Extra! Descoberto anti-depressivo natural mais eficaz que a fluoxetina: a banana!


Não se preocupe o leitor, que este blog, apesar do título acima (redigido no mais perfeito sensacionalismo irreverente, a moda das manchetes do jornal porto-alegrense O Sul), não se rendeu ao charlanismo médico-científico da mídia capitalista colonial, nem pretende comercializar a fruta pela internet.

O fato é que, outro dia, me encontrava absorto em meu trabalho, quando uma colega me apontou no “Clic RBS” (site noticioso do império jornalístico da família Sirotsk, associada da Rede Globo no sul do Brasil) a notícia inusitada, veiculada com todo o ar de novidade e dogmatismo peculiar a nossa imprensa burguesa.

Segundo o informativo eletrônico, a banana é riquíssima em vitamina B-6. Possuindo, portanto, excelentes propriedades no combate da insônia, irritabilidade e fadiga (sintomas secundários que, reunidos simultaneamente, são típicos da depressão).

Não foram necessários nem dois segundos de reflexão para que um safado como eu se desse conta de que, além dos evidentes e irrefutáveis efeitos terapêuticos neurológicos e emocionais referidos, há outros (ao menos no plano metafórico) de que o mestre Reich já sabia há uns bons setenta anos!

Conforme o descobridor do orgone (a energia fundamental do tesão cósmico, responsável pela vida e pela excitação sexual dos seres vivos), a absoluta maioria da humanidade padecia as piores neuroses e doenças psico-somáticas justamente pela falta (especialmente no caso das matronas ou solteironas rabugentas, autoritários e delatoras) ou mau uso da banana (de que derivaria a incompletude do clímax do prazer corporal nos seres humanos, inclusive nos machos sádicos cuja banana serve antes como instrumento de agressão que de prazer recíproco). Do que concluía que o consumo físico e emocional adequado e prazeroso da banana humana resultaria na própria redenção da espécie.

Mas, com mais dois segundos de reflexão, constatei algumas utilidades diversas das já apontadas, relacionadas diretamente às características linguísticas metafóricas e antropológicas do “falo vegetal” que, casual e estranhamente, dá em qualquer canto do Brasil, país abençoado por todos os tipos de foda (nem que seja aquela que os burgueses e governantes propiciam diariamente ao grosso do povo com sua opressão).

Assim  é que, devidamente utilizada, uma bela banana dada para patrões, fiscais de trânsito, venerandas e masculinizadas matronas opressoras, pode muito bem nos libertar de 90% dos pequenos e acachapantes empecilhos quotidianos que empesteiam nossas vidas.

Para extirpar os outros 10%, entretanto, é preciso mais que saco cheio e irreverência. Ou seja, uma boa dose de coragem e completo desapego pelo falso conforto de uma vidinha pequeno-burguesa “remediada”. E total nojo, bem como uma santa raiva, dos ladrões com registro na Junta Comercial (os capitalistas) e seus ilustres lacaios (políticos, jornalistas, agentes do Estado e da mídia de um modo em geral), nos quais   é necessário enfiar a banana até o fundo, de modo a fudê-los (no mau e justificadamente sádico sentido) e fazer desaparecer definitivamente do planeta suas infelizes carcaças e atitudes exploratórias e opressivas.

Seja qual for o teu problema, caro leitor, não se esqueça. Muito possivelmente a sua solução não se encontra em nenhum manual de auto-ajuda ou nos cursos cheios de glamour e gracinhas pseudo-humorísticas (que não têm graça nenhuma, pois se destinam a nos fuder o fiofó com o disfarce pretensamente bem humorado de sua vaselina) da “qualidade total”. Mande solenemente à merda todas as recomendações e insinuações  domesticadoras e imbecilizantes e faça bom e absoluto uso da banana (tanto da própria quanto da alheia ou, até mesmo, da simples fruta tropical)!

Se, nos anos quarenta do século vinte, a propaganda governamental nos rádios insistia que era preciso acabar com a saúva, “ou a saúva acaba com o Brasil”, hoje, com certeza, a última (e remota) possibilidade que temos de nos livrar do totalitarismo circense da pax luliana (agora renovada por uma Presidente da República que parece possuir uma senhora banana caturra no meio das pernas, pronta para nos currar) é esquecer o acanhamento moralista e fazer uso da banana (nem que seja a de dinamite)!

Ubirajara Passos

Lula e a Burocratização da Putaria


O assunto já é um tanto passado do ponto, tendo sido explorado na imprensa eletrônica brasileira há alguns anos e, não fosse o Brasil ainda uma sociedade autoritária e profundamente marcada pela opressão coisificante e preconceituosa, não deveria render maiores polêmicas.

O fato é que o Ministério do Trabalho mantém em seu site na internet um espaço próprio para divulgação da Classificação Brasileira de Ocupações (a CBO), que instrumentaliza, entre outros, as estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a respeito das diversas áreas do emprego dos trabalhadores no territério nacional, esmiuçando, na linguagem mais “culta”, “científica” (o que equivale a dizer “higiênica” e “isenta de apreciações subjetivas e emocionais”) e padronizada as diversas características de cada atividade laboral exercida entre o extremo norte de Roraima e o Arroio Chuí.

