Aventuras Sexuais do Peruca no Brasil Central


 Paraguaçu é uma funcionária pública de meia idade, e ocupa um cargo de chefia em uma repartição do Ministério do Trabalho, em Mato Grosso. Sua personalidade um tanto quanto dispersa, meio que avoada e estabanada, não impediu que concluísse o curso de Direito, na Faculdade de Cacimbinhamburger, no Vale do Rio dos Sinos. Dizem as más línguas que na mesma classe em que se formaram dois grandes doutrinadores da atualidade jurídica e decadencial da literatura jurídica gaúcha, o Doutor. Nênio Gambá (já citado neste blog) e o Doutor Com Pêlo, dois criminalista de alto renome em Gravataí.

Nem mesmo o seu estilo completamente desastrado e sua proverbial ignorância arrogante foi empecilho para que passasse no concurso, de forma um tanto duvidosa (eis que possuía antigos amigos no tal Ministério), se bem que sua classificação só lhe permitisse assumir o cargo em Cuiabá, a milhares de quilômetros de seu importante estado natal, o Rio Grande do Sul. E, por incrível que pareça, acabou encarregada da pesquisa para atualização da Classificação Brasileira de Ocupações, na região da Amazônia Legal, setor em que veio bater às portas o Peruca, via um estranho convênio com uma prefeitura do Centro-Oeste, acompanhado do Nandinho Cannabis Andarola, após ter se encerrado seu longo e ininterrupto estágio forense em Gravataí, de mais doze anos, incrivelmente realizado, todo ele, enquanto o Peruca repassava as matérias do 1.º semestre.

Era pública e notória a “amizade” que florescia entre Paraguaçu e seu fiel e bocaberta  estagiário, que, além de ter sugerido a inclusão da profissão de “michê homossexual” diferenciada da genérica de profissional do sexo, jamais deixara de obedecer uma ordem sequer, tanto de serviços internos como “extra-cartorários”. Além, é claro, da matrona ter nele encontrado a sua alma gêmea. Paraguaçu era a perfeita versão feminina do nosso asnífero herói e dificilmente se encontraria alguém igual sobre a face da Terra.

Neste ponto é bom esclarecer que o Peruca embora tonto e detentor de um raciocínio tão rápido quanto o de um tatu-mulita (seu QI atinge, inacreditavelmente, o mesmo patamar de uma fuinha), nos seis meses em que esteve estagiando no Planalto Central, conseguia atrair os mais diversos tipos de afetos e admiração do sexo oposto (e também de um certo colega do mesmo sexo) e não era raro ver os mais esquisitos tipos de criaturas interessados pelo estagiário, tanto pela sua expressa submissão quanto pelo fato do rapaz ter uma paciência sobre-humana.

E em uma, até então, monótona manhã de segunda feira, não mais do que de repente, Paraguaçu entra cartório a dentro, mais atrapalhada e nervosa do que de costume, senta-se em frente a um computador, e começa a digitar velozmente. Ao ser questionada pelo curioso e enxerido estagiário local, o Nandinho Cannabis Andarolas, sobre sua estranha atitude (que era realmente estranha, pois os funcionários da repartição jamais haviam visto Paraguaçu digitando uma palavra sequer no ano corrente), ela dispara:

  – Eu demiti o Peruca! E tenho que enviar um ofício comunicando a Prefeitura de Brejóvski os motivos, porque ele era estagiário cedido.

Quando todos já haviam perdido as esperanças de saber o motivo da dispensa do Peruca, Paraguaçu, insegura como era, pediu para um subordinado (logo o Nadinho Andarola!) corrigir seus erros de ortografia e concordância, e enviasse diretamente para o protocolo do município a seguinte mensagem, reproduzida fielmente como a que fora escrita pela funcionária, que acabou divulgada para todos pelo corretor safardana:    

 Caro senhor Prefeito do Município de Brejóvski – MT:

Por que demiti o estagiário? Era meu aniversário de 45 anos, meu humor não estava lá essas coisas. Naquela manhã, ao acordar dirigi-me a cozinha para tomar café na expectativa de que meu marido dissesse: “Feliz aniversario, querida”. Mas ele não disse nem bom dia… Pensei: “Esse é o homem que eu mereço!” Mas continuei a imaginar: “As crianças certamente lembrarão”. Quando elas chegaram para o café não disseram nem uma palavra.

Saí bastante desanimada, mas me senti um pouco melhor quando entrei na DRT e meu estagiário, o Peruca, disse: “Bom dia Doutora, Feliz Aniversario!” Finalmente alguém havia lembrado.

Trabalhei ate o meio dia, quando o estagiário entrou na minha sala dizendo: “Sabe Doutora … Está um dia lindo lá fora, e já que é o dia do seu aniversário, podemos almoçar juntos, só a senhora e eu”.

Fomos a um lugar bastante reservado. Nos divertimos muito, e como de costume paguei a conta do Peruca, porque ele fingiu ter esquecido a carteira mais uma vez, e no caminho de volta ele sugeriu: “Doutora! com esse dia tão lindo, acho que não devemos voltar ao Ministério. Vamos até o minha apartamento, o Nandinho tá lá na DRT, e só chega a noite mesmo, e lá tomaremos um drinque.”

Fomos então para lá, e enquanto eu saboreava um vinho ele disse: “Se não se importa eu vou até o meu quarto vestir uma roupa mais confortável”. Tudo bem, respondi. Fique a vontade. Decorridos mais ou menos cinco minutos, ele saiu do quarto carregando um bolo enorme, seguido de meu marido, meus filhos, amigas e diversos chefes e funcionários da repartição, todos cantando, “Parabéns Para Você” “E lá estava eu, nua, sem sutiã, sem calcinha, sentada no sofá da sala e me masturbando…”

OBS: é por isso que eu digo…

 ESTAGIÁRIO SÓ FAZ CAGADA!”

Ubirajara Passos

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2 comentários em “Aventuras Sexuais do Peruca no Brasil Central

  1. […]  Durante o estágio do Nandinho Andarola na Delegacia Regional do Trabalho em Cuiabá, capital do Mato Grosso,  era comum avistar o rapaz nos intervalos (concedidos para fumar seu “cigarro” e fazer um lanche), enrolando um papel de seda sobre um tipo de erva estranha, e voltar para o serviço mais doido que o Dente Hugo em dia em que seu avô Ramón recebe a aposentadoria. […]

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  2. […] Aventuras Sexuais do Peruca no Brasil Central: […]

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