A todos trabalhadores de salário miserável e quotidiano submisso sob as patas da elite mais infrutífera e sádica do planeta que comemoraram a condenação de Lula no TRF-4:


Muito embora o réu não seja nenhum santo, muito menos um mártir da causa popular (que ajudou a acomodar e reprimir quando estava no poder),  a manutenção e majoração de sua pena não representam a redenção da “moralidade pública”, nem a derrota das esperanças do povo no caminho de uma eventual futura eleição, mas a realização dos sonhos da sanha autoritária de uma quadrilha tão ou mais corrupta que afastou Dilma e quer sepultar Lula para implantar no Brasil o restabelecimento prático da escravidão e a extinção da aposentadoria, para tranquilidade do capital estrangeiro!

Querem garantir que a eleição presidencial seja mais mambembe do que seria com a participação do assistencialismo petista (retrógrado socialmente, mais ainda assim melhor que Temmer), bem como o aprofundamento da retirada das últimas garantias sociais perpetrada pelo governicho pós-golpe paraguaio de 2016.

O único caminho que resta, mais do que nunca , à massa trabalhadora é ir além da dicotomia pt/governo golpista, fazer a revolução, se apropriar do poder, dos meios de produção e do próprio destino e mandar burgueses, poderosos e demagogos de todo tipo à puta que pariu!

(publicado no facebook  na quarta-feira, 24 de janeiro de 2018, à noite)

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“Surubinha de leve” apenas explicita o sadismo do funk em geral


Ao contrário do estardalhaço politicamente correto (entenda-se vigilância infantiloide e totalitária) que levou à retirada do catálogo do Spotfy, o exame completo da letra do estrondoso sucesso do fanqueiro Diguinho permite concluir que a música não faz a menor apologia ao estupro, nem  à prática criminosa alguma.

Se ao invés de se deter no desaventurado refrão (Taca a bebida/Depois taca a pica/E abandona na rua), prestar-se a devida atenção ao contexto das demais estrofes (Pode vim sem dinheiro/Mas traz uma piranha, aí!/Brota e convoca as puta), o máximo que se poderá constatar, é uma incitação ao estelionato (a gurizada vai convocar as profissionais do amor para uma festinha, gozar do seu serviço e depois mandá-las port’afora, com um ponta-pé na bunda, e nenhum mísero tostão de pagamento), ou quando muito à celebração da prática da zoofilia com vorazes peixes carnívoros!

O texto da estrofe intercalada entre a convocação e o desenlace da orgia (Mais tarde tem fervo/Hoje vai rolar suruba/Só uma surubinha de leve/Surubinha de leve/Com essas filha da puta) deixa bem claro tratar-se de uma suruba destas que muito velhote metido a playboy detentor de mandato parlamentar costuma fazer em Brasília, na qual as meninas participarão espontaneamente, bebendo e gozando dos prazeres carnais previstos, sem receber, entretanto (e aí é que repousa a malícia da gurizada da favela carioca) a devida retribuição monetária. 

Conforme matéria de O Globo recentemente publicada, duas advogadas especialistas na matéria criminal invocada teriam afirmado categoricamente que seria necessário bem mais do que as meras alusões a trago, sexo e abandono para caracterizar o estupro, que consiste na prática forçada de sexo, mediante violência ou grave ameaça, e não fica expresso que o ato de “tacar a bebida” consistiria em fazer a mulherada ficar inconsciente para usufruir de seu corpo.

Polêmicas a parte, a verdade pura e simples é que 99% das letras de funk no Brasil primam, desde o boom inicial do ritmo, no início dos anos 2000, com a banda Bonde do Tigrão, pelo mais medíocre sadismo (vide os versos de Prisioneira,  onde a gata é advertida  que seus únicos direitos são os de “sentar, de quicar, de rebolar”, e, fora isto, o “de ficar caladinha”) abordando as relações sexuais (diferentemente da velha sacanagem bem-humorada e gaiata, de duplo ou mais ou menos explícito sentido, das marchinhas clássicas, como “A Perereca da Vizinha”) sob a ótica do machão prepotente,  que vê e usa a mulher como uma simples coisa, a moda do barranqueador de égua que submete a fêmea no ato  maneando-lhe as patas (quem for dos pagos sulinos entenderá perfeitamente do que estou falando).

E é muito admirável, de causar arrepios nos pentelhos, mesmo, ter sido necessário uma peça tão explícita para, após duas boas décadas de exaltação glamourizadora e massificada (a ponto de se tocar impune e entusiasticamente nas mais comezinhas festas infantis de aniversário, até mesmo nas mais pudicas casas de família) do imaginário musical erótico mais sem graça, misógino e machista,  alguém se dar conta e trazer a baila (ainda que de forma equivocada) a essência ideológica do funk brasileiro, onde a mulher é vista como coisa, nada mais que um objeto de prazer, sem direito necessário a ele.