E, pasmem!, logo no início de 2003, primeiro ano do mandato do Inácio dos Nove Dedos, um gaiato qualquer da grande imprensa fuçando na insípida e abestalhada lista oficial de ocupações deu com o “escandoloso” e hilário verbete, codificado na “família” (grupo) 5198, sob título de “Profissional do sexo” (sub-código 5198-05) – que significa, em boa e popular fala: “puta”!

A descrição era, então, extremamente pormenorizada e explícita, a tal ponto que o órgão, interpelado pela mídia, além de reduzi-la, atribuiu ao governo de Fernando Henrique Cardoso sua implantação na CBO, mas a manteve, entretanto, com todas as características “picantes” e imbecilmente oficialescas, que nos permitem, hoje ainda, ler o negócio sem saber se rimos, choramos ou zurramos tresloucadamente!

Não é preciso que o leitor seja um experiente ex-putanheiro como eu, um balbuciante e tímido rapazola recém-iniciado nas manhas da sacanagem paga (que vários ainda há por aí afora) ou uma aprendiz rebelde de meretriz admiradora da vilã/mocinha da atual novela do horário nobre da Rede Globo (a gostosíssima e insossa Clara/Chiara, precária enganadora do “Totó idiota de língua de fora por buceta nova”) para morrer de rir e calejar a mão… de tanto bater… na própria própria perna (ou no  braço da cadeira) diante da besteira suprema que constitui o “tratado governamental da ocupação laboral ligada ao prazer do corpo dos cidadãos”.

Já na introdução (que atende pelo nome de “Descrição Sumária”) o negócio carrega nas tintas da fantasia mais cretina e cruel possível, primando pela mais falcatrua das inocências (similar àquela que justificou a continuidade de Lula no governo sob o  pretexto de seu “desconhecimento” completo do esquema mensaleiro).

Depois de nominar e “sinonimar” (como diria o Odorico Paraguaçu) a atividade de Profissional do Sexo ou Garota de programa, Meretriz, Messalina (pobre imperatriz romana de saudável tesão sem preonceitos!), Michê, Mulher da Vida, Prostituta, Trabalhador do sexo”, a cartilha petista (que, se eventualmente não foi elaborada pelo fascismo luliano, tem todo o estilo dos filhos da sacristia salvacionista autoritária), declara, em tom programático e pomposo, e como se tratasse de texto de edital de concurso público, que o cargo almejado (e tido por desejável e incentivável) se constitui no afã de pessoas que Buscam programas sexuais; atendem e acompanham clientes; participam em ações educativas (grifo nosso) no campo da sexualidade. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minizam a vulnerabilidade da profissão.” E arremata, listando como pré-requisitos do ingresso em tal dignificante e auto-relizadora carreira que Para o exercício profissional requer-se que os trabalhadores participem de oficinas sobre sexo seguro, o acesso à profissão é restrito aos maiores de dezoito anos; a escolaridade média está na faixa de quarta a sétima séries do ensino fundamental” e que os agraciados pelo esforço e pela sorte  terão o privilégio dos que “Trabalham por conta própria, em locais diversos e horários irregulares. No exercício de algumas das atividades podem estar expostos à intempéries e à discriminação social. Há ainda riscos de contágio de dst, e maus-tratos, violênia de rua e morte.”

Não tenho, como bem sabe o leitor contumaz e atento deste blog, a menor implicância contra a putaria profissifonal, a que sou, inclusive, muito grato, pois sem ela jamais teria vencido a minha timidez e adentrado no mundo do sexo e da boemia, gozando um pouco dos raros prazeres que o mundo humano filho da puta propicia sobre a superfície do Planeta Terra. E muito menos acho indigno o ganha-pão das (ou dos) que possibilitem o supremo prazer dos corpos aos excluídos do mercado amoroso/sexual por serem possuidores de parcas qualidades estéticas ou comportamentais tidas por  pré-requisito ao seu usufruto, na cartilha da mentalidade padronizada do capitalismo cretino em que vivemos.

Cansei, inclusive, de defender (com a gaiatice suficiente para não ser motivo da gargalhada geral da malandragem, é claro), nas minhas noitadas nos cabarés de Porto Alegre, a organização do sindicato das putas e o reconhecimento legal da profissão. Que é terrivelmente sofrida, pelo próprio caráter intrinsecamente coisifante de suas profissionais – que veem-se na circunstância de exercer como “trabalho”, atividade compulsória, fria e cheia de regras (até certo ponto…), o que é normalmente fonte peronsalíssima  e viva de prazer para ambos, ou vários, participantes, mas, no caso da prostituição, com raríssimas exceções, se restringe à “clientela”. Somado a isto, a  exploração de donos de maloca e cafetões de rua,  e  a clandestinidade decorrente da “ilegalidade” da putaria intermediada por patrões, torna a coisa tão infeliz e terrível quanto a escravidão formal. O bordel é um ambiente instigante e feliz até o p0nto da fantasia de seus freqüentadores (e, eventualmente, de suas trabalhadoras), mas, em regra, é o local do exercício de um dos trabalhos mais estressantes, mal-remunerados e impregnado de assédio moral, também.

