BARACK OBAMA: um novo Martin Luther King ou um Lula yankee?


Ninguém tem a menor dúvida de que o novo presidente americano constitui-se numa daquelas surpresas espetaculares e absolutamente “revolucionárias” (no sentido de rompimento brusco e radical de um paradigma).

Afinal, um presidente da república NEGRO no país do mais empedernido e excludente racismo, como os Estados Unidos da América, é algo tão sensacional quanto um cardeal (explicitamente) gay e adepto da teologia da libertação no trono do Vaticano!

Martin Luther King, no seu inquieto túmulo, deve estar se revirando… e dando gargalhadas histéricas como uma solteirona que foi agarrada por um surfista bêbado! A presença de Obama na Casa Branca é um fantástico tapa na cara da arrogância brancófila, caipira e voluntariosa do dominador yankee!

Mas ninguém se engane, nem espere que a “revolução” vá além deste plano metafórico e do imaginário sócio-cultural. Porque o novo chefe do Império yankee pode ser negro e democrata, mas continua a ser o “chefe do Império yankee” e sua função, condicionada pelos interesses da classe dominante imperialista a que serve o Estado americano, é, antes de mais nada, manter intocados os privilégios e interesses de seus senhores burgueses, que são os reais detentores do poder no centro político da espoliação internacional.

É evidente que o “negrão” Obama representa um tremendo avanço em relação à truculência furibunda e inquisitorial de George Bush. Para fazer honra ao liberalismo formal de democrata é bem possível que haja um certo afrouxamento do policialismo endoidecido do império. O que não significa, absolutamente, que os Estados Unidos, sob o seu governo, se tornaram um doce cordeirinho benévolo e altruísta e deixarão de sugar o sangue, com seus parceiros europeus e asiáticos, das colônias extra-oficiais da África, Ásia ou América Latina (como o Brasil), se apropriando do produto do suor sofrido de seus trabalhadores. É mais provável mesmo que nem o Iraque seja desocupado pelas tropas do Império, apesar de um discurso humanitário e “tolerante”.

E nem espere o típico negro norte-americano o beneplácito de seu representante de raça em Washington para com as suas necessidades de dignidade social e econômica! Eleito dentro das regras e dos padrões de comportamento típicos da sociedade branca e protestante, da elite “ilustrada” democrata americana, Obama realmente fará, em breve, Martin Luther King se “revirar no túmulo”, só que de raiva e indignação e não de admiração por seu pretenso sucessor catapultado ao supremo poder! Por mais que se esforce para ser um Kennedy “bronzeado”, dificilmente o “companheiro” Barack ultrapassará as limitações do, pretensamente, grande mito humanista da América  – que era tão “humanista” que, durante o seu governo, foi o responsável pela tentativa de invasão de Cuba nacionalista e revolucionária e pelo esquema de suborno dos países explorados da América Latina, o pretenso “Plano Marshal” do Novo Mundo, a “Aliança para o Progresso”, que financiou, entre outras “humanistas e caridosas obras”, o golpe militar fascista de 1964 no Brasil.

O mais provável é que se repita, no Grande Irmão do Norte, o fenômeno já conhecido de nós, brasileiros, em que o operário fudido e nordestino chegou ao Palácio nos braços do povo miserável que via nele um seu irmão, e nele depositava todas as esperanças, para depois trair seus ingênuos eleitores e nos submeter a todos à continuidade da miséria e do quotidiano autoritário, opressivo e sacrificante de trabalhar para os privilégios de burgueses e lacaios burocratas do Estado, sem qualquer direito, sob o pretexto de defesa de nós mesmos, os trabalhadores.

Se o mito do operário redentor se transformou na realidade crua e atroz do algoz pretensamente semi-analfabeto e arrogante do operariado, ninguém se iluda, porque, assim como a negra Condolezza Rice, Obama, salvo um lance improvável e digno do “Fim do Mundo”, se tornará o humilde negro opressor de índios, mestiços, negros, árabes, amarelos e fudidos trabalhadores em geral das nações dominadas do terceiro mundo, em nome da prepotência e da rica mesa farta de bacon do imperialista branco americano!

Ubirajara Passos

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3 comentários em “BARACK OBAMA: um novo Martin Luther King ou um Lula yankee?

  1. Boa análise, Bira!. Concordo plenamente. Essas figuras de aparência popular que a burguesia promove, só servem para iludir o povão e, obviamente, traí-lo na sua ingenuidade. Um governo verdadeiramente popular deve acabar com a sociedade de classes. Equivale dizer, um governo socialista, de sólida inspiração marxista. Em países de sistema capitalista(regime da exploração do homem pelo homem)quem governa, sempre, é a elite econômica. O governo deles pode ser comparado a um computador sempre ligado; o presidente eleito, ao vídeo trocado de quatro em quatro anos. O povo jamais conquistará um governo verdadeiramente popular abaixo desse glamour que se assiste. Deverá lançar mão da violência revolucionária, e não ficar comendo sauduíches de tofu na frente do Capitólio.

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  2. Gerson disse:

    Olá amigo! Muitas alegrias para todos nós.
    As atitudes humanas só irão mudar quando os homens, praticarem de fato sua liberdade de pensamentos. Hoje o caos esta instalado de todas as formas possíveis. Os seres são hipócritas, abandonam suas ideológias em pró das vantagens pessoais, e só praticam a democrácia quando esta vem a beneficiá-lo. Tempos atráz, não se podia confiar em ninguém com mais de trinta, hoje com a evolução não podesse confiar em ninguém com mais de dezesseis. Autoridade alguma poderá virar este jogo sujo. A alteração do processo passa pela tranformação de cada um. A aparente tolerância humana será sufocada em breve, principalmente pelas desilusões, que o comodismo nos impoem, pois o sistema nos impele a tranferir nossas responsabilidades a terceiros.
    Até outra oportunidade, e muitas vitórias aos que lutam por um mundo mais digno e menos violento.

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  3. Francisco Feliz disse:

    Mais um comunista invejoso jogando no ventilador todo o seu ódio e inveja dos Eua

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