A broca odontológica nervosa


A história não é nada original e já deve ter ocorrido milhões de vezes ao redor do planeta. Há mesmo um episódio semelhante do “Presidente da República” que foi sem nunca ter sido (o Tancredo Neves), atendido uma vez por um barbeiro que havia conseguido fosse condenado criminalmente, quando era promotor, em Minas Gerais.

Mas o fato é real e aconteceu comigo uns doze anos atrás. E estes dias veio à baila numa conversa minha com o Carlão, pelo MSN.

Tendo quebrado dois pré-molares superiores, após meses postergando a solução, com uma dor imensa no bolso, não tive outra saída que ir ao dentista, , casualmente indicado pelo Carlão, que já fazia lá um tratamento de canal. E acabei por esvaziar uns bons R$ 1.500,00 já na época com as jaquetas metalo-cerâmicas que tive de colocar para substituí-los.

Num modorrento e chuvoso dia, finalzinho de manhã de verão, lá estava eu, boca escancarada, completamente indefeso, nas mãos do competente profissional, que se dedicava diligentemente a desgastar a coroa de um dente, para posteriormente colocar a prótese. E o tédio só não era maior porque o famoso dentista, com mais de uma década de profissão na cidade, era também metido a malandro e um ótimo conversador.

Andávamos assim na maior prosa, no intervalo de um procedimento, quando eu introduzi o assunto preferido: mulher! E como eu estava, DDA tresloucado, um tanto animado, acabei por elogiar as coxas, os seios, o jeitinho estabanado e saltitante de uma certa loira amiga de sua assistente, que freqüentava o consultório e, casualmente, era funcionária de um cartório privativo no foro. Cheguei mesmo a fazer comentários do tipo: “Porra, com aquele estilinho deve ser uma fera na cama, um fogo inextinguível e muito doida, mesmo!”

O homem, estranhamente, foi ficando nervoso (até parecia que não gostar da fruta), fechou a cara e começou a manejar a broca de uma tão forma brusca que cheguei a temer pela minha própria vida!

Mas, passados uns minutos, tudo voltou à normalidade e a consulta seguiu seu curso.

Chegando ao foro no início da tarde (eu fazia o tratamento no final da manhã, no intervalo do almoço), , ainda um tanto surpreso e embasbacado, contei ao Carlão o estranho episódio, e até lhe perguntei se o cara não era puto!

E  foi aí que levei nos cornos a maior ducha de água fria imaginável:

– Ô Bira, tu tá louco! Aquela loirinha gostosa é namorada dele!

Ubirajara Passos

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