Nirvana Bêbado


Ultimamente não tenho bebido muito (efeito colateral do casamento), mas só consigo escrever poemas de fossa intelectual, dignos daquele porre enjoativo que se toma quando a patroa te deu uma reinada porque tu colocaste o cachorro na lixeira e o lixo na casinha do cachorro.

Hoje à noitinha, indo à loja de conveniência do posto de gasolina mais próximo comprar cigarro para a “patroa” se intoxicar um pouco mais com a fumacinha sem graça (já que não tem o bom de gosto de se envenenar com aquele goró do bom), bateu-me às guampas o poeminha que segue, que, com exceção do 2.º, 4.º e 5.º versos da última estrofe, foram integralmente compostos na caminhada de cinco minutos:

Nirvana Bêbado


Quero sentar à mesa do buteco,
Viajar na embriaguez boêmia.

Com meu compadre as mais banais
Fofocas quotidianas da esquina
E os eternos planos da revolução
Discutir na madrugada a dentro,

Cantando, entusiasmados, as putinhas
De pouco preço e esperteza imensa.

Quero filosofar nas ondas suaves
E cambaleantes do vinho até o sol nascer,
E entrever, em meio ao porre pândego,
Uma experiência de unidade absoluta
Com o todo que nos cerca.

Quero viver, na noite estrelada,
A brisa úmida esfriando o fogo bêbado,
Um êxtase estático em canto escuro da calçada

E penetrar, embalado nos vapores
Da uva sacra fermentada,
Na irmandade com o espírito do mundo!

Gravataí, 18 de março de 2010

Ubirajara Passos

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