À Margem de si Mesmo


Mais um poeminha desconsolado que o último domingo inspirou-me:

À Margem de si Mesmo

Que coisa horrível é viver num limbo,
Sempre a parte das coisas, mas presente,

A tudo vendo, ouvindo, sentindo, mal cheirando
(Que a crônica rinite seqüestrou-me o olfato),

Tudo fazendo, mas não encontrando
Nenhum contato íntimo com elas.

Melhor seria não saber de nada,
Ser um grão de areia esvoaçante,
Que nada achar de prazeroso na existência,

Que não sentir-se vivendo a própria história,
Mas um alheio e pesaroso sonho
Em que um deus irônico e pérfido lançou-nos.

Melhor seria o coma alcoólico que um porre
Que, quanto maior, mais lúcidos nos torna.

Melhor seria ser o “asno falante”
De Balaão do que Moisés, velho, morrendo
À margem da “terra prometida”.

Gravataí, 23 de maio de 2010

Ubirajara Passos

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