O VERDADEIRO HINO GAÚCHO


30 de abril de 1838: nos campos do Rio Grande do Sul corre o incêndio da maior guerra civil da História da América Portuguesa, que sacudiria durante dez anos (1835-1845) as duas províncias do extremo sul do então Império do Brasil (São Pedro do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) no embate entre os revolucionários liberais exaltados (ou farroupilhas) e as demais forças políticas (liberais moderados e conservadores), resultando na sua separação do Império e na proclamação das Repúblicas Rio Grandense (1836-1845) e Catarinense (1839).

Naquela data o exército farrapo, liderado pelo proclamador da República Rio Grandense, o General Antônio Netto, toma dos legalistas a estratégica Vila (município) do Rio Pardo, no centro do território gaúcho, fazendo prisioneira a banda de música do exército imperial, cujo maestro, o mulato José Joaquim de Mendanha, comporia, a pedido de Netto e dos demais comandantes republicanos presentes (entre eles, Davi Canabarro, Domingos Crescêncio e Juca Leão), a música do Hino da República, adaptando, não se sabe se por ironia ou mera pressa – cagado que devia estar pela pressão dos chefes farrapos – para tanto uma valsa de Strauss.

farrapos em combate

farrapos em combate

A letra, composta pelo capitão revolucionário Serafim Joaquim de Alencastre, nos parâmetros ideológicos do liberalismo luso-americano, faz menção direta àquela batalha, e, embora tenha sido cantada pelo exército farroupilha, acompanhando a música, naquela ocasião, não se tornou, entretanto, efetivamente a letra oficial do hino nacional rio grandense. Seus versos eram os seguintes:

No horizonte rio grandense
Se divisa a divindade,
Extasiada em prazer,
Dando vivas à liberdade.

estribilho:
Da gostosa liberdade
Brilha entre nós o clarão;
Da constância e da coragem
Eis aí o glardão.

Avante, oh povo brioso!
Nunca mais retrogradar,
Porque atrás fica o abismo
Que ameaça nos tragar.

estribilho

Salve o Vinte de Setembro,
Dia grato e soberano,
Dos heróis continentistas
Ao povo republicano.

estribilho

Salve, oh dia venturoso!
Risonho trinta de abril,
Que aos corações patriotas
Encheste de glórias mil.

estribilho

Coronel Antônio de Souza Netto, proclamador da República Rio-Grandense

Movimento contestatório de elite, a Revolução Farroupilha foi deflagrada sob a liderança de estancieiros (proprietários rurais especializados no ramo predominante da economia provincial do Rio Grande, a pecuária), chefes militares do exército  “regular” e da Guarda Nacional (corpo semi-feudal auxiliar chefiado pelos “coronéis”, fazendeiros civis sem patente militar de carreira necessária) e comerciantes de porte da “Província de São Pedro”, adeptos do liberalismo inglês, filiado às idéias do seiscentista John Locke (predecessor monarquista do iluminismo francês) e da maçonaria.

Não casualmente seu grande líder foi o coronel comandante da Guarda Nacional no Rio Grande do Sul, ex-capitão de guerrilhas do exército luso-brasileiro que tomou o que seria o futuro Uruguai dos castelhanos  para compor a Província Cisplatina do Reino Unido e, depois, Império do Brasil (1811-1828), estancieiro e comerciante (contrabandista, inclusive), com propriedades no Brasil e no país referido, e grão-mestre do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, Bento Gonçalves da Silva.

Bento Gonçalves, presidente da República Rio-Grandense

Bento Gonçalves, presidente da República Rio-Grandense

Compunham seus quadros dirigentes, entretanto, desde estancieiros liberais exaltados (farroupilhas) republicanos e abolicionistas, como Antônio Netto (que acabaram por constituir a força minoritária que deu o tom do enfrentamento) até exilados políticos revolucionários italianos de matiz democrático-popular (que admitiam e defendiam os direitos e a participação de trabalhadores comuns no Estado constitucional republicano) como o redator do primeiro jornal oficial da República Rio-Grandense (“O Povo”), o mazziniano Luigi Rosseti. As massas por eles lideradas na dureza da década de batalhas nos campos meridionais (que íam dos escravos negros aos “homens livres” dedicados a trabalhos artesanais e ao pequeno comércio e aos índios e gaudérios mestiços nômades que prestavam serviços temporários nas fazendas) não possuíam, assim como as chefiadas pelos conservadores, qualquer definição ideológica, seguindo, por fidelidade hierárquica sócio-econômica ou afinidades de “compadrio” seus senhores semi-feudais e chefes políticos.

