Derramando o Vaso de Hermes (conversa de homens na hora da cachaça das cinco)


Terminada a campanha eleitoral, eu e Carlão, que não costumávamos conversar à distância muito freqüentemente, temos mantido diálogos quase diários, e num dias destes, em meio a uma sessão de nostalgia, daquelas que citou até velhos seriados televisivos como Ultra Man e os heróis da marvel (Hulk, Tor, Homem de Ferro, Capitão América, Princípe Submarino), o Carlão me interrompe com uma pergunta inopinada e impactante:

– Mas, trocando de saco pra mala, tu já notou que o cara vai envelhecendo e vai diminuindo o derramamento do “vaso de Hermes”? – usando o termo em alusão a um tratado gnóstico que uma colega famosa por seu comportamento sexual “compulsivo” havia nos alcançado faz quase uns vinte anos.

Surpreso, eu que não ouvia há mais de uma década a expressão (que, na gíria do ocultismo oriental significa mesmo ejaculação, ou em bom português brasileiro, esporrada), me vi mais uma vez salvo das minhas compulsões hipocondríacas pelo safado do Carlão.

A outra vez foi quando ele me citou um artigo da revista pornô Ele-Ela (que eu havia lhe emprestado, mas não havia lido) sobre as papilas perladas peniais (que possuía e supunha ser sintoma de alguma estranha doença “venérea” genética, mas descobri no artigo se tratar de particularidade absolutamente normal em quem possui o prepúcio com excesso de pele – bem o meu caso que possuía fimose na infância, curada à custas das primeiras punhetas).

E agora tratava, involuntariamente, ao me narrar a sua situação, igual à minha, de me frustrar o doce prazer hipocondríaco de preocupar-me com um possível câncer de próstata ou coisa pior. Afinal faz já uns seis anos (desde os 39) que o ilustre quarentão aqui tem notado a diminuição do volume da porra, mesmo nos gozos mais intensos, o que foi notado uma vez pela minha gata preferida, que havia rematado: “como tu ‘goza’ pouco!”.

A conversa com o Carlão lembrou-me, então,  de um extenso diálogo gaiato sobre o assunto que  mantive, há anos, com meu amigo  Zé Carlos, o sujeito mais tarado por mulher e cabaré que conheci além do Xupaxota.

Eu, para variar, me fazia de entendido em assuntos médico-sexuais e urológicos e lhe descrevia a próstata como sendo uma espécie de motor de lançamento, que ía enfraquecendo aos poucos com o passar do tempo, de modo que a porra do sujeito ía cada vez mais perdendo impulso e diminuindo sua trajetória. Assim, o guri novo punheteiro cuspiria o sêmen com força e violência, a mais de um metro de distância. O indivíduo entre as décadas dos vinte e trinta anos, já teria menor desempenho e só desferiria lançamentos mais potentes quando muito excitado e o quarentão ou cinqüentão já teriam seus “jatos” meio que reduzidos a um calmo fluir de regato. Estava neste passo da “teoria da porra”, quando o Zé, me arrematou: “Então, Bira, quando eu chegar aos sessenta vou me acabar na mão?”. Concordei, gaiato, sem jamais supor que estava descrevendo uma realidade biológica e sem imaginar que no futuro de uns dez anos (hoje) eu estaria passando por fenômeno semelhante ao concluído pelo amigo, que relação nenhuma tem entretanto com a capacidade eretiva, é bom esclarecer antes que algum leitor gaiato, entusiasmado com toda esta discussão escatológica masculina, resolva aventar que a redução do jato “hermético” implique em alguma  mitológica semi-broxada.

Ubirajara Passos

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