Sátiras Luso-Brasileiras


O leitor, com toda razão, dirá que este post é totalmente despropositado e, com razão nenhuma, caracteriza definitivamente um estilo preconceituoso e filho da puta deste blog.

Pobre humanidade sem humor aquela que vê em tudo, especialmente na sátira, preconceito, pois não fosse a caricatura,  a possibilidade de rir das coisas mais quotidianas ou estranhas, inofensivas ou funestas, o que seria do humor?

Humor “politicamente correto” não existe, pois o riso é, por natureza, irreverente e debochado, e sobretudo espontâneo.  Quando tenta ser bem comportado e razoável (o que define o “sério”, cujo equivalente facial é justamente o contrário do riso ou do sorriso, ou seja, o siso), o que dele resulta é o riso forçado (que parece mais uma manifestação de dor de barriga) ou sorriso amarelo (que se assemelha àquela careta própria de quem sentou no formigueiro sem calças).

Mas a publicação de hoje é realmente um despropósito, pois os textos abaixo reproduzidos me surgiram do nada, sem nenhum planejamento. Simplesmente, ontem de manhã, feriado na maior parte das cidades do Brasil, e pra variar, em Gravataí, no Rio Grande do Sul, extremo sul do país, eu me encontrava a brincar com a Isadora, quando me saltou à tela da mente, vindo dos mais obscuros e “obscenos” recantos do inconsciente o verso inicial do primeiro poema (“não sei se escrevo ou leio”) e daí veio o resto.

Aos meus caros patrícios lusitanos deixo a advertência de que não se zanguem com este sub-literato aqui, que ainda não havia escrito “piada de português”, pois ao fazê-lo estou a rir de mim mesmo, descendente que sou de velho tronco português radicado a alguns séculos nesta América. Vamos aos poemas:

Soneto aos meus ancestrais

Não sei se escrevo ou leio!
Num porre enorme berrava
Um portuga tresloucado.

Um alemão lhe dissera,
Em discussão no buteco,
Que, para ser importante
E ter um lugar ao sol,
Tinha que entender de letras.

E o luso, impressionado,
Pensou em compor um fado,
Mas logo se arrependeu.
Deixou-o indeciso o ditado:
Escreveu, não leu,
O pau comeu!” 

Gravataí, 3 de junho de 2010 

Ubirajara Passos

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Rata ou Rato?  

Portuga conservador,
Muito atento à etiqueta,
Foi a uma agropecuária
Comprar veneno pra rato. 

Perguntou-lhe o vendedor
Qual o tipo que queria,
Se do rosa ou do azul. 

E o portuga, embasbacado,
Depois de muito pensar,
Pois sofria de “DDA”,
Naquele “acho-não-acho”, 

Disparou: “o senhor desculpe,
É um enorme camundongo,
Mas não sei se é fêmea ou macho”. 

Gravataí, 3 de junho de 2010 

 Ubirajara Passos 

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