A foda telepática


Como já relatei na minha primeira crônica sobre o Almanaque do Pensamento e as previsões astrológicas de revolução absoluta da humanidade, desde os meus tempos de pré-adolescente que o “paranormal” (seja o científico ou o mágico, o místico  ou o simples espetacularismo filosófico) me fascinam, apesar do meu materialismo ateu professo.

Richard Bach (com o seu Fernão Capelo Gaivota, lido aos 16 anos, mas só entendido mesmo aos vinte e tantos, e com Ilusões – aventuras de um messias indeciso) é um autor que sintetiza perfeitamente o que já vinha caraminholando mentalmente muito antes de lê-lo e absorvê-lo e que se pode traduzir em “anarquismo místico” ou mágico, e que consistia na crença absoluta na liberdade, ao ponto de crer nas possibilidades dos poderes puramente mentais para alterar a realidade (especialmente quando assessorados por qualquer um ritual emocionalmente – Jung diria energicamente – significativo) e na possibilidade de alterar tudo pelo questinamento e pela vontade absolutamente livre.

Aos dezessete anos, por exemplo, eu cria piamente que era possível, mesmo, desafiar a própria morte pelo questionamento filosófico profundo. Se a humanidade inteira morria era porque acreditava na realidade da morte e nenhum maluco havia tido ainda a coragem de colocar em cheque a necessidade de sua existência… Hoje, à medida em que o programa genético universal que rege os seres vivos neste planeta vai me fazendo definhar fisicamente, em que as rugas e cabelos brancos vão se acentuando, e o espelho vai desmentindo, ao acordar diariamente, a minha eterna convicção de ter dezoito anos (pois a mente não muda e não adquire senso inato de velhice), vou me convencendo do meu engano adolescente… Se bem que volta e meio, apesar do espelho, tenho umas recaídas!

Este é um tema (como a crença nos extra-terrestres e na sua visitação à Terra na antiguidade – cevada em muitos livros de Von Daniken, lidos dos vinte pouco até quase os quarenta anos) que só tenho discutido em caráter extremamente privado, com o devido entusiasmo, e que em geral só exaustivamente explorado com o alemão Valdir (que comunga, apesar de velho comunista ateu, destas maluqices) e, em menor grau, com o Carlão.

 Mas, com toda a minha piração, o meu materialismo sempre colocou um freio nos chamados poderes paranormais da mente. Eu podia acreditar na possibilidade da mente humana influenciar o corpo a ponto de evitar o envelhecimento e/ou a morte (afinal a “mente” é resultado de uma série de interações elétricas e fisiológicas do cérebro e dos nervos que, no caso humano, acabou por tomar consciência discriminativa de si e do universo).  Mas, como bom libertário racionalista, só daria aval a determinados fenômenos se tivesse uma prova física irrefutável, como a telecinesia, por exemplo. Passei anos sonhando, inclusive, que fazia movimentar objetos com a simples vontade e direcionamento das mãos, mas até uns dois anos atrás jamais me dei conta de que, salvo uma coincidência absurda (que até é possível, mas, dadas as circunstâncias, é um tanto precária), havia tido, sem me perceber, em meio ao furacão emocional em que vivia, uma prova justamente de telepatia!

Lá por meados do ano 2000, apaixonado, e rejeitado pelo objeto da paixão, por uma gostosa loirinha de 24 anos, um belo domingo de manhã, já quase meio-dia, ainda me encontrava (pra variar) espichado na cama, quando me lembrei que a safada deveria estar, exatamente naquele momento, trepando com o meu rival (que, para meu desconsolo e piora do meu sofrimento, era bem mais feio e imbecil que eu) e pus-me a bater uma punheta, enquanto imaginava o casalzinho se pegando, pensando na safada o tempo todo. Troço meio masoquista que creio nem meu amigo Xupaxota deve ter feito. Mas, enfim, o que faz a neurose!

O diabo é que, umas duas horas depois, a cretina (que me rejeitava, mas, obviamente aceitava meus favores e mimos financeiros), me liga, perguntado se eu estava bem e me avisa que tinha uma coisa estranha para contar. Logo imaginei que tinha alguma coisa a ver com a tal punheta, mas não insisti e esperei o dia seguinte, quando, numa conversa em mesa de bar a gostosa revelou: 

– Puta que pariu! Ontem de manhã eu tava no “rala e rola” e não é que, na hora da loucura me vi pensando em ti, e te imaginei fazendo aquilo ainda por cima!

O mais interessante é que a hora, e outros detalhes cretinos do devaneio da gata, que  não revelarei, pois podem levar à identificação da criatura , que só eram do meu conhecimento, batiam completamente! Tivemos, portanto, ainda que sem retorno de parte a parte, uma comunicação mental paralela à distância!

Ubirajara Passos

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