Inebriamento


Domingo, 23 de maio de 2010, realmente me rendeu uns quantos poemas, cada um mais besta do que o outro. Mas, na falta de coisa melhor, brindo os leitores com mais este, escrito já no final da tardinha:

Inebriamento

Apesar de domingo, havia um ar
Irresistível de sábado à tardinha.

Ventava forte e frio nos nossos rostos
E a luz do outono, coada no arvoredo,
Nos transportava aos mais estranhos mundos.

A ventania acariciava-nos o ouvido
Com o sussurro longínquo dos desertos

E tecia, artista intuitivo,
Aos nossos pés, sua tapeçaria
De folhas marrons e amareladas.

E a tudo envolvia um espírito estranho
De outras terras e eras já perdidas.

Ecoavam, débeis, velhos cantos
De caravanas milenares, profecias
Sorvidas no “chá forte” dos xamãs,

E líricas guitarras mergulhadas
No graal sacro da cuia de erva-mate.

Gravataí, 23 de maio de 2010

Ubirajara Passos

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