no início da noite, quando, sem me dar por conta da hora, voltava de um passeio na pracinha próxima com a Isadora (que só fui entender que comemorava a desgraça nacional ao chegar em casa e saber de meu enteado que o resultado final das urnas já fora divulgado e não havia volta), me vi diante do abismo inevitável, que se sabe que poderia aparecer, mas não se quer acreditar esteja a nossa frente quando surge.

Nascido no inverno de 1965, fui criança, adolescente e jovem durante o regime entreguista e ditatorial inaugurado em 1964 e pude presenciar pessoalmente o clima de censura e repressão. Nunca esquecerei de um belo dia, em 1978,  em que me vi surpreendido, ao levantar da parede do quarto de meus pais um quadro do Padre Réus que se encontrava estranhamente afastado no prego que o segurava, e debaixo descobrir um quadro, cuja moldura encerrava um cartaz de campanha de Brizola a governador do Rio Grande do Sul em 1958, que meu pai escondera durante quatorze, por medo da repressão do DOPS. Ao questionar minha mãe sobre o personagem retratado, esta me disse, do alto de sua sabedoria de quem apenas passou pelas primeiras letras e as quatro operações aritméticas: “meu filho, este era um cara que defendia o trabalhador”. Não poderia haver definição mais perfeita e as circunstâncias deixavam claro até para um guri de treze anos as razões porque o quadro fora escondido e a natureza do regime político que forçava o fato. Era uma ditadura que fora estabelecido contra o povo, a grande maioria que sua ingloriamente todo dia para manter o Brasil andando e a quem quer que opusesse a este massacre reservava a tortura, a morte e o desaparecimento.

E hoje pela manhã me vi envolto pelos sentimentos que expressei, quase literalmente, a uma amiga e companheira de militância política e sindical, nas palavras seguintes, ao lhe agradecer uma mensagem pelo dia do abraço, e que dizem todo o possível neste momento.

Estou perplexo e ainda em estado de choque. Apesar de manter a postura radical e revolucionária nos posts do facebook, sinto medo e um imenso nojo.

Sei que, pelo menos nos primeiros tempos, não iremos parar no pau-de-arara, mas temo justamente o que mais me enoja: a reação histérica e furibunda dos fanáticos, muitos próximos, como parentes e colegas, que, diante de nossa menor crítica, só sabem esbravejar (ou se não o fazem nos termos exatos, deixam perfeitamente implícito  o pensamento) como se estivessem vendo o próprio diabo na frente, coisas como “petista imundo, ateu imoral, comunista!”,  e parecem estar dispostos a avançar de porrete sobre nós, no seu ímpeto de caça às bruxas.

Diante de uma das minhas postagens do final da noite, um colega aposentado, destes que me chamava de comunista no início dos anos 1990, em razão de minha liderança sindical, saiu-se, com a autoridade de censura que parece lhe ter sido magicamente concedida pela vitória do louco, com a seguinte pérola, sutilmente intimidatória: “Quando tu vai parar de dizer besteira?”

Temo porque sei que há formas bem mais sutis de nos exterminarem, a nós que defendemos a dignidade e a real decência da peonada trabalhadora, do que a tortura ou a eliminação física. E tenho certeza que será esta horda de fanáticos, bem próximos, o instrumento da delação e da perseguição, que virá através das brechas legais mais obscuras, na forma de ações criminais e procedimentos administrativos disciplinares. O mínimo suspiro indignado emitido por nós (“execráveis vermelhos degenerados dignos de exemplar e feroz punição” na visão destes fanáticos) servirá para detonar o linchamento “legal” que nos azedará a vida.

Mas não sei viver de outra forma que não seja o exercício desbocado e sem freios da liberdade. Apesar do medo, continuarei no pé do autoritarismo e da injustiça e bradarei, eu mesmo, com toda serenidade possível, até que me calem.

Pois, como me dizia a Isadora, na primeira madrugada deste fatídico ano, ao lhe dar a tradicional intimada para ir dormir (frase que anotei em meu caderninho e planejava desde então viesse a ser tema de matéria própria neste blog), parindo espontaneamente e sem saber o seu primeiro poema: “São os nossos sonhos que fazem o sol nascer. Se a gente não dorme o dia não vem. E as nuvens são os nossos pesadelos”!

Ubirajara Passos

 

 

 

 

 

Aos brasileiros que ainda não definiram seu voto nas7 eleições presidenciais de 28 de outubro:


Conforme a última pesquisa do Instituto Vox Populi, realizada e divulgada neste sábado, a eleição para a presidência da República se encontra  empatada entre Fernando Haddad e o Capitão “do Mato” Jair Messias Bolsonaro!

