XUPAXOTA E O PORRE OCEÂNICO – parte 1: o cagaço embriagado


Um acidente típico de bêbado profissional (que, fiquei sabendo pelos médicos, atende pelo apelido de “síndrome do sábado à noite”), durante a viagem de retorno, no ônibus do Sindjus-RS, do 1.º Encontro nacional Anti-Reformas, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em março do ano passado (domingo, 25) acabou por me levar ao apartamento do companheiro Xupaxota, no bairro Bonfim, em Porto Alegre, na noite seguinte.

Depois de emborcar todas as cervejas possíveis, enquanto participava do encontro político-sindical, ou somente discutia ao pé do trago, com os companheiros Mílton e Mauro (ambos brizolistas, irreverentes, radicais e tarados por um trago como eu), eu simplesmente adormeci segurando uma latinha de cerveja, com o braço encaixado entre a guarda do banco e o tronco. E o resultado do mal jeito foi o punho caído e os dedos médio a mínimo da mão direita sem nenhuma força ou coordenação motora.

Ao acordar, ainda segurando a lata (que gambá que se presa não deixa cair, nem desmaiando), fui tomado pelo pior pavor ao lembrar que o Xupaxota tivera sintoma semelhante, que fora diagnosticado como AVC (acidente vascular cerebral), um ano antes. E o cagaço me levou a consultar na emergência de um hospital público do interior paulista e, chegado à capital gaúcha, no dia seguinte, no Hospital São Lucas da PUC, onde uma tomografia computadorizada confirmou o diagnóstico do sonolento médico paulista (que não realizara maiores exames): paralisia provisória do nervo radial, por compressão local.

Mas a neurologista residente (que, como o seu colega paulista, me fez suportar um chá de banco de três horas até ser atendido) ainda tinha dúvidas e resolveu que, para descartar o 1% de possibilidade da coisa não ser tão simples, mas o tal do AVC, eu deveria me submeter a uma ressonância magnética (exame caríssimo, apesar do convênio do instituto de Previdência do Estado – o IPERGS), e, para tanto, deveria me internar no hospital.

Apesar de hipocondríaco, tenho maior pavor ainda de hospital que de doença. E o pânico (síndrome da qual divido com o meu amigo baiano o privilégio de ser portador) me fez abandonar, furioso, o nosocômio. Carregasse uma faca e teria adornado a jovem médica (que ficou, igualmente, furiosa com a minha recusa em me internar) com alguns talhos (“brincadeirinha”… sou meio maluco, mas sou doido manso…)

Afinal era fim de mês, eu tinha o mínimo de dinheiro na carteira, a bateria do celular descarregara na viagem, me deixando sem contato algum com o mundo. Se me acontecesse algo sério, ninguém saberia de mim. E o simples pânico de dar baixa no hospital, completamente só, me daria um piripaque mortal!

Moro sozinho e não tive coragem de ir pra casa, em Gravataí, com medo do suposto AVC. A solução foi desembarcar, onze horas de uma noite chuvosa, e sem qualquer aviso, de mala, cuia e ansiedade, na casa do Xupaxota (que não é a casa da Xuxa, nem a casa do caralho, mas já serviu a algumas fodas comuns com umas putinhas, inclusive a Giovana da Cláudia Drink Bar, que conheço, e muito bem, há mais de dez anos).

A esta altura o leitor deve estar indignado com toda esta narrativa médica xarope e me chamando de corno e veado pra baixo, além de seriamente preocupado com a minha sanidade mental: terei me transformado, de boêmio, pingunço, boca suja, romântico, apaixonado, livre e radical, numa destas tias velhas beatas e futriqueiras que adora contar causos mórbidos? Minha querida amiga K., do blog Incompletudes, deve estar arrancando as melenas (ou, quem sabe, os pentelhos?) de arrependimento por ter manifestado sua saudade, diante da minha ausência no Bira e as Safadezas nos últimos dezesseis dias (que nada tem a ver com doenças físicas, mas com a exaustão, o DDA e o distúrbio bi-polar), no último post publicado.

Calma, porém, meus caros companheiros! Toda esta lenga-lenga é só para explicar como fui parar na residência do meu “ínclito” amigo baiano. E de como, de forma inédita para mim, participei de uma das maiores tropelias, e com certeza a mais engraçada, do pirado personagem, que ele nunca contou no Xupaxota Blog.

Pois acontece que, hospedado em sua casa, fui por ele socorrido do ataque de ansiedade com um Rivotril sub-lingual, e – incapaz de trabalhar e tendo sido marcada consulta com a sua neurologista, a bela Mariana, para a quarta-feira seguinte – por lá permaneci uma semana. E… perdoem-me os leitores, mas vou fazer um suspense: amanhã conto a parte final, e mais saborosa, da história! O texto já está muito grande, já estou meio sonolento… E quem esperou mais de uma quinzena pela ressurreição deste blog pode esperar mais um dia.

Ubirajara Passos

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