A “Paixão” de Jesus Peruca


E eis que, conduzido pelos guardas romanos de Gugu Pilatos, Jesus Peruca chegou esbaforido, sob a escolta de enrustidos amigos do governador, e dos parentes de Maria Madalete, ainda revoltados com o massacre da antiga dona do bordel (que, após sua morte, foi comprado, por dez moedinhas de ouro por José Ari da Mocréia, primo distante de Jesus Peruca).

No caminho teve suas vestes arrancadas e rasgadas a unhada pela gayzada romana e perucalina, aos gritos de: vamos dar uma lição no bofe! E se, bêbado e desnorteado, estava de saco cheio com aquela tropa de veados, se deu por contente que estes se pegassem “no pau” com a turma da Madalete, que queria comer seu cu e matá-lo a porretadas, sem dó nem piedade.

Chegado ao Palácio do amante, viu-se diante de um Gugu Pilatos terrivelmente “puto da vida”, que porém comoveu-se (e derreteu-se de tesão homossexual) ao ver o asno messias seminu. Pilatos tencionava tão somente vingar-se da suposta infidelidade e falcatrua do enviado divino e não, executá-lo. Sua intenção inicial era mandar arrancar-lhe o pinto, que tanto lhe abrasara o seio de seu ser, mas comoveu-se ao ver a enorme ferramenta do jegue entre os farrapos que vestia, e resolveu dar-lhe uma chance. Mandou sua guarda pessoal de homossexuais ativos açoitá-lo com golpes de piça dura, de modo a dar-lhe uma lição, e não estragar-lhe a estrovenga.

O marido, os filhos, irmãos e amigos burgueses de Madalete, entretanto, berravam como doidos e pediam sua morte, assim como a libertação do ladrão Dente Barrabugo, por eles contratado para surrupiar as moedas de cobre do profeta, e que naquela noite fora preso por engano com Jesus Peruca, ao esgueirar-se em seu esconderijo. Como pretexto, apontavam a “subversão” falcatrua messiânica de Jesus Peruca.

Gugu Pilatos, tentando livrar-lhe a cara passou a interrogá-lo cinicamente se era um subversivo, um opositor do Império Romano e se era verdade que fazia falsos milagres para apoderar-se dos parcos cobres da gentalha perucalina. A esta saraivada de questionamento, Jesus Peruca, como era de sua natureza asnífera, permaneceu calado, babando e comendo mosca.

O governador romano, então, pressionado pela burguesada perucalina, não teve outra solução. Masturbou Jesus Peruca, aos prantos, como último ato nostálgico de despedida (suspirando intensamente em memória das noites de orgia homossexual nos porões do palácio), e lavou as mãos meladas na frente da turba.

Jesus Peruca então foi conduzido à cruz em meio à tigrada de Perucalém, que revoltada, menos com seus sermões do que com a frustração que lhe causava as seguidas ocasiões em que o filho de Deus Peruca e seus apóstolos fechava a taverna Lucy Bar, impedindo-lhes o acesso às melhores putas da cidade, o espancava e lhe cuspia na cara. Junto a ele seguiam dois ladrões: Law Moisés Tataraneto, muambeiro emérito, e Dente Barrabugo, especializado no furto de peças de cobre. Os três foram cruficados juntos e Jesus Peruca, após receber uma dose de absinto em uma esponja na ponta de uma lança de um soldado romano (a mando de Gugu Pilatos), ficou muito doidão e começou a disparar um monte de besteiras, prometendo, inclusive, aos colegas de suplício um lugar de honra nos céus, mais exatamente duas cadeiras de ouro e uns imóveis chiquíssimos com vistas para sua futura casa, junto a Deus Peruca, mediante o módico pagamento de dez moedinhas de ouro!

A manhã terminou e quando a tarde andava pela metade o porre arrefeceu e Jesus Peruca, vendo que seu pai celeste não mandava a horda de anjos gays salvá-los, abriu o berreiro mais histérico e choroso, e se ouviu a “voz” então:

– Meu filho! Eu gostaria muito de salvá-lo, e junto a ti todos os pecadores da Terra Peruca, mas como sabes, apesar de Deus, sou Peruca e não sou de ferro. E recebi do Capeta, procurador do bloco carnavalesco “As Viúvas de Madalete” uma lauta contribuição para as obras de meu condomínio fechado no céu, assim como as almas nuas e tesudas de 40.000 virgens doidas pra trepar, sacrificadas em minha honra por esta ralé burguesa! E assim não tenho outra opção senão deixar-te atado a este paus, pra servir de exemplo aos doidos como tu e de penhor perante meus credores. Te foderás mas garantirás a minha divída!

Law Moisés Tataraneto sabia que também estava ferrado, mas, muambeiro e agiota de quilate, riu-se com as imprecações do Deus Peruca. E Dente Barrabugo, desiludido com a possibilidade de ter uns terreninhos pra vender no céu, simplesmente evadiu-se. Os pregos da cruz eram de cobre, e ele, como bom ladrão do produto, arrancou-os e foi vendê-los na província mais próxima.

