VOCÊ DEVE PROCURAR O BISENO (Bêbados Incorrigíveis Sem Nome)?


Uma dúzia de  perguntas às quais somente você pode responder:

Somente você poderá determinar se o nosso programa de recuperação da dignidade perdida pela abstinência forçada de um dos mais doces prazeres abaixo do céu e acima da terra, a que lhe induziram o nariz torcido da jararaca da sua sogra e as falácias sacanas e propositais de pastores pentecostais e psicólogos do departamento médico patronal, lhe convém.

Infelizmente ninguém entre os nossos membros poderá decidir (e praticar) por você a integração no treinamento intensivo de readequação ao alterocopismo,  o que seria muito do nosso agrado. Mas, infelizmente, nosso tempo e nosso fígado já estão lotados pelos porres diários contínuos e não há espaço para assumir o compromisso alheio.

 

Nós, membros do Biseno, fundamos esta santa confraria porque reconhecemos que a falta de trago nos havia convertido nuns chatos neuróticos compulsivos, e que só a parceria alegre e dedicada da irmandade bêbada seria capaz de nos reconduzir ao bom caminho dos melhores vinhos, cachaças e cervejas (que uísque não é pra nossos bolsos).

A princípio, muitos de nós não queriam admitir que não conseguíamos mais tomar nem um inocente martelinho sem sentir aquela culpa danada, aquele suor frio idiota e cretino, como se da tonturinha boa pudesse derivar a derrocada da família, da empresa e da humanidade. Porém, quando veteranos na arte da beberagem nos contaram que o alcoolismo era para eles a redenção de todas as chatices, dos incômodos e da falta de graça de uma vida besta, levada tristemente sob o tacão de chefes e esposas irritadiças e irascíveis, nos concientizamos e voltamos a beber com a mesma determinação e destemor com que se enfrenta câncer.

Demos respostas honestas sobre nossa incapacidade de beber e a infelicidade decorrente no nosso dia-a-dia. Se você quer deixar de ser um babaca imbecil, seco e masoquista e mandar pro inferno esta compuslão maldita pela renúncia ao prazer (que qualquer dia vai lhe fazer até esquecer o sexo, e ainda ganhar um enorme par de chifres, por falta de “comparecimento” na cama da disciplinadora e hipócrita matrona), deixe de frescura e responda, com toda a sinceridade, para o íntimo do seu próprio ser:


1) Já conseguiu parar de beber por uma semana sem se sentir mal? Nós sabemos o quanto isto é triste. E terrível. Fizemos solenes juramentos aos nossos patrões e familiares e tudo que ganhamos com a abstinência, além do tédio, foi tomar no cu, trabalhando cansativamente como umas bestas quadradas, sem ganhar nenhum tostão a mais e ainda ouvir a reina em casa pela falta de dinheiro pra pagar as contas e garantir uma vidinha um pouco mais próxima de gente. Agora que viemos pro Biseno não prometemos mais nada a ninguém, nem a nós mesmos. Simplesmente nos esforçamos para tomar o primeiro gole e depois é só festa e alegria!

2) Ressente-se com os conselhos dos outros que conseguem fazê-lo parar de beber? Se você se enche o saco com a pregação moralista e imbecil dos beatos que creditam ao goró a falência da família e a crise do Brasil, ainda tem recuperação. Não dê ouvidos às pregações pseudo-científicas que equiparam o trago a uma droga perigosa e desvastadora da mente humana, porque, no meio desta sociedade autoritária e filha da puta, em que cada um se esmera como um louco em vigiar e dedurar o rabo alheio ao patrão, a única saída é um bom trago mesmo.

3) Já tentou controlar sua tendência de trocar de bebida alcoólica para não se embebedar tanto e satisfazer aos chatos que o criticam? Sempre procurávamos uma fórmula salvadora para amenizar a apurrinhação alheia e cometíamos o soleno pecado de deixar os destilados (até o conhaque, que é bom e barato) em troca do vinho  e da cerveja e até incorríamos na abominação imperdoável de misturar água na bebida para diluí-la. Hoje, deixamos de ser bestas, porque percebemos que meio-barato é puro tédio e sofrimento e, quando nos dá veneta, entornamos logo um litro de vodka de garrafa plástica goela abaixo de uma vez!

4) Tomou um porre pela manhã nos últimos doze meses? Se você não teve coragem de mandar à puta que pariu a disciplina acachapante e xaroposa da vidinha abobada de peão conformado nesta escravidão assalariada sem sentido e não fez isto pelo menos uma vez neste ano, está quase irrecuperável. Venha correndo para o Biseno que daqui a pouco o seu problema pode não ter mais volta.