Agora, convenhamos, daí a tratar a prostituição como uma espécie de “carreira” desejável e incentivável para qualquer mulher ou gay, omitindo as opressões e frustrações que levam tanto “profissionais” como clientes ao mercado do sexo explicitamente remunerado (que, mesmo espúrio, porque alienado, guarda ainda alguma emoção e prazer genuínos e válidos para seus participantes diante de suas versões informais: o casamento burguês tradicional e compulsório e o casamento ou o relacionamento baseado no interesse financeiro ou sócio-hierárquico informal dos nossos dias) é o fim da picada!

Vivêssemos num mundo de plena liberdade e autenticidade das criaturas, sem quaisquer limitações e subjugamentos a papéis artificiosos e sofridos e não haveria problema nenhum em tal espécie de “atividade econômica”. Mas em pleno capitalismo desumano, desintegrador e espezinhador dos corpos e das mentes da massa da peonada submetida ao tacão patronal, a putaria empresarial nada mais é que o pérfido efeito colateral da transformação da grande maioria da humanidade em infeliz objeto sem direito a dispor de si própria nem a qualquer conforto e prazer legítimos e genuínos.

Mas o manual da boa puta do Governo Lula não se contenta com as definições e regulamentações genéricas imbecis e fora de contexto, descendo a detalhes de recomendação que (por sua própria pretensa ingenuidade e desconhecimento concreto da realidade) parecem se destinar a incentivar a jogar outros tantos milhares de criaturas, além das que já vivem-na, nos sofrimentos sem nome do negócio ou simplesmente fazer de conta que é possível se prostituir de “forma segura e não submetida às piores violentações físicas e psicológicas”, legitimando-as pela recriminação oficial indireta.

Assim é que, assumindo ares de programa de “qualidade total” de “departamento de gestão de recursos humanos” de multinacional badalada ou repartição pública de porte, a listagem de “atividades envolvidas no labor da putaria” publicada pelo Ministério do Trabalho Brasileiro  tem a capacidade de fazer constar asneiras do tipo:

Atividades:

1) BUSCAR PROGRAMA:

Agendar o programa; produzir-se visualmente; esperar possíveis clientes; seduzir o cliente; abordar o cliente

2) MINIMIZAR AS VULNERABILIDADES (sic!):

– Negociar com o cliente o uso do preservativo (imaginem um estivador musculoso do cais porto, bebão, ou um burguesão drogado até o cu de êxtase, parlamentando com toda a polidez, paciência e “delicadeza” sobre a necessidade de usar camisa de vênus!);

–  usar preservativos; utilizar gel lubrificante à base de água (só se for puta suíça para ter dinheiro e tempo para andar catando o sofisticado produto);

–  participar de oficinas de sexo seguro (esta é de cravar: para  o governo toda puta deve ser petista, intelectualizada e politicamente correta);

– identificar doenças sexualmente transmissíveis (dst);

– fazer acompanhamento da saúde integral (se for pelo SUS – sistema único de saúde – oficial, está perdida: a consulta por uma simples gripe demanda o agendamento com um mês de antecipação em qualquer posto de saúde público do país!);

– denunciar violência (pobre puta! numa sociedade em que qualquer peão é gente de segunda categoria, ela é tida por de terceira e é mais fácil ficar presa na delegacia de polícia que ter sua queixa registrada, e, além do mais, quem vai fiscalizar a proibição da pancadaria? o conselho regional das meretrizes?);

– denunciar discriminação (pra quem, mesmo?);

– combater estigma (sem comentários!);

– administrar orçamento pessoal (este item, além de desfocado da realidade, é a pedra de toque do fascismo vermelho aplicada à putaria profissional: não contentes em encher o saco da prostituta com as outras recomendações impossíveis de serem praticas, ainda pretendem regulamentar sua própria vida pessoal!)

3) ATENDER CLIENTES: (ou, manual burocrático da qualidade total do amor remunerado para a puta burra!)

– Preparar o kit de trabalho (preservativo, acessórios, maquilagem) (é puta ou modelo de desfiles de moda? o que, aliás, normalmente não faz muita diferença…);

– especificar tempo de trabalho (está-se tratando de sexo pago ou de empreitada de obra de construção civil?);

– negociar serviços (já imaginaram marafona e cliente discutindo os itens da obra antes da execução?);

– negociar preço; realizar fantasias sexuais (capaz?);

– manter relações sexuais (mas, afinal, está no cabaré “pra fuder ou pra conversar”?);

fazer streap-tease (quem sabe vai trepar vestida?);

– relaxar o cliente (que deve estar muito tenso mesmo! trepar com puta petista burocratizada é mais perigoso que levar injeção na bunda feita por enfermeira nazista!);

acolher o cliente (como?);

– dialogar com o cliente (e se for muda?)