Jesus Peruca, desolado com o abandono paterno, como era Peruca, e imbecil, portanto, não quis se convencer da merda em que estava e começou a pregar para a multidão sobre a sua próxima ressurreição e o pagamento de todos os seus pecados, que seria solvido pelo seu sofrimento na cruficação. Foi então que desabou um temporal e um raio, atingindo a cruz em que ele se encontrava, partiu-a ao meio e libertou-o, frustrando sua missão de redentor!

Consta que Jesus Peruca refugiou-se no Palácio romano, e,algum tempo depois foi visto na capital do Império, vestido de odalisca, em plena execução da dança do ventre na mansão do ex-governador Gugu Pilatos.

E assim foi, e encerra-se aqui a Bíblia e as Aventuras do Peruca, que tendo se exaurido na vida real e na plena ficção, só voltarão num futuro e imprevisto apocalipse.

Ubirajara Passos

(A)pelação à beira-mar!


A história não se passou no último veraneio, mas num modorrento final de feriadão, na segunda-feira, 20 de setembro (data em que a gauchada do Rio Grande do Sul comemora a sua data nacional, o início da Revolução Farroupilha).

Peruca, Nenê (o primo mais novo do Peruca) e Kadu, entediados, bojecantes e babões, respectivamente na ordem inversa, não suportavam mais o mormaço pré-primaveril da provinciana cidade grande de Gravataí, onde até os mosquitos se deixavam infectar pela doença do sono e, tontos, perdiam o rumo do vôo e, em meio a uma espiral desusada, acabavam por topar entre si, na cabeçada, indo ao chão (quando não caíam, moles, na boca do Peruca, evidentemente).

Afinal, na pretensiosa sede do único complexo automobilístico do extremo sul do Brasil, não acontecia nada de novo há mais de 14 anos, quando a petezada fascista, analfabeta e petulante derrotara a dinastia peemedebista lambe-cu da (formalmente) extinta ditadura pós-1964, assumindo a prefeitura, após quase trinta anos de dominação, que tivera apenas algumas  interrupções (uma no início dos anos 1970, quando o partido da ditadura, a Arena, assumira o poder e outra no final dos anos 1980, quando o trabalhismo não vendido, governara, através de um popular prefeito do PDT). Desde então os petistas eram os novos “coronéis absolutos da cidade”, perpetuando-se mandato após mandato.

Mas a turma do Peruca não meditava sobre tais injunções políticas. Sabia apenas que a única coisa digna de admiração na cidade inchada, que conservava os maneirismos de sonolenta vilinha colonial, era a piada que explicava o seu nome, atribuindo-o a uma furibunda matrona do início do século XX, que, dando com a pudica filhinha a boquetear o namorado em plena praça do quiosque, se esbagaçou gritando pra guria: “o que é isto minha filha?” E, recebendo a resposta cretina (“nada mãe, tô só arrumando a gravata dele!), arrematou: “gravat’aí, minha filha?”

– Ô meu, não tem nada pra fazer nesta merda!

– Vamo tomá um goró, Peruca burro! – disparou Kadu.

– Mas aqui não tem graça, nem o Bira bebe mais. Agora que casou, nem no Lucy Bar vai mais o homem – contestou Nenê, concluindo – Vamo pra praia, pra Tramandaí, que lá que é legal. Marzão, brisinha  boa pra se refrescar e ainda uma dúzia de loiras gostosas pra gente admirar enquanto mergulha na loira da garrafa! Vamo lá seus tontos!

O Peruca preferia ficar em casa e chamar o Dente Hugo com uns DVDs pornôs piratas, que loira boa de ver é aquela que trepa com quatro ao mesmo tempo e ainda dá risada. Kadu, louco pra encher a cara em qualquer buteco, achava muita mão de obra comprar fardos de cerveja e gelo, acomodar no cooler e andar 100 km free way afora só pra curtir uma praiazinha. Ambos não atinavam com a reais intenções de Nenê, mas, depois de muito xaropice, se deixaram convencer.

E, plena tarde de mar e sol, ali se encontravam, junto à barra do Tramandaí (a praia mais fudida da cidade, onde a caganeira urbana corre solta pelo rio, e do rio para o Atlântico), enchendo as guampas de caipira e cerveja, com aquele olhar estranho que nos torna vesgos de uma hora para outra, quando deram com aquela trupe de gatinhas gostosas (uma das quais era funcionária da promotoria em Cachoeirinha, conhecidíssima dos três e alvo da paixão platônica do Nenê).

Agora sim, podia se chamar aquele monte de areia salpicado de bosta de praia. Trataram logo de gastar os últimos cobres em martinis, keep coolers e sorvetes, que as gatas eram manhosas e não estavam muito a fim de papo furado, mas tinham, segundo elas, um tesão imenso por garotões alegres e endinheirados, e estavam loucas por umas bebidinhas e guloseimas.