Mas daí a se partir para a censura, com a proibição ou retirada da canção (e suas congêneres), entretanto, é se banhar nas mesmas águas da peste emocional que, da impotência orgástica (resultado do prazer reprimido por séculos de patriarcalismo ainda vigente, sob o disfarce da liberação dos costumes) à consequente intolerância moralista e totalitária tipicamente fascista, pretende controlar nossos mínimos gestos, privados ou em público, sob os auspícios da falsa moral disciplinadora, robotizante e anti-prazer da pior espécie (digna das velhas beatas rançosas, reeditadas sob a forma de histéricos e alvoroçados rapazes do MBL) ou do aparentemente inocente e comportado discurso politicamente correto de uma infeliz esquerda cor de rosa e tributária do Estado burguês. Tudo para garantir que continuemos a marchar dentro das bitolas e não desviemos por um segundo o olhar para os lados, o que pode acarretar a derrocada da escravidão assalariada e o fim dos privilégios dos amos que nos submetem a uma vida de cachorro, devidamente regrada pela ética da obediência cega e o pretexto  do bom senso.

Todo este ímpeto em demonizar, e proibir a expressão, o que é mais grave, tudo quanto possa escapar aos ditames  ingênuos típicos do Joãozinho do Passo Certo, logo no início de um ano de eleições presidenciais, que serão pautadas pela disputa espúria e entusiasmada entre os representantes mambembes aparentemente inofensivos da extrema direita raivosa rediviva (leia-se Jair Bolsonaro) e os apóstolos de uma esquerda cor-de-rosa defensora de uma ética distorcida e policialesca pretensamente defensora das minorias oprimidas, é no mínimo preocupante, para não dizer apavorante.

Ubirajara Passos

 

 

Pacotaço de Sartori: por que não aconteceu a greve geral do funcionalismo gaúcho e o que lhe resta fazer diante da sanha privativista e anti-trabalhador dos governos estadual e federal


Diante do questionamento de combativos companheiros servidores do judiciário gaúcho sobre a razão que impediu o funcionalismo do Rio Grande do Sul de deflagar a greve geral contra o pacotaço privativista (com absurdos como a venda da Sulgás, da Cia. Riograndense de Mineração e da CEEE, extinção da Cientec, da Fundação Zoobotânica e da fundação Piratini, que mantém a TVE e a Fm Cultura) e anti-servidor do governador Sartori, votado na correria e sob forte repressão miltar às manifestações de protesto na praça da matriz, publicamos, a guisa de resposta, as seguintes reflexões no grupo de facebook “Greve no Judiciário Gaúcho”:

Nem medo, nem falta de união, mas simplesmente peleguismo puro de lideranças sindicais burocratizadas e incapazes de comandar a rebeldia necessária. Discursos infantis e desgastados como o da direção do Cpers, que tratava o apocalipse do serviço público como um mero “pacote de maldades” (algo como uma “birrinha pueril do governador) e não como uma política coerentemente pensada (embora radicalmente absurda) e determinada de enxugamento e desmonte do serviço público, e entrega de setores estratégicos ao capita privado, deixam clara uma inércia abobalhada diante da hecatombe que está nos reduzindo a todos à condição de escravos sem nenhum direito, atê mesmo à representação sindical! (vide o fim de triênios, adicionais, licença-prêmio e licença remunerada para cumprimento do mandato sindical), na liquidação do estoque e patrimônio da lojinha falida do budegueiro gringo (tal é a natureza das “medidas de gestão” de Don Sartori).

No Sindjus não se deve nem falar, visto que dirigido por agentes expressos e teleguiados do patrão.

A imagem pode conter: 1 pessoa, multidão, árvore e atividades ao ar livrefoto: Inezita Cunha
fotos: Inezita Cunha
A heróica resistência das manifestações durante a votação propositalmente de inopino, feita a ferro e fogo e garantida pela repressão militar truculenta, é o derradeiro ato desesperado, e absurdamente insuficiente, que mesmo que contasse com a presença de dezena milhares de servidores não surtiria o efeito necessário que somente poderia advir da greve geral por tempo indeterminado.

No já longínquo ano de 1987, atitudes bem menos drásticas do governador peemedebista Pedro Simon foram exemplarmente rechaçadas e detidas por uma greve sem precedentes, liderada por sindicatos com brios.

