A MALDIÇÃO DO SANTO PUTANHEIRO


Em janeiro de 2004 o alemão Valdir deixava Porto Alegre para trás, indo trabalhar no Foro de Giruá e morar em Santa Rosa (cidade onde sua mãe viveu as últimas décadas de vida e ainda moram três de seus irmãos).

Foi necatedral de São Miguelssa época, nos últimos dias da “República” da Amélia Telles (o apartamento do Alemão em Petrópolis) que me tornei amigo de seu irmão caçula (que é apenas um ano mais novo que eu), o Mauro Bergmann, convocado para executar o encaixotamento dos badulaques e organizar a mudança. Irreverente e prático, nossa identificação foi imediata e, desde então, sempre que vou visitar o Valdir em Santa Rosa, Mauro e sua família são figuras obrigatórias e presentes nas minhas estripulias na cidade.

Pois foi com os irmãos Bergmann (Valdir e Mauro) que, no carnaval daquele ano, visitei pela primeira vez as ruínas de São Miguel (na cidade do mesmo nome, próxima a Santo Ângelo), que foi apia matismal no Museus das Missões capital dos Sete Povos das Missões (a “República Guarani”, organizada em regime de auto-gestão comunista, antes do comunismo surgir como ideologia no mundo, na primeira metade do século XVIII, pelos padres jesuítas no Noroeste do que viria a ser o Rio Grande do Sul, à margem esquerda do Rio Uruguai).

Naquele dia, além de percorrer as ruínas da catedral, o terreno onde se localizava o antigo pomar, o cemitério e as oficinas industriais dos índios, visitamos o “Museu das Missões”, construído na entrada do antigo povoado com pedras remanescentes das próprias ruínas, onde se abrigam, além de antigas pias batismais em pedra esino missioneiro do século XVIII um sino de bronze (em que se vê inscrita a data “ANNO 1776” e um sol estilizado: um círculo com um globo maciço no centro, de onde saem oito raios ondulados), imagens de santos, esculpidas e pintadas em madeira pelos índios guaranis.

Há nele, resgatados das ruínas e preservados, ícones de todo tipo, de tradicionais crucifixos até um San Izidro gaudério, vestindo bota e chiripá (a antecessora da bombacha). Mas já estávamos percorrendo a última sala do museu, antes de partir para o pátio da catedral, quando dei com a imagem mais imprevisível e “fora da ordem” possível! Ajoelhado, vestido com uma espécie de “bombacha indiana”, um barbudo santo, nu da cintura para cima (com as típicas feições de um ibérico descendente de mouros, inclusive o enorme nariz aquilino) se inclina para a frente, cabeça gacha e braços levantados em paralelo à altura do peito, numa postura própria de um “filho de santo” incorporando um orixá na terreira!

em primeiro plano o Senhor dos Passos

A minha reação foi à altura da inusitada figura, que fui apontado para os meus companheiros aos gritos de “olha só que santo safado, com cara de putanheiro e cachaceiro velho, até parece que tá ‘baixando o santo”. Mauro, que ladeava a escultura, me respondeu com o ar mais debochado possível: “Mas Bira, é teu parente, olha aqui” – apontando para etiqueta de identificação,que constatei, pasmo e entusiasmado, fazia constar que se tratava de “Nosso Senhor dos Passos”, casualmente o santo católico que deu origem (como mais tarde eu descobriria) ao sobrenome da minha família paterna, no Portugal medieval. Além de ser uma espécie de versão iconográfica de mim mesmo (putanheiro, místico e irreverente), o santo estava ligado historicamente ao meu sobrenome (ao menos foi o que apurei nos sites de genealogia na internet).

Catedral de São Miguel vista à noite

Naquele dia, tanto a máquina fotográfica mecânica de Mauro quanto a digital de Valdir falharam, e o resultado é que, mesmo ambos pedindo em voz alta a bênção e a autorização do Senhor dos Passos, perdemos todas as fotos feitas em São Miguel , que simplesmente velaram ou desapareceram dos registros da máquina digital (uma “web can” portátil a pilha).

Somente no ano seguinte, quando retornei às “Missões”, consegui fotografar as ruínas e o meu arquétipo psicológico, e “padroeiro” familiar, o Nosso Senhor dos Passos que virou tema de poema de putaria do companheiro xupaxota anos depois, e que, no carnaval de 2004, talvez invocado com a minha gozação, amaldiçoou-nos as fotos lá feitas.

