Revelação


Poema escrito em plena madrugada, após algumas horas de relaxamento e “revelação” diante do canal Arte 1 da TV a cabo:

Iluminou-se minha madrugada.
Um ar feroz se insinuou nos cantos
Do arvoredo
E fez saltar as rochas
Sobre o abismo da perplexidade,
Do impasse oco, imóvel,
Porém prestes,
A estatelar-se num vôo interrompido,
Em meio ao frio da escuridão rígida e espessa.

Sobre o velho banco de granito
Orvalho o cristal fez-se
E o hermetismo do discurso derreteu-se.

A indefinível inquietude estéril,
Que se envaidece do seu sem sentido,
Fundiu-se no calor de um vinho rubro
E a emoção pura e bribtrante alçou seu grito
Sobre os sisudos telhados coloniais
Contra tela de aço do infinito.

Gravataí, 21 de março de 2014

Ubirajara Passos

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