INÉRCIA ABSOLUTA


O poema que segue me surgiu há pouco, em plena madrugada (são 3h 44 min), como resultado da minha falta de graça dos últimos dias e, apesar de estar sendo publicado no horário abaixo, foi programado neste instante, na página de administração do blog, para só ir ao ar no meio da tarde. Fiquem assim tranqüilos os toscos e autoritários burocratas que bloquearam o acesso a este blog, e a todos do “subsversivo” wordpress, na rede de computadores do judiciário gaúcho. Não a estou usando, como aliás nunca fiz, apesar de suas histéricas suspeitas, para publicar textos no Bira e as Safadezas…

Já os demais leitores, se possível, distraiam-se, mesmo cabisbaixos e ensimesmados atrás de seus gigantescos birôs.

INÉRCIA ABSOLUTA

Só a ridícula e insistente teimosia
Mantém-me vivo, a me arrastar, somente
Uma esperança vã, um vago devaneio
Faz crer que, ossificada e nula,
Da minha mente algo novo ainda surja.

Rastejo, uma absurda gravidade
Me imergindo, mais pesada que a Terra,
No fundo poço plúmbeo da rotina.

Alguns débeis disparates tentam em vão
Inflar as asas e alçar vôo da minha alma,
Mas tão magrelas são e é tão densa
A idiotizante canseira sempre igual

Das horas mortas, dos procedimentos
Velhos e gastos, os embates
De uma vidinnha circunscrita,
A espessa asneira
Do velho teatro bufo do poder

Que os arroubos de idéias mal paridas
Logo perdem força e se transmutam
Numa infeliz caricatura do humano.

Gravataí, 20 de novembro de 2007

Ubirajara Passos

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