A BÍBLIA DO PERUCA: Maria Madalete


Conforme  a versão da Bíblia Peruca  contida nos manuscritos gnóstico-asníferos de Nágua-Enrabadi, na antiguidade perucaica existiu uma mulher chamada Maria Madalete. Alta, magra e loira, descendia de uma tribo germânica que migrou para o Oriente Médio, provavelmente em alguma embarcação viking ou coisa do gênero. Sua vida até os fatos aqui narrados é quase um completo mistério. Sabe-se apenas que casou-se com um cobrador de impostos romano e teve um casal de filhos antes de seus atos tornarem-se publicamente relevantes.

Ela mantinha uma pose nojenta e arrogante, com um cinismo escorrendo pelas orelhas, perante o ciclo social de nobres e patrícios, com os quais o status de seu marido forçava-a conviver. No entanto o que poucos sabem, e quase nenhum de seus contemporâneos enricados conhecia, é que Madalete na verdade, foi a meretriz mais famosa de toda antiguidade peruca.

Conhecida pelo nome de guerra de “Alemoa”, era proprietária de um prostíbulo de alto padrão, a “Taverna Lucy Bar”(onde  também ocorreu um dos maiores eventos bíblicos peruca, o “Ultimo Trago”), nos subúrbios de Perucalém!

Naquele alegre e descontraído local era raro o dia em que não se encontrava Jesus Peruca e todos demais apóstolos fazendo o que faziam de melhor: pregar a palavra de Deus Peruca. Isto, evidentemente, depois de desfrutar dos serviços muito bem prestados pelas funcionárias de Madalete, e após aquele goró antológico.

Certo dia os santos pregadores estavam, como de costume, por ali bebendo e farreando como uns porcos piçuídos. Apóstolos e discípulos haviam fechado o famoso cabaré, e rolavam, bêbados e excitados, muitos nus, sobre mesas e cadeiras. O apóstolo-tesoureiro Isacariotes havia mesmo tomado do corpo de uma jovem e agitada puta gaulesa e tratava de lamber-lhe a ervilha do prazer em pleno salão, para gáudio, deboche e espanto de seus colegas. Jesus Peruca, porém estava cabisbaixo, com  um ar triste e soturno. Ocorre que ele ainda curtia uma ressaca da festa que proporcionara no dia anterior, na aldeia de Feliz, e ainda tinha o estômago meio embrulhado, pois não conseguira tirar da cabeça a cena estrambótica de Camarguinius fazendo sexo oral em um jumento.

Uma das prostitutas, uma loira esquisita e gordinha metida a psicóloga letrada, perguntou para um dos apóstolos, o que havia ocorrido com Jesus Peruca, porque não era costumeiro dele estar daquele jeito. A desgraçada,  porém, deu o azar de dirigir sua pergunta justamente para Ubirajudas Iscariotes, que era o apóstolo mais sem-vergonha de todos os 12, e ele foi logo respondendo:

– O mestre Peruca está assim porque descobriu que sua mãe não é virgem nada! O Espírito Santo mandou ver umas 3 ou 4 vezes nela!

A puta ingênua e tonta, de mentalidade estilo  peruca, acreditou na mentira, e foi logo dizendo que ia dar um jeito de animá-lo. Buscou um cântaro de cerveja e despejou tudo no colo do infeliz Messias Peruca, que saltou mais alto que um gato, enfurecido, xingando a moça de tudo o que podia.

São Tomé Hugo, mais conhecido por São “Dente” Hugus – em alusão ao proverbial ataque de gargalhadas que teve ao saber da perda da dentadura de Camarguinus — tentou acalmar os ânimos. Mas, neste momento o barraco já estava formado. A puta era nervosa e não levava desaforo pra casa: era copo voando para todo lado, socos, chutes, arranhões, mordidas… não tivesse Deus peruca mandado um terremoto para apartar a briga e sabe-se lá o que teria acontecido.

O Messias Peruca e seus apóstolos aproveitaram o terremoto para sair sem pagar a conta. E já estavam longe, dando gargalhada da situação, quando deram pela falta de São Robertinus, um dos apóstolos – por sinal o único dentre todos que ainda era virgem – e,  ao retornar para a taverna, a sua busca, constataram que o pior já havia acontecido. Deram todos de cara com a própria Maria Madalete montada, e a galope, em cima de Robertinus, que gritava e esperneava como se estivesse à beira da própria morte.

A indignação foi geral. São Robertinus era um rapaz casto por opção, e tinha orgulho de sua condição de abstinência sexual, além de ser o único seguidor “puro” de Jesus Peruca. Os apóstolos, então, pegaram Madalete pelos cabelos e arrastaram-na até o meio da praça, onde começaram em coro a incitar a multidão ao apedrejamento da mesma.

Jesus Peruca, entretanto, aproximou-se, com toda calma e lerdeza típicas de peruca, e com sua celestial burrice, proferiu as seguintes palavras:

– Sei que esta mulher adúltera e pecadora errou e, se for o desejo de todos apedrejá-la, que assim seja.

Abaixou então sua cabeça, juntou uma vareta, riscou as areias do solo, e voltou a dizer:

– Portanto, quem nunca errou que atire a primeira pedra!

Nesta hora já havia uma multidão formando um círculo ao redor de Madalete, pronta a apedrejá-la, mas os populares, ao ouvirem os dizeres de Peruca, foram largando um a um as pedras que empunhavam.

Quando o fudunço parecia ter sido contornado pelo Messias bocaberta, e a turba principiava a se afastar, surgiu de repente, abrindo um corredor em meio àquela gente, vindo lá do fundo, São Kadu, outro dos apóstolo, que estando a uns 15 metros de distância da cafetina,  veio correndo, carregando sobre a cabeça uma pedra maciça de mais ou menos uns 30 kg e, antes que Deus Peruca pudesse novamente intervir, arremessou-a contra a pobre Madalete, trucidando-a.

Jesus Peruca apavorado com a situação, tremia igual vara verde, não sabia onde tinha errado em seu discurso redentor, e perguntou ao apóstolo:

– Por que fizestes isso? Tu por acaso nunca erraste?

E o apóstolo então respondeu:

– Olha, dessa distância ainda não!

Ubirajara Passos

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