Nossas Homenagens ao doutor “Inácio Guilhotão”


Outro dia, um companheiro meu de luta sindical, pra variar, me advertia que talvez o insucesso do Movimento Indignação nas eleições para a direção do Sindjus-RS se devesse ao fato de que, por mais que a chapa se esforçasse em se expressar na linguagem mais sóbria e racional possível, abrindo mão do panfletarismo sectário, havia uma contradição manifesta entre tal linha de campanha e a tônica dos textos publicados neste blog.

Que, segundo o meu sincero e bem intencionado crítico, e simpatizante,  primariam pela pior iconoclastia anarquista revolucionária, zombando solenemente não apenas das construções teóricas cientificistas e do imaginário alienante da cultura burguesa, mas não reconhecendo mesmo visões filosóficas e políticas puramente racionais e cientificamente irrefutáveis, além das opções e simpatias político-ideológicas.

Confesso que tive vontade de mandá-lo imediatamente à merda, no melhor estilo de resposta, mas, cedendo aos hábitos de absurda e absoluta paciência que desenvolvi em um ano e nove meses de casamento, me fiz de desentendido. E, ruminando vagarosamente a crítica que me foi servida como um prato medicinal e restaurador, acabei por concluir que o meu amigo, afinal, tinha razão.

O Bira e as Safadezas… vem se caracterizando por uma linha completamente destrutiva, que senta o pau, a torto e a direito, em tudo e em todos, sem propor nenhuma solução propositiva, e sem reconhecer os méritos de tantas instituições, ações e indivíduos que tem colaborado, no correr da História, para a melhoria da vida da humanidade de forma indiscriminada.

Assim é que, para sanar tão irreparável e inexcusável lacuna,  resolvi, em comum acordo com o Alemão Valdir, que, discutindo longamente comigo o assunto, passou a comungar da minha conclusão, e me autorizou a publicar o texto em seu nome também, render neste blog as nossas homenagens a um dos maiores e mais denodados benfeitores da humanidade, senão o maior.

Trata-se de cientista de renomada sapiência e altruíssimo interesse pelo bem estar coletivo dos homens, que, estranha e casualmente se chamava também Inácio, muito embora possuísse, íntegros, os dez dedos das mãos, e seu principal invento pudesse ter sido a causa que colocou o Luizinho na condição de possuidor de apenas 19 dedos. O nosso benemérito e honrado inventor é nada mais nada que o doutor Joseph-Ignace Guillotin, nascido em Saintes, França, em 28 de maio de 1738 e morto em Paris, em 26 de março de 1814.

Eminente e humanitário médico, foi presidente do Comitê de Vacinação de Paris em 1805, uma época em que a recém-descoberta técnica terapêutica preventiva de Edward Jenner era reconhecida e apoiada por poucos, sendo terrivelmente rechaçada pelo ranço da comunidade científica européia. Guillotin foi também um dos fundadores da Academia de Medicina de Paris.

Mas seu grande mérito foi a invenção da guilhotina, a lâmina articulada que permitia aos condenados uma execução suave, rápida e honrosa, isenta do horror de tortura e sofrimento prolongados a que eram submetidos no Ancien Régime da monarquia absoluta francesa.

Graças a ele a república revolucionária jacobina pode fazer uma faxina na canalha da nobreza corrupta e privilegiada do século XVIII em seu país, muito embora o instrumento inventado pelo doutor não fosse suficiente para garantir fossem extirpados todos os safados que submetiam o povo francês à miserável condição de burro de carga e viesse a ser utilizado contra o próprio líder republicano extremista, Robespierre.

O invento de Guillotin é, na verdade, o mais eficaz artefato de revolução e redenção social da humanidade e, se utilizado pela justiça revolucionária indignada, poderia nos garantir a plena eficácia da eliminação da classe opressora e exploradora, a burguesia, separando, de forma definitiva e irreversível, o pescoço e o corpo dos senhores burgueses e seus lacaios políticos que infelicitam a maioria de bilhões de peões escravizados e infatilizados, reduzidos a gado faminto e neurotizado e a infelizes súditos coniventes com sua própria dominação,  mergulhados num triste e sombrio quotidiano de privação material e tortura mental, que mata um pouco todo dia, quando não de uma vez só nas guerras pretensamente étnicas e religiosas patrocinadas pelo imperialismo multinacional, e nos morticínios civis não declarados do enfrentamento com a polícia, nas favelas dos Haitis ou Rio de Janeiros do mundo afora.

Infelizmente, entretanto, nem sua utilização, nem a situação revolucionária que a permitiriam tem resultado da luta político-ideológica dos últimos dois séculos e vinte anos, e os nossos eminentes militantes socialistas de todos os matizes, quando lograram eventualmente o poder, ou se converteram em apoiadores do privilégio e do aparato da nobreza capitalista, se transformando eles mesmos em patrícios da ordem vigente, ou recriaram a dominação das massas através de um sistema de espoliação burocratizado e totalitário.

E, onde eventualmente o início da  revolução socialista foi levado a cabo em real comprometimento com a causa da liberdade e da dignidade popular, como no Chile de Allende, nos anos 1970, não só a guilhotina foi estupidamente desprezada como meio de consolidação da revolução, como a própria eliminação radical da burguesia não foi efetivada antes que a reação fascista sanguinária, violenta e descabelada transformasse o sonho da redenção da maioria trabalhadora no pesadelo da ditadura militar torturadora de extrema-direita.

Ubirajara Passos

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