Consumido o estoque do improvisado pic nic, bem como o dinheiro e a paciência do trio, que não conseguia dar nem uma bolinadinha nas safadas (toda vez que se aproximavam, eram repelidos com um recatado risinho e um “depois, meu amor”, primeiro quero curtir o frescor do mar), apareceram uns sujeitos musculosos e mal encarados, boné de aba virada, pinta de aviãozinho de favela (uma tigrada braba, como os descreveu o Peruca) e deram de mão nas pudicas senhoritas, que foram se amassar com eles atrás de umas dunas.

Nenê estava simplesmente desconsolado. Se esvaia em lágrimas pela rejeição da amada e Peruca ameaçou até ir dar umas porradas naqueles tipos (afinal, a última vez que ficara sem absolutamente um puto no bolso foi quando deu com o famoso traveco violento que o assaltou no Bradesco). Mas Kadu, o mais “malandro e experiente” dos três pinguços desengonçados, tratou de acalmar e “trazer à lógica” os outros dois:

– Mas o que é isto. Que choradeira braba! E que porrada coisa nenhuma! Tem  um jeito bem melhor da gente se vingar e divertir, na boa! Vamo estragá o namoro destes panacas. É só a gente tirá a bermuda e ir lá, no meio das dunas, corrê pelado!

Nenê, magoado, mas ainda preocupado em fazer boa imagem para sua paixão, resistiu violentamente, mas, debaixo de porrada, arrancado o calção, foi arrastado junto.

Peruca não teve a menor dúvida. Jegue embriagado, cujos últimos restos de sensatez e inteligência migraram além do cu, aderiu ao plano, entusiasmado.

E foi assim que, naquela tarde de fim de feriado, a fria praia gaúcha se viu despertada pela agitação dos três branquelas sacudindo o instrumento e tropeçando uns nos outros (ocasião em que parece que o Peruca teve a chance de recordar “concretamente” de seu falecido amante traveco), aos gritos de olha aqui que coisa mais linda, enquanto os casais de patricinhas e maloqueiros corriam afoitos duna acima (interrompidos no doce ofício das preliminares menos sacanas)… Mas não por vergonha ou indignação, mas simplesmente para se mijar de rir e vaiar, enquanto os três anjos barrocos broxas (afirmação da preferida do Nenê) eram detidos e conduzidos “à vara” por uns quantos robustos brigadianos.

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: O último trago


Era a véspera da páscoa, e como já estava terminando a “quaresma” (tempo de abstinência sexual, que Jesus Peruca e seus apóstolos não respeitavam mesmo) foram todos para a Taverna Lucy Bar (sob nova direção, devido a morte de sua antiga proprietária)  realizar o que acabou se tornando conhecida como a farra bíblica de maior relevância no “Evangelho de Nosso Senhor Jesus Peruca” mais conhecida como ” O Último Trago”.

Para variar, o Mestre e seus discípulos já se encontravam terrivelmente embriagados, se preparando para iniciar a maior esbórnia sexual, quando Jesus Peruca, dirigiu-se, já com a língua enrolada,  para Simão Pedro Carpanus Andarolas, e lhe fez a primeira grande revelação daquela fatídica madrugada:

– Pedro, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu  me comerás .

Pedro Carpanus, apavorado, então responde:

– Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te comerei.

A revelação gay do profeta explodiu como um peido cósmico no salão do bordel! Os demais apóstolos presentes mal conseguiam conter o riso, mediocremente disfarçado por um ar de distração, que se parecia mais com o deboche puro e simples.

Emputecido com a reação deles, brabo como um burrico no cio chicoteado, o Messias Peruca levanta-se e, fazendo a segunda revelação, clama:

– Em verdade vos digo: um de vós me trairá hoje!

Nesse momento, São Tomé Hugo levantou-se e saiu correndo porta afora, mais rápido que uma gazela com pulga no cu, e não fosse Jesus Peruca gritar que não seria ele o traidor, o apóstolo velocista já estaria cruzando o Mar Vermelho.

A farra continuou, então, até altas horas, e era já por volta das 5 h da manhã quando o último apóstolo bêbado, Santo André Gílsius, mais conhecido pelo apelido de Law Cabritus da Taverna 59, que estava de quatro-pés no salão central, resolveu largar de mão a mula (que também participara da suruba) e ir dormir.

Santo André Gílsius, São Tomé Hugo, Jesus Peruca e Ubirajudas Iscariotes, iniciando os trabalhos alcoólicos do "último trago"

O que poucos sabiam, porém,  é que Jesus Peruca necessitava de verbas, além dos parcos donativos dos “fiéis” , para manter sua vagabundagem, isto é, sua carreira política de Messias “nacional-farrista”, e, por isso, prestava uns serviços “extra-proféticos” justamente  ao governador romano da Província da Perucaléia, Pôncio Excelsus Pilatos, que lhe remunerava cada sessão com 10 moedas de ouro, contribuindo assim, secretamente,  com o financiamento  da campanha messiânica.

