DEMAGOGIA NATALINA: A festa de Lula com os papeleiros



A hipocrisia e a cara de pau sofisticada do fascismo petista atingiu o auge neste Natal de 2007. Nem o histriônico Fernando Collor (o presidente da República “caçador de marajás” cassado pelo Congresso Nacional em nome da indignação popular e da falsa moral burguesa em 1992, apesar do “duela a quien duela”) seria capaz de tamanha façanha! Conforme amplamente noticiado pela mídia, dom Luís Inácio festejou, pela quinta vez, no último dia 22, compassivo e atencioso, o Natal, acompanhado de vários de seus “piedosos ministros”, com os catadores de rua de São Paulo.

Ainda que o evento tenha sido organizado, como a perfeita pantomima “cidadã” e socialisteira, pelos burocráticos e pelegos Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e Movimento da População de Rua (com o apoio da Pastoral do Povo de Rua, ligada ao PT), o fato é que revela o perfeito do caráter do governo do Inácio, que, como um cão traiçoeiro, morde a mão do dono e rapidamente a lambe, antes que ele se volte e lhe cague a pau.

A farsa seria ridícula, não fosse trágica: o mesmo agente político (administrador dos negócios da burguesia nacional e do imperialismo) responsável pela miséria de multidões de trabalhadores brasileiros, que deixa de aplicar em proveito delas os recursos públicos gerados pelo suor da sofrida peonada, para estufar os bolsos dos agiotas internacionais – pagando anualmente R$ 130 bilhões(!) de dívida externa, é quem humildemente se solidariza com a camada mais faminta e miserável desta multidão, os catadores de lixo, ouvindo-lhe atentamente as reivindicações. E recebendo, feliz da vida, os agradecimentos dos líderes puxa-sacos encarregados de organizá-la (leia-se manipulá-la) para que nem os papeleiros escapem ao enquadramento pelego e fascista do PT, e não possam se auto-constituir politicamente em prol de seus interesses reais de trabalhadores e marchar, com o conjunto da classe dominada, para uma sociedade justa e livre, que não obrigue milhares e milhões a “fuçar lixo”, no sub-emprego insalubre e degradante, para sobreviver.
Ao que parece, o Inácio, de tanto andar com a padralhada pretensamente “vermelha”, incorporou definitivamente a sua vida política o exemplar trecho do Evangelho; “que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita” (Mateus, capítulo 6, versículo 3).

Ubirajara Passos
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PERUCA DERRAPANTE NAS CURVAS DE GLORINHA


Depois da famosa “tourada” de bunda (cuja notícia neste blog lhe rendeu a repreensão do seu colega de cartório mais macho – que estava menos preocupado com a opção sexual do bocaberta do que com o pretenso escândalo público da sua divulgação, que, segundo ele, poderia compremeter a moral do setor…) o Peruca resolveu tomar jeito na vida e, no intuito de se transformar no perfeito machão padrão latino-americano, partiu, aproveitando o sol ardente e escaldante do fim de semana, para uma aventura heterossexual na praia.

Acompanhado do pastor Kadu Macedo, do Franja (mais conhecido por “Gildo Pirâmide”, ou “Pastor Dinastia”) e do “Camarguinho-chama-o-hugo” (o mais novo membro da turma, especializado em movimentos descoordenados, enrolação de língua e decoração orgânico-animal de jardins – show que apresenta, inexoravelmente, após a segunda lata de Skol), o desmiolado e radical estagiário, recém-chegado a Tramandaí, deu com aquela kombi velha a berrar pelas ruas o anúncio da chegada do fantástico Cirque du Chuléil”. E não teve dúvida: não havia lugar melhor para arranjar uma namorada daquelas bem gostosas e taradas, que trepam com o trapezista, fogem com o palhaço e o chifram com o cuspidor de fogo (cuja única desvantagem é chamuscar os pentelhos da checheca no ato de “chupar manga”).

O maior espetáculo da terra andava a mil e a canalha de estagiários, ocupadíssima. Por três vezes Kadu e Franja tiveram de deter o bocaberta à força, que queria invadir o picadeiro para agarrar o “engolidor” de espadas, e o “Camarguinho-chama-o-hugo” teve de ameaçar com seus dotes artísticos para impedi-lo de dançar um funk com a mulher-gorila. Até que, num intervalo, zanzando pelas barraquinhas de “Capeta”, o nosso herói trompou, olhar esbugalhado e a baba a inundar a areia, de tamanho susto, com aquela fantástica beldade!

