Tinha uma pedra no meio do caminho


Sempre achei extremamente abstrato o famoso poema de Drumondd. E a interpretação costumeira de sua genialidade sintética e simples diante do fenômeno universal e onipresente dos obstáculos, nos mais diversos locais e circunstâncias possíveis, sempre me pareceu muito óbvia e pouco provável.

Até que há coisa de um mês e meio atrás, tive uma dura e concreta experiência. Uma pedra atravessada no canal do ureter, grande o suficiente para não arrastar-se aparelho urinário abaixo, depois de semanas de sofrimento e investigações médicas infrutíferas acabou por me levar a uma  das aventuras que mais temi na vida, a cuja extinção supunha pudesse me levar: uma cirurgia para sua extração, mediante uso de ultra-som, introduzido justamente pela uretra. O que significa que, além de passar pela sempre temida operação, ainda fui “comido”, isto é sofri a introdução de um corpo estranho dentro de mim,  através do meu próprio pau. Coisa no mínimo bizarra e, depois de passada a anestesia e a sedação, tão sofrida quantos os ardores e dificuldades dos primeiros dias do pos-operatório.

Mas todo este papo meio hipocondríaco, que deve estar fazendo os meus costumeiros leitores bocejarem e gritarem altíssimos “Bira vai à puta que pariu” (não necessariamente simultaneamente nem nesta ordem) é apenas para (tentar) justificar a minha ausência deste blog no período, que espero seja devidamente remediada e absolvida a partir de hoje. Houve muitos outros pedregulhos a causá-la, é bem verdade, mas a partir de agora espero que possamos, eu e os pacientes leitores, fazer uma sopa com a sua poeira.

Ubirajara Passos