Pôncio Excelsus, porém, era um  sujeito bastante excêntrico, dado aos mais estranhos fetiches, além de portador de um sadomasoquismo grotesc0. Assim, exigia que Jesus Peruca, cada vez que o visitava, se fantasiasse como um centurião do exército e que entrasse sorrateiramente pela janela de sua casa, à noite (o que era  pra lá de costumeiro).

Antes que fosse consumado o ato libidinoso (diga-se de passagem, bastante mal remunerado) ele apreciava que o Messias Peruca lhe desferisse uma boa e velha SPM (surra de pingola mole), que não fazia parte do pacote contratado, mas rendia a Jesus Peruca alguns favores políticos e autonomia para continuar a exercer suas profetizações alccólico-subversivas sem ser incomodado.

Por isto era freqüente Jesus Peruca se ausentar depois da meia-noite, vestindo aquela velha farda e saindo de mansinho para não acordar os demais apóstolos, contando com o auxílio do seu fiel apóstolo-tesoureiro Ubirajudas Iscariotes, que, além de servir de pombo-correio à dupla gay, se encarregava diretamente da arrecadação dos “dezinhos”, que Pilatos, discretíssimo, deixava em baixo de uma pedra, junto às muralhas do palácio, toda vez que solicitava os serviços de Jesus Peruca.

Porém, naquela noite, após o maior porre já registrado pelo homem, o “último trago”, Jesus Peruca, vestindo aquela pesada e barulhenta armadura, tomou um tombo na saída da taverna e acabou acordando dois dos apóstolos, Pedro Andarolas e Judas Cabelinho Tadeu (outro primo de Jesus Peruca).  Os dois encontravam-se em condição alcoólica semelhante a do próprio “messias michê” e, dando com a estrambótica figura, acharam que estavam sob ataque do exército romano. Judas Cabelinho jurava que o sujeito fardado era agente do DOPS e, em um reflexo retardado, contudo rápido o suficiente para o embriagado Messias, juntou um bastão que estava dando sopa e desferiu um único e certeiro golpe, com toda força, na cabeça de Jesus Peruca, deixando-o desmaiado.

Cabelinho estava tão enfurecido que pretendia dar cabo do “soldado” ali mesmo, mas foi contido por Pedro Andarolas, que alegava que isto iria contra o 5.º mandamento, mas que também concordava que aquele espião romano devia ser castigado de outra forma. Como era metido a estudioso das leis, Pedro Andarolas fez a brilhante constatação jurídica de que nos 10 mandamentos não havia qualquer menção proibitiva ao “estupro homossexual”, resolvendo ser esta a melhor punição. E ali mesmo deitando-o de bruços sobre a mesa do “último trago”, Pedro Andarolas comeu o cu de  Jesus Peruca por 3 vezes antes do galo cantar.

Enquanto a baderna sexual sem vergonha acontecia, Ubirajudas Iscariotes, que devia em toda  a praça (pois ganhava bem menos como apóstolo do que sua máscula amante conseguia gastar às  suas custas no jogo do osso) aproveitou o ocorrido para cometer um leve delito. E, usando de suas atribuições em proveito próprio, pegou as 10 moedinhas de ouro, que Pilatos deixara no costumeiro local, embolsou-as e ficou bem quietinho.

Pilatos, velho e rabugento que era, não aceitou o atraso de Jesus Peruca, e ao ver que as moedas não estavam mais onde as deixara, indignou-se e mandou seu exército ao “esconderijo” (que sempre soubera onde ficava) da turma do Messias, trazendo-o a pau até o palácio. Os soldados lá chegando encontraram não só Jesus Peruca, mas toda a “quadrilha apostólica”, que rapidamente fugiu, deixando, sem saber de nada, Jesus Peruca desmaiado e com seu ânus exposto e arrombado. Prenderam, então, Jesus Peruca.

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: Maria Madalete


Conforme  a versão da Bíblia Peruca  contida nos manuscritos gnóstico-asníferos de Nágua-Enrabadi, na antiguidade perucaica existiu uma mulher chamada Maria Madalete. Alta, magra e loira, descendia de uma tribo germânica que migrou para o Oriente Médio, provavelmente em alguma embarcação viking ou coisa do gênero. Sua vida até os fatos aqui narrados é quase um completo mistério. Sabe-se apenas que casou-se com um cobrador de impostos romano e teve um casal de filhos antes de seus atos tornarem-se publicamente relevantes.

Ela mantinha uma pose nojenta e arrogante, com um cinismo escorrendo pelas orelhas, perante o ciclo social de nobres e patrícios, com os quais o status de seu marido forçava-a conviver. No entanto o que poucos sabem, e quase nenhum de seus contemporâneos enricados conhecia, é que Madalete na verdade, foi a meretriz mais famosa de toda antiguidade peruca.

