O ASSASSINATO DE CRISTO – V


Publico abaixo a primeira parte do último capítulo do apêndice de O Assassinato de Cristo, do mestre Wilhelm Reich, que resume, de forma candente, os antecedentes.

O NOVO LÍDER

A História ensina quais os maiores erros que podem ser evitados durante o avanço para o desconhecido. Ela não pode ensinar ao líder emergente como será ó futuro, se sonha com um futuro diferente da vida social presente e passada. É certo que a sociedade humana se move para diante, resoluta, resistindo a qualquer interrupção do movimento. Mesmo as grandes sociedades asiáticas que tinham permanecido inalteradas por longos períodos de tempo, começaram a se mover para frente, e entraram mesmo num fluxo rápido quando se puseram em contato com o pensamento ocidental.

A Revolução Russa de 1917 forneceu a experiência qjue mostra que não há nenhum objetivo determinado a ser derivado do passado. A visão marxista da “necessidade histórica” apenas se manteve enquanto se tratava da necessidade de mudança. Falhou completamente na medida em que contéudos e formas de desenvolvimento futuro foram previstos; o resultado real da libertação da escravidão feudal na Rússia no século XIX foi o aumento da escravidão em vez do crescimento da autodeterminação humana.

Com o ingresso de grandes massas humanas na cena social por toda parte – pessoas que carregam todas as misérias e distorções ao mesmo tempo que as esperanças do passado num futuro obscuro –,  a determinação mecânica de metas fixadas e objetivos distintamente delineados de desenvolvimento social torna-se naturalmente impossível. Uma das maiores razões para o caos generalizado deste sélculo XX, de transição e transformação da sociedade humana, é que massas de povos em movimento encontram-se com pilhas de idéias humanas, a maioria das quais ou são remanescentes do passado, carentes de conhecimento da natureza humana, ou, para começar, inteiramente irracionais.

Moldar o destino humano de acordo com planos, da mesma forma como se constroem impérios industriais, tornou-se obseto. De fato, isso nunca foi possível, desde que os grandes empreendimentos imperais de um Napoleão ou de um líder de massas ditatorial dos tempos recentes não são mais do que episódios breves, insignificantes no tremendo movimento que apanhou a sociedade humana sobre todo o planeta.

Uma outra razão maior para o caos de nossos tempos é que as questões cruciais que estão na base toda a comoção são inteiramente sobrepujadas por questões de uma natureza injuriosa que governam a cena da política e dos políticos. Como um médico ou trabalhador social numa pequena comunidade em algum lugar, compara o que vês com teus olhos no domínio da miséria humana com o que lês nos jornais sobre a existência do homem, e compreenderás imediatamente o profundo abismo entre a vida oficial e a vida privada, verdadeira.

Além do mais, uma outra característica dos tempos é que um tipo inteiramente novo de movimento social está nascendo, e que pessoas que não têm a mais vaga noção do que está acontecendo, são os estadistas dirigentes; esses líderes dos homens moldaram suas idéias de acordo com padrões de pensamento passados e estão se fixando rigidamente no erro.

À primeira vista, é espantoso, mas absolutamente lógico, que nenhuma das questões básicas dos movimentos e sublevações radicais do povo seja mencionada em lugar nenhum da disputa gritante, berrante, gesticulante que tomou conta de nossas vidas.

É de conhecimento geral, e não há necessidade de nenhuma outra prova, que a comoção atual na sociedade humana não tem nenhum líder autêntico; em outras palavras, não se vislumbra ninguém no horizonte que se pudesse desenvolver a ponto de se tornar aquilo que um Cristo veio a significafr para a era Cristã ou um Confúcio para a cultura asiática. Os lídres atuais não são mais do que agentes da sebgurança deste ou daquele aspecto do status quo, ou simplesmente bandidos em mares sem lei. são como saqueadores numa pilhagem generalizada durante uma enchente ou um terremoto. Infelizmente esses ladrões são tomados por novos líderes pelos inúmeros Babbits muito deslumbrados, sentados entre ilhas daqueilo que ficou de um passado mais feliz.

Vamos agora cacterizar um líder que emergiria do caso atual e seria capaz de observar e manipular as principais correntes na comoção social. Que tarefa, que decisão fatal esse líder teria de enfrentar?

Freqüentemente se diz que um líder em nosso tempo teria de ser muito semelhante a um super-homem, um homem nietzscheano distanciado de seu companheiro humano. Conseqüentemente, é difícil imaginar um líder assim.

Uma tal imagem de liderança para os nossos tempos deriva claramente da necessida antiga, gasta, que o homem tem de mistificar a liderança, mesmo antes de o líder ter ingressado na cena pública. No caos de nosso dias ela promoveu e afastou o líder para uma região onde ninguém  possa alcançá-lo, assim ninguém pode nem mesmo chegar perto de ser como ele.

Se compreendêssemos bem a lição do Assassinato de Cristo, um tal líder certamente não conseguiria dirigir os movimentos das massas do povo-em-comoção a partir do passado para uma existência futura racional.  Teria de falhar, pois estaria fazendo pouco mais do que fornecer um outro símbolo místico às multidões sexualmente frustradas, carentes de amor, destituídas das garantias básicas da vida.

Se aprendemos bem a lição do Assassinato de Cristo como temos razões para acreditar, um líder de povos em nosso tempo seria quase o oposto exato do que as pessaos estão tão ansiosas por ver ou aclamar como seu líder. Em sua vida cotidiana, ele se distinguiria pouco dos modos de vida usuais do povo. Seria um homem que submergiria no rio da vida e nos movimentos do povo muitas vezes, aprendendo suas lições sangrentas de fracasso reiterado; cometeria muitos erros estúpidos e teria de aprendcer a corrigir erros imbecis sem se afogar.

Teria de passar por cada tortura do inferno humano em seu empenho por conhecer a natureza humana praticamente e eficientemente de dentro para fora e de fora para dentro. Teria de ter vivido com publicanos e pecadores e prostitutas e criminosos para conhecer o solo do qual se desenvolve tanto a esperança humana como a miséria. (Se ele fosse um líder como as pessoas gostam, apenas acrescentaria mais um palhaço à massa de pequenos e grandes fazedores de barulho que não significam nada no longo curso da história humana.)

Um tal líder teria de possuir ou desenvolver uma qualidade extraordinária, jamais vista, inimaginável do ponto de vista corrente de como deveria ser a liderança dos homens.

TERIA DE SUPERAR QUALQUER TENTAÇÃO DE SE TORNAR UM LÍDER E TERIA DE EVITAR QUALQUER ISCA POR PARTE DO POVO PARA SEDUZI-LO NA LIDERNÇA. SUA PRIMEIRA GRANDE TAREFA SERIA recusar ser um líder.

Um tal líder sentiria imediatamente o perigo que ameaça engolgar todo líder do povo, a saber, tornar-se um mero objeto de admiração e fornecedor de salvação e esperança para o povo. Um tal líder daria o primeiro passo no sentido de guiar o povo, ao levar o povo a sério e ao dexiar que ele se salvasse a si mesmo, com o respaldo das garantias sociais, econômicas e psicológicas necessárias.

Um tal líder certamento ou teria lido a história do Assassinato de Cristo ou, por experiência própria, logo teria aprendido que as pessoas criam seus Cristos vivos a fim de se submeterem a eles ou, se os Cristos se recusarem a se tornar Barrabases, mata-os instantaneamente apenas para que sejam promovidos ao céu em proveito da salvação, sem que elas mesmas movam um dedo.

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