Caberá a ti, eleitor ainda indeciso, definir os rumos do Brasil, a continuidade do direito de expressão, do direito de manifestação, de luta, do mínimo de direitos trabalhistas e sociais, como décimo terceiro salário, estabilidade do servidor público, aula presencial no ensino fundamental, da própria sobrevivência física de negros, índios, mulheres, gays e militantes da causa popular

OU a entrega do país e de nossas vidas à boçalidade, à violência, à censura brutal e hipócrita, à asquerosa escravidão rediviva, à ignorância inominável e ao extermínio sádico de milhões de brasileiros EM NOME DOS INTERESSES PREDATÓRIOS DE MEIA DÚZIA DE DETENTORES DO GRANDE CAPITAL NACIONAL E INTERNACIONAL.

Nossa sobrevivência como nação com um mínimo de civilidade está nas tuas mãos.

Não permita que nossas crianças e jovens tenham de passar, como nós passamos nos anos 1960, 1970 e 1980, pela opressão tacanha, insuportável e arrogante de uma ditadura escancaradamente elitista, calcada na mentalidade soberba, no uso cru e no desprezo às multidões de trabalhadores, cuja vida em frangalhos, no trabalho árduo e não recompensado, faz andar o Brasil!

Não podemos retroceder! Como diziam os clássicos versos da versão original do hino farroupilha: “Avante, povo brioso/ Nunca mais retrogradar/ Porque atrás fica o inferno/ Que haverá de nos tragar!”

Ubirajara Passos

 

 

 

 

Bolsonaro: tirania e extermínio a serviço da classe dominante internacional


Nunca tive a menor simpatia pelo PT, não por tê-lo como radical, mas justamente pela excessiva moderação de seu pretenso esquerdismo. O que se pode constatar facilmente desde as primeiras postagens deste blog, no início de 2006. Inúmeras foram as crônicas e comentários ferinos desferidos ao longo de seu governo. No entanto, diante da possibilidade de eleição do ilustre Capitão “do Mato” Jair Bolsonaro para a presidência da República, não há outra hipótese, racional e humana, possível que o voto em Haddad! 

Como diria o velho Brizola, desta vez teremos de engolir não um sapo barbudo, mas um banhado inteiro de batráquios, incluídas as rãs e pererecas de todo tipo.

A eleição de 28 de outubro não se constitui em uma mera disputa entre dois candidatos mais ou menos radicalizados, em polos opostos, mas num verdadeiro plebiscito, cujo resultado favorável ao candidato do PSL acabará por implicar na própria extinção do regime democrático e das mínimas garantias ainda vigentes, como a liberdade de expressão,  os direitos de reunião e de ir e vir.

Não fosse suficiente a assumida, e entusiasticamente assumida, nostalgia do militar da reserva, cuja carreira se deu justamente entre 1973 e 1987, pela Ditadura Militar instaurada em 1964 (ao ponto de defender a tortura e tê-la por insuficiente, os milicos deveriam ter matado uns 30 mil), as recentes declarações de seu candidato a Vice-Presidente (um general explicitamente favorável à “intervenção militar”, ou seja, o golpe de Estado puro e simples), não deixam a menor dúvida quanto à natureza de seu futuro governo, quando, da forma mais descarada possível, prega a substituição da Constituição cidadã de 1988 por uma carta outorgada por notáveis e um “auto-golpe” em 2019 na hipótese do “clima de baderna” torná-lo necessário. O que é mais do que suficiente para não levarmos na conta de mera bravata as suas intenções autoritárias.

Caso eleito, certamente o golpe virá e virá com toda a fúria e retaliação correspondente à sua pregação tresloucada, anti-comunista, homofóbica, machista, e racista, que, infelizmente, não é mera retórica.

Sua monstruosa postura é  mais asquerosa que seus ídolos torturadores, pois não tendo cometido com as próprias mãos os atos admirados, possui um tesão sádico frustrado por fazê-lo que só se satisfará com a imolação de multidões, como os milhões de judeus levados à câmara de gás por Hitler.

É a própria encarnação de tudo o quanto há de mais repulsivo e aterrorizante no Brasil em nossos dias. E a sua tirania não se restringirá, tragicamente, à imposição política incoercível e inquestionável dos mais tresloucados rumos à sociedade brasileira. Mas fatalmente descambará para o morticínio, não só da bandidagem que pretende combater à bala, como na morte concreta de qualquer opositor ou membro de um dos grupos considerados desagradáveis e fora da ordem por seu conservadorismo arcaico e furibundo. Bastará o cidadão ser um militante sindical, ter nascido na condição de  negro, gay, ou ser um índio ocupando área de terras ardentemente cobiçada por um grileiro ou minerador ilegal qualquer, por exemplo, para integrar a lista de candidatos ao extermínio pela força do Estado, ou mesmo dos próprios fiscais de esquina colaboradores do neo-fascismo redivivo.

