Auto-análise


Poema que acabo de parir, ao som de uma antologia de Nat King Cole, banhada por um martelo de conhaque:

Auto-Análise

Uma tristeza antiga,
Doída como a madrugada
Insone e eterna, de silêncio absoluto,
Se insinuava na fumaça azul,
De um antigo perfume adocicado,

E nos fazia navegar no escuro,
Salpicado de raios esquivos,
Da velha janela da sala de estar,
Sobre um tapete pesado e rabujento.

No jardim sujo, uma brisa amarrotada
Arrepiava os nossos pensamentos
E enfronhava, no olhar turvo
De um conhaque de garrafa verde escura,
Memórias roucas e toques crepitantes.

Sobre a mesa de centro envernizada
Um cinzeiro de vidro bancava o analista.

Gravataí, 10 de maio de 2011

Ubirajara Passos

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