A “linda donzela” era assistente da “mulher-barbada” (dizem as más línguas que eventual substituta) e atendia pelo mavioso nome de “Schuvaca Horripilis”. A que fazia, ingratamente, jus e, não fosse sua declarada ascendência afro-norueguesa (“papai veio das gélidas montanhas da Escandinávia e mamãe da luxuriante floresta do Congo”, berrava a esganiçada ao ser apresentada à turma), bem poderia ser prima de um gaudério lobisomem.

Bem que tentaram chamar o doido à realidade, mas o Peruca, calejado de tanto se estrepar com as aparências deliciosas das “falsas” mulheres e se azarar a cada decisão sexual politicamente correta, incorporou um burro brabo, resolveu enfrentar aquela cruza do Zé Bonitinho com o King Kong e se jogou de cabeça, pau e boca na “descaração” chucra e relinchante com a devassa selvagem, apelidada pelos colegas do “palco de lona” como “Moby Dick das Coxilhas”.

A “meiga e delicada” criatura (junto da qual era impossível se entediar e era garantia certa de “fortes emoções”), na primeira trepada, quebrou o lastro superior do beliche e projetou-se trailer abaixo, furando o assoalho do veículo e caindo sobre um formigueiro, o Peruca por baixo, a “arder em fogo”… com as picadas das saúvas. Mas se tornara o dodói do abobalhado e nem lhe oferecendo uma rodada de 20 cachorros-quentes de graça seus companheiros conseguiram dissuadi-lo do tórrido romance. Por fim se conformaram: ao menos o qüera estabanado havia novamente se tornado “um homem” e estava honrando a coisa balançante que trazia entre as pernas!

A coisa foi tão séria que o Peruca convenceu sua “alma gêmea” (que, se não relinchava como ele, rugia que era uma maravilha!) a largar o circo e irem viver juntos sob o mesmo teto em Gravataí. E o casal ia risonho estrada a fora, goró na cabeça, a mão esquerda do Peruca no volante, a direita a percorrer as “acentuadas” curvas da “fofinha” amante, quando a intrépida guria resolveu lhe agarrar, com as duas “frágeis” mãozinhas o “câmbio” de couro, e, ao tentar lhe engatar uma “terceira”, o fez saltar no banco e rodopiar o carro nas curvas caprichosas da Glorinha (não a rapariga, mas a bucólica cidade emancipada de Gravataí há dezenove anos, que se situa na “estrada velha da praia”, a oeste da velha Santo Antônio da Patrulha).

Depois de capotar na ribanceira e girar de pata pro ar um meia dúzia de vezes (só se salvando graças ao “air bag” de carne e osso que o acompanhava), o Peruca agora só pilota um par de tênis. Mas jura, com a boca escancarada e sacudindo bravamente a cabeça, pra quem quiser ouvir, que, apesar do prejuízo automobilístico, está muito feliz e tem em casa a maior e mais potente máquina da cidade.

Ubirajara Passos

A REVOLTA DO BUROCRATA FOSSILIZADO


Finalmente havia chegado o dia! O “juízo final ” da salvação laica não era mais mera utopia e gritava, forte e incontrolável, na rua, ameaçando derrubar as portas da repartição mesquinha! E ele, o funcionário torturado por anos de opressão sutil, poderia agora realizar seus sonhos de vingança, guardados, e vigiados, sob a maior paranóia, nos mais obscuros escaninhos de sua alma!

A revolução anarquista (esta mesma que lhe tiraria o emprego de “servidor público”, mas abriria a ele e a toda humanidade a possibilidade do trabalho saudável, livre, prazeroso e espontâneo) havia estourado e se feito vitoriosa! E, ao contrário das outras revoluções, não pretendia estabelecer nenhuma ordem histérica e grandiloqüente, nenhum futuro abstrato e cósmico de grandeza “coletiva” e miséria individual!

Cientes de que é nas pequenas coisas do quotidiano que se criam e engordam as piores opressões, os libertários vitoriosos não pediam o “Paredón” de fuzilamento ou a guilhotina para os altos vigaristas da política e das finanças… apenas!

Agora era possível (e era o maior ato de justiça sobre a face do planeta) esganar, com as mãos trementes de alegria e júbilo, aquele colega “vagabundo” e “incompetente” que, justamente por suas “qualidades”, se fazia o maior puxa-saco e dedo-duro do setor e, em troca do “privilégio” de nada fazer (e dar vazão aos seus instintos nobres de perturbar a vida alheia da gente “ralé”), vivia de delatar os deslizes de “etiqueta e compostura” dos demais ante a chefia!

