Inquietude Infinda


Poema que compus, hoje de tardinha, enquanto ía do foro à casa do meu falecido pai (que herdei) pegar o presente de Natal que minha irmã, Dirce, deixou para a Isadora, na mesa da cozinha:

Inquietude Infinda

Depois que te mirei o olhar,
Que te beijei, sentindo o mundo desmanchar-se,

Depois que tre provei o fruto
Aveludado que escondes entre as pernas,

Que gargalhei contigo,
Novamente uma criança de dois anos,

Com entusiasmo, de qualquer besteira;

Depois que ouvi a tua voz suave,
Que afagaste, descuidada,
Num gesto terno e solto,
Os meus cabelos,

Desde então o mundo se tornou exílio
E onde esteja sinto-me ao largo.

Faça o que faça, na maior paixão,
Se não estou contigo sou incompleto,

E, nos mais pungentes devaneios,
Um travo amargo me comprime o íntimo.

Sofro de um tal fascínio que o desejo
É infinitamente maior até que o estar contigo

E só encontro cura no nirvana
De um cósmico amplexo mudo
Testemunhado pela luz das três marias.

Gravataí, 23 de dezembro de 2010

Ubirajara Passos

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