Naquela época os servidores da justiça fizeram sua primeira grande greve sob a liderança, recém eleita então, do Paulo Olímpio da ASJ (!), que nem o Sindjus então existia!

É inacreditável a domesticação a que chegamos nestes trinta anos, que é extremamente perigosa quando ocorre simultaneamente ao avanço raivoso e impiedoso do fascismo privativista e predatório que comanda o país desde Brasília.

As “reformas” de Sartori e Temer não coincidem com a lógica da liquidação de lojinha falida por acaso, nem são mero reflexo da índole partidárias de tais governos, casualmente peemedebistas.


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fotos: Inezita Cunha

Elas servem concretamente aos interesses do capital financeiro internacional, cuja sanha cada vez maior se garante pela implantação de ditaduras informais, escudadas numa legalidade aparente e no mais furibundo e falso moralismo fascista.

E para implantá-las nada melhor que governos fantoches dirigidos pela velha lógica feudal, entreguista e subserviente das aristocracias latino-americanas. As mesmas que apearam Perón e Jango do poder, “suicidaram” Getúlio e Allende e assassinaram Che Guevarapara que a burguesia americana pudesse continuar sugando cada vez mais o produto do sacrifício diário dos trabalhadores do continente.

Contra este massacre econômico e social deliberado, que nos chicoteia o lombo e nos tritura o corpo até o tutano, não resta, tanto para servidores públicos quanto para o povo trabalhador brasileiro em geral, outra saída que a única e derradeira resposta plausível ao encurralamento irresistível em que estamos sendo jogados. E ela não é somente a resistência pela greve geral, mas a derrubada, a pau e pedra de tais governos ilegítimos.

Estão nos retirando até o último direito e nos conduzindo à miséria definitiva. Logo não teremos mais nada a perder. E aí, quem sabe, ganharemos o ímpeto para virar a mesa e mandar esta ordem social e econômica, e todos seus beneficiários, inclusive os mandaletes corruptos travestidos de defensores democratas da moralidade, ao lugar que merecem (que não é exatamente o colo de suas genitoras)!

Ubirajara Passos


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foto: Inezita Cunha

Sapiência bêbada


SABEDORIA ETÍLICA

Eu vinha retornando do almoço, ante-ontem no início da tarde, quando me deparei, na vitrine de uma dessas lojas de 1 e 99, com estes três fantásticos copos (popularmente conhecidos como martelinho e destinados ao consumo precípuo de destilados dos mais diversos tipos, da canha azul de alambique de Santo Antônio da Patrulha ao absinto importado de França), que, se reforçaram a minha velha noção de que é neles que se encontra a derradeira e profunda verdade, contrariam o que já afirmei em poema neste blog publicado, pois, no caso específico, esta se encontra na lateral e não no fundo do frasco.

Seja como for, porém, sempre soube, por experiência (própria ou alheia), que a natureza das revelações alcoólicas, por mais profunda e inusitada que fosse, não alcançava definições tão óbvias e triviais, embora aparentemente cósmicas e essenciais, como esta:

sabedoria-etíliica

“Quem não bebe não vê o mundo girar”

Pode parecer pueril, mas é simplesmente revolucionária esta constatação da absurda e inexplicável incapacidade de 99,999999999% de nossa espécie (exceto o autor da veneranda sentença é claro) em se dar conta, no uso pleno e  sóbrio dos cinco sentidos do corpo humano, do movimento contínuo, autônomo e eterno desferido no espaço pelo  planeta que se encontra sob os nossos pés. Ao ler a frase me senti exatamente como se tivesse recebido um banho gelado nas fuças, arremessado do décimo terceiro andar ou, levado aquele tabefe de torcer a cara que só as mais furiosas viragos são capazes de aplicar!

Afinal, é bem verdade que Galileu quase foi assado, e Giordano Bruno virou carvão, no churrasquinho disciplinar da Santa Inquisição, por trazer a público a realidade do giro planetário, então tido por absoluta heresia pela Santa Madre Igreja Católica. Mas ninguém, ao menos em estado comum de consciência, jamais experimentou esta verdade científica senão por vias indiretas.

E se muito boêmio folgazão ou corno deprimido, desde os tempos das cavernas, presenciou, durante o transe próprio da possessão de Baco, alguma espécie de giro das coisas ao seu redor, simplesmente supôs tratar-se de um fenômeno exclusivamente epicêntrico, assim como se acreditava até o século XVI que eram os astros e o sol que giravam em torno da Terra.