Agora o peão podia torturar o chefe débil mental, vaidoso, covarde e tecnicamente despreparado (que adorava discursar sobre a moralidade do serviço público, reprimir e empestear a vida de quem possuísse o mínimo de iniciativa e inteligência debaixo do tacão da “autoridade”, e impor a mediocridade submissa – tudo isto com o auxílio do ilustre lambe-cu), lhe cortando pedaço por pedaço, até perder a consciência, e devolvendo, no ato do sacrifício, verbalmente todas as asneiras ouvidas dia por dia, instante por instante, sob os aplausos da multidão em êxtase!

Agora era possível fazer um senhor Gerdau Iohan Peter girar puxando um moinho de cana, como um asno, sem comida nem descanso, até quase desmaiar, para aprender a sensação de ser um operário anônimo, e depois despachá-lo para o inferno, com todas a honras que merece um grande burguês filho da puta!

Se podia, no exercício da justiça revolucionária, punir um Edir Macedo ou um Sílvio Santos da vida, através da ingestão de rios de chá de cogumelo, para vê-los bradar e rir imbecilmente, até a morte, sem ninguém pra assistir, pela ignorância e automatização mental impostos a milhões durante a vida!

Se podia mesmo trepar enlouquecidamente, com aquela gata pirada e desbocada, em praça pública (que, para horror dos puritanos do templo do consumo, possuía algumas estrias) e sob os aplausos da humanidade enfim liberta! E ver estrelas e constelações na língua de veludo da cretina, no simples toque dos seus lábios… a lhe lamber o rosto, desvairada, gostosa e radical!…

E acordar com o gato sobre a cama, miando, enjoado, ao seu ouvido (afinal era um tudo um pobre sonho)! O frio relógio, burocrata e chato, mudo e sem tic-tac (leão de chácara fiel do tempo, filho da eletrônica descarnalizada e absolutamente “pura”) a registrar 10 horas da manhã e lhe gritar: “Vai trabalhar, peão, que esta é a tua vida! Aquele maço de processos te aguarda e nenhuma emoção legítima até o fim do dia!”

(em homenagem à minha amiga Simone Nejar)

Ubirajara Passos

O QUE É SER ANTI-PETISTA


Nos velhos tempos (antes da atual democracia formal inaugurada no Brasil em 1988) ser anti-comunista não significava apenas assumir uma posição contrária aos totalitarismos estalinistas, soviético-revisionistas ou maoístas, mas era uma postura intrinsecamente vinculada ao pior conservadorismo elitista, colonialista e autoritário.

O anti-comunista era aquele sujeito para o qual o mundo deveria estar estruturado na base da hierarquia moralista e patriarcal mais tradicional e reacionária possível. Seu pensamento era a típica defesa da pretensa racionalidade natural e ortodoxa da escravidão assalariada (o capitalismo) e da necessidade e legitimidade absoluta da existência de patrões, chefes, pais todo-poderosos, autoridades severas e incontestáveis a que cabiam tutelar a humanidade “pecadora”, corrompida, irracional e “sem princípios”. O anti-comunista típico, quando não assumia escancaradamente a defesa dos privilégios da classe burguesa e do imperialismo, era, portanto, um direitoso que batia na “devassidão vermelha”, apelando para a ladainha chorosa e severa dos valores da família patriarcal e cristã!

Hoje em dia, porém, ser anti-petista não implica, nem um pouco, em detestar e censurar descabeladamente o socialismo, a sociedade sem classes e a liberdade igualitária entre as criaturas humanas. Ainda que alguns adversários ideológicos legítimos (não a oposição burguesa dos PSDBs e PFLs da vida) do PT babem de fúria contra um partido que ainda supõem legítimo herdeiro da tradição comunista (e a própria turma do Lula continue a se apresentar como defensora do socialismo e da “possibilidade de um outro mundo” diferente do capitalismo), a pura verdade é que ser anti-petista é ser anti-fascista e a favor da dignidade humana, da vida e da saúde da grande maioria dos brasileiros!

