Possessão


Mais um poema estrambótico para distração dos leitores que ainda teimam em acessar este blog, apesar da frequência cada vez menor de suas matérias:

Possessão

Não me possuo desde o velho dia
Em que pretendi adonar-me da poesia
E ela, matreira, de um bote enfiou-se
Pelos meus poros e se esparramou
Do calcanhar à nuca, invadindo
Até os menores becos do meu ser.

Tão entranhada fez-se esta vertigem
Do inefável arrebatamento,
O inextinguível sentimentalismo,
Que esta voragem indefinível que atordoa,
E alaga em pranto toda a minha alma,
Submergiu-me os mais pesados blocos
De auto-controle e determinação

E transmutou-me de raio fulminante
Em portentoso lenho trespassado
Pela profundidade sensível e maldita.

Gravataí, 20 de março de 2012

Ubirajara Passos

 

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