As dezenas de ataques de seus psicopáticos seguidores a militantes de esquerda,  homossexuais ou simples simpatizantes de Haddad, ocorridos antes e após o primeiro turno, nos comprovam que  o extermínio não somente virá, como já está entre nós e, mais do que uma política de Estado, será a prática sanguinária e costumeira, típica dos regimes fascistas, dos milhares de capitães do mato fanatizados pela pregação intolerante do senhor Jair Messias. Cuja cretinice sádica é tão grande que ainda tem coragem de tripudiar sobre as vítimas de seu programa de extermínio, como mestre Moa do Katendê, dizendo-se irresponsável pelos trágicos crimes de seus “incontroláveis” asseclas – bandidos na pior acepção palavra, muito pior do que o mais cruel e cínico chefão do crime organizado, cuja tara furibunda foi despertada por sua pregação maniqueísta e intolerante

O mais inacreditável, entretanto, é que a maioria de brasileiros que se inclina a enterrar, com seu voto, no próximo dia 28 de outubro, os últimos resquícios de liberdade na “democracia” violada pelo golpe de 2016, grande parte dos quais composta por trabalhadores e membros dos grupos ameaçados, parece não desconhecer nada disto e deixar-se levar pelo ódio e frustração legado pelas mazelas da Era Petista, além do tradicional conservadorismo moralista, profundamente impressionados pela velha e surrada arenga anti-corrupção que  os algozes de Dilma alimentaram fartamente com a Operação Lava-Jato.

Não conseguem enxergar nada além de violência e corrupção, como se uma e outra não fossem o simples resultado crônico de um Estado organizado para manter os privilégios de uma minoria daqui e d’além-mar, gerados no sacrifício de milhões trabalhadores, no país de maior concentração de renda e injustiça social do mundo.

Parecem não compreender que, apesar de repetidas (mesmo com as reprimendas do “mito”) incessantes vezes, as declarações inconvenientes do General Mourão e de Paulo Guedes, candidato a vice-presidente e guru econômico de Bolsonaro, são pura realidade  e espelham suas intenções concretas: a extinção dos direitos a décimo terceiro salário e férias, a ressuscitação do CPMF e uma alíquota única de 20% no imposto de renda, que onera ainda mais os assalariados e alivia a tributação no bolso mais ricos.

Isto sem falar no que está assumido claramente no programa de governo e nas últimas manifestações do candidato, como a tal “carteira de trabalho verde e amarela” que, aparentemente optativa, como o FGTS, se fará obrigatória, e permitirá aos empregadores o exercício pleno e livre da exploração, sem qualquer garantia legal de direito ou proteção para a peonada. Assim como o fim da unicidade sindical, quebrando a representatividade dos sindicatos, as privatizações generalizadas de empresas estatais e principalmente a intenção explícita de “acabar com os ativismos”. Expressão ambígua e vaga que esconde, sob um lençol curto e transparente, o que está reservado para todos aqueles que, em nome de sua dignidade e condição humana, pretenderem reivindicar e militar por seus direitos sociais, trabalhistas, econômicos e culturais: a repressão pura e simples, sob todas formas possíveis e imagináveis do velho tacão militarista e escravocrata, da censura à tortura e ao cru justiçamento sumário, que certamente não será praticado apenas para os “bandidos” comuns, mas a todos aqueles que se opuserem aos desmandos do novo poder.

Este avalanche de ataques aos trabalhadores e aos interesses nacionais não tem outro objetivo, apesar dos pretextos meramente preconceituosos, moralistas e anti-comunistas, que a defesa e aprofundamento da sanha de lucro  e privilégio da burguesia internacional e seus lacaios brasileiros. Para que os grandes grupos econômicos que infelicitam a vida de meia humanidade em prol do sádico prazer da minoria proprietária possam esfolar o gado humano e as riquezas naturais do Brasil até o tutano dos ossos, garantindo a reforma previdenciária “a moda de Bolsonaro” e o retrocesso a um verdadeiro escravismo nas relações de trabalho, além da entrega descarada do patrimônio nacional, é que o capitão recebeu sua missão totalitária e genocida. Assim o golpe de 2016 não terá sido em vão e os nossos amos poderão gozar tranquilos.

O processo principiou e a única forma de detê-lo, ao menos de impedir que ele se  faça sob o disfarce legal das eleições “democráticas” (pois ninguém se iluda que, derrotado, o golpismo fascista tentará impedir a posse de seu oponente, e, frustrado tal intento, depô-lo posteriormente), por mais amargo que possa parecer o remédio a todos que, como eu, têm sérias restrições ao mero assistencialismo do “socialismo petista”, é o voto em Fernando Haddad, sem qualquer dúvida ou o menor vacilo!

Ubirajara Passos