O Espírito do Mundo


Vai publicado a seguir o resultado de um transe consciente induzido pelo vinho na última madrugada de sábado para domingo, que, apesar de todo seu formalismo, se pretende uma descrição da intocável “substância” empírica de tudo:

Animus Mundi

É madrugada intensa e indefinida,
Onda perdida entre outras tantas
Num vórtice eterno e aleatório,

E no silêncio atemporal e abstrato
Sinto insinuar-se o espírito do mundo.

Uma energia primeva e sem qualquer limite
Um nada auto-determinado,
Feito de imensos vazios,
Mas cheio de vontades,
Flui pela imensidão do espaço azul-escuro
E faz-se em cada coordenada
Os mais diversos seres e sentidos.

Não é um deus porque não criou nada
Nem fez-se superior árbitro, distante,
Dos destinos do resto universo.

Não é um reflexo complexo auto-consciente
De interações físicas imanentes
E determinante de mudanças pré-escolhidas,
Porque nem sabe formalmente de si mesmo.

Mas é uma pura e inciente vibração,
Uma agitação indefinida e ilimitada,
Uma vontade sem peias, nem tutores
Que vai suberventedo a estabilidade
Dos elementos estanques e sem graça
Da natureza e recriando a cada breve
E infinito instante a vida espontânea
E absolutamente irreverente!

Gravataí, 11 de julho de 2010

Ubirajara Passos

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