Não é para qualquer um, portanto, um insight deste peso e, depois de bater de frente com ele, confesso que me sinto completamente deslocado e desolado por não poder permanecer incessantemente em plena consciência do que se passa logo abaixo dos meus pés, em sincronicidade com a terra mãe, a cada instante lento e inglório desta nossa malograda existência. Não tenho mais coragem, especialmente depois de ter casado, mas recomendo aos leitores mais audazes: não se deixem mais enganar, nem viver condicionados na hipnose diária que nos despeja a mídia e se façam senhores da própria consciência entornando o suficiente todo o santo dia para que possam, em pleno domínio dos fatos ao redor, ver literalmente a Terra girar!

Verdadeiro lugar-comum, incorporado mesmo à lengalenga xaroposa e repetitiva do mais reles (e talvez, por isto mesmo, iluminado) mendigo (ainda que, pelo menos na visão de Sartre e seus companheiros de filosofia, não possua exatamente todo este caráter de axioma), o cogito cartesiano (Penso, logo existo), pelo que eu conhecia até o momento, jamais havia sido exposto assim:

sabedoria-etíllica

“Penso logo… pego mais uma”

Haverá, evidentemente, os “eruditos” burros e arrogantes, da pior burrice, aquela digna de português de piada, incapaz de apreciar as sutilezas irônicas de um texto, que não acharão a menor graça e ainda, se der corda, me esgotarão até a última gota de paciência na tentativa de me demonstrar não só a falsidade, mas a completa incorreção, por falta de concatenação lógica entre premissa e conclusão, deste raciocínio.

Mas a pragmática sentença espelha efetivamente a mais pura, elementar e inquestionável verdade imediata, digna de um koan zen-budista destes que nos transportam a um insight profundo intuitivo e imediato – que poderia certamente figurar entre os ensinamentos do grande mestre butanês Drukpa Kunley 

E está aí para nos inspirar a não perder tempo e tratar de mandar ao diabo, de cara,  com um belo talagaço de canha, os efeitos emocionais e físicos dos infelicitantes incômodos de todo dia que que povoam a vida da grande maioria da espécie humana, composta de peões fudidos no trabalho extenuante e jamais recompensado, como nós.

Especialmente nestes dias ansiosos e acelerados de internet onipresente nos mais comezinhos celulares,  a nos importunar, a todo momento, com as informações mais relevantes e reveladoras possíveis, nos “status” de facebook, atualizados seiscentas vezes por dia, e em que nossos caros “amigos” nos dão conta de coisas surpreendentes e inusitadas como o fato de que estão cagando ou se sentindo entediados e infelizes (sabendo-se de antemão, quem os conhece de perto, serem funcionários públicos gaúchos atingidos pelo pagamento de salário parcelado e reduzido a R$ 600,00 pelo governador Ivo-viu-a-uva Sartori, por exemplo). 

Até porque, como dizia, o velho herói dos áureos tempos de Hollywood (anos 1940 e 1950), Humphrey Bogart, e nunca é demais repetir: “o grande problema da humanidade é que está sempre uma dose aquém do necessário”!

Ubirajara Passos

Por uma Gravataí para os trabalhadores!


Às vésperas da eleição se enfrentam na cidade gaúcha de Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre, no topo das preferências de votação duas tradições políticas formalmente identificadas, nos últimos 50 anos, com a defesa dos interesses e necessidades concretas do povão trabalhador, que constitui a grande multidão da cidade desde que esta iniciou seu processo de industrialização e acelerado desenvolvimento econômico na década de 1960.

Ambas as forças, casualmente, se constituíram no poder municipal como representantes da “ralé” inconformada frente aos desmandos e à modorra do coronelismo arraigado há décadas, em momentos fundamentais da transformação econômica (o início da industrialização, com fábricas como a Icotron, no princípio da década de 1960 e a instalação da filial da General Motors, no final dos anos 1990), sucedendo-se uma à outra como representante da oposição radical renovadora e ambas, após décadas de permanência na Prefeitura, transformaram-se no retrato modernizado da tradição coronelista e conservadora hegemônica anterior, traindo os ideais inicialmente professados e enfronhando-se até o âmago nas práticas clientelistas e subservientes aos interesses dos monopólio empresariais locais, além de transformar o município num puro instrumento de realização dos interesses pessoais mais mesquinhos de apaniguados e cabos eleitorais de seus grupos.

Tanto o PMDB de Marco Alba  – surgido como ícone da oposição ao regime militar e da defesa do povinho do município a partir da eleição de Dorival de Oliveira, ainda pelo PTB popular e revolucionário pré golpe de 1964, sucessivamente como vereador (1959) prefeito (1963 e 1972) e deputado estadual (1982), ao qual sucedeu-se uma verdadeira dinastia do partido (interrompida somente em 1988 pela eleição de José Mota, do PDT) até a derrota de Edir Oliveira (já no PTB, mas egresso do PMDB e sobrinho de Dorival) por Daniel Bordignon (professor estadual e sindicalista do CPERS), quanto o PT deste último (reeleito em 2000 e sucedido por dois outros candidatos do partido, o último deposto por impeachment no ano passado) padeceram do mesmo mal histórico.

