A BÍBLIA DO PERUCA: Noé Gugu e os Animais Travecos


Eis que, gerações e gerações após Adão Peruca, os descendentes da cruza do asnífero bocaberta original com a mula eva haviam transformado a Terra num cabaré de quinta categoria, e a própria fauna havia mergulhado na maior putaria!

A orgia era tão grande que sequer a inanimada flora escapava e Deus Peruca já não encontrava mais um único exemplar de mandioca para palitar os dentes, nos passeios vespertinos pelo deserto do Sahara, após o almoço, porque os raros exemplares da raiz que haviam sobrevivido ao consumo exacerbado, muito superior à produção, se encontravam sendo utilizados para outros fins, terrivelmente libidinosos, nas terras dos tataranetos do Caim Peruca, ao sul do Equador e a oriente da cordilheira dos Andes.

Deus Peruca, aliás, andava pendendo de sono e dando esbarrões em galáxias, e criando, aos cósmicos tropeços, buracos-negros a torto e a direito, pois, mesmo se escondendo nos mais remotos rincões do universo, não conseguia dormir, com a barulheira da suruba terrestre, que seguia noite e dia.

Mesmo assim ía aturando a pouca vergonha de sua criação, até que um dia viu vir em sua direção um doido cometa diferente, viscoso e sem rumo, e quase fica cego, levando em pleno divino olho uma esporrada da girafa, que curtia um agitado boquete do macaco.

O supremo Peruca Criador teve então um chilique monstruoso e, desmunhecando furibundo, pôs-se a amaldiçoar a espécie que colocara sobre a Terra para dar um agito na animalada tosca e sem imaginação. O “agito” fora demais e estavam todos perdidos na pior devassidão. Só queriam saber de fuder o dia inteiro, de tudo quanto era jeito e com tudo quanto era bicho, que nem o sapo escapava, porque, para os tarados homens peruca, pouco importava se era fêmea ou macho, o que, evidentemente, não conseguiam distinguir com sua proverbial falta de esperteza. Todos eram uns tremendos cornos e uns baitas duns filhos da puta! Só Noé Gugu, o seu caquético e afetado fiel era casto e obediente às ordens divinas, embora volta e meia se deixasse “possuir” por uns estranhos arroubos de arrogância, tentando, de nariz empinado, num passinho curto e rebolante, e com estranhos requebros de punho, passar por cima da chefia divina, e dar ordens, pra variar estapafúrdias e opressoras, à bicharada.

Assim, não tinha mais jeito! Só afogando aquela putalhada toda, Deus Peruca conseguiria livrar o universo da praga da baderna e da sem-vergonhice, e, finalmente, dormir uns 300 anos, balançando as órbitas celestiais com seus tremendos roncos, sem ser interrompido. E assim, o Grande Peruca dos Céus, chamou Noé Gugu à sua presença e encarregou-o de juntar um casal de cada espécie de animal e colocá-los numa barca blindada, para protegê-los, e mandou mijo adoidado sobre a Terra por quarenta dias, acompanhado de uma forte caganeira, afogando e atolando na merda a geração sacana da humanidade peruca.

Mas o que o Divino e Espevitado Criador não imaginava, na sua ingenuidade eterna, é que o Noé Gugu não fazia sacanagem com as fêmeas humanas ou animais da Terra pelo simples fato de ser puto, e não existir naqueles tenebrosos tempos quem se dispusesse a trepar com um veado velho e chato, com tanta fêmea humana, macaca, cadela, égua ou vaca, ou até mesmo jovens gazelas dando sopa.

E assim quase se perde toda a criação divina destinada a refundar a vida, pois Noé Gugu, fiel aos seus pendores sexuais alternativos, havia juntado na barca dois machos de cada bicho, e só não se extingue para sempre a animalada porque Sem Peruca conseguiu se enfiar clandestino na barca do dilúvio, levando consigo alguns casais heterossexuais de tudo quanto é tipo, e, pego com a boca na botija de sua companheira, subornou Noé Gugu, que levou-o ao quartinho escuro da nau e forçou-o  a fazer o papel passivo, que tanto agradou ao condutor da barca, que até lhe deu dez moedinhas de ouro em recompensa.

Finalmente,  depois que Deus Peruca cessou de se cagar e mijar todo, apacentado da sua reina divina, justamente no paralelo 30 do hemisfério sul, há umas três horas da futura Inglaterra, a barca  encalhou junto a um estranho morro, de nome Itacolomi, de onde Noé Gugu avistou um enorme e colorodíssimo arco-íris, com o qual ficou tão deslumbrado que adotou como símbolo de seu brasão de família. E ali reiniciou a nova humanidade, que, com o passar dos milênios, não só retomaria a putaria, mas a refinaria, agora  com a presença dos temperamentais, violentos e sadomasoquistas Travecos humanos descendentes de Noé Gugu, a quem Deus Peruca, em recompensa à sua devoção, deu o poder de procriar com os machos, do qual o preferido era Sem Peruca, que fundou, mediante a exigência contumaz de dez moedinhas de ouro, a sacanagem profissional no mundo.

Deus Peruca, definitivamente, era um Demiurgo tonto e desastrado!

Ubirajara Passos

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