Conhecida pelo nome de guerra de “Alemoa”, era proprietária de um prostíbulo de alto padrão, a “Taverna Lucy Bar”(onde  também ocorreu um dos maiores eventos bíblicos peruca, o “Ultimo Trago”), nos subúrbios de Perucalém!

Naquele alegre e descontraído local era raro o dia em que não se encontrava Jesus Peruca e todos demais apóstolos fazendo o que faziam de melhor: pregar a palavra de Deus Peruca. Isto, evidentemente, depois de desfrutar dos serviços muito bem prestados pelas funcionárias de Madalete, e após aquele goró antológico.

Certo dia os santos pregadores estavam, como de costume, por ali bebendo e farreando como uns porcos piçuídos. Apóstolos e discípulos haviam fechado o famoso cabaré, e rolavam, bêbados e excitados, muitos nus, sobre mesas e cadeiras. O apóstolo-tesoureiro Isacariotes havia mesmo tomado do corpo de uma jovem e agitada puta gaulesa e tratava de lamber-lhe a ervilha do prazer em pleno salão, para gáudio, deboche e espanto de seus colegas. Jesus Peruca, porém estava cabisbaixo, com  um ar triste e soturno. Ocorre que ele ainda curtia uma ressaca da festa que proporcionara no dia anterior, na aldeia de Feliz, e ainda tinha o estômago meio embrulhado, pois não conseguira tirar da cabeça a cena estrambótica de Camarguinius fazendo sexo oral em um jumento.

Uma das prostitutas, uma loira esquisita e gordinha metida a psicóloga letrada, perguntou para um dos apóstolos, o que havia ocorrido com Jesus Peruca, porque não era costumeiro dele estar daquele jeito. A desgraçada,  porém, deu o azar de dirigir sua pergunta justamente para Ubirajudas Iscariotes, que era o apóstolo mais sem-vergonha de todos os 12, e ele foi logo respondendo:

– O mestre Peruca está assim porque descobriu que sua mãe não é virgem nada! O Espírito Santo mandou ver umas 3 ou 4 vezes nela!

A puta ingênua e tonta, de mentalidade estilo  peruca, acreditou na mentira, e foi logo dizendo que ia dar um jeito de animá-lo. Buscou um cântaro de cerveja e despejou tudo no colo do infeliz Messias Peruca, que saltou mais alto que um gato, enfurecido, xingando a moça de tudo o que podia.

São Tomé Hugo, mais conhecido por São “Dente” Hugus – em alusão ao proverbial ataque de gargalhadas que teve ao saber da perda da dentadura de Camarguinus — tentou acalmar os ânimos. Mas, neste momento o barraco já estava formado. A puta era nervosa e não levava desaforo pra casa: era copo voando para todo lado, socos, chutes, arranhões, mordidas… não tivesse Deus peruca mandado um terremoto para apartar a briga e sabe-se lá o que teria acontecido.

O Messias Peruca e seus apóstolos aproveitaram o terremoto para sair sem pagar a conta. E já estavam longe, dando gargalhada da situação, quando deram pela falta de São Robertinus, um dos apóstolos – por sinal o único dentre todos que ainda era virgem – e,  ao retornar para a taverna, a sua busca, constataram que o pior já havia acontecido. Deram todos de cara com a própria Maria Madalete montada, e a galope, em cima de Robertinus, que gritava e esperneava como se estivesse à beira da própria morte.

A indignação foi geral. São Robertinus era um rapaz casto por opção, e tinha orgulho de sua condição de abstinência sexual, além de ser o único seguidor “puro” de Jesus Peruca. Os apóstolos, então, pegaram Madalete pelos cabelos e arrastaram-na até o meio da praça, onde começaram em coro a incitar a multidão ao apedrejamento da mesma.

Jesus Peruca, entretanto, aproximou-se, com toda calma e lerdeza típicas de peruca, e com sua celestial burrice, proferiu as seguintes palavras:

– Sei que esta mulher adúltera e pecadora errou e, se for o desejo de todos apedrejá-la, que assim seja.

Abaixou então sua cabeça, juntou uma vareta, riscou as areias do solo, e voltou a dizer:

– Portanto, quem nunca errou que atire a primeira pedra!

Nesta hora já havia uma multidão formando um círculo ao redor de Madalete, pronta a apedrejá-la, mas os populares, ao ouvirem os dizeres de Peruca, foram largando um a um as pedras que empunhavam.

Quando o fudunço parecia ter sido contornado pelo Messias bocaberta, e a turba principiava a se afastar, surgiu de repente, abrindo um corredor em meio àquela gente, vindo lá do fundo, São Kadu, outro dos apóstolo, que estando a uns 15 metros de distância da cafetina,  veio correndo, carregando sobre a cabeça uma pedra maciça de mais ou menos uns 30 kg e, antes que Deus Peruca pudesse novamente intervir, arremessou-a contra a pobre Madalete, trucidando-a.