4) ACOMPANHAR CLIENTES: (cartilha da puta de luxo para deputados governistas)

Acompanhar cliente em viagens; acompanhar cliente em passeios; jantar com o cliente; pernoitar com o cliente; acompanhar o cliente em festas

5) PROMOVER A ORGANIZAÇÃO DA CATEGORIA: (manual da puta petista militante e policitamente correta)

– Promover valorização profissional da categoria; participar de cursos de auto-organização (no MST – Movimento Sem-Terra?);

– participar de movimentos organizados (se filiar ao PT?);

– combater a exploração sexual de crianças e adolescentes;

– distribuir preservativos (é puta ou agente sanitário do posto de saúde?);

– multiplicador  de informação (em que programa de “qualidade total” mesmo?);

– participar de ações educativas no campo da sexualidade


Para o exercício do vasto e estafante programa de atividades o site governamental prescreve uma de lista de Competências Pessoais que, além das mais toscas obviedades e do tom militante e politicamente correto, chega até a recomendações (como a última) que devem ter sido inspiradas na falta de discrição do denunciador do mensalão, o mensaleiro Roberto Jeferson:

demonstrar capacidade de persuasão; demonstrar capacidade de comunicação;

– demonstrar capacidade de realizar fantasias sexuais; demonstrar paciência; planejar o futuro;

– demonstrar solidariedade aos colegas de profissão; demonstrar capacidade de ouvir;

– demonstrar capacidade lúdica;

– demonstrar sensualidade;

– reconhecer o potencial do cliente;

– cuidar da higiene pessoal; manter sigilo profissional.

Por fim, a coisa se encerra da forma mais fordista possível. Como se se tratasse da execução um trabalho industrial, eminentemente mecânico e robotizado, figura, sob o título Recursos de Trabalho, uma linda e cretina lista de ferramentas e utensílios necessários à atividade:

guarda-roupa de trabalho;

– preservativo;

cartões de visita (por acaso é advogado ou corretor de ímóveis?); documentos de identificação (pra quê, mesmo?);

– gel à base de água; papel higiênico (!);

–  lenços umedecidos (eu, hein?);

acessórios; maquilagem;

álcool (não quero nem imaginar o que a profissional do amor vai fazer com isto!);

celular e agenda (este tipo de “empresária” deve ser muito “ocupada”, mesmo!).

Não estivéssemos vivendo os tempos mais surrealistas possíveis da Hístória nacional (em que uma ex-guerrilheira e um ex-líder estudantil radical disputam pra ver quem vai ser o melhor capacho do imperialismo burguês no Palácio do Planalto) e seria inacreditável que a imbecilidade burocrática do fascismo petista tivesse chegado ao minucioso refinamento de produzir a cartilha das “Normas Brasileiras de Técnicas do Trabalho Sexual”! Mas a coisa está aí, pra quem quiser ver e zurrar de quatro! Já que a vida do leitor, na média, deve ser de uma atroz e monótona tristeza, aproveite a piada de mau gosto da turma Inácio e ria com a retumbante besteira hierática e compenetrada como “pracinha” veterano da Segunda Guerra Mundial em desfile de 7 de setembro!

Aliás, por que não fazer constar da CBO a profissão de apontador do jogo do bicho ou aviãozinho de tráfico, também?

Ubirajara Passos

Dilma Rousseff não é comunista!


Não pretendo discutir neste post os detalhes da militância da minha “ex-companheira” de partido (PDT, em que também já não milito, ainda que continue filiado) Dilma na guerrilha da resistência socialista à ditadura militar fascista inaugurada em primeiro de abril de 1964. Pouco importa se sua atuação na POLOP (política operária), COLINA (Comando Libertador Nacional) ou VAR-PALMARES (Vanguarda Armada Revolucionária PALMARES), ou outra eventual organização clandestina de que agora não me lembro, foi de planejamento, atuação física concreta ou simples discussão e apoio logístico. Afinal os qualificativos de “terrorista”, “assaltante de banco” ou “assassina sanguinária” com que a direita concorrente (“democratas” e “tucanos”) a tem brindado, nada mais são do que a reprodução tosca e ridícula das acusações que a mais torpe e cruel das ditaduras que o Brasil já conheceu fazia aos legítimos defensores, de armas na mão, da dignidade da massa do povo brasileiro, fossem eles comunistas, nacionalistas ou trabalhistas, no auge do regime militar.

Na tentativa de espantar o eleitorado com a caracterização da “comunista comedora de criancinhas que mata velho pra fazer sabão” seus adversários infelizmente estão errando feio a estratégia e embarcando na canoa de marketing mais furada possível, que talvez não convença nem eventuais octagenários saudosos de Plínio Salgado (o fürehr tupiniquim, líder máximo da versão brasileira do nazismo, o “integralismo”).

Pois se há alguma coisa que Dilma Roussef não é, desde que abandonou o Partido Democrático Trabalhista, quando este rompeu com o governador gaúcho petista Olívio Dutra, na virada do século, migrando para o PT (a fim de conservar seu cargo no secretariado) é justamente comunista.

Primeiro porque o PT, conforme nos foi definitivamente revelado por sua prática depois de sua ascensão ao poder federal em 2003, sequer pertence realmente às hostes do “fascismo de esquerda” (seja ele stalinista, trotskysta, maoísta ou de qualquer outra escola leninista minoritária), mas é neo-fascismo puro e simples, em que os métodos tradicionais de domínio autoritário (partido único e incentivo ao conservadorismo religioso místico-cristão) foram apenas modernizados e adaptados aos interesses e carências do patriciado político pequeno-burguês e do proletariado “lumpen” (a massa dos trabalhadores em estado completo de miséira). No governo de Lula são bem mais eficazes, e permitem manter a fachada de regime democrático-constitucional, o uso do mensalão e do bolsa-esmola.

