SIMPLESMENTE TERNO


Enquanto a inspiração de cronista, ensaísta, contador de causos ou simples piadista anda mais fugida de mim que cachorro em festival de fogos de artifícios, deixo os leitores na companhia de mais um poema biruta, parido há pouco, que é um pouquinho menos enigmático que o de ontem:

Simplesmente Terno

Deixa eu te amar,
Não permitas que a aridez
Do meu enfastiado tédio deta
O gesto de carinho morno e solidário,
Suave e simples, sem tesões obrigatórios!

Deixa eu sofrer, mudo e quieto, ao lado teu,
A dor enjoada, o sem sabor do sem sentido.

Deixa eu esquecer toda paixão gritante
E adormecer, sem intensão ou compromisso,
Te afagando, grave e companheiro,
Num cafuné todo entregue ao teu consolo.

Deixa eu mandar ao diabo que carregue
Todo o fascínio justificador
Que faz de ti uma musa inalcançável,
Me intimida, tolhendo-me a ternura!

Deixa eu viver apenas o imediato
E respirar, chorar, próximo a ti,
Sem protocolos, abismos passionais,
Nem requintes de pensados erotismos.

Deixa eu ser eu, absolutamente simples,
E rir, chorar, desvairar ou bocejar insosso,
Mas sobretudo fluir
Junto à corrente
Da tua presença, que é maior em si
Do que se fosses a perfeita encarnação
Do feminino absoluto e hipnotizante!

Gravataí, 3 de junho de 2008

Ubirajara Passos

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