Peruca e as Mil e uma Virgens


Entusiasmado, o professor de Direito Público Internacional do Peruca finalmente encontrou, após ler o dicionário jurídico do ilustre pupilo aqui publicado, algo sobre o que o bocaberta mais esperto de Gravataí  poderia discorrer, sem risco,  para ser aprovado no semestre, após dez anos grameando na mesma fase, e possibilitar ao iluminado mestre se ver livre da criatura. E assim, encarregou o nosso herói de elaborar e apresentar, em conjunto com uma turma de colegas tão “excepcionais” (no sentido que se aplica àqueles portadores da síndrome de down e congêneres) quanto ele, um trabalho sobre o terrorismo islâmico contemporâneo em vista das normas internacionais.

Juram acadêmicos do quilate de Camarguinho-chama-o-hugo que o Peruca elaborou tese profunda, de substanciosa e incontestável justificabilidade racional (Camarguinho não tem a menor idéia do que significa este fraseado bacharelístico todo, mas tem certeza de que se trata de coisa muito chique e importante), digna de figurar em discurso de embaixador da Gândia (paiz virtual em que se encontra exilado Gílson Pirâmide desde que perdeu os últimos tostões investido na “Dinastia”) na Assembléia Geral das Nações Unidas.

O problema, mesmo, foi,  o entusiasmo que o tomou na dissertação oral, em plena sala de aula, em que se encontrava presente o próprio reitor do campus da Universidade, convidado que fora pelo professor da cadeira (que andava necessitando montar a farsa necessária para provar sua competência como mestre, tão grande quanto a inteligência do Peruca). Para que a coisa não ficasse tão técnica e insossa, restrita à secura discursiva do Direito, resolveu adornar sua palestra com algumas informações eruditas, de poesia e rigor científico antropológico inigualávies, e foi dissertando, antes de aprofundar a parte técnica do tema, sobre as pretensas origens religiosas intrínsecas do terrorismo, dando conta dos primeiros atentados ocorridos na História, no meio da Idade Média (há cerca de mil anos), inspirados na promessa maometana de sete virgens gostosas e fogosas que se encontrariam no paraíso, esperando o mártir da guerra santa para a ele se entregar na maior putaria eterna, após sua morte a serviço de Alá.

O Peruca, neste trecho, ía “possuído” por um espírito barbosiano, dando relinchos de furor intelectual, quando sofreu a interferência de um encosto bêbado do velho poeta, matemático e astrônomo árabe-persa Omar Khayyám, e começou a conjecturar sobre as probabilidades do militante suicida ser realmente recompensando com tão doce prêmio.

E foi logo concluindo, com rigor algébrico absoluto, que, se na época havia sete virgens para cada doido muçulmano, passados mil anos, e milhares de terroristas suicidas pirados, dos simples soldados de frente de batalha ou assassinos a soldo do “velho da montanha” aos modernos homens-bomba, não era possível que, mantido o número fixo de virgens escaladas no plantão do éden maometano (que, sendo de puras vestais originárias do próprio paraíso, possuía a mesma quantidade desde a criação do universo, não podendo aumentar na proporção dos fiéis vindos do mundo dos vivos, submetida ao aumento geométrico da reprodução da espécie humana), houvesse por lá ainda virgens.

Ou esta tropa toda de terroristas suicidas era formada, em maioria, de brochas e veados, ou simplesmente as virgens de Alá eram todas, agora, experientes e espertas putas! E assim, caras como o tal de Bin Laden eram doido abestados ou simplesmente não escapavam do milenar sestro falcatrua de todo mascate turco, vendendo vestido de chita por cetim pupúreo.

Não se sabe como, mas se imagina, o Peruca foi promovido de semestre, e ainda foi agraciado com um prêmio inédito na faculdade: o “aproveitamento curricular integral automático” (qualquer coisa parecida com a antiga indulgência plenária concedida pelo Vaticano aos fiéis pré-reforma protestante que doassem vultosas quantias à Igreja). Com ele poderá permanecer mais cinco anos sem comparecer a uma única aula que seu diploma já se encontra desde já garantido. Já o professor parece que foi indicado para importante missão jurídica: nada mais que assessorar a equipe de defesa de Yeda e sua camarilha no processo escandaloso movido pelo Ministério Público Federal.

Ubirajara Passos

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