Segundo porque, ao contrário do que o próprio marketing político petista tenta fazer passar (enfatizando, de forma chorosa e glamourizada, por exemplo, as tendências esquerdistas da Dilma menininha do Jardim da Infância, que não sabia que uma cédula rasgada ao meio não vale, mas já “sabia dividir” e se compadecer dos pobres, dando ao guri esfarrapado metade rasgada de seu único dinheirinho), a senhorita Rousseff não é uma militante diferenciada do partido, participante do núcleo do poder, mas com intenções mais “avançadas” e vermelhas em relação a Dom Luís Inácio. Ela, depois de ter sido ministra das Minas e Energia, ocupava ultimamente justamente o cargo burocrático-administrativo chave do Palácio do Planalto, a chefia da Casa Civil, onde exercia, de fato, as funções de implementação institucional dos interesses da burguesia imperialista, seus gerentões no Brasil colonial, e da incipiente e dependente burguesia nacional associada. Pois o Inácio dos Nove Dedos, muito mais do que qualquer presidente da República, possui tarefas meramente decorativas, e cênico-mambembes, correspondentes ao seu semi-analfabetismo cultural histórico. Ou seja, Dilma é quem fazia andar, efetivamente,  com o seu afã diário a máquina do Poder Executivo em Brasília, e, como verdadeira “primeira-ministra” é ela a própria responsável pela miséria e condições indignas de vida e trabalho da maioria, mantidas pelo disfarce do assistencialismo safado e eleitoreiro.

Seu horrendo e “criminoso” passado guerrilheiro, ao contrário da desqualificação falaz tentada pela turma de José Serra e seus asseclas, é justamente a única coisa que poderia absolvê-la perante a massa dos trabalhadores brasileiros e preservar-lhe a dignidade política, se tivesse mantido coerência com ele na sua atuação constitucional e institucionalizada na última década. O fato de ter pertencido a organizações clandestinas de contestação da ditadura militar é justamente o que há de mais louvável e benéfico. Seu inconformismo juvenil e sua disposição de colocar em risco a própria vida em favor das classes oprimidas e contra o autoritarismo lhe renderam inclusive a prisão e a tortura (bem como ao seu marido, o ex-deputado brizolista gaúcho Carlos Araújo, que eu, assim como Dilma, admirava quando pertencíamos todos ao PDT) nos porões do funesto regime.

A Dilma dos anos 1960 e 1970 era, como tantos, mais um dos inconformados jovens latino-americanos a seguir o ímpeto rebelde e altruísta de Ernesto Che Guevara, e, se  seus pendores ainda fossem exatamente os mesmos, estaríamos salvos, porque a peonada que sua todo dia sem ver o resultado do seu trabalho, recebendo de volta o mau trato e a vida faminta e esfarrapada, teria como líder quem estivesse disposto a botar a mão na expropriação que lhe pratica todo dia a patronagem multinacional e brasileira, e revertê-la em favor do povo.

Mas a deusa da História parece que, especialmente no hemisfério situado ao sul da linha do Equador terrestre, é terrivelmente irônica. E assim os principais candidatos à presidência da República são hoje uma ex-guerrilheira comunista e o ex-Presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), que liderava a entidade rebelde pró-reformas de base (aliada dos trabalhistas, nacionalistas e socialistas, em favor da Reforma Agrária, Urbana, Universitária, a limitação de remessa de loucros ao estrangeiro, e outras que pavimentavam o avanço dos direitos populares e o estabelecimento do socialismo no Brasil) justamente às vésperas do golpe que derrubou João Goulart, em primeiro de abril de 1964. Teríamos tudo, caso qualquer um dos dois fosse eleito, para retomar a linha de defesa dos interesses nacionais e populares, e de combate ao imperialismo, ao latifúndio e à dominação burguesa, que foi rompida dramaticamente há 46 anos atrás! Mas ELA representa o neo-fascismo travestido de esquerda assistencialista, subserviente ao imperialismo americano e ELE a fração da direita política alijada da representação dos interesses majoritários da burguesia internacional, que necessita sobreviver (ocupando os cargos de confiança palacianos que garantam seus privilégios e comodidades) se fazendo alternativa no jogo da disputa de mentirinha!

Pobre Brasil! Ao invés do rebelde presidente da UNE e da rebeldíssima guerrilheira, pode ter certeza de que terá no poder, após as eleições de outubro, qualquer um dos dois ilustres canastrões dispostos a perpetuar sua condição de colônia econômica crivada de escravos assalariados sem condição nenhuma de vida caracterizável como de gente, seja sob o aspecto econômico, seja quanto ao conforto e dignidade mental, psicológica e cultural (burros de carga que somos, açoitados todo dia pelo mais cru e disfarçado assédio moral, que nos dá direito, dos escritórios às lavouras, tão somente a obedecer e nos prostrar em culto e honra das ordens e interesses patronais e da ideologia da mídia abobalhada e mediocrizante, que nos submete à hipnose de massas permanentemente).

Somente a revolução independente, vinda do âmago das cabeças pensantes do proletariado marginalizado poderá nos resgatar. Mas estes rebeldes ainda estão dispersos e, em boa parte,  desiludidos e a revolução ainda está muito distante!