Ambos representaram a esperança e a renovação popular e ambos acabaram por transmutar-se no oposto do que representavam, caindo nos mesmos velhos ranços elitistas, oportunistas e coronelistas.

O interessante, e sincronístico, é que estas duas brutais decepções políticas desta cidade nascida a partir do aldeamento de índios guaranis trazidos à força dos 7 povos das Missões, no Noroeste do Rio Grande do Sul (onde viviam num verdadeiro regime de socialismo teocrático), em meados do século XVIII, surgiram como oportunidades históricas de mudança radical, infelizmente frustrada, justamente em momentos em que jamais se poderia supor que a hegemonia vigente de coronelões e demagogos assistencialistas (sucessivamente) pudesse ser batida por uma oposição vinda da camada popular, sem maiores brilhos políticos midiáticos e praticamente inexpressiva na ordem anterior. Este foi o caso exatamente da primeira eleição de Dorival de Oliveira, às vésperas do golpe de 1964, como prefeito, derrotando o domínio incontestado e arraigado há décadas das raposas locais do PSD, ligados ao latifúndio improdutivo e anti-industrialista e de Daniel Bordignon frente ao clientelismo assistencialista e oportunista da constelação hegemônica constituída por MDB/PMDB e família Oliveira,  que governou quase continuamente Gravataí desde 1964, na eleição de 1996.

Pois bem, nestas eleições de 2012, quando ambas tradições se enfrentam novamente, para, fatalmente, dar continuidade a uma política de privilégios e desfaçatez para com as necessidades da maioria dos gravataienses, abre-se, novamente, diante do expressivo volume de eleitores indecisos divulgados, ainda, na última pesquisa, e diante da consciência do povo deste município, uma oportunidade, agora concreta e diferente, de renovação e alteração definitiva deste estado de coisas. Constituída justamente na candidatura, tida por inexpressiva pela mídia vigente, do companheiro Sadao Makino, do PSTU.

Sadao, descendente de imigrantes japoneses estabelecidos com seu trabalho sofrido e produtivo há décadas em Gravataí, residente aqui desde seus dois anos de idade, é a própria cara da massa de gravataienses de nossos dias, constituído por filhos das mais diversas etnias e regiões do Rio Grande do Sul, e mesmo do Brasil, experimentada e forjada na batalha inglória de todo dia pela sobrevivência, sem jamais baixar a cabeça às dificuldades e à arrogância dos donos da cidade, que teima em seguir, e se constituir numa das maiores economias do Estado (como resultado do trabalho não recompensado de seus milhares de trabalhadores), apesar das sanguessugas políticas que se revezam de há muito no Executivo Municipal.

À esquerda Sadao, ao centro, junto à coluna, Ubirajara Passos e Régis Pavani

Eu (que casualmente sou primo em segundo grau de Dorival de Oliveira, cuja casa frequentei na infância, e fui apresentado, jovem brizolista radical e agitado, aos 17 anos, a Daniel Bordignon, então padrinho , na festa de casamento de uma prima minha de terceiro grau, em 1983), conheço Sadao há uma década, como colega de judiciário e como militante sindical (de um grupo de oposição concorrente ao meu) no Sindjus-RS. E posso afirmar, com toda a espontaneidade e falta de discrição que tenho que o japonês Sadao é muito mais do que o personagem aparentemente taciturno, calmo e sem espetacularismos, aparentemente “apagado” diante das estrelas fulgurantes da demagogia assistencialista e mensaleira que dominam a política gravataiense.

Do alto de sua atitude comedida, Sadao é o sujeito mais sério, coerente, persistente, paciente e dedicado, de uma fidelidade a toda a prova, à causa dos trabalhadores seus irmãos, com um sentido de inabalável e imenso de justiça coletiva.

E, desligado do PDT que estou (ainda que não desfiliado formalmente), desde a aliança espúria com o governo do PT no Planalto em 2007, inclinava-me, como bom anarquista, a sequer voto neste ano, mas diante da candidatura do companheiro Sadao me entusiasmei e deixo consignado meu veemente e inédito (pois praticamente nunca me manifestei neste blog sobre a política de Gravataí)  apelo aos meus conterrâneos.