Jesus Peruca apavorado com a situação, tremia igual vara verde, não sabia onde tinha errado em seu discurso redentor, e perguntou ao apóstolo:

– Por que fizestes isso? Tu por acaso nunca erraste?

E o apóstolo então respondeu:

– Olha, dessa distância ainda não!

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: O mau samaritano


Deus Peruca, apesar de lerdo, era metido a gozador. E assim resolveu se divertir um pouco, para espantar o proverbial tédio celeste, e dotou o seu “filho” Jesus Peruca do raro dom de multiplicar o vinho, já que transformar água em vinho era milagre em que o Messias, mesmo após 70 tentativas, não se acertava mesmo. E o resultado é que o profeta vivia de porre.

Certa vez, quando,Jesus Peruca, evidentemente bêbado, pregava a palavra de Deus Peruca sobre a terra, dele acercou-se um de seus apóstolos, de nome Zé Flávius Doidínius, com aquele seu sorriso de mula característico, e lhe interpelou:

-Mestre! Como devo proceder para alcançar a vida eterna?

Jesus Peruca fez um ar de jegue sábio, e, dando uma cuspida pro lado, contou-lhe a seguinte parábola para que ele compreendesse melhor o significado da passagem do homem sobre a terra e os mandamentos de Deus Peruca:

Camarguinus-clama-hugus era um comerciante perucalomitano. Na verdade foi ele a primeira espécie de representante comercial que existiu na província da Perucaléia. Viajava de cidade em cidade, vendendo a muamba que seu amigo e representado, Law Moisés Tataraneto buscava em longas viagens à China (cujo contrabando veio a render a Law a ameaça de prisão das autoridades provinciais e o exílio forçado no Egito).

Em uma de suas andanças Camarguinus chegou à aldeia de “Feliz”, que se situava mais ou menos a uns 30km de Jericó. E lá se deparou com o maior bacanal que já vira em todas suas viagens pela Palestina, da Perucaléia à Síria.

Eu, Jesus Peruca, ao completar meu 32.º aniversário, resolvera, então comemorá-lo (pois nem eu, nem ninguém, até então, em Perucalé,jamais havia ouvido falar que se fizesse festa no dia do ano em que nascera). E, terrivelmente criativo que sou, tratei de inovar nos “bebes” (que os comes eram basicamente os machos e fêmeas participantes dos festejos).

Ao invés de servir vinho, eu, Jesus Peruca inventei uma espécie de bebida alcoólica fermentada, a base de cevada, aplicando então meus poderes multiplicadores elevados à centésima potência, o que redundou na maior e mais animada festa que a aldeia já vira.

Camarguinus, ainda que comerciante, era algo tímido e hesitava em largar seus alforjes mercantis e cair naquele carnaval divino. Mas não podia perder esta, e se enfiou de cara em um barril daquela deliciosa bebida, e, dizem as más línguas, ficou tão doido que até show de sexo oral ao vivo com um jumento ele fez.

Ainda sob os efeitos da cevada fermentada em barril, na sua volta para Perucalém, Camarguinus mal se equilibrava em cima do jumento, quando caiu nas mãos de salteadores da quadrilha de Dente Barrabugo (ladrão que virá a ser crucificado comigo Jesus Peruca, mas, na “hora h” vai fugir da cruz, roubando os pregos de cobre, e deixando eu me fuder sozinho).

Os bandidos após depenarem-no, ao ponto de deixá-lo completamente nu, espancaram-no, e largaram-no, moribundo, à margem da estrada.

Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote farisaico,o Pastor Kadu, que, mesmo vendo-o em tal situação, passou ao largo, escarrou na cara do pobre infeliz e seguiu seu caminho.Logo a seguir desceu seu, até então, amigo Law Moisés,  cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote, porém muito mais cruel! Indignado por Camarguinus ter perdido seus artefatos chineses, Law chutou a cara do bebum, até arrancar-lhe todos os dentes da boca.

Eis que do nada, então, surgiu um samaritano conhecido na região como Caius Gugu, que, encontrando-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria de nome “Amplexus Analius”, onde continuou a cuidar dele.

No dia seguinte, Camarguinus, ao acordar, não encontrou mais Caius Gugu, que havia saído logo cedo. E embora ainda sem conseguir caminhar devido a fortes dores traseiras, fato que estranhou bastante, pois mirando-se ao espelho, viu que não havia hematomas naquela parte de seu corpo, e sem sua arcada dentária completa, ficou muito agradecido para com o bom samaritano, que, além de levá-lo à tal hospedaria, tudo pagou, e ainda por cima deixara 10 moedinhas de ouro ao lado da cabeceira da cama.”

Após ouvir essa parábola, Zé Doidínius, ainda sem ter por respondida sua pergunta voltou a indagar:

– Mas, Mestre, como essa parábola me ajudará a descobrir como alcançar a vida eterna?