5) Inveja as pessoas que podem beber sem ser importunadas? Deixe de ser burro e largue da abstinência. Bebendo ou não, quem te jogou nesta fossa não vai parar de te xaropear mesmo, que isto é coisa de gente chata, insossa e recalcada. Tome vergonha na cara e vá agora mesmo pro buteco. De preferência com os amigos!

6) Sua falta de bebida vem se tornando cada vez mais séria nos últimos doze meses? Está comprovado cientificamente que muito da depressão e do vazio da vida de meia humanidade é tão somente o resultado de se encontrar uma dose abaixo do normal. Álcool dilata os vasos sanguíneos, cura a hipotensão e espanta a tristeza ligeirinho. Deixa disto e vem beber conosco!

7) A bebida já criou problemas no seu lar? Faça um inventário íntimo profundo de seu quotidiano e das razões que o levaram a casar com esta criatura ou fazem com que continue a viver com seus pais apesar dos violentos rolos e vexames a que te submetem por uma simples cervejinha. Liberte-se e vá viver a própria vida bem longe desta gente triste e frustrada. E, se não conseguir, ao menos preserve sua dignidade. E continue a bebericar sem culpas o seu licorzinho. Se eles têm raiva de bebida, o problemas é deles. Não sabem o que estão perdendo!

8 ) Nas reuniões sociais onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras? Se você freqüenta este tipo de festa, simplesmente é um otário!


9) Apesar de prova concreta, continuam duvidando que você bebe quando quer e pára quando quer? A culpa é sua, seu babaca! Você renunciou ao barato da água que passarinho não bebe, continuou na mesma, fodido e mal pago, sem nem um martinizinho pra aliviar o sofrimento, e ainda tem de aturar a implicância cretina destes igonorantes que não têm nenhum conhecimento da arte de beber? Toma vergonha na cara e trata de convencer a mulher (o marido ou a/o amante) de que um gorozinho não faz mal a ninguém, que sua falta é justamente a causa, também, da infelicidade deles, e que o álcool torna tudo mais colorido e divertido!

10) Faltou ao serviço durante os últimos doze meses por causa da bebida? Não? Se você não conseguiu achar um reles pretexto, nem consulta a médico, pra dar uma escapada da tortura do trabalho compulsório na firma e ir curtir um happy hour com os amigos naquele barzinho simpático, numa sexta-feira, não tem mais jeito mesmo. Mas vem pro Biseno, que a esperança é a última que morre e a fé embriagada remove montanhas, nem que seja de garrafas, ao tropeçar na mesa.

11) Já experimentou alguma vez aquela amnésia frustrante após um porre forte? Isto acontece a toda hora com todo mundo. É um efeito perfeitamente normal do excesso de entusiasmo que cansa os pobres neurônios, exauridos de tanto esforço na rotina inglória, e acaba por apagá-los para descansar à força um pouco. Se você parou de beber só por causa disto, caiu no conto do moralismo opressor e só vai se fuder mais ainda, se culpando e sobressaltando com as possíveis besteiras que fez e nem lembra. Qual o problema? Se fez fiasco o melhor não é esquecer mesmo?

12) Já pensou alguma vez que poderia aproveitar muito mais a vida, se não bebesse? Se você teve este tipo de pensamento está perdido definitivamente. Ou perdeu completamente a coragem de se opor à panaquice anti-alcoólica ou emburreceu de vez!

nossos patronos (Chico, Tom e Vinícius), felizes, na mais estrondosa manguaça

A contagem: se você respondeu SIM a mais de 4 perguntas, realmente está com sérios problemas com a bebida. Largue este tormento todo e vá tomar pelo menos uma taça de champanhe sem sentir culpa nenhuma. Mas se constatou que não consegue entornar sem se auto-flagelar moralmente, venha conosco do Biseno, que nós o salvaremos. Nós dizemos isto porque a experiência de milhões de bebuns recuperados para o bom esporte de levantar copo comprovou que, se o pileque não redime as injustiças,  pelo menos ameniza o sofrimento e nos inspira a combater os males que infelicitam a humanidade, especialmente o autoritarismo exploratório de patrões e o recalque delator de colegas de trabalho e familiares. Ressaca não mata ninguém. E, se a cirrose for inevitável, se lembre que mania de trabalho e excesso de preocupações também podem causar câncer!

Ubirajara Passos

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