Ubirajara Passos

Após reunião com líderes do PC do B e PDT Lula rompe com aliados conservadores e adota salário mínimo do DIEESE


Após anos e anos de estelionato eleitoral, e intelectual, por incrível que pareça, o Luís Inácio deu, no início desta noite, uma guinada à esquerda à qual infelizmente, para nós, seus críticos da esquerda revolucionária (mas felizmente para o povo brasileiro), temos de dar a mão bem aberta para a palmatória!

Conforme informações quentíssimas de contatos do Movimento Indignação em Brasília, após conversa reservada com Carlos Lupi e Renato Rabelo, o Inácio dos Nove Dedos declarou que, após os anos de ajustes econômicos necessários e a projeção que o Brasil tomou no plano internacional, está chegado o momento de retomar os compromissos históricos do governo do PT com as causas mais profundas do sofrido povo trabalhador.

Entre outras medidas deliberadas na reunião como prioritárias, Lula mencionou o imediato encaminhamento pela Presidência da República de proposta ao Congresso Nacional visando a adoção do valor definido pelo DIEESE ( R$ 2.003,30)  para o salário mínimo, já em primeiro de maio de 2010. Foi definida também a proposta de uma reforma agrária radical, na fórmula “terra para quem nela trabalha”, com a desapropriação de latifúndios produtivos com tecnologia de ponta e sua entrega aos seus trabalhadores, organizados em cooperativas.

No plano econômico internacional, foi deliberado que deverão ser encaminhadas medidas para garantir o monopólio do pré-sal à Petrobrás e a nacionalização da distribuição dos produtos petrolíferos privados no território nacional, assim como deverão ser realizados estudos para atualizar, e radicalizar, a lei de remessa de lucros sancionada pelo governo João Goulart no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964.

Lula, acompanhado dos dois líderes, foi enfático ao afirmar que não abre mão das propostas, mesmo que isto signifique o rompimento com a base aliada conservadora, citando como figuras indesejáveis em seu governo, se não se adequarem à nova linha,  os deputados Delfim Neto e José Sarney.

Pára tudo que eu quero descer! Calma… que negócio é este?

Se, por acaso, você acreditou no que está escrito acima, fique tranqüilo. Meu caro leitor, você não enlouqueceu, nem muito menos o redator deste blog.

Acontece que hoje é

1º de abril!!!

Ubirajara Passos

DISCUSSÃO DE TRÊS MILITANTES POLÍTICOS BÊBADOS NUM BAR DA “CIDADE BAIXA, EM PORTO ALEGRE


Nestes dias em que os velhos moralistas petistas desvelaram de vez sua máscara hipócrita para defender a pouca vergonha mais reles e vulgar (daquela vulgaridade de que não vale nem a pena falar para não se cair no lugar comum dos sermões anti-corrupção em que os petistas fora do poder eram tão exímios) dos corruptos mais óbvios e poderosos, acabamos, eu o Alemão Valdir, numa manhã destas, em conversa pela internet, por parir o argumento da peça teatral que segue (que está mais para número mambembe que peça propriamente dita), mais tarde escrita por nós a quatro patas. Pra variar, o Alemão é autor de alguns versos. Dou um prêmio pra quem descobrir quais são. Qual o prêmio só revelo se alguém descobrir, também.

Como se verá, a peça não é nenhum primor de literatura e muito menos de política ou filosofia. Seu texto é até ingênuo (poderia estar na boca de qualquer funcionário público revoltado de Passo Fundo, no interior do Rio Grande, por exemplo), mas cai como uma luva no fascismo explicitamente corrupto do governo do Inácio, em que a censura (com o disfarce de ação judicial) foi reinaugurada justamente para impedir que a imprensa possa denunciar a coisa mais óbvia e encardida das últimas décadas da política brasileira, qual seja o fato de que a família Sarney (catapultada ao trono feudal maranhense, como dinastia permante, pela ditadura fascista imperialista inaugurada em 1.º de abril de 1964) é corrupta, vive da corrupção e não comete um ato político ou econômico que não esteja relacionado a sugar o próprio estado burguês. O Estadão, entretanto, não pode divulgar as falcatruas do Sarney Jr. para não manchar-lhe a honra e o direito fundamental de imagem… Mas, enfim, vamos ao texto:

Discussão de três militantes políticos bêbados num bar da “Cidade Baixa”, às duas horas da madrugada, em Porto Alegre

(encenação em um único ato)

Cenário: um obscuro bar com duas portas paralelas na fachada, prédio do estilo dos anos vinte do século passado, mesas na calçada, numa das quais se acham sentados os personagens no início do ato, postes de luz ao lado esquerdo das mesas, de luz amarelada, com canteiros de grama molhada de chuva, salpicados de tocos de cigarro à direita das mesas.

Personagens: o Portuga Libertário, o Pelotense Petista, o Alemão Batata Vermelho, um garçom vestido da forma tradicional, alguns figurantes bebericando às mesas.

Abre a cortina.

É inverno. Um vento forte (o minuano) corre o cenário, carregando folhas secas de árvores e fazendo esvoaçar guardanapos de papel e as melenas dos personagens. Os três militantes se encontram sentados na mesma mesa, bebericando. O Portuga Libertário à esquerda, o Pelotense Petista à direita e o Alemão Batata Vermelho ao fundo. O Portuga sobe na mesa e principia a falar.