Jesus Peruca então empertigou-se e respondeu:

– Isso eu também não sei, mas pode te ajudar a evitar uma bela
dor no rabo!

Ubirajara Passos

A BÍBLIA DO PERUCA: Jesus Peruca e a pesca “milagrosa”


Terrivelmente desanimado, Jesus Peruca, retornou à Petraléia e, para tirar a urucubaca que o acompanhava, e transformava todos seus milagres nos piores fiascos, foi procurar seu primo feiticeiro, Jonão Farrista Peruca, nas margens do Mar Morto (que, naquela época chamava-se “Mar dos Peixes Ligeiros”, tendo tomado o novo nome em razão do feito fantástico de Jesus Peruca, praticado em suas águas).

Quando Jonão Farrista tratava de deitar uns “dez quilos” (eta número que o perseguia!) de sal grosso sobre seu lombo, pra tirar o quebranto, o mau olhado, o puro e rotundo azar de nascimento, eis que o espírito santo fudedor de virgens baixou no ombro de Jesus Peruca, na forma de um lustroso urubu, gritando para todo mundo ouvir: “Ô, minha gente, ninguém se meta com este rapaz aqui não, que ele é meu filho! É vaidoso, apesar de burro! Completamente imbecil e estabanado… Não dá uma dentro, mas é poderoso e foi parido na farra mais sacana da minha vida… Vocês nem imaginam o que a mãe dela sabia fazer com a líng…” – E, antes que terminasse a indiscreta inconfidência, foi interrompido por Deus Peruca em pessoa, que tratou de cantar a xaroposa ladainha, fazendo saber a todos os presentes que Jesus Peruca, seu filho por procuração (que o espírito santo era um mero executor do tesão do Pai Maior), era o redentor da humanidade, que havia de tirar do lombo de todos o pecado da sacanagem perpetrada por Adão Peruca, etc., etc. e etc.

Foi então que se acercaram de Jesus Peruca uns pescadores tão espertos quanto ele, reclamando: “Mestre, estamos desesperados! Há dias que lançamos a rede no mar e não pescamos nada!”

Jesus Peruca era um asno, mas, como dissera o urubu do espírito santo malandro, tinha lá os seus poderes, entre eles uma clarividência bem superior a de uma anta, e segurou-se para não se cagar de rir, pois estava na cara que os sujeitos nunca tinham pescado nem cochilo nas suas vidas, pois rede não se lança. O que se “lança” às águas é tarrafa!

Mas, como um infalível filho preferido de Deus Peruca, representante direto de sua sabedoria e onipotência na terra não poderia recusar-se a fazer o bem a tão necessitadas criaturas. E anunciou pomposamente: “Como vocês, apesar de sua burrice congênita, tiveram fé e me procuraram, farei a vontade de meu pai e vos darei um milagre sem qualquer custo, nem taxa de juros! Não precisareis mais que acreditar-me e nem de redes necessitarão, pois os peixes, a uma ordem minha, virão até vós!” E retirou-se, só e enigmático, para um matinho que havia na outra extremidade do mar, fora das vistas de todos!

Desta vez não deixaria o azar estragar o seu “milagre” e (a conselho do diabo Nandínius Andarola, que lhe assoprou nas ventas que não confiasse tanto assim no Urubu do Espírito Santos), tratou de envenar o mar.

De lá voltando mandou que entrassem mar adentro e colhessem os seus frutos e eis que os pescadores conseguiam pegar peixes até com a mão, pois os bichos, estonteados e com aquele invariável “olhar de peixe morto” se deixavam levar pelas ondas e carregar pelos pescadores.

Toda a aldeia ficou muito feliz e foram para suas casas e fritaram peixes numa quantidade como nunca haviam visto em toda sua vida, nem mesmo os velhos caducos de noventa anos! Mas, naquele dia, a aldeia de Perucalé quase se extinguiu, pois quase todos que comeram do peixe milagroso morreram de envenamento e os que sobreviveram, depois de uma forte caganeira de saltar os olhos para fora, agradecidos pelas bênçãos que lhe concedera Deus Peruca por nele acreditarem, se tornaram os primeiros discípulos de Jesus Peruca.

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A BÍBLIA DO PERUCA: Os primeiros milagres de Jesus Peruca


Nada se sabe da vida de Jesus Peruca até os trinta anos. Consta somente que aos doze anos de idade, em pleno florescer do tesão asnífero, desgarrou-se de sua manada, isto é, de Maria e José Peruca. E foi encontrado pelos pais na sacristia do templo, discutindo com uns sacerdotes pedófilos falcatruas por causa de dez moedas de cobre que lhe haviam prometido para praticar o coito sagrado no quartinho escuro, no fundo da sinagoga, e não lhe tinham sido pagas. Apesar de ter se desempenhado com uma competência “animal”, ainda que meio desastrada, na hora do gozo, entre relinchos, deus uns coices para trás que atingiram os cornos do sacristão voyeur, o tio  Zecaius Petrinus, gerando uma confusão que teria sido o pretexto para não pagar  seus serviços e para a ameaça de morte sobre Jesus Peruca

A sagrada família Peruca, perseguida pela ira de Zecaius, teve então de se esconder pelos mocambos de Passo da Petraléia até que ele morresse, e o caso, e a condenação privada, caissem no esquecimento, o que só veio a ocorrer 18 anos depois do sucedido. Segundo alguns evangelistas perucas, errando de buteco em buteco, disfarçado de servente de obra (seu pai José Peruca, era pedreiro, muito embora haja quem diga que o máximo que atinava era preparar a “caixa de madeira” para abrigar as vigas de concreto), até a idade madura Jesus Peruca era completamente virgem de trago e de mulheres.