O Lula dos alemães

Lula e seus seguidores fascistas

Ser anti-petista é ser contrário a um grupo político que chegou ao poder nas asas da esperança popular, vendendo a ingênua e casta moralidade política, para depois, não apenas enlamear os alvíssimos e infantis lençóis da honestidade pública, na primeira oportunidade (instituindo os mensalões para comprar o voto dos próprios partidos burgueses em favor dos projetos de interesse da burguesia), mas assumir os projetos neo-liberais e privativistas do capital nacional e internacional (como as reformas previdenciária, trabalhista, sindical e o leilão da floresta amazônica aos grupos estrangeiros e a ocupação militar do Haiti).

Ser anti-petista é combater um governo que se elegeu defendendo hipocritamente os interesses dos trabalhadores e a utopia socialista e, além de se preparar para revogar os últimos direitos legais da peonada, vem mantendo o salário mínimo em valores de fome canina. E não revogou uma só das privatizações de empresas estatais realizadas nos governos direitistas que o antecederam (como a da Vale do Rio Doce), mas, bem diversamente da ideologia que pretendia representar, não tocou um só dedo nos privilégios do capital financeiro brasileiro e multinacional, não nacionalizou um único banco, mas antes protege a farta os lucros dos agiotas legalizados no Banco Central, que sugam o sangue do trabalho exaustivo da maioria, e faz questão de desviar para o pagamento da “dívida externa” os recursos que deveriam estar a serviço da massa da população. Além, é claro, de manter a reforma agrária real e efetiva no plano das intenções e dos assentamentos precários (como os demais governos burgueses), para tranqüilidade dos latifundiários, e sequer pronunciar a palavra “reforma urbana”, para não irritar os grandes especuladores imobiliários.

Ser anti-petista é combater a demagogia totalitária de um grupo político que, uma vez no poder, converte as camadas miserabilizadas da nação ao subjugamento e dependência do pior asssitencialismo eleitoreiro, digno de prefeitinho analfabeto do sertão nordestino, através da doação (com recursos públicos públicos que são nada mais que o resultado do suado trabalho da peonada) dos bolsas-família, e dos programas fome-zero da vida, para não ter de tocar nos privilégios da classe dominante e garantir ao povão emprego, salário, moradia, ensino e condições de trabalho dignos de genteA verve .A verve do

 

 

 

 

 

Ser anti-petista é denunciar e detestar, com todas as forças, um regime que, sob o pretexto da conscientização e libertação do povo, mergulha os trabalhadores na ignorância “engajada”, que empurra boca abaixo dos pobres e miseráveis brasileiros uma visão e um discurso estereotipado da pretensa democracia “cidadã” e participativa e de um coletivismo moralista, abstrato e distante, que se concretizam nas manipulações e no curral político dos “orçamentos participativos” – em que a infiltração dos agentes do governo petista local e as clássicas manobras da mesa diretora da assembléia convertem tudo numa triste pantomima, onde os participantes aprovam o que é de interesse do grupo que detém o poder formal e ainda o apóiam, agradecidos.

Ser anti-petista é contestar a entrega do Brasil à mais reacionária regressão feudal, que, apelando para os instintos e condicionamentos seculares de obediência pura e simples, e subjugação voluntária da maioria do nosso povo aos governantes e “homens de bem” (as elites econômicas e políticas exploradoras, opressoras e privilegiadas de cada vilinha, das metrópoles e do país), enverniza o comportamento conformado da grande maioria de uma falsa defesa dos interesses dos trabalhadores, do “bem-estar” e da “harmonia social”, a fim de manter os privilégios das elites a salvo e impedir qualquer dissonância revolucionária no cenário político nacional.

Ser anti-petista é combater uma demagogia perigosa e fatal, uma manipulação requintada e estudada, digna dos mais envolventes vigaristas das igrejas universais da vida, e que, a custa dos mais caros direitos e interesses da liberdade e da dignidade humana (de viver, trabalhar, amar e criar numa sociedade justa, sem opressão ou miséria) alimenta o luxo sádico de altos milionários internacionais e seus capachos brasileiros mediante a massificação “socialisteira” e “popularesca” das nossas mentes. Uma lavagem cerebral que substitui a verdadeira revolução socialista, filha do questionamento livre e consciente, do destemor e da independência de ação e pensamento, do inconformismo, da irreverência e originalidade criativa, da espontaneidade e simplicidade emocional, pelo simulacro infeliz e cartilhesco do “fascismo vermelho”, pela pantomima inofensiva dos discursos e das “marchas” e “gritos” inóquos.

