Conselho


Poema que eu e o alemão Valdir parimos, a quatro mãos, enquanto conversávamos, ontem  à tarde:

Conselho 

Companheiro de lida e de luta,
Não te iluda,
Com a propaganda humanitária e a liberdade
De pensamento e expressão, os tantos direitos
Civis do Estado democrático!

 Em um mundo alicerçado na obediência cega
Pensar é desrespeito! 

Desrespeita o sagrado direito que a elite recebeu de “Deus”
Para ficar eternamente no topo da pirâmide, 

Colhendo seu uísque do suor do nosso lombo
E sua sádica luxúria em nossos corpos! 

Para o burguês há dois tipos de escravos:
Um pra usar no trabalho árduo,
Outro na cama!
Mas a nenhum dos dois ele ama!

 São seus brinquedos preferidos do momento,
Que, enquanto mudos, produtivos e obedientes,
Lhe satisfazem a vaidade e a fome
Do vasto bucho e do membro meia-bomba, 

Mas se não prestam mais a seus desejos,
Ou incorrem na insolência de falar,
E, o que é imperdoável, segundo as leis divinas,
Começam a pensar e a reclamar, 

Lhes arremessa o ser ao fogo ou ao lixo,
Antes que tornem-se gente, se façam respeitar
Se ergam com os próprios braços e caminhem,
E cortem o pescoço do opressor! 

Entre Gravataí e Santa Rosa, 25 de março de 2011 

Ubirajara Passos & Valdir Bergmann

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