E foi assim que, tendo ido a uma festa de aniversário de quinze anos, acompanhado de sua mãe, para não se perder, Jesus Peruca, já trintão, foi por ela instado a fazer o milagre de transformar água em vinho, pois a santa senhora já estava com o saco cheio daquela festinha monótona, toda certinha, com dança de valsa e olho de sogra, mas sem nenhuma orgia daquelas boas que costumava praticar, quando novinha, com o espírito santo peruca, que lhe havia ensinado os bons méritos do fermentado de uva. Mas, apesar de Jesus, era Peruca, e, ao invés de pedir que os garçons lhe trouxessem jarros de argila com água, solicitou uns baldes de estanho. E o resultado é que a água se transformou em vinagre.

E Jesus Peruca e sua mãe saíram corridos, a pauladas e pedradas, da festa pelos convidados.

Convencido de que a culpa era da velha, Jesus Peruca se meteu no deserto da “Várzea” por quarenta noites e quarenta dias, a beber cachaça, e lá o Diabo Nandínius Tambôris Andarolas lhe apareceu e ficou lhe tentando a puxar com ele um fuminho daquele estranho cigarro do capeta, com o que Jesus Peruca, teimoso como uma mula divina, não concordou, saindo, entretanto, do deserto, pelado e pulando como um cabrito doido, realmente completamente louco, e convencido de que poderia fazer tudo quanto é milagre, depois dos quarenta dias de puro trago, piorados pelas perguntas idiotas do Diabo Andarolas, que não lhe deixava em paz um minuto sequer e ficava perguntado, sem parar, com voz xaroposa: “Mas escuta aqui, é verdade que tu comeu o cu do sacerdote por deizinhos? Por que não cobrou mais? Por que não quer fumar o meu cigarro? Tem medo de se engasgar com a fumaça ou de ‘viajar’ pro inferno e encontrar o defunto traveco do Zecaius? Posso saber por que tu sempre acorda atrasado, depois que o galo já cantou três vezes, todo dia, no deserto? Como você pode me mandar ao ‘diabo que o carregue’ se eu sou o próprio demônio? Quem vai me carregar, meu senhor?”



O MESSIAS PERUCA



Foi então, na euforia de pretenso santo milagreiro, que Jesus Peruca, encontrou, na saída do deserto, um pobre cego, que não podendo ver a bizarra figura saltitante, acreditou nele e pediu que lhe abrisse a vista. E após imprecar por Deus Peruca, Jesus Peruca gritou histérico: “Meu filho! Se tens fé realmente em mim e não me renegas por que ‘me vês’ assim como estou, estás curado, mas se assim não for não ouças mais nada porque o tinhoso tomou  teu coração!”

E o pobre homem, que não podia enxergar era porra nenhuma (pois era cego de nascença), acabou surdo!

Depois de encontrar um velho de trejeitos estranhos que lhe cedeu um pelego de ovelha usado pra vestir-se (dizem as más línguas porque Jesus Peruca lhe deu uma demonstração do ritual juvenil naquele templo…), Jesus Peruca encontrou um bando de leprosos, uns dez por aí, e, vaidoso de suas habilidades milagreiras, lançou sobre eles suas bençãos para curá-los, e se foi a trote, porque o espírito santo lhe soprou ao ouvido que sua mãe estava tendo um ataque histérico lá na Petraléia, e ameaçava matar-se se o tonto filho de Deus Peruca não voltasse para ela.

Tendo consolado a velha e voltado pelo mesmo caminho, eis que vinha ao seu encontro, rastejando, para lhe “agradecer” – pensou logo o vaidoso Jesus Peruca – um dos dez leprosos.

E o Messias Peruca, todo empertigado, chamou o homem e lhe disse: “Eu sabia que ‘apenas um’ retornaria para agradecer-me! Levanta-te, irmão! Não é necessário rastejar-te aos meus pés, pois foi Deus Peruca que curou-te!”

E o leproso, mordendo-se de raiva para não proferir os piores palavrões, disparou sobre Jesus Peruca: “Só eu retornei, seu filho de uma virgem amante de espírito santo, pois fui o único que sobrevivi! E estou rastejando porque você me deixou paraplégico, seu desgraçado!”

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