Franco e a

A falange petista

 

 

 

 

Ser anti-petista é, antes de tudo, contestar o pretenso esquerdismo do dito “Partido dos Trabalhadores” e trazer à tona a identidade entre os métodos e interesses políticos da turma do Inácio e os velhos fascistas da primeira metade do século passado, que, como o sanguinário ditador espanhol Francisco Franco, adotavam as cores socialistas em seus uniformes e bandeiras, se apropriavam dos rituais e formas de organização dos partidos marxistas, da sua cultura (no sentido antropológico) política e filosófica típica, para parir o rebanho dos auto-flageladores!

Qualquer semelhança com o altruísmo destrutivo e o messianismo apocalíptico de algo chamado cristianismo carismático ou pseudo-islamismo fundamentalista não é mera coincidência…

Ubirajara Passos

POLÍTICA COM PALAVRÃO


Só iniciei este blog (há mais de um ano e meio) graças ao alemão Valdir, que não parou de me encher o saco até vê-lo no ar. E o que parecia destinado a ser um repositário bissexto das minhas raras inspirações – e, por muito tempo, foi o veículo de publicação da minha literatura inédita – tem se convertido, nos últimos meses, em 90% da minha atividade literária. Há um ano o blog servia para publicar o que escrevera pela vida, agora escrevo em vistas dele, quase sempre.

Mas o velho revolucionário tem me reclamado, indignado, já há mais de um mês que a freqüência, ultimamente, de textos envolvendo putaria e palavrões pode acabar comprometendo o caráter do site e me transformando numa espécie de xupaxota sem as fotos e os vídeos de mulher pelada. Eu deveria me dedicar a coisa mais séria e escrever sobre política! Como levo muito a sério o meu velho companheiro de Grupo 30 de Novembro (que, como eu, tem o privilégio de ser DDA e bi-polar), fiquei preocupadíssimo, até porque a minha depressão crônica, e a mesmice do cenário, não tem me permitido grandes vôos políticos literários.

Mas, depois de semanas de atroz obsessão, finalmente, neste início de madrugada, o Diabo veio me gritar o insight: é simplesmente impossível, ao menos no Brasil, atender ao desejo do meu velho camarada e escrever sobre política sem usar palavrões! Pois, antes de mais nada, a putaria inocente das casas de swing (como o “Sofazão”, de propriedade de um padre, em Porto Alegre) é coisa de moleque se comparada à orgia dos mensalões, à suruba financeira e ao bacanal ideológico onde todo mundo come todo mundo, mas o gozo é generalizado e irmana todos os partidos nas duplas, triplas e múltiplas penetrações no privilégio dos cargos e salários sem trabalho da administração federal, em que a esquerda e a direita formal se embolam tanto que não há como saber de quem é o cotovelo de um ou o cu do outro, de tão misturados!

Mas antes que algum leitor apavorado me acuse da heresia de comparar o deleite do prazer sexual (legítimo e paradisíaco) com a pouca vergonha oficial, vou esclarecendo: a pornografia lulista nada possui em comum com uma saudável pornochanchada ou um gaiato filme de sexo explícito que não siga o modelo americano. Mas é sacanagem pesada e sado-masoquista.

Pois, queiramos ou não, vivemos, nós a grande maioria dos brasileiros, uma vida de puta pobre, daquelas que apanham do cliente cretino em troca de uns míseros cobres e depois têm de entregá-los, abaixo de porrada, para o cafetão safado.

Qualquer um que viva do trabalho, neste país, toma no cu sem cuspe todo dia, numa vidinha de pouco salário, muito trabalho e rotina desumana, autoritária e imbecilizante! E no fim do mês, na hora de pagar as contas, ainda tem de se ajoelhar à agiotagem dos cheques especiais e cartões de crédito (os que ainda tem alguma renda que o permita) e pagar aquele boquetão, com direito a uns tapas nas orelhas, para banqueiros e financeiras falcatruas.

O pior, porém, ainda está por vir: o Inácio (aquele que perdeu o dedo no traseiro do Brasil) está se preparando com toneladas de Viagra, e já providenciou um cirurgião especializado em aumento peniano, digno do renome do doutor Bayard, para nos enfiar sem a menor dó, e com molho de pimenta, um caralho quilométrico chamado “Reforma Sindical, Trabalhista e Previdenciária”. E mesmo assim ainda há deputadinhos pretensamente vermelhos e sindicalistas pelegos (como a turma da CUT e da Força Sindical) gritando aos quatro ventos que o bicho é pinto e recomendando rebolar gostoso, com a bunda alheia é claro, que a deles só entope de propina e privilégio!

E aí, dá pra falar de política sem putaria?

Ubirajara Passos