Se o companheiro trabalhador gravataiense que me lê quer uma Prefeitura que rompa com o monopólio do transporte coletivo que sangra nossos bolsos com a passagem mais cara do Estado, enquanto os fofos sócios da Sogil estouram seus lotados bolsos com o nosso suado dinheiro; se quer um Executivo Municipal que utilize os recursos de um dos mais ricos municípios em arrecadação do Rio Grande do Sul em prol do bem estar de seus trabalhadores, devolvendo, através de serviços públicos amplos e de qualidade para a maioria explorada as riquezas que esta gera com seu suor e acabam sendo apropriadas pela meia dúzia de empresários locais e lacaios de multinacionais; se realmente quer ver seus filhos terem direito a uma educação escolar universal, conscientizadora e de qualidade, a um serviço de saúde digno de quem gera a enorme arrecadação tributária do município, através de seu trabalho, não tenha dúvida! Esqueça os velhos lobos em forma de cordeiro que exploram um fantasioso discurso popular, assistencialista e pretensamente socialista, há mais de 50 anos, e vote no companheiro Sadao Makino, nº 16!

Ubirajara Passos

O discurso de Brizola no comício da Central do Brasil (13 de março de 1964)


Sexta-feira, 13 de março de 1964. Um ano, dois meses e 10 dias após o plebiscito que garantiu a devolução de seus plenos poderes como chefe de governo, o Presidente da República João Goulart, finalmente se convence de que a conciliação com os partidos da direita “progressista” (especialmente o PSD de Juscelino e Tancredo, com que o PTB mantinha aliança desde a morte de Getúlio Vargas) se tornara incompatível com o nacionalismo e a defesa dos interesses dos trabalhadores. E toma  definitivamentre o lado das forças populares e anti-imperialistas, assinando, no maior comício da história do Brasil, até então, junto à Estação Ferroviária Central do Brasil, os atos legais que regulamentavam a remessa de lucros das empresas multinacionais ao estrangeiro, desapropriavam as refinarias privadas de petróleo e desapropriavam os latifúndios situados ao longo das rodovias federais, criando a Supra (Superintendência Nacional da Reforma Agrária).

Junto a Jango e à massa de trabalhadores radicalizados no movimento pelas reformas de base (a reforma agrária, a reforma urbana e universitária, entre outras), se encontram no palanque as lideranças da UNE (União Nacional dos Estudantes, ironicamente representada por seu então presidente, José Serra), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do PSB (Partido Socialista Brasileiro), do clandestino Partido Comunista Brasileiro, da Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e, principalmente, da Frente de Mobilização Popular. Falam, entre outras lideranças  da FMP, o governador de Pernambuco Miguel Arraes, do Partido Social Trabalhista (PST), o deputado do PSB Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, e o grande líder da frente, que era o deputado federal  do PTB pelo Estado da Guanabara Leonel Brizola.

Brizola, como governador de seu estado natal, o Rio Grande do Sul (1959-1963) havia se tornado o grande baluarte do nacionalismo de esquerda, ao desapropriar duas grandes multinacionais, a IT&T (telefônica) e a Bond and Share (energia elétrica). E, com sua rebeldia intemerata e audaz, havia garantido a posse do Vice-Presidente da República João Goulart na titularidade do cargo, vetada pelos ministros militares fascistas e pró-imperialistas de Jânio Quadros, quando da renúncia deste em agosto de 1961.

Utilizando-se da estrutura legal do governo do Estado, Brizola, com o apoio da Brigada Militar e da massa popular (que se mantinha informada através das ondas da Rádio Guaíba, instalada nos porões do Palácio Piratini, de onde Brizola proferia seus discursos), havia feito uma verdadeira revolução contra o golpe que se preparava então, epsiódio que se tornou conhecido como a Campanha da Legalidade.

Agora era o mais radical e inconformado dos líderes populares que reclamavam reformas na sociedade capazes de dar um mínimo de dignidade às massas populares (e que, se implementadas, teriam criado as condições mínimas para um avanço futuro rumo ao socialismo). Neste comício proferiria o discurso que reproduzimos abaixo, publicado no órgão de imprensa da FMP, o jornal  Panfleto – o jornal do homem da rua – , de 16 de março de 1964, n.º 5 (páginas 2 e 3)

“Este é um encontro do povo com o governo. Encontro com esta multidão e com os milhões que, através dos seus rádios, do recesso de seus lares, estão presentes não apenas para aplaudir, mas para dialogar com o governo.  Se fosse apenas para aplaudir, não seríamos um povo independente, mas um rebanho de ovelhas. O povo está aqui para clamar, para reivindicar, para exigir e para declarar sua inconformidade com a situação que estamos vivendo.