A radicalização decorrente da proclamação da república independente (que, embora não dominasse todo o território provincial, pelo menos durante seu auge, no período de 1837 a 1840 possuía autoridade e presença militar efetiva em 9 dos 14 municípios em que se dividia, abarcando todo o seu interior, ou seja, Rio Parado, Cachoeira, São Borja, Cruz Alta, Triunfo, Jaguarão, Piratini, Caçapava e Alegrete, estas três últimas “vilas”, as sucessivas capitais) levaria mesmo as facções mais moderadas da revolução (liberais monarquistas rebelados como Bento Gonçalves e liberais monarquistas federativistas) à defesa intransigente do novo Estado Soberano (que possuía serviço público, moeda, comércio efetivo e diplomacia, com tratados internacionais celebrados com os países vizinhos da região Platina – Uruguai, Paraguai e províncias argentinas tornadas independentes de Corrientes, que incluía a futura Misiones, e Entre-Rios).

Embora liberal-aristocrática (pois, como os próprios Estados Unidos da América, a Inglaterra parlamentarista e o Reino constitucional e a República Francesa de então, só admitisse o direito de voto aos cidadãos não escravos que possuíssem renda anual de certo nivel para cima, além de manter a escravatura), a República Rio-Grandense representava a rebeldia de um certo segmento marginal (ainda que elite econômica marginal) e excluído de maiores direitos na comunidade do que compunha então o Brasil, onde predominavam os interesses das elites da corte do Rio de Janeiro, infelizmente apoiados por parte das forças políticas gaúchas (que predominavam nos territórios litorâneos e próximos da costa, os município de Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha, Pelotas, Rio Grande, e São José do Norte, com exceção da futura cidade de Viamão, então “Vila Setembrina”, parte integrante do estado farroupilha).

Mapa do Rio Grande do Sul em 1835

Mapa do Rio Grande do Sul em 1835

Assim, ao ser publicado no jornal oficial da República, “O Povo”, em 4 de maio de 1839, como Hino da Nação, que o periódico menciona ter sido cantado “postos de pé em torno do pavilhão todos cidadãos e senhoras convidadas” presentes na segunda capital republicana, Caçapava, sua letra, de autor não mencionado, celebra a rebeldia revolucionária do novo país:

Nobre povo Rio-Grandense,
Povo de Heróis, povo bravo,
Conquistate a independência,
Nunca mais serás escravo.

estribilho:
Da gostosa liberdade
Brilha entre nós o clarão;
Da constância e da coragem
Eis aí o glardão.

Avante, ó povo brioso,
Nunca mais retrogradar,
Porque atrás mora o inferno
Que vos há de sepultar.

estribilho

O majestoso progresso
É preceito divinal:
Não tem melhor garantia
Nossa ordem Social.

estribilho

O Mundo que nos contempla,
Que pesa nossas ações
Bendirá nossos esforços,
Cantará nossos brasões.

estribilho

Partitura do Hino Rio Grandense

Partitura do Hino Rio Grandense

Proclamada a República no Brasil, por uma quartelada (golpe militar liderado por oficiais engajados ideologicamente), casualmente liderada por um monarquista liberal, envolvido na trama pelos republicanos, que havia sido Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, o marechal Deodoro da Fonseca, o novo governo republicano e positivista do Estado do Rio Grande do Sul, chefiado por Júlio de Castilhos (em cujo partido político, o Partido Republicano Rio-Grandense se formará e fará carreira um deputado que mais tarde viria a derrocar o feudalismo coronelista dos fazendeiros cafeicultores e paulistas e mineiros, e seus apoiadores país a fora, na Revolução de 24 de outubro de 1930, nada mais que Getúlio Vargas), adotará como bandeira da nova unidade federativa a bandeira da República Rio-Grandense e como hino o poema de Francisco Pinto da Fontoura, o “Chiquinho da Vovó”, composto após o final da Revolução Farroupilha, cujos versos, apesar de sérios equívocos ideológicos em relação ao separatismo concreto e de vontade do Rio Grande do Sul republicano do segundo império brasileiro, exaltam o mito da democracia da Grécia antiga, rechaçando os governos absolutistas e arbitrários:

