Um Porre de Louco!


Meu amigo Carlão (aquele do vinho e do vaso de hermes) é um colorado fanático, destes de ir trabalhar com botom gigante do Internacional no peito em caso de vitória, e de se deprimir e avançar no primeiro gremista gozador em caso de derrota. E quando, raramente, sobra algum do seu salário de oficial escrevente que permita, desce a serra, desde Garibaldi, para assistir  o nosso time (sou torcedor do Internacional também, ainda que nada fanático e raramente acompanhe o futebol) em ação.

Outro dia, a pretexto de ilustrar a conversa mantida via MSN (que ía longe  no assunto das técnicas de observação dos cronistas na criação de seus textos), me contou  um causo acontecido durante uma partida de futebol no Estádio Gigante do Beira Rio, em Porto Alegre, em que ele se encontrava presente. E acabou, ironicamente, me fornecendo material para esta crônica, sem que eu tivesse o trabalho de fazer qualquer “pesquisa de campo” para sua elaboração.

Segundo ele o ambiente do Estádio é, aliás, um verdadeiro laboratório antropológico a céu aberto, além de ser fonte certa de diversão, muito além do próprio jogo. Especialmente os vendedores que circulam na arquibancada, são de uma esperteza e humor impagáveis e extraordinários. Devido ao contato com o público desenvolvem uma linha de argumentação que, se não possui a sofisticação filosófica de um diálogo socrático, bota no chinelo qualquer político matreiro ou comediante de renome (o que é praticamente a mesma coisa). Um documentário a respeito certamente seria espetacular e, coisa inédita, faria o público mijar de rir.

A cena, de que infelizmente não há registro cinematográfico, se passou num domingo qualquer, no auge do jogo, justamente no momento em que uma cobrança de penâlti garantia ao Inter uma fantástica vitória destas de fazer o Carlão se esporrar todo até quase desmaiar. Mas roubou não somente a atenção do meu amigo, como de uma pequena multidão de uns trezentos caras que se encontravam sentados ao redor.

O criativo ambulante, cujo negócio quase fale devido à proibição da venda de bebida alcóolica no interior do estádio, se esmerava na mais estrondosa e alegre gritaria, oferecendo a cerveja Kronenbier (bosta sem álcool que, desavido, comprei certa feita, tomando no rabo não só pela falta do essencial elemento, mas também pelo sabor enjoativo).

Rindo-se todo, por antecipação, um gaiato metido a malandro, então disparou, com a maior banca:

– Ô meu tio, isto aí dá barato? E o vendedor, impassível, com ar professoral, sem dar nem uma pausa de um segundo, responde na lata, fazendo a platéia rebentar de rir, enquanto o provocador, abestalhado, perde a graça:

– Pois o senhor sabe que outro dia um cara tomou cinco latinhas de uma vez, trabalhou bastante o psicológico, e saiu das cadeiras cambaleando e tropeçando em tudo!

Ubirajara Passos

 

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