O ASSASSINATO DE CRISTO – IX


 

Parte final do último capítulo de “O Assassinato de Cristo”, do mestre Wilhelm Reich (o descobridor do orgone):

O novo líder terá de aprender a dar sabiamente com circunspecção. Caso contrário, as pessoas tomá-lo-ão por uma pessoa crédula e farão dele um tolo com profundo desprezo por seus procedimentos. Será saudado como a “galinha dos ovos de ouro”, para ser deglutida dentro de estômagos vaizos. Amenos que estejas preparado para encontrar coisas ainda piores do que as que ousaste imaginar, nunca tentes salvar vidas ou proteger crianças. Parecerás apenas um tolo ou, o que é pior, um criminoso aos olhos de muitos juízes: “Isso não se faz”. Amor sem interesse simplesmente não é deste mundo; mas o novo líder terá de juntar muito amor. O amor se tornou sem lar numa era sem amor, em que a política rege os acontecimentos. Tudo isto o novo líder terá de reconhecer e sofrer.

Um espaço vazio se desenvolverá ao seu redor quando as pessoas sentirem que ele representa a Vida e é um doador de Vida. Sentir-se-á ferido, passará pela agonia de ser alvo de ódio por atos de amor; e ele mesmo será tentado a odiar por todo esse desempenho horrível. A desconfiança das pessoas e a necessidade de vingança ameaçarão envenenar sua alma. Desta forma, muitos cairão e serão perdidos como líderes. As próprias pessoas terão feito isto aos seus líderes, que se sentirão como ratos em armadilhas bem armadas, como tolos e imprestáveis. Apenas muito poucos sobreviverão.

O povo isolará e colocará o líder de quarentena, de muitas maneiras. Uma mandeira de levá-lo à solidão é adorá-lo, amontoar-se ao seu redor, pendurar-se em seus lábios e beber cada palavra que pronuncie. Alguns líderes gostam disto. Outros correm quando se defrontam com isso. Sentem-se como animais no zoológico, contemplados por multidões que se admiram que os animais não tenham desenvolvido vergonha de seus genitais. As pessoas são capazes de despir o líder quando se amontoam ao seu redor, para descobrir cada um de seus segredos: quantas mulheres ele come no jantar, se ele nada e se joga bridge, se tem filhos ilegítimos, ou se sua esposa tem um amante.

A multidão isolará e, eventualmente, matará o líder, focalizando nele o holofote, no sentido figurado e literal. Amarrá-lo-ão e torná-lo-ão impotente, criticando cada um de seus movimentos sem que eles mesmos movam um só dedo na prática. A constituição não garante o direito de livre discurso? Essas pessoas não são pessoas livres de uma terra livre? Não importa qual terra; elas sempre se sentem livres, ou recém-libertadas ou prestes a mergulharem na liberdade. E o que elas querem é saltar fora da camisa-de-força do casamento por apenas uma noite, ou sair de férias, ou dormir enquanto outros trabalham no escritório num dia quente de verão, numa grande cidade fumacenta.

Tudo isso estaria certo se não matasse cada movimento de uma mente verdadeiramente livre. A fim de sobreviver, o líder terá de evitar toda esta contemplação e crítica e não fazer nada além de tagarelar e foder. E lentamente, penosamente, aprenderá a ver o vazio completo das pessoas que é abafado por muito barulho, um barulho que é feito para desviá-las da sensação corrosiva do absolutamente nada. Deste nada só pode brotar a malignidade. O líder saberá disto e sentir-se-á como alguém que se está afogando num oceano de tarefas impossíveis de realizar.

O isolamento que ele sofre nas mãos das pessoas ao seu redor colocará em perigo sua saúde e sua capacidade de trabalho. Perderá o direito de viver uma vida normal entre as outras pessoas. Enquanto as pessoas têm toda a compreensão pelos segredos dos casais, casados ou não, elas olharão de lado quando o líder mudar de parceira ou viver em desacordo com o padarão ignóbil de conduta de algum estatuto. O líder aprenderá que se nega a ele aquilo é tomado como natural no caso do cidadão comum. Ele achará cada vez mais difícil mover-se livremente com parceiras. Terá de começar a se esconder. E esconder afastará muitas parceiras que desejarão desfilar entre a multidão com o amante, que é um “líder.