Como a aurora precursora
Do farol da divindade,
Foi o Vinte de Setembro
O precursor da liberdade

estribilho

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra;
Sirvam nossas façanhas
De modelo à toda terra.

Entre nós, reviva Atenas,
Para assombro dos tiranos.
Sejamos Gregos na glória,
E na virtude, Romanos.

estribilho

Mas não basta prá ser livre
Ser forte aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.

estribilho

Esta foi a letra do Hino do Rio Grande do Sul século XX adentro, durante todo o período republicano (com exceção dos anos de 1937 a 1945, em que o gaúcho e republicano positivista comtiano Getúlio Vargas, então ditador, aboliu os símbolos estaduais).

Até que em 1966, por iniciativa do interventor capacho da ditadura militar fascista gorila instalada em Brasília, Ildo Meneghetti, foi oficializada nova letra, até hoje vigente, mesmo como o final formal da ditadura em 1988, que simplesmente excluiu do hino a estrofe acima assinalada em vermelho, que, por falar em “tiranos” era libertária e subversiva demais para o autoritarismo pró-imperialismo americano da época.

Proposta a retificação por projeto de lei do deputado estadual gaúcho petista Daniel Bordignon, ex-prefeito da minha cidade, Gravataí, em setembro de 2007, reintegrando a estrofe libertária à letra do hino, acabou tramitando até este mês pelos escaninhos da burocracia da Assembléia Legislativa, e sendo arquivada, sem  sequer ir à votação do plenário, e sem maior oposição de seu autor, tamanho é o ranço ainda vigente das “autoridades” políticas do Rio Grande do Sul que, disfarçadamente, continua a reproduzir no nível simbólico a ordem ditatorial anti-povo inaugurada no primeiro de abril de 1964 e hoje perpetuada, de forma domesticada e demagógica pelo governo petista neo-liberal e fascista do Inácio dos Nove Dedos.

Bandeira do Estado do Rio Grande do Sul

Assim, um estado brasileira que se orgulha da originalidade de sua formação histórica e cultural profundamente diferenciado dos demais da América Portuguesa, que se pretende bastião da democracia, da liberdade e até mesmo da revolução socialista (vide os brizolistas e petistas anteriores à Era Presidencial do Inácio), e em que uma boa parte da população ainda sonha com o ideal separatista de uma república gaúcha independente, continua mantendo, pela vontade de seus governantes, a letra original de seu hino (ela mesma deturpada em relação a da república dos farrapos, mas mesmo assim progressista perto da oficial) decaptada no seu trecho mais democrático e revolucionário por complacência com o oficialismo de uma ditadura infeliz e colonialista formalmente já extinta há mais de 20 anos.

A questão me foi trazida pelo alemão Valdir, em decorrência de lembrança de um  colega seu do foro de Giruá, o intelectual devorador de livros Fábio Kraulich de Oliveira, e aqui fica lançado o desafio para intelectuais e parlamentares desta nossa provinciazinha “pampeana”: quando tomaremos um mínimo de vergonha na cara e um pouco da coragem dos velhos revolucionários farroupilhas (que, mesmo não sendo socialistas ou populares, mas no máximo liberais-republicanos e nacionalistas, tinham mais brios que muito pretenso esquerdista de nosso dias) e restauraremos a letra histórica do Hino Rio Grandense?

Ubirajara Passos

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10 comentários em “O VERDADEIRO HINO GAÚCHO

  1. alexandre telles disse:

    Ildo Meneghetti nunca foi interventor. Foi eleito governador em eleições livres e diretas em outubro de 1962, como já o fora em 1954. Ainda é o único a ser eleito 2 vezes ao Piratini após a ditadura Vargas. Meu pai o conheceu, era correto e incorruptível. Não tinha nada de “capacho”. Suas ofensas são gratuitas, descabidas e mereceriam um processo judicial.