O “PORTUGA” LIBERTÁRIO (de cabelos desgrenhados, casaco preto cheio de caspa, óculos ensebados de gordura, de pé sobre a mesa, cuspindo fogo… e cachaça):

Republiqueta colonial,
semi-feudal,
neo-capitalista…

O PELOTENSE PETISTA (gordo e baixinho, cabelo preto penteado para trás com gel, terninho preto e gravata cor de rosa choque, com o nó frouxo atado pelo meio, um broche de estrela pespegado no peito, jogado na cadeira, segurando um copo de uísque Nato Nobilis cheio de gelo derretido):

Por culpa dos anarquistas,
só querem baderna.

O “PORTUGA” LIBERTÁRIO (que peida, enquanto tenta se equilibrar sobre a mesa):

… em que não serve simplesmente fuder-se o operário,
mas, sobretudo, para que o poviléu bovino
fique tranqüilo com sua bolsa-esmola,
é necessário,
pra caralho,
na republiqueta,
dar de mamar, muito mamar, mamar demais,
com toda “honra”, só mamar na teta,
a Sarney, ao irmão do irmão do primo
filho da mãe do bodegueiro,
da sobrinha
do industrial,
do feto que nem mãe ainda tinha…

O PELOTENSE PETISTA (derramando o uísque “chique” sobre a gravata, com aquele olhar esbugalhado de quem perdeu a propina no bolso furado):

Cala a boca, subversivo,
horrendo
comunista comedor de criancinhas.

O “PORTUGA” LIBERTÁRIO (que se levanta após um trambolhão, tira o copo da mão do Pelotense com um safanão, dá um talagaço, e o joga contra a parede):

… republiqueta maldita! A etiqueta
dos punhos brancos se mistura com a farinha
rala do escaveirado sertanejo,
dos sem-terra, dos sem-teto, dos “sem-teta”,
e algoz e torturado dão-se as mãos
nesta ciranda sádica (punheta
que o “dono” bate com a mão alheia
do servo submisso,
no seu sócio
de vigarice,de orgia e vício…)

O ALEMÃO BATATA “VERMELHO” (de cor e ideologia… vestido dos pés à cabeça de farda militar camuflada, óculos escuros em plena noite, com um copo de underberg à mão):

Mas que negócio é este de punheta?
olha a censura!

O PELOTENSE PETISTA (furibundo, avançando sobre o Portuga, que se esconde de quatro em baixo da mesa):

Censura não há, seus desbocados pecadores!
O que há é o chicote exemplar da Lei
que só existe para que os senhores,
e os do seu tipo não desgracem tudo
e desonrem a República Mãe Nossa
com esta conversa fiada de falsos moralistas…

O “PORTUGA” LIBERTÁRIO (que sai, de gatinhas, do outro lado da mesa e se volta para o Pelotense, abrindo a braguilha e brandindo o censurado, que logo esconde, para desapontamento do Pelotense):

Punheta sim! Que os descarados socam
pra se esporrar, com seus punhos rendados,
sobre as cabeças miseráveis do rebanho
de cuja angústia, do medo, do castigo
provém o hábito de lamber o sapato
dos entojados “proprietários” da nação!

O PELOTENSE PETISTA (que olha para o sexo do Portuga entre fascinado e furioso, e murcha quando a braguilha é fechada):

Olha, “bandido”, desregrado, “fiô da puta”,
pra ti, terrorista debochado,
censura é pouco,
tens que ser banido
do convívio austero e disciplinado
de nossa honrada e impoluta sociedade!

O ALEMÃO BATATA “VERMELHO” (secando o copo de underberg e pedindo um chope):

Vê o que diz este safado pelotense
autoritário,
que só quer submeter-nos
pra impedir que se mexa em “seus” pertences
havidos com a expropriação
do suor alheio
(expropriação séria e honrada!)

O “PORTUGA” LIBERTÁRIO (que se aproxima da mesa e toma um gole do chope do alemão):

Ele só diz e faz tudo isto
porque existe o rebanho submisso!
Como se há de aclarar a consciência
do servo massacrado cujo braço
é o único capaz de esgoelar o algoz
explorador, sem a menor pena,
para poder realmente então viver?

O ALEMÃO BATATA “VERMELHO” (dando um soco na mesa, não se sabe se por entusiasmo ou contrariedade com o gole roubado pelo parceiro Portuga):

Meu caro Portuga anarquista,
tu muito bem conheces,
Eu que fui “estalinista”,
hoje concordo com o Reich:
o problema tá no rabo!
Ele não disse, mas acho:

Ou se arranca o rabo ou se lhe joga ferro em brasa
pro rabo parar de arder!
Senão como se há de dar cabo
de tanto idiota curvado
babando aos pés de outros tantos
imbecis, burros, vaidosos
que passam, com a anuência
dos idiotas de baixo,
o tempo esfregando o rabo,
roubando, e “lavando” o roubo,
e exercendo o poder?

Cai a cortina.

Gravataí, 4 de agosto de 2009

Ubirajara Passos e Valdir Bergmann

O NOVO HINO NACIONAL


Há coisa de uns dois meses, uma amiga (que me inspira o mais forte desejo de corpo e alma, embora não tenha achado coragem, até o momento, para abordá-la) me enviou, via e-mail, o mais novo sucesso da parada musical, que saltou de número em espetáculo teatral ao mais badalado vídeo e arquivo sonoro da internet, e rendeu à sua intérprete, merecidamente, até entrevista no Programa do Jô Soares.

