Transe


Poema escrito no sábado à tarde, enquanto Isadora, ao meu lado, rabiscava uma multidão de folhas brancas espalhadas pelo chão, e ouvíamos música popular brasileira na FM Cultura de Porto Alegre:

Transe

É meia tarde,
O vento sussurrante,
No velho parque nos convida ao sono.

Um sol de outono se projeta
Mais cedo no abismo negro
E, com ele, nossa mente vaga,
Vadia, rumo ao inominável.

Velhas lembranças flutuam no lençol
De malva luz coada
E se misturam a bizarras fantasias,
Indo morrer junto à fonte adormecida.

Por um instante, nosso ser inteiro
Levita com o pólen esvoaçante
E já não há fonte, nem sol, nem nós, nem vento!

Gravataí, 19 de março de 2011

Ubirajara Passos

 

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