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    • Meu caro Alexandre, é verdade, cometi uma impropriedade histórica indesculpável (logo eu que primo tanto pela precisão das informações). Realmente o direitista Ildo Meneghetti, do antigo PSD (Partido Social Democrático – que, apesar do nome, representava as elites latifundiárias tanto no Nordeste, quanto no Rio Grande do Sul, onde era o grande adversário das forças pró-povão lideradas pelo PTB – Partido Trabalhista Brasileiro), foi eleito pelo voto popular, derrotando o candidato de Leonel Brizola, dois anos antes do golpe fascista de primeiro de abril.
      Mas é preciso que se diga que (assim como o governador de São Paulo, Ademar de Barros, e o de Minas, Magalhães Pinto) apoiou o golpe militar funesto que derrubou João Goulart (um presidente eleito e empossado constitucionalmente, que defendia, mal ou bem, o direito dos trabalhadores brasileiros a ter uma vida digna de gente, e por isso foi apeado pelos amigos do imperialismo americano), mergulhando um Brasil numa noite de violência e autoritarismo que acabou por resultar na miséria em que vivemos hoje, a maioria dos brasileiros.
      Ildo Meneghetti (que, quando do golpe, como Jango e Brizola se instalaram em Porto Alegre, logo no início de abril de 1964, tratou de fugir para Passo Fundo, retornando somente após o exílio do presidente da república deposto), apesar de eleito pelo voto, governou e agiu como se interventor fosse, em estreita consonância com a política ditada pela ditadura Castelo Branco em Brasília, e foi no seu governo, infelizmente, com o apoio de um deputado da Arena (o partido da ditadura ao qual pertencia seu Ildo)que o hino farroupilha foi devidamente “censurado”, perdendo a estrofe que combate os tiranos.
      Não querendo entrar na polêmica, mas por mera curiosidade, fique consignado que, se o incorruptível Meneghetti (sob cuja honestidade não tenho a menor dúvida, o epíteto de “capacho” se refere tão somente a sua postura de auxiliar da ditadura) foi eleito duas vezes governador do Rio Grande do Sul, o seu maior adversário de então, o trabalhista Leonel Brizola teve o privilégio de ser o único político deste país eleito pelo povo como governador de dois estados da federação (o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, onde fez façanha semelhante a de seu Ildo, se elegendo em duas ocasiões).
      De todo modo, ficam meus agradecimentos pela correção do companheiro Alexandre.

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      • alexandre telles disse:

        Para uma colocação completa dos fatos históricos, conviria emitir também sua opinião a respeito da ditatura do Estado Novo, com a polícia de Filinto Müller, imposta pelo fundador do PTB, Getúlio Vargas. Leia a história de Olga Benário, mulher de Prestes.
        Quanto a atuação de Brizola, sugiro a leitura de “O Tenente Vermelho”, escrito por José Wilson da Silva “assessor militar” de Brizola. Em “Notícias do Planalto”, de Mario Sérgio Conti, poderás conhecer a forma como Brizola “ensina” como se faz “caixinha” com empreiteiras. E verifique também o que aconteceu com o Banerj. Podes ler também “Minha Razão de Viver”, do Samuel Weiner, compadre de Jango. Experimente “Combate Nas Trevas”, do membro do PCBR (‘R’ de revolucionário) Jacob Gorender, para conhecer por dentro como pensavam essas pessoas que admiras.
        Meneghetti foi mesmo para Passo Fundo, que fica no Rio Grande do Sul, governado por ele. Já Brizola e Jango, foram para o Uruguai, que como sabes, fica fora do Brasil.
        Por fim, saiba que o anarquismo é o que há de mais próximo do liberalismo, como doutrina política.

