Almanaque do Peruca – 6


Para que os leitores brasileiros possam dar uma relaxada, e encontrar mais um judas, daqueles bons pra malhar, depois do desastre futebolístico da copa do mundo da África do Sul, vão aí publicadas mais duas pérolas do meu amigo Peruca:

O pé gelado na bola virtual: manhã de sexta-feira, dia 2 de julho. Tresnoitado, pois passara a madrugada reparando meu notebook para que o Peruca pudesse formatá-lo e substituir o horrível programa Vista Home Basic pelo Windows 7, mal consigo acompanhar o jogo Brasil x Holanda, quando tenho de sair correndo até o portão de casa, pois o dito cujo estava chegando, montado em sua nova e flamante moto (e acompanhado por aquela nuvem de tempestade invisível, que despejava chuva, raios e trovões sobre aquele personagem azarado dos quadrinhos), para pegar o meu computador portátil, a fim de fazer o serviço em sua casa.

Em segundos, enquanto abro o portão, ouço os gritos de horror da Janaina e das crianças dentro de casa. A Holanda “fizera” seu primeiro gol (na verdade um inédito e ridículo gol contra).

O Peruca passou o intervalo me narrando as novas proezas do “Dente Hugo”, que cansou de fazer “expropriações” e comércio informal de fio de cobre e agora está se dedicando à nobre arte do michê, tendo faturado estes dias nada mais do que uns R$ 100,00, de uma tacada só, daquela budegueira velha (sessenta anos que parecem cem) tarada e fogosa que resolveu adotar o eterno “menor abandonado”.

E quando já se preparava para partir, ele, que passara a madrugada em expedição etílico-farrista com o Kadu e o Negreti e se acordara pouco antes de vir até a minha casa, resolveu me perguntar como andava o placar do jogo. Lhe informei da infausta coincidência: foi só o Peruca botar o pé no meu portão e veio o gol da Holanda. O placar era um inconveniente 1 x 0 contra o Brasil.

O asnífero ex-estagiário de Direito, com aquele sorriso irônico de jegue sonolento, teve então a coragem de proferir a profética e terrível frase: “Então vou ficar por aqui mais um pouquinho pra ver o que acontece”.

Não ficou. E nem eu, que já não acompanhava o jogo pela televisão, acreditei que outra coincidência absurda pudesse acontecer.

Mas o fato é que as causas da eliminação da Seleção Brasileira de Futebol parecem ser bem mais profundas e concretas do que  a CBF ter convocado para técnico do time justamente o mais “peruca” e debilóide dos 7 anões, o Dunga (ainda se fosse o zangado…) e dos nossos jogadores estarem sem a camiseta verde-amarela, mas usando o uniforme alternativo, com a terrível cor azul (que identifica, casualmente, o Grêmio de Porto Alegre, time para o qual torce o Peruca).

Podem não acreditar, mas a culpa toda é do Peruca! Foi só ele botar o pé no acelerador da moto e dar partida e lá veio o segundo gol da Holanda, que mandou a vaca brasileira pra lá do mais espinhoso brejo!

Assustando o aipim: é simplesmente indesculpável, mas faz já uns seis meses que o Peruca ficou viúvo e este blog não noticiou o fato. Se algum leitor é amigo distante da Schuvaca Horripilis, no litoral norte do Rio Grande do Sul, e não a vê por Tramandaí há tempos, não se alarme, entretanto. A “delicada” mulher do Peruca está bem vivinha. Mas separou-se do proverbial pateta.

Quem morreu foi o Traveco Violento, em renhido tiroteio com seu colega de profissão, o famoso Rick, ou “Camila Pitanga”, que era o homossexual folclórico mais famoso de Gravataí, assíduo prestador de serviços aos camioneiros gays e pequeno-burgueses engravatados da cidade nos matinhos da RS-118.

E o Peruca ficou tão deprimido que a Schuvaca, tomada de um ciúme “animal” tratou de dispensá-lo. Assim, desempregado (seu estágio forense terminou há uns bons 9 meses) e sem mulher, ele voltou pra casa da vovozinha, que, cansada de sua vadiagem resolveu lhe ensinar a cozinhar, que era só o que faltava ela ter de trabalhar pro marmanjo quase trintão.

Um belo dia a pobre senhora (que outro qualificativo não caberia à vó de um sujeito como ele), tendo dado ao netinho as instruções de como cozinhar aipim (quel ela chama de “mandioca mansa”, mas evita usar o termo na frente dele, pra não lhe atiçar a nostalgia do traveco), complementou a lição dizendo: “só não te esquece, meu neto, antes de colocar na panela, tu tem que dar um susto no aipim”.

Coitada, pretendia que o asno mergulhasse a raiz na água fria da torneira para lhe dar consistência no cozimento com o choque térmico. Mas quase tem um chilique, desses de ficar de pernas para cima, quando entra na cozinha e encontra o Peruca, suado e e esbaforido, em frente à pia, berrando alto com um monte de aipim.

Ubirajara Passos

Anúncios

Um comentário em “Almanaque do Peruca – 6

  1. Cavanha disse:

    Hahahahahahaha.
    Muito bom as histórias do Peruca, cada vez melhores!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s