A BÍBLIA DO PERUCA: O mau samaritano


Deus Peruca, apesar de lerdo, era metido a gozador. E assim resolveu se divertir um pouco, para espantar o proverbial tédio celeste, e dotou o seu “filho” Jesus Peruca do raro dom de multiplicar o vinho, já que transformar água em vinho era milagre em que o Messias, mesmo após 70 tentativas, não se acertava mesmo. E o resultado é que o profeta vivia de porre.

Certa vez, quando,Jesus Peruca, evidentemente bêbado, pregava a palavra de Deus Peruca sobre a terra, dele acercou-se um de seus apóstolos, de nome Zé Flávius Doidínius, com aquele seu sorriso de mula característico, e lhe interpelou:

-Mestre! Como devo proceder para alcançar a vida eterna?

Jesus Peruca fez um ar de jegue sábio, e, dando uma cuspida pro lado, contou-lhe a seguinte parábola para que ele compreendesse melhor o significado da passagem do homem sobre a terra e os mandamentos de Deus Peruca:

Camarguinus-clama-hugus era um comerciante perucalomitano. Na verdade foi ele a primeira espécie de representante comercial que existiu na província da Perucaléia. Viajava de cidade em cidade, vendendo a muamba que seu amigo e representado, Law Moisés Tataraneto buscava em longas viagens à China (cujo contrabando veio a render a Law a ameaça de prisão das autoridades provinciais e o exílio forçado no Egito).

Em uma de suas andanças Camarguinus chegou à aldeia de “Feliz”, que se situava mais ou menos a uns 30km de Jericó. E lá se deparou com o maior bacanal que já vira em todas suas viagens pela Palestina, da Perucaléia à Síria.

Eu, Jesus Peruca, ao completar meu 32.º aniversário, resolvera, então comemorá-lo (pois nem eu, nem ninguém, até então, em Perucalé,jamais havia ouvido falar que se fizesse festa no dia do ano em que nascera). E, terrivelmente criativo que sou, tratei de inovar nos “bebes” (que os comes eram basicamente os machos e fêmeas participantes dos festejos).

Ao invés de servir vinho, eu, Jesus Peruca inventei uma espécie de bebida alcoólica fermentada, a base de cevada, aplicando então meus poderes multiplicadores elevados à centésima potência, o que redundou na maior e mais animada festa que a aldeia já vira.

Camarguinus, ainda que comerciante, era algo tímido e hesitava em largar seus alforjes mercantis e cair naquele carnaval divino. Mas não podia perder esta, e se enfiou de cara em um barril daquela deliciosa bebida, e, dizem as más línguas, ficou tão doido que até show de sexo oral ao vivo com um jumento ele fez.

Ainda sob os efeitos da cevada fermentada em barril, na sua volta para Perucalém, Camarguinus mal se equilibrava em cima do jumento, quando caiu nas mãos de salteadores da quadrilha de Dente Barrabugo (ladrão que virá a ser crucificado comigo Jesus Peruca, mas, na “hora h” vai fugir da cruz, roubando os pregos de cobre, e deixando eu me fuder sozinho).

Os bandidos após depenarem-no, ao ponto de deixá-lo completamente nu, espancaram-no, e largaram-no, moribundo, à margem da estrada.

Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote farisaico,o Pastor Kadu, que, mesmo vendo-o em tal situação, passou ao largo, escarrou na cara do pobre infeliz e seguiu seu caminho.Logo a seguir desceu seu, até então, amigo Law Moisés,  cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote, porém muito mais cruel! Indignado por Camarguinus ter perdido seus artefatos chineses, Law chutou a cara do bebum, até arrancar-lhe todos os dentes da boca.

Eis que do nada, então, surgiu um samaritano conhecido na região como Caius Gugu, que, encontrando-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria de nome “Amplexus Analius”, onde continuou a cuidar dele.

No dia seguinte, Camarguinus, ao acordar, não encontrou mais Caius Gugu, que havia saído logo cedo. E embora ainda sem conseguir caminhar devido a fortes dores traseiras, fato que estranhou bastante, pois mirando-se ao espelho, viu que não havia hematomas naquela parte de seu corpo, e sem sua arcada dentária completa, ficou muito agradecido para com o bom samaritano, que, além de levá-lo à tal hospedaria, tudo pagou, e ainda por cima deixara 10 moedinhas de ouro ao lado da cabeceira da cama.”

Após ouvir essa parábola, Zé Doidínius, ainda sem ter por respondida sua pergunta voltou a indagar:

– Mas, Mestre, como essa parábola me ajudará a descobrir como alcançar a vida eterna?

Jesus Peruca então empertigou-se e respondeu:

– Isso eu também não sei, mas pode te ajudar a evitar uma bela
dor no rabo!

Ubirajara Passos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s