Ubirajara Passos

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Um comentário em “A MALDIÇÃO DO SANTO PUTANHEIRO

  1. Muitos dos atos que acham secretos, não são tão secretos assim!
    Vamos divulgar as patifarias dos espertalhões, pois o povo precisa saber de onde vem a miséria, a violência e os maus exemplos.
    E perceber, como funciona a política na Brasil!
    Pagamos impostos, para ter direito a Educação e Segurança; mas desde o descobrimento do Brasil, somos obrigados a conviver e confiar em gente hipócrita, mentirosa, oportunista e mesquinha, que pouco, ou nada se importa com a Pátria, ou, com seu semelhante!
    Se não fosse desta maneira, há muito seriamos o País mais rico do planeta, em todos os sentidos!
    Existem desvios de verbas, que debilita e desacredita a educação estadual e municipal, e os políticos tiram vantagens desta situação; pois, tanto montam escolas, como tomam parte nos lucros de outras, induzindo os que têm melhor poder aquisitivo, a procurar tais escolas particulares! Desta maneira, a maioria da população sem poder aquisitivo, continuara mal formada, e mal informada como sempre foi!
    Bom esquema não é mesmo?

    E esta mesma formula é usada na área de segurança publica.
    Desviam-se verbas da segurança, montam-se, ou apóiam empresas de seguranças particulares! E além de nos explorar com impostos para manterem seus salários principescos, suas mordomias e as varias aposentadorias, ainda superfaturam, desde as construções dos presídios, até os custos de cada preso.

    E na área de saúde, os políticos tanto desviam verbas, deixando o povo em desespero em filas de INSS, como aproveitam para fazer sociedades em hospitais e planos de saúde particular, que lhes proporciona mais renda, pois com a saúde abandonada, estão induzindo o cidadão com melhor poder aquisitivo, a pagar plano da saúde particular!
    Sem contar que continuam nos cobrando taxas de IPVA, TRU e muitos outros impostos, para construir e melhorar as estradas! Mas acontece que; depois de construir tais estradas com nossos impostos, eles, os políticos as privatizam para se favorecerem, ou favorecer seus amiguinhos, ou seus familiares; e somos obrigados a pagar absurdos, para rodar nas mesmas estradas, que foram construídas com nossos impostos!
    E o desfalque, a corrupção, e a injusta distribuição de renda, além de deixar a população sem opção de vida digna, ainda é a maior responsável pelo aumento da criminalidade, da violência e injustiça social!
    No final, o pobre é quem mais paga imposto no Brasil; pois paga; e não debita o que gasta, do imposto de renda!

    E para aumentar minha revolta, eu ajudei a eleger mais um salvador da pátria, que criticava os corruptos e ladrões, e se dizia defensor de uma justa distribuição de renda! Mas aconteceu; que depois de eleito, tanto ele se tornou milionário, como tornou seus amiguinhos e seus familiares, gênios, empresários, fazendeiros, bilionários da noite para o dia! Passou a defender aqueles que ele mesmo antes tanto criticava e com eles, passou a comer caviar e beber champanhe importado a ponto de urinar nas calças!
    E devido ao interesse, em assumir cargos na ONU, passou a doar o sangue e suor dos trabalhadores e dos oprimidos, até aos países de primeiro mundo.
    E com intuito de se perpetuar no poder, usa dinheiro dos cofres públicos para fazer campanha, apoiando uma ex-ladra e assassina para representar a população, e esconder suas imundices e enriquecimentos ilícitos!
    Mas como uma pessoa, que exerce vários cargos ao mesmo tempo, todos com salários principescos, pode dizer que defende a justiça social e uma justa distribuição de renda?Quem consegue estar em dois, ou três lugares ao mesmo tempo? É o caso da Dilma, que só da Petrobras, recebe mais de um milhão por ano sem ir ao emprego!
    Com tanto desemprego no País, isso é justo?
    Por este motivo, meu voto de confiança passou a ser no NULO: DIGITAREI 0000 E confirmarei!
    Enquanto poucos ganhem muito, sem fazer nada, muitos estão desempregados, vivendo sem dignidade em currais eleitorais!
    E falar em projetos felicidades?
    É inocência e simplicidade, ou muita demagogia e hipocrisia!

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