PERUCA E A LOIRA NO CIO


Infelizmente não era o loiro dos cabelos (e pentelhos, que era uma loira “natural”!) o responsável pela reputação daquele pedaço (monumental) de mau caminho.

Branirrilde (como fora registrada pelo escrivão analfabeto ao ouvir a pronúncia do nome alemão), apesar de ter “secretariado” o advogado cível mais famoso da região de Cacimbinhamburguer, possuía dotes intelectuais tão vastos quanto o Peruca. Um de seus maiores feitos foi lascar, numa prova de Direito Processual, que “embargos infringentes” é o que ocorre quando um homem bota o saco pra bronzear ao sol do meio-dia!

Dizem as más línguas que só obtivera o emprego, e era aprovada nas provas da Faculdade, graças ao volume, consistência e alucinante formato curvilíneo do traseiro, que lhe valeu o apelido de “Bundilde”. Aliás, não era uma bunda qualquer! A coisa era estupenda, um monumento aos olhos brasileiros, e se fazia acompanhar de generosos seios, daquela cinturinha de vespa e de um sorriso de mula no cio que virava a cabeça da homarada! E o pior de tudo: a criatura botava no chinelo qualquer jogador de basquete norte-americano: um metro e noventa de pura gostosura, ou, conforme depoimento do “pastor” Kadu Macedo: “como diria meu velho avô, é uma égua de tão gostosa”!

E aquele tanque de guerra sexual, vindo do interior com a família (o pai era preparador físico e fora contratado por um time de divisão inferior da capital), veio estacionar justamente na Universidade Luterana (a Ulbra) de Gravataí!

Durante um mês a coisa foi um completo rebuliço e a epidemia de cio tomou a universidade a ponto de obrigar a suspensão das aulas. Bastava Branirrilde pôr os pés no corredor que a gurizada dos mais diversos cursos (da Psicologia à Administração) abandonava a sala e se punha de quatro a zurrar e babar enquanto assistia o desfile da “ingênua” potranca, que passava lentamente, de mini-saia e salto alto, com aquele ar de puta feliz que ganhou duzentão pra ver o “cliente” sessentão roncar na cama!

Mas a loira safada era exigente: apesar da provocação dissimulada não dava bola pra ninguém! E ainda fez espalhar o boato (completamente “verdadeiro”, segundo a sua coleguinha mais chegada, a “Nega Um Sete Um”) que honrava a portentosa bunda e a coisa que mais gostava de fazer era dar o cuzinho… mas só pra jogador de futebol, em quem papai confiava!

Houve algum tarado mais afoito que ainda insistiu (como o Camarguinho-chama-o-hugo, que tomou um pifão de dois copos de cerveja pra criar coragem e passou uma semana com a cara torta a tapa, num torcicolo “intencional”), mas por fim o gelo despeitado tomou conta da matilha de estudantes.

Até que um dia a cadelona “ingênua” ia fazendo o seu desfile solitário, desconsolada e de beiço caído por falta de platéia, quando esbarrou – literalmente – no Peruca! Ninguém sabe explicar, mas parece que a coisa foi “tesão à primeira vista”. E, não fosse a fidelidade do lendário bocaberta a sua Schuvaca Horripilis, teria se cumprido a profecia do Apocalipse: a união das duas bestas ao quadrado – cuja fórmula esotérica explosiva, em relação a qual o capeta seria um mero gatinho a balbuciar “miau”, não seria “666”, mas “696996”.

Branirrilde, entretanto, era persistente, possuía uma determinação inversamente proporcional ao quadrado do seu Q.I. e, num belo dia, aproveitando um “apagão” no prédio, investiu com artilharia pesada, suspirante e dengosa, em ataque contra o estudante refratário: “Ai, Peruca… Me disseram que tem um tarado a solta atacando as gurias aqui na Ulbra! Tu não podias descer comigo a escada até o banheiro? Eu acho o caminho mesmo no escuro, mas tô sem calcinha e vai que o taradão me ataca!”.

O convite não foi nada sussurrante e a canalha masculina entrou em júbilo de relincho e coice: finalmente a cretina cedera a um seu igual! Franja (Gílson Dinastia), Camarguinho-chama-o-hugo e Kadu Macedo só não “rasgaram suas vestes e se cobriram de cinzas” como os hebreus do Velho Testamento, não de tristeza como aqueles, mas de absoluto alívio, por não possuírem os apetrechos necessários e a coisa andar meio fora de moda há uns bons dois milênios!

Mas eis que, como diziam as velhas carolas amigas de minha mãe, parece que um anjo estava de plantão no céu, pronto a emitir o seu “amém” (assim seja), justamente no momento em que o Peruca se debatia nas brasas da dúvida, naquela hora do dia em que seu cérebro entrava em “black out” (exatamente como a faculdade) e a resposta foi um não redondo, estrondoso e apavorado!

Na modorrenta penumbra ouviu-se, então, um coro, não de anjo ou de demônios, mas profundamente humano, doído, assustador e soturno: “Isto não existe! Eu não acredito!” E, murcha e de orelhas caídas, a turma do Peruca tratou de se arrastar até o quadro de chaves elétricas, no porão, e restabelecer a luz, que a armação pouco adiantara!

Desde então não há outro debate: Kadu jurou-me acreditar, em nome de São Goró, um dia destes, em plena mesa de bar, que “o Peruca só não é gay porque é teimoso – já que possui todo o kit necessário para isso”. E Camarguinho-chama-o-hugo, do alto de sua inspiração etílico-budista me jurou: “não é bem assim, a Schuvaca é que é hermafrodita, por isso continua o casamento!”.

Ubirajara Passos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s