Hora muda


Poeminha casmurro e triste que acabo de escrever, após o final do expediente:

Hora muda

Fim de tarde modorrento e insano.
Na opressão morna do ar parado
Pairam, mudos, filhotes mal formados
De pensamentos,
Flutuam gemidos

De angústia proferidos em tom surdo
De obsedantes mexericos velhos.

Junto à janela, o meu olhar percorre
A palidez suspensa da hora e pede
Ao rosa desbotado do horizonte
Um gole de vermute que o console.

Mas, muda e inerte, a tela se enegrece
E oferece-me um bordô pesado,
Me convidando a um denso e insano sono.

Gravataí, 11 de outubro de 2011

Ubirajara Passos