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      • Como mencionei na resposta ao comentário anterior do Alexandre, não pretendia estender a polêmica. Assim como não pretendia discutir a índole pessoal, mas política do doutor Ildo. Mas, diante da série de sadias provocações do último comentário, é impossível não respondê-lo, até porque este blog se destina justamente a sacudir as cabeças humanas do marasmo e do tédio institucionalizado para que possam ter alguma vida efetiva. E “gosto que me enrosco” de uma polêmica política, histórica e teórica.
        Mas deixarei para fazer os esclarecimentos sobre Getúlio, Jango e Brizola em post próprio, que demanda uma abrangência de discussão maior que a simples contestação das “acusações” proferidas.
        Fica esclarecido, aqui, porém, que o ANARQUISMO é a doutrina mais radicalmente afastada do LIBERALISMO, uma vez que, historicamente, os liberais pretendiam a maior liberdade possível para uns poucos (a classe burguesa emergente oprimida no modelo político feudal ainda vigente das velhas aristocracias nobres), enquanto os anarquistas (que historicamente surgiram no seio do operariado, sendo raros os casos de teóricos libertários da classe dominante, defensores do chamado anarquismo “capitalista” ou puramente individualista) pretendem a liberdade para todos e sabem que ela só é possível numa sociedade em que inexista a hierarquia verticalizada de uma classe patronal minoritária se espojando sadicamente sobre a massa de peões oprimidos e miserabilizados.

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  2. João Víctor Arschloch disse:

    Meu caro Bira! Acompanho este blog faz tempo. O assunto arriba me deixou com uma pulga atrás da orelha. Pergunto a você que é estudado: o seu Ildo Meneghetti não foi este que começou com o tal nepotismo, já que hoje em dia ainda existem pessoas com este nome acusadas de nepotes?
    Agradeço a atenção.

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  3. alexandre telles disse:

    Faça isso mesmo. Um post próprio para Getúlio, o latifundiário que criou os defensores dos pobres e oprimidos, Jango e Brizola. Não esqueça do Gregório Fortunato, também. Um post sobre Jango deve relatar bem o episódio da legalidade, por exemplo. Enquanto Brizola posava para fotos com cara de mau e uma INA que ele nem sabia destravar, Jango recebia em Montevideu a Tancredo Neves, que para lá foi no Viscount presidencial, incumbido pelo chefe do gabinete militar de Rainieri Mazzili – General Ernesto Geisel. Geisel repassou a Tancredo as 3 exigências dos militares para que Jango fosse recebido para assumir: 1- o sistema parlamentarista; 2 – não fazer discurso em Porto Alegre; 3 – Brizola estava proibido de ir a posse. Jango, bem capacho, concordou com tudo. Brizola, bem capacho, obedeceu e não foi à posse. Ofendido, ficou “de mal” com o cunhado. E depois a gauchada não compreende por que, do Mampituba prá cima, ninguém sabe da tal legalidade. E prá arrematar, apenas 14 meses depois, Brizola não conseguiu eleger o sucessor no Rio Grande. Mandamos ele para os otários cariocas.

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  4. alexandre telles disse:

    Uma pena que não quiseste contestar meu comentário anterior. Faltaram argumentos, na certa. Só conheces a versão fantasiosa da história. Mas eu tenho mais de onde saíram os que já te enviei. Estuda, garoto, estuda…

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    • Desculpe, companheiro Alexandre, mas eu não havia ainda respondido teu último comentário por mera falta de tempo, que argumentos para rebatê-lo os tenho desde os meus 14 anos (lá por 1979, quando tomei contato com a trajetória concreta e viva de Leonel Brizola). Não me aprofundei muito nos fuxicos da História, mas procurei dar uma panorama político amplo capaz de distinguir, sem os meandros da politicagem e do debate factualista puro, as grandes forças que vem atuando no cenário político brasileiro desde o fim da última guerra mundial. Deleite-se com o texto hoje publicado.

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  5. Esta estrofe tem que voltar.
    Fala em república, democracia e liberdade.

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  6. Marcelo Azambuja Weisskeimer disse:

    Concordo plenamente com tudo, poios a estrofe que foi arrancada do nosso Hino Rio Grandense, realmente assusta os corruptos, principalmente como o grande molusco, o mesmo lula nove dedos, apoio o retorno dessa estrofe, força ao Rio Grande do Sul.

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