Confissões de um Rebelde Hipocondríaco


 

Outro poema escrito na tarde de quarta-feira, após o trabalho:

Confissões de um Rebelde Hipocondríaco

Há no desastre da minha existência
Um componente besta, mas fatal:
É esta insegurança infinda
E este pavor da morte, que me mata
Cada segundo, em pânico; a incerteza
Que me mantém no sobressalto eterno
E me faz sofrer em vida as mais banais
E irritantes penas do inferno!

É este medo absurdo, e inconfessado,
De sucumbir, sem aviso, a um repentino mal
Vindo de dentro, secreto, trabalhado,
Silente e lento, pela própria hipocondria!

É este receio exasperante e irremediável
De, por qualquer artéria obstruída,
Sair da cena sem gozar toda a vida,
Abandonar o campo no meio da batalha,
De nunca mais avistar a luz do dia

E, ironia cretina, eu que não sou rebanho,
Mas gasto a vida na defesa da manada,
Tornar-me o adubo que engendra a grama
E, indiretamente, servir de pasto ao gado.

Gravataí, 10 de março de 2010

Ubirajara Passos

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