UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS


Eu e Kadu em êxtase dionisíaco regado a cachaça, num amanhecer de quinta-feira, durante as férias de janeiro passado:
Bira e Kadu no reino da cachça
O doido do “Caiu-sim-mermão” (que agora posso chamar, simplesmente, de Kadu, pois todo mundo que o conhece está aí vendo a cara de pau e o sombreiro “del Tripierna de Tihuana en la noche de la gran penumbra sexual”, conforme ele mesmo se auto-qualificou e ao seu desempenho com as “moças de vida airada” naquela madrugada) postou esta foto em seu orkut uns cinco dias depois da farra, sob a legenda “Bira e eu depois de beber MUITO chá de cogumelo”. E então eu já não me lembrava dela (DDA ou amésia pós-porre?) e levei um susto! Não pela irreverência da coisa, que apesar da minha rabugice nata, povoa boa parte dos meus dias. Nem pela cara de doido, a língua de fora, o gesto da mão (que não é um sinal de “ok”) ou a enorme caneca que seguro (que contém, evidentemente, a pinga de uma garrafa plástica de “Velho Barreiro”).

O espanto ficou por conta da atitude “arquetípica” estampada na minha tresloucada figura (que não pretende ser uma versão encachaçda da famosa foto do Einstein). Ali está simplesmente, em carne e osso, a mais perfeita encarnação de um sátiro (que nem uma velha estátua ou alto-relevo medieval ou greco-romano figura tão perfeitamente), assemelhada a um deus maia. E resumidos num único ser as energias vitais da paixão boêmia e bêbada, do prazer pueril e “mal-criado”, do divino humor enlouquecido e do feroz deboche a toda seriedade opressora e limitante que nos impõe o sofrimento como regra.

Evidentemente, não represento tudo isto – neurótico e auto-limitado que sou, num mundo de permanente vigilância e suplício das criaturas. A minha rebeldia é, invariavelmente, maculada pela timidez e o medo sobressaltado da punição imposta pelos algozes da sociedade anti-prazer. Mas a figura traduz nas entrelinhas muito mais que mil palavras.

E, antes que o Kadu reclame do meu panegírico narcísico, fique registrado: este Zé Pelintra clássico em mim incorporado não traduziria toda esta significação simultaneamente carnavalesca e revolucionária, libertária e farsesca, sem o complemento do gigante do chapéu (e sua versão americana do gesto pornô brasileiro). Somos nesta foto o diabo e o capeta embalados no etanol de cana.

Ubirajara Passos

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