O estouro foi tão grande que qualquer dia seu letrista será guindado a imortal da “Academia” (no que terá, certamente, mérito bem mais legítimo que o incendiário de marinbondos, o “amapaense” de São Luís do Maranhão, Sarney “Tem que dar Certo”). E, se bobear, nestes tempos em que o capitalismo yankee e europeu transforma tudo em propriedade e patenteia até capim da Patagônia, os brasileiros das mais diversas classes vão ter de pagar direitos autorais por berrar ou sussurrar, de becos a palácios, as frases centenárias do poema.

Não entendi, mesmo, como a melodia ainda não foi transformada em tons de campainha telefônica (ou estarei desinformado?), e alguma fábrica de refrigerantes não utilizou-a como jingle para incrementar as vendas!

O sucesso vem crescendo tanto que já suplantou, de vez, o “Rei” Roberto Carlos. E qualquer dia será cantado em seminário da FIERGS, curso de qualidade total, formatura, enterro, batizado, casamento, recital da Ospa no Teatro São Pedro (por pouco não abriu os Jogos Pan-Americanos), ou encerramento de culto da Igreja Universal.

E, dada a nossa desgraça generalizada, que o Inácio e seus capachos planejam piorar exponencialmente, a vibrante musiquinha (que o alemão Valdir, me disse, já adotou como mantra de relaxamento, ou “fashion” brado de protesto, além de recomendar como técnica reichiana para cura das reinas emocionais da humanidade) bem que poderia ser escolhida pelo povo brasileiro, em homenagem ao “paternal” e majestático “Inácio dos Nove Dedos”, como o novo hino nacional: Vai tomar no cu,/ Vai tomar no cu, /Vai tomar no cu,/ Bem no meio do seu cu!/ Vai tomar no cu,/ Vai tomar no cu, /Vai tomar no cu,/ Bem no meio do seu cu!/ Vai tomar no cu/ Vai, vai, vai, vai,/ Vai tomar no cu/ Vai, vai, vai, vai,/ Vai tomar no cu,/ Bem no meio do olho do seu cu!”
(http://br.youtube.com/watch?v=dHpSCHxb780)

Ubirajara Passos

LULA NO PAÍS DAS MARAVILHAS


Recentes estudos de gênios norte-americanos da neuro-biologia,realizados em Brasília, atestam que a memória áudio-visual nos primatas do gênero homo safadus demagogus pseudo analfabeticum concentra 90% de seus registros não no encéfalo, mas na ponta dos dedos das mãos, principalmente no mínimo da mão esquerda, o popular mindinho.

Cientistas brasileiros, após a divulgação da pesquisa, acusaram, entretanto, que, de acordo com relatório secreto do Serviço Nacional de Inteligência da Aeronáutica – Seção São Paulo, realizado em meados dos anos setenta do século passado, a referida característica da espécie moderna de hominídeos, há pouco descoberta no mapeamento do genoma humana na América Latina (a qual possui parentesco em 99,95% com a espécie humana), não é intrínseca, mas foi desenvolvida a partir de mutações desenvolvidas nos Estados Unidos, com a colaboração de voluntários patrocinados pela CIA e Iadesil (Instituto Americano de Sindicalismo Livre).

Conforme fonte, cujo sigilo preservamos para que possamos continuar a contar com sua prestimosa colaboração, esta seria a razão pela qual o pobre Inácio dos Nove Dedos, submetido contra a vontade à experiência genética quando cursava sua pós-graduação em demagogia fascista, no início dos anos mil, novecentos e setenta, na América, tem demonstrado, desde o escândalo do mensalão (em 2005) até o episódio da crise do transporte aéreo e o funesto acidente de Congonhas, repetidos episódios de amnésia, declarando publicamente, para a desgraça de dirigente máximo da nação, que não sabia de nada e que cada vez mais pobres, no Brasil, têm hoje uma vida melhor e consomem produtos que antes eram restritos à classe média (parece mesmo que até a pivetada já pode comprar o seu “i pode?”), coisa inédita mesmo no pico histórico do valor real do salário mínimo, no governo de Juscelino e Jango, em 1959.

Inconformado e preocupado com tão mirabolante história, que pretende justificar a “síndrome de Alice” que, aparentemente acometeu o Luizinho e seus colaboradores, fui a uma “mesa branca” e entrei em contato com o espírito do antropólogo, e companheiro de partido, Darcy Ribeiro. Que, além de me dizer que ainda não acredita que está vivo no outro mundo, pois, como eu, sempre foi materialista e ateu, me mandou o seguinte recado: “Bira, esse negócio de hominídeo e mutação é balela, Lula está apenas ensenando o sintoma social que atinge a grande maioria miserabilizada do povo brasileiro, que – por não ter acesso imediato ao mais simples radinho de pilha, ou pela alienação cultural que a mantém longe dos noticiários e/ou da condição de exercer a crítica capaz de ir além das falcatruas veiculadas pela mídia – é tão desmemoriada quanto o pretende ser o ‘companheiro’ Lula, o qual, sabendo da condição do povo, finge que é primo da Alice e do Chapeleiro Louco”.

Ubirajara Passos