NEM TUDO QUE HÁ NO BOLSO É GRANA…


Por mais óbvio que pareça o título deste post, ao menos para 98% dos brasileiros, que sabem muito bem o que é a tristeza infinita e sem consolo de possuir uma versão em miniatura e sem glamour dos famosos “buracos negros”da astrofísica em suas próprias calças, a coisa não era tão evidente assim para o Peruca!

Mesmo tendo sido assaltado por um traveco sado-masoquista, com o qual manteve “estreitas” relações durante meses, e, por esporte e necessidade financeira, tendo exercido todo seu ímpeto animalesco de jegue “no cio” sobre um proeminente, temperamental e respeitável “bambi” da pequena-burguesia pretensamente aristocrática de Gravataí, por diversas vezes, mediante o fornecimento de uns simples trocados, o nosso tonto predileto ainda acreditava que em bolsos masculinos só existiam notas de “dez reais” (vem com o “Tio Pedrinha” que ele te dá dezinho – já dizia o monitor pedófilo e taradão da creche que o Peruca freqüentava ainda piá), e, no máximo, aquele cigarrinho de maconha (coisa que conhece só de ver na mão do “Charuto” e outros parceiros do Dente Hugo).

Até que um dia, entorpecido de cerveja, foi abordado, em pleno posto da Avenida Centenário, pelo Camarguinho-chama-o-Hugo, completamente alcoolizado com meia dose de uísque batizado, que berrava desesperadamente e inconsolável: “Eu perdi! Puta que pariu, onde  foi parar? E agora, o que vai ser de mim sem isso? Eu prometi que ía dar pra ela, amanhã sem falta! E agora, meu Deus do céu? Ô Peruca, mete a mão aqui no meu bolso, que acho que tá furado, e ele já era!”

Nosso bocaberta e altruísta personagem, apesar da preguiça proverbial, que já o impediu até de usar o que possui entre as pernas com uma tarada prima minha (o que lhe valeu, além da tradicional e justa “galhada”, o título honorífico de irmão avantajado do pincel de paredes, a famosa broxa), bufou uns bons três minutos, entediado, e sem coragem de levantar a buzanfa da cadeira, mas a gritaria era tanta e tão histérica, que acabou acorrendo à insistência do amigo, cravando fundo a mão no seu bolso, e dando com aquela coisa mole, roliça e meio cabeluda – que ele realmente estava furado, mas dali não saíra nada. Antes entrara, não se sabe se por cálculo do dono, ou caso fortuito, uma piça “barroca” (igual a de anjo de igreja católica seiscentista) e desativada!

Dizem as mãos línguas do bairro da Várzea que foi depois do episódio, e não no Festival do chopp de Feliz, que o Camarguinho apareceu de nova maquiagem, com a falta de dois dentes e meio na linha frontal de sua boca!

Mas, desde então, o Peruca ficou mais esperto: agora, pra evitar tão inconveniente absurdo, quando vai beber, leva consigo um vistoso par de luvas cirúrgicas!

Ubirajara Passos

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