O Causo da Vodka


Fazia já algum tempo que eu não via aquela puta amiga (que na verdade era uma amiga puta), que conheci nos velhos tempos de diretor executivo do Sindjus (para ser exato, nas primeiras expedições ao extinto Bagdá Café, em 1996), e desde aquela época era moradora de Gravataí.

Assim, não a reconheci, quando, da mesa em que bebericava uma cerveja com meu companheiro de executiva municipal do PDT (na época), Gerson Monteiro, num bar próximo da praça de São Geraldo, na parada 72, avistei aquela morena bonita cuja voz me parecia familiar, sem que atinasse de quem se tratava.

Foi somente na hora de ir embora que, passando por sua mesa, reconheci ser a “M” (preservo seu nome, justamente por se tratar de uma digna profissional do amor e não uma destas patricinhas pequeno-burguesas arrogantes, metidas a devoradoras de homens, na reprodução do antigo papel dos machos cafajestes).

Rapidamente, enquanto o Gerson pagava a conta no caixa, me contou que havia largado do Le Boheme, na Pinto Bandeira, Centro de Porto Alegre e se encontrava na feliz condição de dona do próprio “bar”.

Por ironia do destino, eu acabaria reencontrando-a alguns anos depois novamente na Cláudia Bar Drink, na Marechal Floriano, de volta à função de simples puta, já entrada então na segunda metade da década dos trinta. Mas naquele dia em Gravataí, ela que era a mais constante e uma das melhores amigas da madrugada que tive (e que “conheci” no sentido literal e bíblico nos três principais bordéis que frequentei ao longo de minha carreira de boêmio: Bagdá Café, Cláudia Bar Drink, Le Boeheme e Cláudia Bar Drink, novamente, da última vez que a vi, há uns dois anos), vivia sua  lua de mel com o destino, dona de bar e dignamente casada com um ex-cliente, o Djalma.

Como eu não me lembrasse do sujeito, o que ela achava impossível, tratou de me lembrar de fato sucedido na Cláudia Drink há coisa de uns 11 onze anos atrás (9 anos no dia da conversa), do qual me esquecera por completo, mas era um dos mais legendários do pequeno cabaré “familiar” (como o caracterizara o taxista baixinho, gordinho e bigodudo que eu apelidara de Teixeirinha, que havia se tornado meu amigo), onde, nas noites de sábado se realizava de tudo, de festa de aniversário e casamento de puta com garçom a churrasco, e eu pontificava de “intelectual” que “lá ía buscar um amor que não existe”, como um dia me definiu, completamente bêbado, um professor da UFRGS (assim auto-identificado, do que não duvido até hoje), aí por 1999.

Anos mais tarde a Cláudia se tornaria evangélica e aí o cabaré, infelizmente, não abriria mais aos sábados, o que frustrou as primeiras tentativas que fiz de levar meu amigo Luiz Ferraz (emérito putanheiro baiano) a conhecê-lo, lá por 2003.

Mas, voltando ao causo, “M”, bastante surpresa com minha falta de memória (afinal a história ficara gravada em letras maiúsculas nos anais do bordel), tratou logo de avivar as lembranças, que então vieram-me à tona como se fossem daquelas que deletamos ao ter uma amnésia pós-alcoólica e se tornam vívidas algum tempo depois que um amigo trata de nos trazer à baila:

“Ô Bira, o Djalma é aquele  que apostou contigo quem entornava maior número de copos altos de vodka antes de cair e acabou perdendo para ti. Até hoje ele fala nisto”. O detalhe é, comparativamente ao meu um metro e cinquenta e cinco centímetros de altura (e aos cinquenta e um quilos que pesava na época), o Djalma, era um sujeito de “peso” de quem se esperava tivesse maior resistência aos efeitos da manguaça que o magricela e mirrado “intelectual” da safadeza putanheira aqui.

Ubirajara Passos

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Um comentário em “O Causo da Vodka

  1. gerson monteiro disse:

    Olá Dom Bira. Sempre acompanhado do álcool etílico, Quicá, Bira provenha de biri-nigth. Popularmente conhecido como embelezador para os bruxos da nigth.Seus gases, deixam o mundo mais colorido.Apareço no texto pagando a conta. O que me levou a pensar que deves um convite para tomar umas geladas, acompanhada sempre do bom humor crítico e sarcástico das autoridades ditas competentes. Dá um abraço ao Valdir que deve estar mais perdido que cêgo em meio a tiroteio. Só para constar, vi o filme novamente Arquitetura da Destruição, onde o Partido Nacional Socialista, fala do belo e feio.Fez-me lembrar de um de seus texto, políticos.
    O divã da mesa do bar, aguarda os simpatizantes da cultura Nietzsche. Só não vale ultrapassarem os pessamentos para Franz Kafka, pois o mundo estara perdido. Hum! Gluth, gluth…

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