Coisas como essas porão em perigo a estrutura inteira do trabalho do líder. Ele correrá o perigo de se tornar moroso ou de ficar chocando num buraco, incapaz de produzir pensamentos, tornando-se, assim, um Calígula ou um proletário com a boca cheia de slogans-do-mascate-da-liberdade. OS LÍDERES DOS HOMENS TERÃO DE VIVER UMA VIDA AMOROSA PLENA, SADIA, GRATIFICANTE, COM MULHERES QUE COMPREENDAM AS MANOBRAS DA VIDA. Para realizar seu trabalho, o líder deverá evitar o emaranhado de uma vida familiar estúpida, barulhenta. Neste ponto ele estará alinhado com Cristo, que deixou sua família e solicitou que seus seguidores fizessem o mesmo. Mas em nenhuma circunstância pregará a dissolução da família, como alguns mascates da liberdade tendem a fazer. Ele terá e amará crianças, as suas e as dos outros. Saberá que aquilo que é válido para sua vida nem sempre é válido para a vida de todos os demais. A qualquer preço, o novo líder terá de manter um sistema emocional puro, e ele fará gtudo para escapar da sujeira da alma que acompanha a privação sexual. Seus sentidos e seus pensamentos devem permanecer afastados das desvastações da abstinência do amor corporal gratificante.

Mantendo o núcleo  de seu ser vivo constantemente acelerado, será capaz de penetrar através das intrigas e chás e e reuniões sociais e tapinhas nas costas e piadas sujas e fodas dos homens e mulheres na rua e nos palácios, até o núcleo de suas emoções vivas. Conseguirá eventualmente descobrir por que tantas pessoas dotadas de todos os tipos de potencialidade caem, mais ou mais tarde, na rotina de uma vida estúpida. Por que existgem tão poucos pensamentos e ações produtivos bortando das pessoas; como toda a fertilidade das pessoas está sendo morta de tantas maneiras e tão cedo na vida, mesmo quando ela acaba de emergir do útero.

As pessoas não gostarão de ser levadas a sentir seus próprios núcleos vivos de emoções em movimento – não no cinema, mas vendo uma criança ser espancada num parque; não numa multidão que dança e empurra e arfa e se esfrega e transpira, mas nas favelas (slums) e nas regiões pobres das nações e nas grandes cidades onde porletários brancos matam proletários negros. Em suma, a tarefa de gerações de líderes de homens será encontrar caminhos para deter a evasão do essencial e a emoção barata que se sente quando se vêem rostos sangrando numa luta de boxe.

Da mesma forma que a atenção emocional das pessoas em geral terá de se voltar ou de ser voltada para o essencial, para que tudo não pereça, assim o novo líder também assumirá o encargo de fvoltar a maré para a concentração sobre o essencial na vida humana, e não sobre o tema tolo e deterioridado e sem sentido e há muito abandonado dos negócios públicos. A evasão do essencial seguiu as trilhas traçadas pela evasão geral e estabeleceu, através dos tempos, centros poderosos de dispersão das questões cruciais da vida, dotados de grande poder de se defender contra a intrusão de Cristo sob qualquer forma. Para confirmar isto, leia hoje as manchetes de qualquer jornal.

O novo líder dirá às pessoas que votar não é o bastante, e que exortar as pessoas a participar no governo também não é o bastante. Tudo isso começará nos ambientes da primeira infância e nas escolas maternais e nos jardins de infância e nas escolas. Os superintendentes de escolas corajosos, conscientes, serão apoiados contra os professores ossificados. Os caminhos e meios da peste que mantém a Vida viva longe das escolas serão detectados e combatidos como só o latrocínio ou assassinato são hoje combatidos.