Saudamos o governo pelo seu gesto democrático. Porque é realmente democrático um governante descer para o diálogo com o povo.  E estamos certos de que o presidente não veio, nesta noite, apenas para falar, mas para ouvir e para ceder ao povo brasileiro. Para ceder a esta pressão – é a voz que vem da fonte de todo o poder, é a pressão popular, a que com honra, um governante deve se submeter. 

Quero citar e aplaudir estes dois atos que devem deflagrar um processo de transformação em nosso país: o decreta a Supra e o decreto de expropriação das refinarias de petróleo.

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Povo e governo, num país como o nosso, devem formar uma unidade.  Unidade esta que já existiu em agosto de 1961, quando o povo praticamente de fuzil na mão, repeliu o golpismo que nos ameaçava e garantiu os nossos direitos. Unidade, esta, que já existiu no plebiscito de janeiro de 1963, quando mais de dez milhões de brasileiros exigiram o fim da conciliação do parlamentarismo e a realização imediata das reformas.

Quando uma multidão se reúne como nesta noite, isto significa um grito do nos caminhos da sua libertação. Em verdade, se conseguirmos hoje a  restauração daquela unidade, o presidente poderá retornar, através da manifestação do povo, às origens de seu governo. E, para isso, será suficiente que ponha fim à política de conciliação e organize um governo realmente democrático, popular e nacionalista. 

Pode ser que, neste momento, a minha palavra esteja sendo impugnada. Podem julgar que as minhas credenciais não sejam suficientes. Mas o meu lugar é ao lado do povo, interpretando suas aspirações, e por isso, aqui estou como um dos seus autênticos representantes.

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Mas quero perguntar ao povo: querem que continue a política de conciliação ou preferem um governo nacionalista e popular? Aos que desejam  um governo nacionalista e popular que levantem as mãos.

Chegamos a um impasse na vida do nosso país.  O povo brasileiro já não suporta mais suas atuais condições de vida.  Hoje, até as liberdades  democráticas estão ameaçadas.  Vimos isso em Belo Horizonte, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, onde um governo reacionário está queimando os ranchos dos camponeses.   O que se passa no estado da Guanabara é uma prova dessa ameaça, pois a Guanabara é governada por um energúmeno.  Tanto isso é verdade que o próprio presidente da República, para falar em praça pública, precisou mobilizar as valorosas Forças Armadas.

Não podemos continuar nesta situação.  O povo está exigindo uma saída.  Mas o povo olha para um dos poderes da República, que é o Congresso Nacional, e ele diz NÃO, porque é um poder controlado por uma maioria de latifundiários, reacionários, privilegiados e de ibadianos.  É um Congresso que não dará nada mais ao povo brasileiro.  O atual Congresso não mais se identifica com as aspirações do nosso povo.  A verdade é que, como está, a situação não pode continuar.  E aqui vai a palavra de quem deseja apenas uma saída  para o trágico impasse a que chegamos.  A palavra de quem apenas quer ver o país livre da espoliação internacional como está escrito na CartaTestamento de Getúlio Vargas.
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E o Executivo? Os poderes da República, até agora, com suas perplexidades, sua
inoperância e seus antagonismos, não decidem.  Por que não conferir a decisão ao povo brasileiro?  O povo é a fonte de todo poder.  Portanto, a única saída pacífica é fazer com que a decisão volte ao povo através de uma Constituinte, com a eleição de  um congresso popular, de que participem os trabalhadores, os camponeses, os sargentos e oficiais nacionalistas, homens públicos autênticos, e do qual sejam eliminadas as velhas raposas da política tradicional.

Dirão que isto é ilegal.  Dirão que isto é subversivo.  Dirão que isto é inconstitucional.  Por que, então, não resolvem a dúvida através de um plebiscito?

Verão que o povo votará pela derrogação do atual Congresso.  

Dirão que isso é continuísmo. Mas já ouvi pessoalmente do presidente da República a sua palavra assegurando que, se fosse decidida nesse país a realização de eleições para uma Constituinte, sem a participação dos grupos econômicos e da imprensa alienada, mas com o voto dos analfabetos, dos soldados e cabos, e com uma imprensa democratizada, o presidente encerraria o seu mandato.

A partir destes dois atos – assinatura do decreto da SUPRA e do que encampa as refinarias particulares – desencadear-se-á, por esse país, a violência. Devemos, pois, organizar-nos para defendermos nossos direitos.  Não aceitaremos qualquer golpe, venha ele de onde vier.  O problema é de mais liberdade para o povo, pois quanto mais liberdade o povo tiver maior supremacia exercerá sobre as minorias dominantes e reacionárias que se associaram ao processo de espoliação de nosso país. O nosso caminho é pacífico, mas saberemos responder à violência com a violência.  

