Vivendo “de quatro”


Hoje amanheci de saco cheio e, para espairecer , resolvi latir um pouco. Comecei sem muito estímulo, tresnoitado e zonzo que estava.

Afinal, a farra fora boa! Passei a noite e a madrugada fazendo um sexo animal com umas quatro parceiras. Uma de cada raça. Eram todas umas cadelas! Adoravam dar de quatro e, depois, ficar grudadinhas, bem encostadinhas no cara, durante horas.

Mas, voltando ao assunto dos latidos, aos poucos fui me entusiasmando. Quanto mais alto e forte acoava mais energia sentia e o barato da noradrenalina tomou conta de mim quando meus vizinhos resolveram participar da brincadeira e improvisar um concerto de latidos na quadra lá de casa.

Foi aí, no auge dos ganidos festivos, que me surgiu a Rosimeri, furibunda, espumando pela boca, e começou a me comer de porrete, esbravejando: “cala a boca, seu guaipeca desgraçado, que eu quero dormir!”.

Não reagi, evidentemente, diante da fúria destruidora e implacável dela, e me encolhi num canto, ruminando os sentimentos contraditórios de ódio e amor que ela me inspira.  Que megera temperamental, compulsiva e bi-polar! Ultimamente não larga do meu pé e, cada vez que saio à noite, a dar umas voltas fora de casa, ameaça me botar coleira. Uma vez me pegou, já madrugada, mijando no muro e não adiantou eu lhe fazer festas, nem abanar o rabo, que continuou a ralhar comigo, com aquele nariz de bruxa torcido!

Em contrapartida, quando está de bom humor, me cobre de carinhos, me bota no colo, afaga minha cabeça, me dá comida na boca e até já me botou na cama com ela e o Lourival. Este é um pobre coitado. Trabalha como louco pra sustentar a mocréia, nunca sai de casa, nem pra tomar uma cerveja com os amigos, mas só leva bronca.

No dia em que fui pra cama com os dois, o sujeito reclamou, com toda razão, do meu bafo forte, dos meus pés embarrando os lençóis e do linguão de fora, e acabou expulso pela desgraçada, a ponta-pés (como nunca ela sequer fez comigo), tendo de ir, todo encolhido, pro sofá. Por pouco a cretina não o manda ir dormir no fundo do quintal, na minha casinha!

assinado: Totó da Madame

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