Uma vez que a atenção se volte para  a grande do essencial como sendo o mais perigoso inimigo da humanidade, serão encontrados os meios de exterminá-la – a evasão, não o evasor – onde quer que se encontre. O problema não é o problema a ser resolvido. O problema é a evasão determinada de qualquer problema maior.

Muitos líderes autênticos defrontar-se-ão com a morte e a extinção de uma forma ou de outra.  A peste estará delirando como nunca. Mas, uma vez trazida para o ar livre e aberto e à luz brilhante do sol, a procriação horrível, maligna da injúria monstruosa e dos pensamentos perniciosos, através dos tempos, lentamente começará a se dissolver. Na mesma medida, a Vida começará a avançar.

Não há razão nenhuma para se preocupar com as formas de existência que a Vida escolherá em sua marcha. Não importa o que escolha; uma vez livre do crônico Assassinato de Cristo, escolherá o que é bom para si mesma, e aprenderá por sua própria experiência o que deve abandonar. A Vida é produtiva, a Vida é flexível, a Vida é decente. Portanto, não te preocupes com o que a Vida escolherá para fazer. A única preocupação é como libertá-la para a ação contra o assassinato de Cristo, contra aqueles que perderam o sentimento da Vida em seus corpos.

Nenhum estrondo ou terremoto acompanhará o deespertar da Vida viva em nossas crianças. Será um processo lento, direto e limpo se a peste estiver anulada, dificultada e retorcida, caso escape da plena extinção.

É absolutamente certo que em nenhum caso a Vida escolherá ou poderá escolher uma forma de existência que seja anti-Vida, contra as crianças, contra a verdade, contra o prazer de viver feliz, contra a realização do florescimento pleno da iniciativa inata em cada simples portador da centelha da Vida. Deixar a vida fluir livremente, desimpedida das distorções que a tornam feia e assassina, será o primeiro passo em direção à liberdade e à paz na terra. Este pequeno insight em si mesmo ativará a liberdade para a ação. O interesse pelo bem-estar do bebê recém-nascido que carrega Cristo dentro de si direto do céu para a terra, é absolutamente geral e não pode ser vencido por nada no mundo; ele mostrará como um poder de dimensões imensas, bem à frente de tudo o que os homens malignos jamais tentaram inventar com o propósito de matar a Vida.

Um novo tipo de homem crescerá e transmitirá suas novas qualidades, que serão as qualidades da Vida irrestrita, aos seus filhos e e filhos de seus filhos. Ninguém consegue dizer como será esta Vida. Não importa como ela será, ela será ela mesma, e não o reflexo de uma mãe doente ou de um parente aborrecido e pestilento. Ela será ELA MESMA, e terá o poder de se desenvolvder, e de corrigir aquilo que impedir o seu desenvolvimento.

Nossa tarefa é proteger este processo contra a peste maligna, salvaguardar seu crescimento, aprender a tempo o que distingue uma criança que cresceu como prescrevia o intesse desta ou daquela Cultura ou Estado ou Religião ou Costume ou idéia estrábica da Vida. Se isso não for feito, não haverá nenhuma esperança de pôr um fim ao massacre em massa.

Em resumo, o novo líder recusará cavalgar para Jerusalém para conquistar o inimigo. Ele se voltará para a corrente da Vida, que é Deus, nos pequenos corpos dos filhos e filhas ainda não nascidos do homem. Sobre eles apoiará sua resolução de não cair na tentação das pessoas a se tornar líder delas, perpetuando seus modos de vida estagnados, não cederá às próprias pessoas cujas vidas precisam ser basicamente mudadas, deixando as crianças crescerem como o Deus da Vida as criou.

A CULTURA E A CIVILIZAÇÃO AINDA NÃO EXISTEM. ESTÃO APENAS COMEÇANDO A INGRESSAR NA CENA SOCIAL. É O COMEÇO DO FIM DO CRÔNICO ASSASSINATO DE CRISTO.

Wilhelm Reich

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