O nosso presidente que se decida a caminhar conosco e terá o povo ao seu lado.  Quem tem o povo ao seu lado nada tem a temer.

Dezessete dias depois os capachos do imperialismo americano, sob as lideranças histéricas e conservadoras de Carlos Lacerda UDN (governador do Estado da Guanabara), de deputados do PSD, dos governadores Ademar de Barros (São Paulo), Magalhães Pintos (Minas Gerais) e Ildo Meneghetti (Rio Grande do Sul), iniciariam o golpe militar, através do general Olímpio Mourão Filho, o auto-denominado “Vaca Fardada” , que derrubaria Jango do poder na madrugada de 2 de abril, inaugurando o Brasil da pobreza extrema, da corrupção escancarada e assumida e da deformação ideológica e mental do povo sob a influência da mídia eletrônica, que vivemos até nossos dias, hoje, ironicamente sob a direção de uma ex-guerrilheira que se opunha à ditadura entreguista e fascista então estabelecida, a Presidente Dilma Rouseff.

Ubirajara Passos

 

 

Biseno adverte: aumento da cerveja pode causar a “convulsão social” no Brasil


Conforme noticiado no site do “Jornal Pequeno” do Maranhão (nordeste do Brasil), na última quinta-feira, 17 de março, o preço da cerveja deve subir mais de 10% nos próximos dois meses (repondo a inflação desde o último reajuste, em janeiro de 2009).

A decisão foi tomada pela Associação das Indústrias de Bebidas, após reunião com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, naquela data, que teria recusado proposta das indústrias de incrementar a produção de cerveja e refrigerantes (um investimento de  sete bilhões de reais que geraria 60 mil novos empregos , segundo o Vice-Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas (Abir), Milton Seligman.

Após comentar que os preços do setor, historicamente, só são reajustados uma vez a cada mandato presidencial (o que nos parece extremamente razoável, dada a importância ocupada pelo produto na conformação psicológica e cultural de nossa sociedade), Seligman afirmou que as conseqüências no aumento dos preços ainda não são conhecidas.

Se o representante da patronagem das indústrias cervejeiras e de refrigerantes, por óbvia diplomacia burguesa frente ao governo da mulher mais masculina do Brasil (Dona Dilma dos Cofres Arrombados), não teve coragem  de nominar, o Bêbado Incorrigíveis sem Nome (BISENO) não tem o menor problema, e na defesa dos interesses maiores de seus associados, e da saúde mental dos últimos seres que ainda conseguem gozar um grão de felicidade sobre a terra brasileira, sabe e adverte: as consequências serão as mais graves possíveis!

A redução brutal de consumo deste elixir de primeira necessidade, que ocorrerá com o aumento dos preços,  há de causar, proporcionalmente, um violento baque nos porres e na gaiatagem pelos bares, ruas e praças das cidades afora deste país (além do óbvio prejuízo para o comércio do setor, de que advirá o desemprego de muito pai de família), que ficarão mais tristes e infelizes.

Teremos, como consequência direta o aumento desenfreado de casos de neuroses, surtos de loucura e histerismo, agressões físicas e crises conjugais nos lares, redução da frequencia sexual da mulher feia, exacerbamento das depressões controladas de cornudos e encalacrados, entre tantos outros fenômenos de verdadeiros caos social que se há de instalar.

Isto sem falar na evidente super-lotação de hospícios, consultórios psiquiátricos, hospitais e outros tantos serviços de saúde. E é claro, das delegacias de polícia, onde o fenômeno mais surpreendente será o incremento das estatísticas de suicídio.

Mas, sobretudo, estaremos vivendo num país onde o povo que ainda teima em ser feliz, gastando o pouco que pode de seus cobres para anestesiar a desgraça cotidiana, ou sonhar um pouco ao lado da miséria, tomando aquela cervejinha básica no buteco da esquina, vai ter de abdicar ou reduzir drasticamente o consumo, mergulhando no mais infame e negro desgosto. A própria criatividade artística (popular ou erudita), e o resto de imaginação que ainda sobra (muito pouco) no cenário cultural há de despencar águas abaixo.

Só nos resta o consolo de, quem sabe, as multidões premidas pela abstinência induzida pelo bolso, entrem num tal grau de desespero e desasossego que tomem consciência e coragem para ir às ruas derrubar o fascismo travestido de vermelho que comanda o Brasil no Palácio do Planalto, nos infelicitando a todos.

Ubirajara Passos