CINTO DE CASTIDADE OU ARMA”DURA”?


Não, não se preocupem os corruptos gaúchos (sejam eles do PSDB, do PPS ou do PT, entre outros tantos) que esta crônica, apesar do sugestivo título, não possui qualquer relação com os últimos escândalos envolvendo o governo de Yeda Crusius (como o do Banrisul); nem as relações obscuras de um ex-deputado e um alto dirigente de bancada do partido do Inácio, em Porto Alegre, com as falcatruas e os privilégios (institucionalizados) praticados pelos membros de uma certa seita “secreta”, amplamente conhecida como grande influenciadora dos rumos da política na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, desde antes da revolução farroupilha (1835-1845), e que são os mais aguerridos membros do “patriciado” local, que se protege mutuamente pelo pacto do silêncio, garantindo as gordas verbas da província para seus “magros” bolsos, enquanto o “poviléu” paga mais caro pelo pão em razão do imposto estadual; e sequer pode confiar em dar uma escapada para a birita nas madrugadas da capital, ou da região metropolitana, a pé, sem ser importunado, e roubado, por seus colegas de infortúnio mais ousados, já que o que sobra do grosso da exploração da burguesada provinciana e internacional, em forma de tributos, tem de ser priorizado para as pequenas “traquinagens” de nossos ilustres homens públicos, “de bem”, com as gurias da “tia Carmem”.

O fato é que, tendo ido comprar um cadeado para o portão de casa, eu, que este ano me encontro completamente afastado da boemia putanheira, em razão de ter sido “pedido em casamento” pela recalcitrante gata preferida (que jamais havia cedido às minhas propostas de juntar as escovas – de dentes, pô! – num só armário) e estar me preparando para me tornar pai e “marido” (eta nomezinho horrível além de autoritário!), ía babando, “a la Peruca”, quando, olhando o mudo e repressor objeto de metal, me lembrei, há décadas sem pensar na coisa, do velho cinto de castidade medieval.

E, independentemente da coisa se destinar a impedir, na marra, o estabelecimento ou aumento da galhada do nobre corno cavaleiro, ou de simplesmente prevenir a presença, entre os contemplados da geração futura da classe dominante, de um ilustre “filho da puta”, me veio “às guampas” a constatação de que o nefando instrumento de opressão íntima das fêmeas da espécie seria, hoje, apesar de toda falsidade social da era pós-revolução sexual (ocorrida nos já vetustos anos 60 do século passado) uma tremenda piada!

Falando em piada, aliás consta que os velhos cavaleiros e senhores feudais ocidentais gostavam de se divertir no sado-masoquismo das c(r)uzadas do Oriente Médio com os outros machos, enfiando a “espada” pra tudo quanto é lado, enquanto a inalcançável dama tinha de se contentar em torturar, com suas interdições histéricas, as criancinhas do castelo e em chutar cachorros, devidamente “encarcerada” no tal cinto, enquanto seu dono se encontrava fora

Ninguém pode garantir, e a experiência pessoal de cada um de nós intui, que a sacanagem extra-genital não corresse solta em plena Europa feudal, mesmo (e principalmente) no topo da nobreza, como era já praxe no velho Império Romano e em todos seus antecessores mediterrâneos. A hipocrisia, dominante até a metade do século XX, entretanto, garantia que tais coisas eram “aberrações” psíquicas de tarados deformados mentalmente e não se faziam presentes nos “lares modestos e comuns da sociedade”.

Ainda que que as anedotas biográficas de nossas avós e tias velhas, inclusive as solteironas e beatas deixassem claro que a putaria enrustida de então era bem mais “pesada” e entusiástica que a de hoje. Quem não lembra das histórias contadas em “educado” tom de meia voz e sob a vigilância de olhares sobressaltados, que perscrutavam os cantos e portas da sala de estar para evitar que nós (então piás curiosos e punheteiros – hoje ilustres quarentões metidos a boêmios “maduros”) ouvíssemos suas “indecentes” aventuras e, preferencialmente, as das amigas e vizinhas?

Mas, eventualmente alguma duquesa burra ou uma baronesa babona, temerosa dos castigos do inferno da igreja católica, era tão bitolada que desconhecia as possibilidades sexuais além dos “países baixos” do corpo humano ou era carola o suficiente pra crer que uma simples “espanhola” a condenaria a passar a eternidade queimando e levando agulhadas debaixo das unhas do dedão do pé (é incrível a identidade entre as penas infernais reservadas às almas após a morte e as práticas de tortura legal da diabada sacerdotal da inquisição católica).

Nesta primeira década do segundo milênio, entretanto, por mais que o prazer mútuo continue a ser empesteado pela interdição da sociedade hierarquizada (que transformou a antiga – pífia e meramente formal – proibição num jogo de cartas marcadas e “segundas intenções” além do sexo, na prostituição acéptica, aceita e institucionalizada das cortesãs metidas a gostosona do bailão ao “garanhão” adolescente da classe média imbecilizado de “êxtase”, a balinha do barato e não o gozo puro e simples), as práticas físicas do prazer, abertamente realizadas, são tão ilimitadas, indo de uma doce e carnuda boca ao dedão do pé (o mesmo que paus mandados de militares fascistas brasileiros, fascistas vermelhos do sudeste asiático e velhos padres medievais torturadores feriam com agulhas ou finas varas de bambu), passando por seios, mãos, narizes e coxas, que o pobre corno medieval teria de providenciar não um “cinto”, mas uma armadura de castidade!

E, ainda assim, correria o risco de ser traído por aquela protuberância de ferro do cotovelo, tamanha a sede de gozo. O que prova que, apesar de toda tendência maldita em se deixar pisar e “disciplinar” contra sua própria natureza legítima, benfazeja, auto-realizadora e prazerosa, a humanidade ainda tem jeito!

Ubirajara Passos

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